SÍNTESE SOBRE O
REGIME MACROBIÓTICO
N.º 7 DE GEORGES OHSAWA
organizada por temas e assinalando os
principais pontos de concordância
e as diferenças entre alguns autores (AI).
ORIGEM E
SIGNIFICADO DO REGIME N.º 7
O Regime N.º 7
foi concebido por Georges Ohsawa como a forma mais simples e concentrada da
alimentação macrobiótica. Baseia-se essencialmente no consumo de cereais
integrais, sobretudo arroz integral, durante um período limitado.
Embora seja
frequentemente apresentado como uma dieta depurativa, Ohsawa também o
considerava uma forma de jejum sem fome. Não se trataria de uma ausência total
de alimento, mas da renúncia temporária a tudo o que não fosse considerado
indispensável à vida.
Nesta
perspetiva, os cereais representam a base fundamental da alimentação humana e
uma síntese das principais forças da natureza: terra, água, ar, luz e energia
solar.
A prática do
Regime N.º 7 é apresentada, nos diferentes textos, como: uma monodieta de
cereais integrais; uma prática depurativa; um meio de simplificação alimentar; uma
introdução à alimentação macrobiótica; uma ferramenta para recuperar o
equilíbrio físico e mental; um exercício de disciplina e de vontade; uma forma
de jejum dos sentidos; uma experiência espiritual destinada a favorecer o
desapego e a clareza interior.
O ARROZ
INTEGRAL COMO ALIMENTO PRINCIPAL
Todos os
autores atribuem ao arroz integral um lugar privilegiado.
É descrito
como: o «rei dos cereais»; o cereal mais equilibrado entre Yin e Yang; o cereal
mais indicado para a depuração; um alimento capaz de fortalecer e harmonizar o
organismo; o cereal associado aos pulmões e ao intestino grosso; um alimento
particularmente adequado à limpeza dos tecidos e do sangue.
Segundo a
perspetiva macrobiótica, o arroz integral possui uma energia centrada e
equilibrada. É menos Yang do que o trigo ou o centeio e menos Yin do que a
aveia, o milho ou a quinoa.
Alguns textos
recomendam especialmente o arroz integral de grão curto, proveniente de
agricultura biológica e cozinhado com grande cuidado.
Outros cereais
também podem ser utilizados: cevada; millet; trigo-sarraceno; aveia; milho; trigo
integral; centeio; espelta; quinoa; amaranto; sorgo; arroz selvagem.
Apesar disso,
alguns autores consideram que, quando o Regime N.º 7 é realizado com uma
finalidade espiritual, deverá utilizar-se exclusivamente arroz integral.
DURAÇÃO DA DIETA
A duração mais
frequentemente recomendada é de dez dias.
Este período é
associado, nos textos, à ideia de renovação do plasma sanguíneo ou de uma parte
significativa das células do sangue.
Existem,
contudo, diferenças entre os autores: alguns aconselham um mínimo de quatro
dias e um máximo de dez; outros recomendam entre sete e dez dias; alguns
admitem quinze, vinte e um ou trinta dias; são também referidas experiências
mais longas, de um de três meses; certos autores defendem que não deverá
ultrapassar os dez dias; outros admitem períodos superiores quando existem
acompanhamento, experiência e adaptações.
A orientação
mais repetida consiste em limitar a prática a dez dias e regressar depois,
gradualmente, a uma alimentação macrobiótica mais variada.
OBJETIVOS
ATRIBUÍDOS AO REGIME N.º 7
Os diferentes
textos atribuem-lhe os seguintes objetivos: simplificar a alimentação; reduzir
os excessos alimentares; favorecer a eliminação de resíduos e toxinas; aliviar
o trabalho dos órgãos excretores; limpar o sangue e os tecidos; fortalecer o
organismo; melhorar a digestão; regular o funcionamento intestinal; aumentar a
clareza mental; reduzir a confusão e a agitação emocional; desenvolver
disciplina e autocontrolo; reconhecer a verdadeira fome; recuperar o equilíbrio
entre Yin e Yang; ajudar a transformar a debilidade em força; favorecer um
estado de serenidade e paz interior; preparar a transição para uma alimentação
macrobiótica mais equilibrada.
Na linguagem
de alguns autores, o Regime N.º 7 permite transformar: a debilidade em força; a
insuficiência em suficiência; a confusão em clareza; o medo em coragem; a
doença em saúde; o «pequeno eu» no «Grande Eu».
O regime Nº7 não é um fim em si – deve marcar o início
de uma profunda mudança do nosso modo de vida, e dos nossos hábitos alimentares
segundo os princípios universais macrobióticos.
ALIMENTAÇÃO
BÁSICA
A forma mais
rigorosa do Regime N.º 7 consiste em consumir apenas: arroz integral; água; uma
pequena quantidade de sal marinho integral; chá Bancha ou Kukicha; eventualmente,
uma pequena quantidade de gomásio.
Nalgumas
versões, todos os cereais integrais são permitidos.
Noutras, podem
ainda ser incluídos pequenos complementos: gomásio; miso; tamari ou shoyu; umeboshi;
algas; sementes tostadas; alguns feijões azuki; pickles; daikon e cenoura
ralados; salsa fresca bem picada; pequenas quantidades de tahini.
Estas
inclusões não são consensuais.
Para alguns
autores, a dieta deve ser extremamente simples, sem legumes, leguminosas,
fruta, óleo ou condimentos.
Para outros,
pequenas quantidades de alimentos Yang podem tornar a prática mais equilibrada,
agradável e sustentável.
FORMAS DE
PREPARAÇÃO DOS CEREAIS
Os cereais
podem ser consumidos sob diversas formas: em grão inteiro; em creme ou papa; em
sopa; em flocos; em sêmola; em massas; sob a forma de pão sem fermento; chapati;
panquecas; crepes; bolachas integrais; galetes; bolas de arroz; bulgur; cuscuz;
soba; kasha (trigo sarraceno); tsampa (cevada tostada); kokkoh (vários cereais
integrais e também pode ter sementes de sésamo e feijão azuki – o que resulta
uma papa ou leite muito energéticos, também indicada e adaptada a bebés, crianças,
idosos, convalescentes).
Apesar destas
possibilidades, a maioria dos autores aconselha que a principal forma de
consumo continue a ser o cereal integral em grão.
Os cereais
deverão ser sempre cozinhados. Não se recomenda o seu consumo cru durante o
Regime N.º 7.
Podem ser
utilizados os seguintes métodos: cozedura em água; panela de pressão; vapor; forno;
preparação em creme; tostagem prévia.
PREPARAÇÃO DO
ARROZ INTEGRAL
A proporção
mais frequentemente indicada é: uma parte de arroz integral; duas partes de
água; uma pequena pitada de sal marinho integral.
O arroz deverá
ser lavado, colocado na panela com água fria e levado à fervura.
Na panela de
pressão, o tempo de cozedura varia geralmente entre 40 e 50 minutos.
Numa panela
convencional, poderá aproximar-se de uma hora e com mais água.
Para o creme
de arroz utiliza-se habitualmente: uma parte de arroz; cinco partes de água; cozedura
mínima de uma hora.
Alguns textos
aconselham preparar apenas a quantidade necessária para um ou dois dias.
Outros admitem
preparar arroz para dois ou três dias, conservando-o adequadamente.
O GOMÁSIO
O gomásio é o
complemento mais frequentemente referido.
É preparado
com: sementes de sésamo ligeiramente tostadas; sal marinho integral.
As proporções
variam: 1 parte de sal para 7 partes de sésamo; 1 para 12; 1 para 15; 1 para
20.
As proporções
mais salgadas são reservadas, segundo alguns autores, para situações de saúde específicas.
A proporção
mais suave, entre 1:12 e 1:20, é considerada mais adequada ao uso habitual.
As sementes
devem ser tostadas cuidadosamente, sem queimar, até libertarem um aroma
semelhante ao da avelã. Depois são trituradas com o sal, de preferência num
suribachi ou almofariz.
As opiniões
sobre o gomásio diferem: alguns autores consideram-no essencial em todas as
refeições; outros permitem apenas pequenas quantidades; Clara Castellotti
refere que não o utilizou na sua própria experiência, por considerar que o
sabor contrariava parcialmente a ideia de jejum dos sentidos.
Se surgir sede
excessiva, recomenda-se reduzir a quantidade de gomásio ou de algas.
AS ALGAS
Algumas
versões permitem pequenas quantidades de: kombu; wakame; hiziki; nori.
As algas
deverão ser sempre bem cozinhadas e nunca consumidas cruas.
Segundo alguns
autores, a sua presença favorece: a mineralização; os processos metabólicos; a
eliminação; o fortalecimento do organismo, aceleração da cura.
Noutras
versões mais rigorosas, as algas não são incluídas.
BEBIDAS
As bebidas
mais frequentemente indicadas são: água quente ou morna; chá Bancha; chá
Kukicha; chá de três anos; chá de arroz; chá de cevada; ocasionalmente chá Mú; infusões
de camomila, verbena ou tomilho.
O chá Mú é
apresentado como um tónico Yang, mas poderá não ser adequado para pessoas com: hipertensão
arterial; nervosismo; insónias; elevada sensibilidade ao ginseng.
Clara
Castellotti rejeita o chá de hortelã durante o Regime N.º 7, por considerar que
a hortelã possui uma natureza demasiado Yin para uma dieta destinada a
yanguizar o organismo.
As bebidas
deverão ser consumidas quentes ou mornas.
QUANTIDADE DE
LÍQUIDOS
A maior parte
dos textos recomenda beber apenas de acordo com a verdadeira sede.
O objetivo não
é suprimir completamente os líquidos, mas evitar beber de forma automática ou
excessiva.
Alguns autores
aconselham: uma taça de chá em cada refeição; pequenas quantidades de água
quente; beber o mínimo necessário.
Outros textos
sobre jejuns em geral recomendam seis a oito copos de líquidos por dia,
sobretudo nos jejuns com sumos ou infusões.
Existe,
portanto, uma diferença clara entre: o Regime N.º 7 macrobiótico, que tende a
limitar os líquidos; outras formas de jejum, que podem prever uma ingestão mais
abundante.
A ideia comum
é procurar um equilíbrio, evitando tanto a insuficiência como o excesso.
A MASTIGAÇÃO
A mastigação é
considerada a regra fundamental do Regime N.º 7.
As
recomendações variam entre: 30 mastigações por garfada; 40 a 50; 50 a 70; 70 a
100; pelo menos 100 nas práticas espirituais. E vão até às 200 em caso de
doença grave.
Mastigar é
apresentado como uma forma de: facilitar a digestão; evitar sobrecarregar o
estômago; aumentar a insalivação; melhorar a assimilação; reduzir a quantidade
de alimentos consumidos; controlar a voracidade; aumentar a sensação de
saciedade; favorecer uma condição mais Yang; desenvolver atenção e consciência;
estimular a clareza mental; reconhecer a verdadeira fome.
Alguns textos
recomendam colocar a bola de arroz na boca, esperar que se forme saliva e só
depois começar a mastigar lentamente, até que o alimento se transforme numa
pasta quase líquida – “beber os sólidos, comer os líquidos”.
Este processo
pode demorar entre dez e quinze minutos por bola de arroz.
A VERDADEIRA
FOME
Um dos
objetivos da prática é distinguir a verdadeira fome da falsa fome.
A verdadeira
fome é associada a: necessidade física real; apetite saudável; simplicidade; capacidade
de apreciar os alimentos básicos.
A falsa fome
relaciona-se com: hábitos; desejos; gula; ansiedade; procura de estímulo apetites
emocionais; dependência de sabores fortes.
Segundo os
autores, quando se mastiga corretamente, a quantidade de comida regula-se
naturalmente e deixa de existir a necessidade de comer em excesso.
FREQUÊNCIA DAS
REFEIÇÕES
Na forma
clássica, são indicadas duas ou três refeições principais por dia.
Algumas
versões recomendam: uma taça de cereal em cada refeição; uma taça de chá; três
a cinco taças de cereal por dia.
Uma versão
baseada em bolas de arroz aconselha, nos primeiros dias: uma bola de arroz de
hora a hora; mais do que uma, quando exista fome.
Outros autores
recomendam jejum intermitente de 12 a 14 horas durante a noite, seguido de um
pequeno-almoço com creme de arroz.
Estas práticas
não são inteiramente coincidentes.
A maioria
defende que não se deve passar fome, mas também não se deve comer sem
necessidade.
EXEMPLO DE
ALIMENTAÇÃO DIÁRIA
Pequeno-almoço: Creme de arroz
integral; Chá Kukicha, Bancha ou chá de três anos; Pequena quantidade de
gomásio, tamari ou miso, conforme a variante.
Almoço: Arroz integral ou outro cereal em grão; Gomásio;
Eventualmente uma pequena quantidade de salsa fresca picada, ameixa umeboshi,
algas ou sementes.
Jantar: Uma quantidade menor de arroz integral; Chá
de cereal ou chá de três anos; Pequena quantidade de gomásio ou tamari,
quando permitido.
Nas variantes
mais amplas com “adaptações” podem surgir: sopa de miso; legumes cozidos a
vapor; pickles; azuki; daikon; cenoura; massa soba; quinoa; millet; creme de
kuzu.
ATIVIDADE
FÍSICA E ROTINA
A maioria dos
autores recomenda manter alguma atividade física durante a prática: caminhar; fazer
Do-In; praticar ioga; Tai Chi; Qigong; nadar; andar de bicicleta; realizar
caminhadas na natureza; praticar exercício ligeiro ou moderado.
A atividade
deverá favorecer a circulação e evitar que o organismo fique parado ou
excessivamente fatigado.
Alguns autores
aconselham manter-se física e mentalmente ativo e dormir apenas o necessário.
Outros sugerem
escolher um período tranquilo, em que seja possível: descansar; caminhar; meditar;
estudar; contemplar; refletir; evitar festas e compromissos alimentares.
DIMENSÃO
ESPIRITUAL
O Regime N.º 7
é apresentado, em vários textos, como mais do que uma dieta.
Pode
constituir: um retiro espiritual; um jejum dos sentidos; um exercício de
desapego; uma prática de silêncio; uma disciplina de atenção; uma forma de
desenvolver a vontade; um caminho de autoconhecimento; uma experiência de
simplicidade; uma aproximação ao princípio de Vivere Parvo.
Ohsawa associa
o verdadeiro desapego não apenas à renúncia ao dinheiro ou aos prazeres, mas ao
desapego do mundo relativo, finito e efémero.
A prática
deverá ser realizada com: intenção; convicção; sinceridade; precisão; gratidão;
respeito pelos alimentos e por quem os cozinha; atenção ao ato de comer.
O DIÁLOGO INTERIOR
Martín Macedo
atribui importância às palavras utilizadas durante a dieta.
Em vez de
considerar o regime difícil, monótono ou restritivo, propõe um diálogo interior
positivo: «Esta dieta é deliciosa.» «Equilibra-me.» «Fortalece-me.» «Depura-me.»
«É uma prática poderosa.» «Estou motivado.»
A linguagem é
entendida como parte do processo de transformação.
OS PRIMEIROS DIAS
Os primeiros três dias são geralmente descritos como os mais difíceis. Poderão
surgir: desejos por outros alimentos; irritabilidade; ansiedade; cansaço; fome
emocional; dificuldade de concentração; alterações do humor.
Segundo Clara
Castellotti, o segundo e o terceiro dias são os mais exigentes.
A partir do
quarto dia poderá surgir uma sensação de leveza e clareza mental.
Desde o quinto
dia, algumas pessoas referem: maior clareza mental; lucidez; tranquilidade; melhor
concentração; diminuição dos desejos alimentares.
ESTRATÉGIAS
PARA OS MOMENTOS DE DIFICULDADE (DESEJOS/FADIGA)
São sugeridas
as seguintes estratégias: praticar respiração abdominal profunda; esfregar o
corpo com uma toalha quente e húmida - utilizar água de gengibre; caminhar; praticar
exercício físico ligeiro; manter-se ocupado; meditar a partir do quinto ou
sexto dia; beber uma pequena quantidade de Bancha com tamari em caso de fadiga;
mastigar mais lentamente; recordar o objetivo da prática; evitar pensamentos
negativos sobre a dieta.
ÉPOCA DO ANO
A Primavera e
o Outono são as estações mais frequentemente recomendadas. São consideradas
épocas intermédias, com condições climatéricas menos extremas.
No texto de
Clara Castellotti: na Primavera é referida a cevada, associada ao fígado; no
Outono recomenda-se especialmente o arroz integral.
O Verão e o
Inverno podem ser menos adequados devido ao calor ou ao frio extremos e à
possibilidade de maior tensão física ou nervosa.
PREPARAÇÃO
ANTES DA DIETA
Os autores
recomendam que a alimentação já seja relativamente limpa antes de iniciar o
Regime N.º 7.
As pessoas
habituadas a consumir: carne; lacticínios; açúcar; café; álcool; produtos
industriais; bebidas açucaradas; grandes quantidades de alimentos crus - deverão
fazer uma transição prévia, vegetariana.
Esta
preparação poderá incluir, durante alguns dias ou uma semana: cereais
integrais; leguminosas; legumes cozinhados; algas; sopa de miso; chá de três
anos; exclusão de lácteos, produtos animais e industriais.
Para quem já
pratica macrobiótica, recomenda-se passar alguns dias sem desvios antes de
começar.
REGRESSO À
ALIMENTAÇÃO HABITUAL
A reintrodução
dos alimentos deverá ser gradual.
São
recomendados três a quatro dias de reajuste.
11.º dia - Manter os cereais; introduzir
sopa de miso; acrescentar alguns legumes cozidos ou a vapor.
12.º dia - Manter os alimentos anteriores; introduzir
fruta cozida, por vezes com kuzu.
13.º dia - Introduzir uma fonte de proteína
vegetal (leguminosas, tofu, seitan, tempeh,…); acrescentar alguns
condimentos.
14.º dia - reintegrar progressivamente os
restantes alimentos de uma alimentação macrobiótica padrão saudável ou de um
regime macrobiótico recomendado por um conselheiro macrobiótico adaptado ao
estado de saúde actual.
Não se
recomenda terminar o Regime N.º 7 imediatamente antes de: festas; refeições
abundantes; viagens; celebrações; situações em que seja difícil controlar a
alimentação.
CONTRAINDICAÇÕES
E LIMITAÇÕES REFERIDAS
Os textos não
consideram a prática da nº 7 adequada para todas as pessoas.
São
mencionadas as seguintes contraindicações ou situações que exigem cuidado: pessoas
muito magras; anorexia; diabetes tipo 1; gravidez; bulimia; perturbações do
comportamento alimentar; anemia grave; anemia perniciosa; miopatias; insuficiência
renal; doenças graves com grande debilidade; pessoas submetidas a transplantes;
diverticulose intestinal; problemas vasculares importantes; sangue muito
espesso; terapêutica medicamentosa intensa; hipertensão ou hipotensão
medicadas; peso abaixo do limite aconselhado; pessoas com pouca energia vital; determinadas
doenças ativas.
Alguns textos
afirmam que não deverá ser realizada por pessoas com qualquer doença sem
acompanhamento.
Outros
apresentam-na precisamente como um regime para pessoas doentes, mas sob
supervisão de um conselheiro macrobiótico experiente.
Existe,
portanto, uma divergência significativa quanto à sua utilização terapêutica sem
acompanhamento.
SINTOMAS
ATRIBUÍDOS AO PROCESSO DE ELIMINAÇÃO
Alguns autores
descrevem possíveis reações durante a dieta ou nos primeiros meses de
alimentação macrobiótica: dores de cabeça; enxaqueca; cansaço; fraqueza; prisão
de ventre; diarreia; erupções cutâneas; borbulhas; alterações da pele; aumento
de mucosidades; tosse; sinusite; dores musculares; dores articulares; transpiração;
alterações do odor corporal; queda de cabelo; perda de peso; alterações
menstruais; redução temporária da libido.
São também
mencionadas reações mais intensas: febre elevada; dificuldades respiratórias; hemorragias;
crises renais; eliminação de cálculos; dores nervosas.
Nestes casos,
alguns autores defendem acompanhamento por um conselheiro macrobiótico
experiente.
DIFERENTES
FORMAS DE JEJUM E DEPURAÇÃO
Além do Regime
N.º 7, os textos referem outros tipos de jejum:
·
Jejum com fruta ou alimentos crus - Indicado,
segundo Paul Pitchford, para pessoas robustas que transitam de uma dieta rica
em produtos animais para uma alimentação vegetariana.
·
Jejum com sumos - Pode incluir:
sumo de cenoura; beterraba; aipo; couve; salsa; erva de cevada; erva de trigo.
·
Jejum com legumes a vapor - Sugerido para
pessoas com uma condição fria ou deficiente que tenham consumido demasiados
doces, cereais, frutos secos, leguminosas, ovos ou lacticínios.
·
Jejum com arroz e feijão-mungo - Prática
associada à tradição iogue, considerada equilibrante para o corpo e a mente.
·
Jejum com microalgas - Pode utilizar
spirulina ou chlorella e é apresentado como mais adequado para pessoas com
desejos de açúcar ou dificuldade em jejuar.
·
Jejum absoluto - Consiste na
ausência total de alimentos e líquidos ou, nalgumas descrições, apenas na
exposição ao ar. É considerado muito exigente e inadequado para a maioria das
pessoas sem preparação e supervisão.
A TRADIÇÃO
JAPONESA
Georges Ohsawa
recorda que, no Japão tradicional, a alimentação quotidiana se aproximava
naturalmente do Regime N.º 7.
As refeições
eram compostas principalmente por: arroz semi-integral; cevada; millet; sopa de
miso; umeboshi; pickles salgados; pequenas quantidades de legumes; peixe
ocasional.
As crianças
levavam para a escola uma marmita com arroz e uma umeboshi, conhecida como
«marmita do sol nascente».
O arroz, o
mochi e o azuki faziam parte das festas familiares e das celebrações das
estações do ano.
Segundo
Ohsawa, esta alimentação simples estava associada à tradição do Vivere Parvo,
à gratidão, à longevidade e à harmonia familiar.
O abandono
deste modelo e a adoção de: açúcar; bolos industriais; alimentos artificiais; bebidas
açucaradas; lacticínios; carne processada; conservas; produtos químicos - são
apresentados como sinais de perda da tradição alimentar japonesa pelo contacto
com a cultura ocidental.
ARROZ
INTEGRAL, SEMI-INTEGRAL E BRANCO
Os textos
distinguem:
·
Arroz integral - Mantém o
farelo e o gérmen, sendo considerado o mais nutritivo e adequado como alimento
de base.
·
Arroz semi-integral - Conserva
parte das camadas exteriores e representa uma opção intermédia.
·
Arroz branco - É descascado e polido, perdendo
grande parte do farelo, do gérmen, das fibras, vitaminas e minerais.
·
Arroz vaporizado - É tratado
termicamente antes de ser descascado, podendo conservar parte dos nutrientes no
interior do grão.
·
Arroz selvagem - Não é
propriamente arroz, mas a semente de uma gramínea aquática.
É valorizado
pelo seu teor de: proteínas; fibras; magnésio; fósforo; ferro; zinco; manganês;
cobre; vitaminas do grupo B.
SEGURANÇA E
QUALIDADE DO ARROZ
Um dos textos
alerta para relatos de arroz artificial ou adulterado.
São descritos
testes caseiros baseados em: flutuação na água; combustão; trituração; formação
de bolor.
O texto
recomenda escolher arroz: biológico; integral ou semi-integral; de origem
conhecida; produzido, sempre que possível, no próprio país ou numa região de
confiança.
DIETA DO ARROZ
DO DR. WALTER KEMPNER
É mencionada a
dieta criada, em 1934, pelo Dr. Walter Kempner, inicialmente destinada a
pessoas com: hipertensão grave; doença renal.
Segundo o
texto, esta dieta foi posteriormente utilizada em situações como: insuficiência
cardíaca; edemas; diabetes; colesterol elevado; obesidade; doenças
cardiovasculares; psoríase; rigidez articular.
A dieta de
Kempner é aproximada, por alguns autores, do Regime N.º 7 de Ohsawa, embora
tenha origem e estrutura próprias.
PRINCIPAIS
PONTOS DE CONCORDÂNCIA
Os diferentes
textos concordam nos seguintes aspetos fundamentais:
- O arroz
integral é o cereal principal do Regime N.º 7.
- A duração
tradicional é de dez dias.
- A dieta
deverá ser simples.
- A
mastigação é essencial.
- Os
alimentos deverão ser de boa qualidade e bem preparados.
- Os
líquidos deverão ser consumidos com moderação e segundo a sede.
- Os
primeiros dias são os mais difíceis.
- A prática
deverá ter um objetivo claramente definido.
- A
transição de entrada e de saída deverá ser gradual.
10. A dieta não é
adequada para todas as pessoas.
11. A atividade
física moderada e a atenção mental são importantes.
12. O Regime N.º 7
não deve ser entendido apenas como um método alimentar, mas como uma prática de
simplificação e transformação pessoal.
PRINCIPAIS
DIFERENÇAS ENTRE OS AUTORES
Duração
- Alguns
limitam a prática a dez dias.
- Outros
admitem períodos entre quatro dias e um mês.
- São
mencionadas experiências ainda mais longas.
Número de alimentos permitidos
- A versão
mais rigorosa permite apenas arroz integral, água, sal e chá.
- Outras
versões incluem todos os cereais.
- Algumas
permitem gomásio, miso, tamari, umeboshi, sementes, algas, azuki, legumes
ou pickles.
Bebidas
- Alguns
recomendam apenas Bancha, Kukicha ou água quente.
- Outros
permitem chá Mú e infusões.
- Os textos
sobre outros tipos de jejum aconselham maiores quantidades de líquidos.
Gomásio
- Para
alguns é essencial.
- Para
outros é apenas opcional.
- Clara
Castellotti prefere não o utilizar numa prática espiritual.
Frequência das refeições
- Duas ou
três refeições por dia;
- Três a
cinco taças de cereal por dia;
- Uma bola
de arroz de hora a hora nos primeiros dias;
- Jejum
intermitente de 12 a 14 horas.
Pessoas doentes
- Alguns
autores apresentam o regime como uma dieta terapêutica.
- Outros
aconselham que pessoas doentes não o realizem sem acompanhamento.
- Alguns
textos contraindicam-no em numerosas condições clínicas.
Finalidade
- Depuração
física;
- Regeneração;
- Equilíbrio
emocional;
- Clareza
mental;
- Prática
espiritual;
- Exercício
de vontade;
- Introdução
à macrobiótica.
SÍNTESE FINAL
DOS TEXTOS
O Regime
Macrobiótico N.º 7 de Georges Ohsawa é apresentado como uma monodieta baseada
sobretudo em arroz integral, tradicionalmente praticada durante dez dias.
A sua essência
encontra-se na simplificação:
- poucos
alimentos;
- preparação
cuidada;
- mastigação
prolongada;
- ingestão
moderada de líquidos;
- atenção
plena às refeições;
- atividade
física moderada;
- disciplina
mental;
- regresso
gradual a uma alimentação mais variada.
O arroz
integral ocupa o centro da prática, embora alguns autores permitam outros
cereais e pequenos complementos.
A Dieta N.º 7
é entendida simultaneamente como:
- uma
prática alimentar;
- uma forma
de jejum;
- um
processo de depuração;
- uma
disciplina da vontade;
- um método
de observação do corpo;
- um
caminho para reconhecer a verdadeira fome;
- uma experiência de clareza e transformação
interior.
A frase que melhor resume o princípio comum aos
diversos textos é:
Simplificar a alimentação, mastigar
profundamente, comer apenas de acordo com a verdadeira fome e regressar
temporariamente ao cereal integral como alimento fundamental.
AUTORES/FONTES ESTUDADOS
· Georges Oshawa
· Clara Castellotti
· Agnès Pérez
· Martín Macedo
· Dr. Deyne (?)
· Gérard Wenker
· Michel Dogna
· Vegetarte (https://vegetarte.wordpress.com/2012/10/30/dieta-desintoxicante-numero-7-de-la-macrobiotica/
· Macrobiotica (Recetas de Familia) https://familia274.rssing.com/chan-6389121/article291-live.html
· Nishime (https://nishime.org/)
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