O que NÃO
sabe sobre a diabetes
Dra. Elena
Corrales
https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/lo-que-no-sabes-sobre-la-diabetes/
resumo
O texto explica a diabetes, as suas consequências
e apresenta uma perspetiva da Medicina Tradicional Chinesa sobre a prevenção e
o tratamento da doença.
A
diabetes é descrita como uma doença que pode permanecer sem diagnóstico durante
muitos anos, sendo frequente que as pessoas não saibam que a têm. Antes do seu
aparecimento podem surgir sinais como sede excessiva, fome constante e perda de
peso inexplicável, pelo que é importante vigiar os níveis de glicose no sangue.
O
texto explica que a glicose é a principal fonte de energia das células e que
necessita da insulina, produzida pelo pâncreas, para entrar nas células. Quando
a produção de insulina é insuficiente, a glicose acumula-se no sangue,
aumentando o risco de várias complicações.
Entre
as principais consequências da diabetes destacam-se os danos nos rins, a
arteriosclerose, problemas de circulação, alterações da visão que podem levar à
cegueira, neuropatia diabética (com formigueiro, dormência e perda de
sensibilidade), diminuição da memória e do desempenho intelectual, maior risco
de infeções, incluindo periodontite, e dificuldade na cicatrização de feridas.
Relativamente
às causas e à alimentação, a autora apresenta uma interpretação baseada na
Medicina Tradicional Chinesa. Defende que alguns alimentos considerados de
natureza yin, como o
leite, os produtos lácteos e a fruta, enfraquecem o pâncreas e dificultam a sua
recuperação, enquanto o consumo regular de cereais integrais poderá favorecer a
sua regeneração e reduzir a necessidade de insulina. O texto conclui que a
prevenção e o tratamento da diabetes devem passar por uma alimentação orientada
segundo esta perspetiva energética.
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texto
Um dia, um
médico amigo meu dizia-me que a diabetes é uma doença que, muitas vezes, quando
é diagnosticada, o doente já é diabético há mais de dez anos. De facto, quase
metade das pessoas que têm diabetes não sabe que a tem.
A Organização
Mundial da Saúde (OMS) incluiu a diabetes entre as dez doenças responsáveis
pelas principais causas de morte, pelo que vale a pena prestar atenção ao que
explicamos de seguida.
O meu objetivo
vai para além de fazer um diagnóstico precoce da doença; a intenção é
preveni-la, uma vez que, antes de se desenvolver, já existem sinais que nos
alertam para níveis elevados de glicose.
Se sente muita
fome, uma sede excessiva que não resulta do consumo exagerado de sal, ou se
perde peso sem causa aparente, deve verificar os seus níveis de glicose.
A glicose
A glicose é a
moeda energética da célula; é o combustível a partir do qual obtemos a energia
necessária para todas as funções vitais. É, por isso, indispensável. Provém dos
alimentos que contêm hidratos de carbono e é obtida através da digestão. Depois
de a glicose entrar na corrente sanguínea, necessita da insulina produzida pelo
pâncreas para conseguir entrar nas células.
A diabetes
Sem entrar na
descrição dos diferentes tipos de diabetes, podemos dizer, de forma genérica,
que a diabetes é uma doença de deficiência, ou seja, o pâncreas deixa de
produzir insulina. Nesse caso, os níveis de glicose no sangue aumentam, o que
representa um perigo para a saúde.
As causas
Há quem pense
que, se não comer doces, não corre risco de desenvolver diabetes. No entanto,
veremos que não é o açúcar de mesa a principal causa de o pâncreas deixar de
produzir insulina.
Como
explicamos frequentemente, os alimentos não são apenas matéria, ou seja, uma
soma de nutrientes; são também energia. Assim, alguns alimentos aquecem e
outros arrefecem; uns dilatam e outros contraem; uns tonificam e outros inibem.
Estas características correspondem ao que a Medicina Tradicional Chinesa define
como yang e yin.
Devemos saber
que o leite e os seus derivados, bem como a fruta, são atualmente dos alimentos
mais consumidos nos lares. O leite e a fruta são alimentos perecíveis que
necessitam de refrigeração e, quando estudamos a antropologia da alimentação,
verificamos que eram alimentos de consumo ocasional. Este facto deve levar-nos
a refletir sobre a adequação destes alimentos ao consumo diário, pois, se
fossem tão indispensáveis como a publicidade nos faz acreditar, as gerações que
nasceram antes da existência do frigorífico apresentariam alguma sequela dessa
ausência.
Trata-se de
dois grupos de alimentos yin, ou seja, alimentos doces (devido à lactose
e à frutose) e com efeito refrescante, sendo, por isso, considerados inibidores
e promotores das chamadas doenças de deficiência.
Embora o
leite, os produtos lácteos e a maioria das frutas não aumentem os níveis de
glicose no sangue, por possuírem uma energia fortemente yin
(refrescante), enfraquecem todos os órgãos, como já explicámos noutras
ocasiões. Se uma pessoa tiver o pâncreas como o seu órgão mais vulnerável, este
poderá simplesmente deixar de funcionar. Por isso, quando os doentes diabéticos
apenas evitam alimentos doces com índice glicémico elevado, mas continuam a
consumir regularmente leite e derivados, bem como fruta, considera-se que o
pâncreas não consegue regenerar-se.
Os cereais
integrais são alimentos ricos em hidratos de carbono de absorção lenta, ou
seja, com baixo índice glicémico, e o seu consumo regular permite, em muitos
casos, a regeneração do pâncreas e a redução progressiva da necessidade de
insulina.
O que comemos,
depois de digerido (aminoácidos, glicose e ácidos gordos), passa para a
corrente sanguínea e daí é distribuído por todas as células do organismo. No
caso da glicose, se não produzirmos insulina suficiente, esta não consegue
entrar nas células, permanecendo no sangue e prejudicando vários órgãos do
corpo, como veremos de seguida.
Os rins
A glicose
acumulada no sangue atua sobre os tecidos como uma substância tóxica,
provocando uma acidose metabólica que conduz a alterações da função renal,
fazendo com que os rins filtrem cada vez menos e com menor eficácia.
A arteriosclerose
Outro aspeto
pouco conhecido por muitas pessoas é o papel da glicose no sangue na
arteriosclerose. A glicose comporta-se de forma semelhante ao colesterol,
dificultando a irrigação do coração, provocando problemas na retina dos olhos
que podem levar à cegueira e originando problemas circulatórios generalizados.
A neuropatia diabética
Quando a
diabetes afeta os nervos, pode provocar aquilo a que se chama neuropatia
diabética, caracterizada por uma deficiente transmissão dos impulsos nervosos,
causando formigueiros, dormência, perda de sensibilidade, entre outros
sintomas.
A memória
A diabetes
pode igualmente provocar perda de memória e diminuição do desempenho
intelectual. O cérebro é o órgão que mais glicose e oxigénio consome em
proporção ao seu peso. Quando as células não recebem um fornecimento suficiente
de glicose, a função cerebral fica comprometida e, consequentemente, a memória
pode ser afetada.
A periodontite
Foi
demonstrado que a periodontite (infeção das gengivas) é três vezes mais
frequente em pessoas com diabetes do que no restante da população. Isto
acontece porque, quando os níveis de glicose estão elevados, aumenta o risco de
infeções. Por outras palavras, o excesso de açúcar enfraquece o sistema
imunitário.
A lista de
possíveis complicações é muito mais extensa: má cicatrização das feridas, maior
predisposição para infeções de todo o tipo, entre outras.
Com tudo isto,
convidamo-lo a refletir sobre este tema. O problema não é tão simples como
pensar que, se tenho diabetes, basta administrar insulina e nada mais acontece.
Dentro do possível, devemos procurar prevenir a doença e, se esta já se tiver
desenvolvido, tentar evitar que o pâncreas continue a enfraquecer
progressivamente, como, segundo o autor, acontece na maioria dos diabéticos
insulinodependentes, que, apesar de seguirem as indicações do seu médico,
acabam por necessitar de doses cada vez maiores de insulina. Para isso, o autor
defende que a alimentação deve ser abordada segundo uma perspetiva energética.
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