Wednesday, July 1, 2026

 

O que NÃO sabe sobre a diabetes

Dra. Elena Corrales
https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/lo-que-no-sabes-sobre-la-diabetes/

resumo

O texto explica a diabetes, as suas consequências e apresenta uma perspetiva da Medicina Tradicional Chinesa sobre a prevenção e o tratamento da doença.

A diabetes é descrita como uma doença que pode permanecer sem diagnóstico durante muitos anos, sendo frequente que as pessoas não saibam que a têm. Antes do seu aparecimento podem surgir sinais como sede excessiva, fome constante e perda de peso inexplicável, pelo que é importante vigiar os níveis de glicose no sangue.

O texto explica que a glicose é a principal fonte de energia das células e que necessita da insulina, produzida pelo pâncreas, para entrar nas células. Quando a produção de insulina é insuficiente, a glicose acumula-se no sangue, aumentando o risco de várias complicações.

Entre as principais consequências da diabetes destacam-se os danos nos rins, a arteriosclerose, problemas de circulação, alterações da visão que podem levar à cegueira, neuropatia diabética (com formigueiro, dormência e perda de sensibilidade), diminuição da memória e do desempenho intelectual, maior risco de infeções, incluindo periodontite, e dificuldade na cicatrização de feridas.

Relativamente às causas e à alimentação, a autora apresenta uma interpretação baseada na Medicina Tradicional Chinesa. Defende que alguns alimentos considerados de natureza yin, como o leite, os produtos lácteos e a fruta, enfraquecem o pâncreas e dificultam a sua recuperação, enquanto o consumo regular de cereais integrais poderá favorecer a sua regeneração e reduzir a necessidade de insulina. O texto conclui que a prevenção e o tratamento da diabetes devem passar por uma alimentação orientada segundo esta perspetiva energética.

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texto

Um dia, um médico amigo meu dizia-me que a diabetes é uma doença que, muitas vezes, quando é diagnosticada, o doente já é diabético há mais de dez anos. De facto, quase metade das pessoas que têm diabetes não sabe que a tem.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a diabetes entre as dez doenças responsáveis pelas principais causas de morte, pelo que vale a pena prestar atenção ao que explicamos de seguida.

O meu objetivo vai para além de fazer um diagnóstico precoce da doença; a intenção é preveni-la, uma vez que, antes de se desenvolver, já existem sinais que nos alertam para níveis elevados de glicose.

Se sente muita fome, uma sede excessiva que não resulta do consumo exagerado de sal, ou se perde peso sem causa aparente, deve verificar os seus níveis de glicose.

A glicose

A glicose é a moeda energética da célula; é o combustível a partir do qual obtemos a energia necessária para todas as funções vitais. É, por isso, indispensável. Provém dos alimentos que contêm hidratos de carbono e é obtida através da digestão. Depois de a glicose entrar na corrente sanguínea, necessita da insulina produzida pelo pâncreas para conseguir entrar nas células.

A diabetes

Sem entrar na descrição dos diferentes tipos de diabetes, podemos dizer, de forma genérica, que a diabetes é uma doença de deficiência, ou seja, o pâncreas deixa de produzir insulina. Nesse caso, os níveis de glicose no sangue aumentam, o que representa um perigo para a saúde.

As causas

Há quem pense que, se não comer doces, não corre risco de desenvolver diabetes. No entanto, veremos que não é o açúcar de mesa a principal causa de o pâncreas deixar de produzir insulina.

Como explicamos frequentemente, os alimentos não são apenas matéria, ou seja, uma soma de nutrientes; são também energia. Assim, alguns alimentos aquecem e outros arrefecem; uns dilatam e outros contraem; uns tonificam e outros inibem. Estas características correspondem ao que a Medicina Tradicional Chinesa define como yang e yin.

Devemos saber que o leite e os seus derivados, bem como a fruta, são atualmente dos alimentos mais consumidos nos lares. O leite e a fruta são alimentos perecíveis que necessitam de refrigeração e, quando estudamos a antropologia da alimentação, verificamos que eram alimentos de consumo ocasional. Este facto deve levar-nos a refletir sobre a adequação destes alimentos ao consumo diário, pois, se fossem tão indispensáveis como a publicidade nos faz acreditar, as gerações que nasceram antes da existência do frigorífico apresentariam alguma sequela dessa ausência.

Trata-se de dois grupos de alimentos yin, ou seja, alimentos doces (devido à lactose e à frutose) e com efeito refrescante, sendo, por isso, considerados inibidores e promotores das chamadas doenças de deficiência.

Embora o leite, os produtos lácteos e a maioria das frutas não aumentem os níveis de glicose no sangue, por possuírem uma energia fortemente yin (refrescante), enfraquecem todos os órgãos, como já explicámos noutras ocasiões. Se uma pessoa tiver o pâncreas como o seu órgão mais vulnerável, este poderá simplesmente deixar de funcionar. Por isso, quando os doentes diabéticos apenas evitam alimentos doces com índice glicémico elevado, mas continuam a consumir regularmente leite e derivados, bem como fruta, considera-se que o pâncreas não consegue regenerar-se.

Os cereais integrais são alimentos ricos em hidratos de carbono de absorção lenta, ou seja, com baixo índice glicémico, e o seu consumo regular permite, em muitos casos, a regeneração do pâncreas e a redução progressiva da necessidade de insulina.

O que comemos, depois de digerido (aminoácidos, glicose e ácidos gordos), passa para a corrente sanguínea e daí é distribuído por todas as células do organismo. No caso da glicose, se não produzirmos insulina suficiente, esta não consegue entrar nas células, permanecendo no sangue e prejudicando vários órgãos do corpo, como veremos de seguida.

Os rins

A glicose acumulada no sangue atua sobre os tecidos como uma substância tóxica, provocando uma acidose metabólica que conduz a alterações da função renal, fazendo com que os rins filtrem cada vez menos e com menor eficácia.

A arteriosclerose

Outro aspeto pouco conhecido por muitas pessoas é o papel da glicose no sangue na arteriosclerose. A glicose comporta-se de forma semelhante ao colesterol, dificultando a irrigação do coração, provocando problemas na retina dos olhos que podem levar à cegueira e originando problemas circulatórios generalizados.

A neuropatia diabética

Quando a diabetes afeta os nervos, pode provocar aquilo a que se chama neuropatia diabética, caracterizada por uma deficiente transmissão dos impulsos nervosos, causando formigueiros, dormência, perda de sensibilidade, entre outros sintomas.

A memória

A diabetes pode igualmente provocar perda de memória e diminuição do desempenho intelectual. O cérebro é o órgão que mais glicose e oxigénio consome em proporção ao seu peso. Quando as células não recebem um fornecimento suficiente de glicose, a função cerebral fica comprometida e, consequentemente, a memória pode ser afetada.

A periodontite

Foi demonstrado que a periodontite (infeção das gengivas) é três vezes mais frequente em pessoas com diabetes do que no restante da população. Isto acontece porque, quando os níveis de glicose estão elevados, aumenta o risco de infeções. Por outras palavras, o excesso de açúcar enfraquece o sistema imunitário.

A lista de possíveis complicações é muito mais extensa: má cicatrização das feridas, maior predisposição para infeções de todo o tipo, entre outras.

Com tudo isto, convidamo-lo a refletir sobre este tema. O problema não é tão simples como pensar que, se tenho diabetes, basta administrar insulina e nada mais acontece. Dentro do possível, devemos procurar prevenir a doença e, se esta já se tiver desenvolvido, tentar evitar que o pâncreas continue a enfraquecer progressivamente, como, segundo o autor, acontece na maioria dos diabéticos insulinodependentes, que, apesar de seguirem as indicações do seu médico, acabam por necessitar de doses cada vez maiores de insulina. Para isso, o autor defende que a alimentação deve ser abordada segundo uma perspetiva energética.

 

 

 

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