Thursday, August 6, 2026

 

SÍNTESE  SOBRE  O  REGIME  MACROBIÓTICO

N.º 7  DE  GEORGES  OHSAWA

organizada por temas e assinalando os principais pontos de concordância

e as diferenças entre alguns autores (AI).

ORIGEM E SIGNIFICADO DO REGIME N.º 7

O Regime N.º 7 foi concebido por Georges Ohsawa como a forma mais simples e concentrada da alimentação macrobiótica. Baseia-se essencialmente no consumo de cereais integrais, sobretudo arroz integral, durante um período limitado.

Embora seja frequentemente apresentado como uma dieta depurativa, Ohsawa também o considerava uma forma de jejum sem fome. Não se trataria de uma ausência total de alimento, mas da renúncia temporária a tudo o que não fosse considerado indispensável à vida.

Nesta perspetiva, os cereais representam a base fundamental da alimentação humana e uma síntese das principais forças da natureza: terra, água, ar, luz e energia solar.

A prática do Regime N.º 7 é apresentada, nos diferentes textos, como: uma monodieta de cereais integrais; uma prática depurativa; um meio de simplificação alimentar; uma introdução à alimentação macrobiótica; uma ferramenta para recuperar o equilíbrio físico e mental; um exercício de disciplina e de vontade; uma forma de jejum dos sentidos; uma experiência espiritual destinada a favorecer o desapego e a clareza interior.

O ARROZ INTEGRAL COMO ALIMENTO PRINCIPAL

Todos os autores atribuem ao arroz integral um lugar privilegiado.

É descrito como: o «rei dos cereais»; o cereal mais equilibrado entre Yin e Yang; o cereal mais indicado para a depuração; um alimento capaz de fortalecer e harmonizar o organismo; o cereal associado aos pulmões e ao intestino grosso; um alimento particularmente adequado à limpeza dos tecidos e do sangue.

Segundo a perspetiva macrobiótica, o arroz integral possui uma energia centrada e equilibrada. É menos Yang do que o trigo ou o centeio e menos Yin do que a aveia, o milho ou a quinoa.

Alguns textos recomendam especialmente o arroz integral de grão curto, proveniente de agricultura biológica e cozinhado com grande cuidado.

Outros cereais também podem ser utilizados: cevada; millet; trigo-sarraceno; aveia; milho; trigo integral; centeio; espelta; quinoa; amaranto; sorgo; arroz selvagem.

Apesar disso, alguns autores consideram que, quando o Regime N.º 7 é realizado com uma finalidade espiritual, deverá utilizar-se exclusivamente arroz integral.

DURAÇÃO DA DIETA

A duração mais frequentemente recomendada é de dez dias.

Este período é associado, nos textos, à ideia de renovação do plasma sanguíneo ou de uma parte significativa das células do sangue.

Existem, contudo, diferenças entre os autores: alguns aconselham um mínimo de quatro dias e um máximo de dez; outros recomendam entre sete e dez dias; alguns admitem quinze, vinte e um ou trinta dias; são também referidas experiências mais longas, de um de três meses; certos autores defendem que não deverá ultrapassar os dez dias; outros admitem períodos superiores quando existem acompanhamento, experiência e adaptações.

A orientação mais repetida consiste em limitar a prática a dez dias e regressar depois, gradualmente, a uma alimentação macrobiótica mais variada.

OBJETIVOS ATRIBUÍDOS AO REGIME N.º 7

Os diferentes textos atribuem-lhe os seguintes objetivos: simplificar a alimentação; reduzir os excessos alimentares; favorecer a eliminação de resíduos e toxinas; aliviar o trabalho dos órgãos excretores; limpar o sangue e os tecidos; fortalecer o organismo; melhorar a digestão; regular o funcionamento intestinal; aumentar a clareza mental; reduzir a confusão e a agitação emocional; desenvolver disciplina e autocontrolo; reconhecer a verdadeira fome; recuperar o equilíbrio entre Yin e Yang; ajudar a transformar a debilidade em força; favorecer um estado de serenidade e paz interior; preparar a transição para uma alimentação macrobiótica mais equilibrada.

Na linguagem de alguns autores, o Regime N.º 7 permite transformar: a debilidade em força; a insuficiência em suficiência; a confusão em clareza; o medo em coragem; a doença em saúde; o «pequeno eu» no «Grande Eu».

O regime Nº7 não é um fim em si – deve marcar o início de uma profunda mudança do nosso modo de vida, e dos nossos hábitos alimentares segundo os princípios universais macrobióticos.

ALIMENTAÇÃO BÁSICA

A forma mais rigorosa do Regime N.º 7 consiste em consumir apenas: arroz integral; água; uma pequena quantidade de sal marinho integral; chá Bancha ou Kukicha; eventualmente, uma pequena quantidade de gomásio.

Nalgumas versões, todos os cereais integrais são permitidos.

Noutras, podem ainda ser incluídos pequenos complementos: gomásio; miso; tamari ou shoyu; umeboshi; algas; sementes tostadas; alguns feijões azuki; pickles; daikon e cenoura ralados; salsa fresca bem picada; pequenas quantidades de tahini.

Estas inclusões não são consensuais.

Para alguns autores, a dieta deve ser extremamente simples, sem legumes, leguminosas, fruta, óleo ou condimentos.

Para outros, pequenas quantidades de alimentos Yang podem tornar a prática mais equilibrada, agradável e sustentável.

FORMAS DE PREPARAÇÃO DOS CEREAIS

Os cereais podem ser consumidos sob diversas formas: em grão inteiro; em creme ou papa; em sopa; em flocos; em sêmola; em massas; sob a forma de pão sem fermento; chapati; panquecas; crepes; bolachas integrais; galetes; bolas de arroz; bulgur; cuscuz; soba; kasha (trigo sarraceno); tsampa (cevada tostada); kokkoh (vários cereais integrais e também pode ter sementes de sésamo e feijão azuki – o que resulta uma papa ou leite muito energéticos, também indicada e adaptada a bebés, crianças, idosos, convalescentes).

Apesar destas possibilidades, a maioria dos autores aconselha que a principal forma de consumo continue a ser o cereal integral em grão.

Os cereais deverão ser sempre cozinhados. Não se recomenda o seu consumo cru durante o Regime N.º 7.

Podem ser utilizados os seguintes métodos: cozedura em água; panela de pressão; vapor; forno; preparação em creme; tostagem prévia.

PREPARAÇÃO DO ARROZ INTEGRAL

A proporção mais frequentemente indicada é: uma parte de arroz integral; duas partes de água; uma pequena pitada de sal marinho integral.

O arroz deverá ser lavado, colocado na panela com água fria e levado à fervura.

Na panela de pressão, o tempo de cozedura varia geralmente entre 40 e 50 minutos.

Numa panela convencional, poderá aproximar-se de uma hora e com mais água.

Para o creme de arroz utiliza-se habitualmente: uma parte de arroz; cinco partes de água; cozedura mínima de uma hora.

Alguns textos aconselham preparar apenas a quantidade necessária para um ou dois dias.

Outros admitem preparar arroz para dois ou três dias, conservando-o adequadamente.

O GOMÁSIO

O gomásio é o complemento mais frequentemente referido.

É preparado com: sementes de sésamo ligeiramente tostadas; sal marinho integral.

As proporções variam: 1 parte de sal para 7 partes de sésamo; 1 para 12; 1 para 15; 1 para 20.

As proporções mais salgadas são reservadas, segundo alguns autores, para situações de saúde específicas.

A proporção mais suave, entre 1:12 e 1:20, é considerada mais adequada ao uso habitual.

As sementes devem ser tostadas cuidadosamente, sem queimar, até libertarem um aroma semelhante ao da avelã. Depois são trituradas com o sal, de preferência num suribachi ou almofariz.

As opiniões sobre o gomásio diferem: alguns autores consideram-no essencial em todas as refeições; outros permitem apenas pequenas quantidades; Clara Castellotti refere que não o utilizou na sua própria experiência, por considerar que o sabor contrariava parcialmente a ideia de jejum dos sentidos.

Se surgir sede excessiva, recomenda-se reduzir a quantidade de gomásio ou de algas.

AS ALGAS

Algumas versões permitem pequenas quantidades de: kombu; wakame; hiziki; nori.

As algas deverão ser sempre bem cozinhadas e nunca consumidas cruas.

Segundo alguns autores, a sua presença favorece: a mineralização; os processos metabólicos; a eliminação; o fortalecimento do organismo, aceleração da cura.

Noutras versões mais rigorosas, as algas não são incluídas.

BEBIDAS

As bebidas mais frequentemente indicadas são: água quente ou morna; chá Bancha; chá Kukicha; chá de três anos; chá de arroz; chá de cevada; ocasionalmente chá Mú; infusões de camomila, verbena ou tomilho.

O chá Mú é apresentado como um tónico Yang, mas poderá não ser adequado para pessoas com: hipertensão arterial; nervosismo; insónias; elevada sensibilidade ao ginseng.

Clara Castellotti rejeita o chá de hortelã durante o Regime N.º 7, por considerar que a hortelã possui uma natureza demasiado Yin para uma dieta destinada a yanguizar o organismo.

As bebidas deverão ser consumidas quentes ou mornas.

QUANTIDADE DE LÍQUIDOS

A maior parte dos textos recomenda beber apenas de acordo com a verdadeira sede.

O objetivo não é suprimir completamente os líquidos, mas evitar beber de forma automática ou excessiva.

Alguns autores aconselham: uma taça de chá em cada refeição; pequenas quantidades de água quente; beber o mínimo necessário.

Outros textos sobre jejuns em geral recomendam seis a oito copos de líquidos por dia, sobretudo nos jejuns com sumos ou infusões.

Existe, portanto, uma diferença clara entre: o Regime N.º 7 macrobiótico, que tende a limitar os líquidos; outras formas de jejum, que podem prever uma ingestão mais abundante.

A ideia comum é procurar um equilíbrio, evitando tanto a insuficiência como o excesso.

A MASTIGAÇÃO

A mastigação é considerada a regra fundamental do Regime N.º 7.

As recomendações variam entre: 30 mastigações por garfada; 40 a 50; 50 a 70; 70 a 100; pelo menos 100 nas práticas espirituais. E vão até às 200 em caso de doença grave.

Mastigar é apresentado como uma forma de: facilitar a digestão; evitar sobrecarregar o estômago; aumentar a insalivação; melhorar a assimilação; reduzir a quantidade de alimentos consumidos; controlar a voracidade; aumentar a sensação de saciedade; favorecer uma condição mais Yang; desenvolver atenção e consciência; estimular a clareza mental; reconhecer a verdadeira fome.

Alguns textos recomendam colocar a bola de arroz na boca, esperar que se forme saliva e só depois começar a mastigar lentamente, até que o alimento se transforme numa pasta quase líquida – “beber os sólidos, comer os líquidos”.

Este processo pode demorar entre dez e quinze minutos por bola de arroz.

A VERDADEIRA FOME

Um dos objetivos da prática é distinguir a verdadeira fome da falsa fome.

A verdadeira fome é associada a: necessidade física real; apetite saudável; simplicidade; capacidade de apreciar os alimentos básicos.

A falsa fome relaciona-se com: hábitos; desejos; gula; ansiedade; procura de estímulo apetites emocionais; dependência de sabores fortes.

Segundo os autores, quando se mastiga corretamente, a quantidade de comida regula-se naturalmente e deixa de existir a necessidade de comer em excesso.

FREQUÊNCIA DAS REFEIÇÕES

Na forma clássica, são indicadas duas ou três refeições principais por dia.

Algumas versões recomendam: uma taça de cereal em cada refeição; uma taça de chá; três a cinco taças de cereal por dia.

Uma versão baseada em bolas de arroz aconselha, nos primeiros dias: uma bola de arroz de hora a hora; mais do que uma, quando exista fome.

Outros autores recomendam jejum intermitente de 12 a 14 horas durante a noite, seguido de um pequeno-almoço com creme de arroz.

Estas práticas não são inteiramente coincidentes.

A maioria defende que não se deve passar fome, mas também não se deve comer sem necessidade.

EXEMPLO DE ALIMENTAÇÃO DIÁRIA

Pequeno-almoço: Creme de arroz integral; Chá Kukicha, Bancha ou chá de três anos; Pequena quantidade de gomásio, tamari ou miso, conforme a variante.

Almoço: Arroz integral ou outro cereal em grão; Gomásio; Eventualmente uma pequena quantidade de salsa fresca picada, ameixa umeboshi, algas ou sementes.

Jantar: Uma quantidade menor de arroz integral; Chá de cereal ou chá de três anos; Pequena quantidade de gomásio ou tamari, quando permitido.

Nas variantes mais amplas com “adaptações” podem surgir: sopa de miso; legumes cozidos a vapor; pickles; azuki; daikon; cenoura; massa soba; quinoa; millet; creme de kuzu.

ATIVIDADE FÍSICA E ROTINA

A maioria dos autores recomenda manter alguma atividade física durante a prática: caminhar; fazer Do-In; praticar ioga; Tai Chi; Qigong; nadar; andar de bicicleta; realizar caminhadas na natureza; praticar exercício ligeiro ou moderado.

A atividade deverá favorecer a circulação e evitar que o organismo fique parado ou excessivamente fatigado.

Alguns autores aconselham manter-se física e mentalmente ativo e dormir apenas o necessário.

Outros sugerem escolher um período tranquilo, em que seja possível: descansar; caminhar; meditar; estudar; contemplar; refletir; evitar festas e compromissos alimentares.

DIMENSÃO ESPIRITUAL

O Regime N.º 7 é apresentado, em vários textos, como mais do que uma dieta.

Pode constituir: um retiro espiritual; um jejum dos sentidos; um exercício de desapego; uma prática de silêncio; uma disciplina de atenção; uma forma de desenvolver a vontade; um caminho de autoconhecimento; uma experiência de simplicidade; uma aproximação ao princípio de Vivere Parvo.

Ohsawa associa o verdadeiro desapego não apenas à renúncia ao dinheiro ou aos prazeres, mas ao desapego do mundo relativo, finito e efémero.

A prática deverá ser realizada com: intenção; convicção; sinceridade; precisão; gratidão; respeito pelos alimentos e por quem os cozinha; atenção ao ato de comer.

O DIÁLOGO INTERIOR

Martín Macedo atribui importância às palavras utilizadas durante a dieta.

Em vez de considerar o regime difícil, monótono ou restritivo, propõe um diálogo interior positivo: «Esta dieta é deliciosa.» «Equilibra-me.» «Fortalece-me.» «Depura-me.» «É uma prática poderosa.» «Estou motivado.»

A linguagem é entendida como parte do processo de transformação.

OS PRIMEIROS DIAS                                     

Os primeiros três dias são geralmente descritos como os mais difíceis. Poderão surgir: desejos por outros alimentos; irritabilidade; ansiedade; cansaço; fome emocional; dificuldade de concentração; alterações do humor.

Segundo Clara Castellotti, o segundo e o terceiro dias são os mais exigentes.

A partir do quarto dia poderá surgir uma sensação de leveza e clareza mental.

Desde o quinto dia, algumas pessoas referem: maior clareza mental; lucidez; tranquilidade; melhor concentração; diminuição dos desejos alimentares.

ESTRATÉGIAS PARA OS MOMENTOS DE DIFICULDADE (DESEJOS/FADIGA)

São sugeridas as seguintes estratégias: praticar respiração abdominal profunda; esfregar o corpo com uma toalha quente e húmida - utilizar água de gengibre; caminhar; praticar exercício físico ligeiro; manter-se ocupado; meditar a partir do quinto ou sexto dia; beber uma pequena quantidade de Bancha com tamari em caso de fadiga; mastigar mais lentamente; recordar o objetivo da prática; evitar pensamentos negativos sobre a dieta.

ÉPOCA DO ANO

A Primavera e o Outono são as estações mais frequentemente recomendadas. São consideradas épocas intermédias, com condições climatéricas menos extremas.

No texto de Clara Castellotti: na Primavera é referida a cevada, associada ao fígado; no Outono recomenda-se especialmente o arroz integral.

O Verão e o Inverno podem ser menos adequados devido ao calor ou ao frio extremos e à possibilidade de maior tensão física ou nervosa.

PREPARAÇÃO ANTES DA DIETA

Os autores recomendam que a alimentação já seja relativamente limpa antes de iniciar o Regime N.º 7.

As pessoas habituadas a consumir: carne; lacticínios; açúcar; café; álcool; produtos industriais; bebidas açucaradas; grandes quantidades de alimentos crus - deverão fazer uma transição prévia, vegetariana.

Esta preparação poderá incluir, durante alguns dias ou uma semana: cereais integrais; leguminosas; legumes cozinhados; algas; sopa de miso; chá de três anos; exclusão de lácteos, produtos animais e industriais.

Para quem já pratica macrobiótica, recomenda-se passar alguns dias sem desvios antes de começar.

REGRESSO À ALIMENTAÇÃO HABITUAL

A reintrodução dos alimentos deverá ser gradual.

São recomendados três a quatro dias de reajuste.

11.º dia - Manter os cereais; introduzir sopa de miso; acrescentar alguns legumes cozidos ou a vapor.

12.º dia - Manter os alimentos anteriores; introduzir fruta cozida, por vezes com kuzu.

13.º dia - Introduzir uma fonte de proteína vegetal (leguminosas, tofu, seitan, tempeh,…); acrescentar alguns condimentos.

14.º dia - reintegrar progressivamente os restantes alimentos de uma alimentação macrobiótica padrão saudável ou de um regime macrobiótico recomendado por um conselheiro macrobiótico adaptado ao estado de saúde actual.

Não se recomenda terminar o Regime N.º 7 imediatamente antes de: festas; refeições abundantes; viagens; celebrações; situações em que seja difícil controlar a alimentação.

CONTRAINDICAÇÕES E LIMITAÇÕES REFERIDAS

Os textos não consideram a prática da nº 7 adequada para todas as pessoas.

São mencionadas as seguintes contraindicações ou situações que exigem cuidado: pessoas muito magras; anorexia; diabetes tipo 1; gravidez; bulimia; perturbações do comportamento alimentar; anemia grave; anemia perniciosa; miopatias; insuficiência renal; doenças graves com grande debilidade; pessoas submetidas a transplantes; diverticulose intestinal; problemas vasculares importantes; sangue muito espesso; terapêutica medicamentosa intensa; hipertensão ou hipotensão medicadas; peso abaixo do limite aconselhado; pessoas com pouca energia vital; determinadas doenças ativas.

Alguns textos afirmam que não deverá ser realizada por pessoas com qualquer doença sem acompanhamento.

Outros apresentam-na precisamente como um regime para pessoas doentes, mas sob supervisão de um conselheiro macrobiótico experiente.

Existe, portanto, uma divergência significativa quanto à sua utilização terapêutica sem acompanhamento.

SINTOMAS ATRIBUÍDOS AO PROCESSO DE ELIMINAÇÃO

Alguns autores descrevem possíveis reações durante a dieta ou nos primeiros meses de alimentação macrobiótica: dores de cabeça; enxaqueca; cansaço; fraqueza; prisão de ventre; diarreia; erupções cutâneas; borbulhas; alterações da pele; aumento de mucosidades; tosse; sinusite; dores musculares; dores articulares; transpiração; alterações do odor corporal; queda de cabelo; perda de peso; alterações menstruais; redução temporária da libido.

São também mencionadas reações mais intensas: febre elevada; dificuldades respiratórias; hemorragias; crises renais; eliminação de cálculos; dores nervosas.

Nestes casos, alguns autores defendem acompanhamento por um conselheiro macrobiótico experiente.

DIFERENTES FORMAS DE JEJUM E DEPURAÇÃO

Além do Regime N.º 7, os textos referem outros tipos de jejum:

·       Jejum com fruta ou alimentos crus - Indicado, segundo Paul Pitchford, para pessoas robustas que transitam de uma dieta rica em produtos animais para uma alimentação vegetariana.

·       Jejum com sumos - Pode incluir: sumo de cenoura; beterraba; aipo; couve; salsa; erva de cevada; erva de trigo.

·       Jejum com legumes a vapor - Sugerido para pessoas com uma condição fria ou deficiente que tenham consumido demasiados doces, cereais, frutos secos, leguminosas, ovos ou lacticínios.

·       Jejum com arroz e feijão-mungo - Prática associada à tradição iogue, considerada equilibrante para o corpo e a mente.

·       Jejum com microalgas - Pode utilizar spirulina ou chlorella e é apresentado como mais adequado para pessoas com desejos de açúcar ou dificuldade em jejuar.

·       Jejum absoluto - Consiste na ausência total de alimentos e líquidos ou, nalgumas descrições, apenas na exposição ao ar. É considerado muito exigente e inadequado para a maioria das pessoas sem preparação e supervisão.

A TRADIÇÃO JAPONESA

Georges Ohsawa recorda que, no Japão tradicional, a alimentação quotidiana se aproximava naturalmente do Regime N.º 7.

As refeições eram compostas principalmente por: arroz semi-integral; cevada; millet; sopa de miso; umeboshi; pickles salgados; pequenas quantidades de legumes; peixe ocasional.

As crianças levavam para a escola uma marmita com arroz e uma umeboshi, conhecida como «marmita do sol nascente».

O arroz, o mochi e o azuki faziam parte das festas familiares e das celebrações das estações do ano.

Segundo Ohsawa, esta alimentação simples estava associada à tradição do Vivere Parvo, à gratidão, à longevidade e à harmonia familiar.

O abandono deste modelo e a adoção de: açúcar; bolos industriais; alimentos artificiais; bebidas açucaradas; lacticínios; carne processada; conservas; produtos químicos - são apresentados como sinais de perda da tradição alimentar japonesa pelo contacto com a cultura ocidental.

ARROZ INTEGRAL, SEMI-INTEGRAL E BRANCO

Os textos distinguem:

·       Arroz integral - Mantém o farelo e o gérmen, sendo considerado o mais nutritivo e adequado como alimento de base.

·       Arroz semi-integral - Conserva parte das camadas exteriores e representa uma opção intermédia.

·       Arroz branco - É descascado e polido, perdendo grande parte do farelo, do gérmen, das fibras, vitaminas e minerais.

·       Arroz vaporizado - É tratado termicamente antes de ser descascado, podendo conservar parte dos nutrientes no interior do grão.

·       Arroz selvagem - Não é propriamente arroz, mas a semente de uma gramínea aquática.

É valorizado pelo seu teor de: proteínas; fibras; magnésio; fósforo; ferro; zinco; manganês; cobre; vitaminas do grupo B.

SEGURANÇA E QUALIDADE DO ARROZ

Um dos textos alerta para relatos de arroz artificial ou adulterado.

São descritos testes caseiros baseados em: flutuação na água; combustão; trituração; formação de bolor.

O texto recomenda escolher arroz: biológico; integral ou semi-integral; de origem conhecida; produzido, sempre que possível, no próprio país ou numa região de confiança.

DIETA DO ARROZ DO DR. WALTER KEMPNER

É mencionada a dieta criada, em 1934, pelo Dr. Walter Kempner, inicialmente destinada a pessoas com: hipertensão grave; doença renal.

Segundo o texto, esta dieta foi posteriormente utilizada em situações como: insuficiência cardíaca; edemas; diabetes; colesterol elevado; obesidade; doenças cardiovasculares; psoríase; rigidez articular.

A dieta de Kempner é aproximada, por alguns autores, do Regime N.º 7 de Ohsawa, embora tenha origem e estrutura próprias.

PRINCIPAIS PONTOS DE CONCORDÂNCIA

Os diferentes textos concordam nos seguintes aspetos fundamentais:

  1. O arroz integral é o cereal principal do Regime N.º 7.
  2. A duração tradicional é de dez dias.
  3. A dieta deverá ser simples.
  4. A mastigação é essencial.
  5. Os alimentos deverão ser de boa qualidade e bem preparados.
  6. Os líquidos deverão ser consumidos com moderação e segundo a sede.
  7. Os primeiros dias são os mais difíceis.
  8. A prática deverá ter um objetivo claramente definido.
  9. A transição de entrada e de saída deverá ser gradual.

10. A dieta não é adequada para todas as pessoas.

11. A atividade física moderada e a atenção mental são importantes.

12. O Regime N.º 7 não deve ser entendido apenas como um método alimentar, mas como uma prática de simplificação e transformação pessoal.

PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE OS AUTORES

Duração

  • Alguns limitam a prática a dez dias.
  • Outros admitem períodos entre quatro dias e um mês.
  • São mencionadas experiências ainda mais longas.

Número de alimentos permitidos

  • A versão mais rigorosa permite apenas arroz integral, água, sal e chá.
  • Outras versões incluem todos os cereais.
  • Algumas permitem gomásio, miso, tamari, umeboshi, sementes, algas, azuki, legumes ou pickles.

Bebidas

  • Alguns recomendam apenas Bancha, Kukicha ou água quente.
  • Outros permitem chá Mú e infusões.
  • Os textos sobre outros tipos de jejum aconselham maiores quantidades de líquidos.

Gomásio

  • Para alguns é essencial.
  • Para outros é apenas opcional.
  • Clara Castellotti prefere não o utilizar numa prática espiritual.

Frequência das refeições

  • Duas ou três refeições por dia;
  • Três a cinco taças de cereal por dia;
  • Uma bola de arroz de hora a hora nos primeiros dias;
  • Jejum intermitente de 12 a 14 horas.

Pessoas doentes

  • Alguns autores apresentam o regime como uma dieta terapêutica.
  • Outros aconselham que pessoas doentes não o realizem sem acompanhamento.
  • Alguns textos contraindicam-no em numerosas condições clínicas.

Finalidade

  • Depuração física;
  • Regeneração;
  • Equilíbrio emocional;
  • Clareza mental;
  • Prática espiritual;
  • Exercício de vontade;
  • Introdução à macrobiótica.

SÍNTESE FINAL DOS TEXTOS

O Regime Macrobiótico N.º 7 de Georges Ohsawa é apresentado como uma monodieta baseada sobretudo em arroz integral, tradicionalmente praticada durante dez dias.

A sua essência encontra-se na simplificação:

  • poucos alimentos;
  • preparação cuidada;
  • mastigação prolongada;
  • ingestão moderada de líquidos;
  • atenção plena às refeições;
  • atividade física moderada;
  • disciplina mental;
  • regresso gradual a uma alimentação mais variada.

O arroz integral ocupa o centro da prática, embora alguns autores permitam outros cereais e pequenos complementos.

A Dieta N.º 7 é entendida simultaneamente como:

  • uma prática alimentar;
  • uma forma de jejum;
  • um processo de depuração;
  • uma disciplina da vontade;
  • um método de observação do corpo;
  • um caminho para reconhecer a verdadeira fome;
  • uma experiência de clareza e transformação interior.

A frase que melhor resume o princípio comum aos diversos textos é:

Simplificar a alimentação, mastigar profundamente, comer apenas de acordo com a verdadeira fome e regressar temporariamente ao cereal integral como alimento fundamental.

 

AUTORES/FONTES ESTUDADOS

·      Georges Oshawa

·      Clara Castellotti

·      Agnès Pérez

·      Martín Macedo

·      Dr. Deyne (?)

·      Gérard Wenker

·      Michel Dogna

·      Vegetarte (https://vegetarte.wordpress.com/2012/10/30/dieta-desintoxicante-numero-7-de-la-macrobiotica/

·      Macrobiotica (Recetas de Familia) https://familia274.rssing.com/chan-6389121/article291-live.html

·      Nishime (https://nishime.org/)

 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No comments:

Post a Comment

  SÍNTESE   SOBRE   O   REGIME   MACROBIÓTICO N.º 7   DE   GEORGES   OHSAWA organizada por temas e assinalando os principais pontos de c...