Tuesday, May 26, 2026

 


A  GOTA

HÁ GOTA… E  GOTA.

Gota: não espere pela primeira crise para agir.

Dr. Jean-Pierre Willem, médico de saúde

https://alertevotrecorpsvousparle.blogspot.com/search/label/MALADIES

Gérard Wenker

resumo

A gota é uma doença metabólica causada pelo excesso de ácido úrico no sangue. Esse excesso leva à formação de cristais nas articulações, sobretudo no dedo grande do pé, provocando crises muito dolorosas.

Principais sintomas

  • Dor súbita, intensa e pulsátil, geralmente durante a noite;
  • Articulação inchada, vermelha e quente;
  • Sensibilidade extrema ao toque;
  • As crises podem durar vários dias e repetir-se;
  • Outras articulações também podem ser afetadas (tornozelos, joelhos, punhos, cotovelos).

Causas principais

  • Predisposição hereditária;
  • Excesso de peso;
  • Alimentação rica em carnes gordas, vísceras, marisco e álcool;
  • Má eliminação do ácido úrico pelos rins;
  • Sedentarismo.

O que ajuda a prevenir crises

  • Beber muita água (1,5 a 2 litros por dia);
  • Fazer exercício físico regularmente;
  • Perder peso de forma equilibrada;
  • Evitar álcool, especialmente vinho branco e bebidas fortes;
  • Reduzir:
    • vísceras e enchidos;
    • carnes gordas;
    • sardinhas e anchovas;
    • leguminosas em excesso;
    • espargos e espinafres.

Alimentos e hábitos recomendados

  • Muitos legumes e fruta;
  • Cerejas e morangos podem ajudar;
  • Café poderá favorecer a eliminação do ácido úrico;
  • Preferir pão integral;
  • Consumir peixe como atum e salmão.

Tratamentos naturais mencionados

  • Vitamina C;
  • Ómega-3;
  • Bicarbonato de sódio em pequenas quantidades;
  • Gemoterapia e aromaterapia;
  • Homeopatia (segundo o autor).

Tratamentos médicos convencionais

  • Colchicina: usada durante as crises;
  • Anti-inflamatórios;
  • Alopurinol: reduz o ácido úrico no sangue.

Atenção

  • A aspirina não é recomendada durante crises de gota porque pode agravar os depósitos de cristais;
  • O consumo excessivo de álcool pode desencadear crises.

Ideia principal do texto

A gota pode ser muito dolorosa, mas muitas crises podem ser evitadas através de hidratação adequada, alimentação equilibrada, exercício físico e controlo do ácido úrico.

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texto

A “gota” que aquece o coração dos habitantes de certas aldeias é simplesmente a aguardente, destilada todos os anos pelos produtores tradicionais. Essa “zurrapa” não tem (quase) nada a ver com a gota de que vos vou falar, que é uma doença metabólica.

Pode sofrer de gota sem o saber… até ao dia em que, após um período de stress, grande fadiga, excessos alimentares (sobretudo álcool), exposição ao frio e à humidade ou um traumatismo numa articulação, surge a famosa crise de “gota”. Esta manifesta-se, ao nível do dedo grande do pé, por uma dor súbita, intolerável, contínua e pulsátil, que começa frequentemente durante a noite. A articulação fica inchada, vermelha, quente e não suporta qualquer contacto, nem sequer o de um lençol. Na ausência de tratamento, a crise dura entre 5 e 10 dias antes de a dor desaparecer. Pode repetir-se e, embora o dedo grande do pé seja o mais frequentemente afetado, outras articulações também podem ser atingidas (pé, tornozelo, joelho, mão, punho ou cotovelo).

A propósito, aconteceu-me tratar uma freira que sofria desta perturbação metabólica. Não tive coragem de lhe perguntar se apreciava particularmente um aperitivo…!

As verdadeiras causas da gota

Frequentemente hereditária, dez vezes mais comum nos homens do que nas mulheres, a gota está ligada a um excesso de ácido úrico no sangue. Este ácido provém em parte da alimentação, mas é sobretudo produzido pelo fígado e depois eliminado pela urina através dos rins. Este excesso de ácido úrico tem duas causas principais:

·      um excesso de produção devido à hereditariedade, ao excesso de peso ou à alimentação. A gota tem, aliás, fama de ser a doença do bon vivant, apreciador de boa comida e a imagem tradicional do “gotoso” é a do homem corpulento e algo congestionado;

·      uma eliminação insuficiente pela urina, devido a fragilidade renal ou a tratamentos prolongados com corticoides.

Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: o excesso de ácido úrico deposita-se nos tecidos sob a forma de cristais microscópicos, alongados e pontiagudos, de urato de sódio. As articulações, especialmente a do dedo grande do pé, são o local preferido destes depósitos, que também podem surgir sob a pele sob a forma de tofos gotosos (protuberâncias indolores cheias de um líquido esbranquiçado) e nos rins (formação de cálculos de ácido úrico, responsáveis por cólicas renais).

Beba muito... mas água, e mexa-se!

Para evitar crises de gota, é essencial beber bastante (1,5 a 2 litros de água por dia) e fazer ocasionalmente curas de águas bicarbonatadas (a água “Pedras Salgadas”, é o ranking das águas portuguesas mais indicadas para a gota. Outras águas indicadas: Frize, Vidago, Castello, Vimeiro, Luso, Alardo): estas águas limitam a formação de cálculos urinários devido ao seu carácter alcalino.

Para beber regularmente em quantidade suficiente, é preciso alguma disciplina:

·      mantenha a garrafa de água sempre por perto e vá bebendo regularmente: beber 10 vezes por dia é melhor do que beber meio litro de uma só vez;

·      aproveite as refeições para beber mais um ou dois copos;

·      beba sistematicamente um copo de água depois de urinar.

·      Pode ser necessário perder peso, mas cuidado com restrições exageradas e dietas fantasiosas: as células adiposas destruídas libertam proteínas que o fígado transforma… em ácido úrico.

Outra recomendação fundamental é praticar exercício físico: o sedentarismo favorece as crises de gota.

Faça uma limpeza ao frigorífico!

Para evitar crises, tente limitar os seguintes alimentos:

·      vísceras (fígado, rins, moelas, língua, tripas, coração, pés de porco e cabeça de vitela), enchidos e carnes gordas;

·      marisco, sardinhas e anchovas;

·      bebidas alcoólicas, sobretudo vinho branco, mas também sumos industriais;

·      leguminosas (feijão, favas, lentilhas, soja, ervilhas, grão-de-bico), espargos e espinafres.

O café poderá ser benéfico, pois ajudaria a eliminar o ácido úrico. Deve consumir muitos legumes e fruta, especialmente cerejas e morangos, substituir parte da carne por atum e salmão e optar por pão integral.

Os tratamentos naturais mais eficazes

Além de um estilo de vida adequado, recomendo alguns tratamentos naturais que deram provas na prevenção das crises de gota:

·      antes de mais não hesite em tomar vitamina C, que facilita a eliminação do ácido úrico;

·      aposte nos ómega-3 (e ómega-6), presentes nos peixes gordos, frutos secos, óleo de colza e sementes de linhaça;

·      o bicarbonato de sódio para aliviar durante as crises (1/2 colher de café duas vezes por dia num copo de água).

A gemoterapia (prática de fitoterapia que utiliza tecidos embrionários de plantas) e o concentrado de princípios ativos presentes nos rebentos também podem ser muito úteis. Eis o que recomendo:

·      de manhã: 50 gotas + água de Ribes nigrum (groselheira-negra) Bg. Mac. Glyc. 1D

·      ao almoço: 50 gotas + água de Betula pubescens (vidoeiro) Bg. Mac. Glyc. 1D

·      à noite: 50 gotas + água de Fraxinus excelsior (freixo) Bg. Mac. Glyc. 1D

A aromaterapia (prática que utiliza óleos essenciais extraídos de plantas aromáticas) também pode ajudar. Eis os óleos essenciais mais importantes, na minha opinião, para combater a gota:

·      Por via oral (2 gotas da seguinte mistura, 3 vezes por dia, sobre mel ou xarope de ácer): HE Juniperus communis montana 2 ml; HE Gaultheria procumbens 1 ml; Ess. Citrus limonum 2 ml

·      Por via cutânea: (4 gotas da seguinte mistura em massagem suave sobre as articulações): HE Ocimum basilicum 5 ml; HE Juniperus communis 3 ml; HE Helichrysum italicum 2 ml; HE Gaultheria procumbens 3 ml
Óleo vegetal de hipericão 30 ml

Os tratamentos convencionais

A crise de gota é tratada eficazmente com colchicina, derivada das plantas da família dos cólquicos. Em geral, utiliza-se também um tratamento contínuo com medicamentos hipouricemiantes (que reduzem o nível de ácido úrico no sangue ao limitar a sua produção), como o alopurinol (Zyloric), por exemplo.

Durante a crise, a colchicina impede a deposição de cristais de urato nas articulações (muito eficaz contra a dor, embora possa provocar diarreia). Muitas vezes, associa-se a anti-inflamatórios não esteroides. Como tratamento de fundo, recorre-se ao alopurinol, que deve ser interrompido em caso de alergia (que pode ser grave).

Importante: não tome aspirina para aliviar a dor. Ela favorece a deposição de cristais de urato nas articulações.

Antes de terminar, devo admitir que omiti um aspeto: o consumo de aguardente e bebidas alcoólicas fortes pode efetivamente provocar gota.

À vossa saúde! E transmitam as minhas desculpas à freira!

Desejo-vos um excelente dia e, acima de tudo, cuidem bem da vossa saúde.

GOTA: CONCLUSÃO

·      Uma doença potencialmente grave, mas curável

·      Risco cardiovascular aumentado

·      A causa de reumatismo inflamatório mais frequente no homem adulto

·      A incidência da gota aumenta

·      O diagnóstico pode ser difícil nas formas atípicas: valor da análise do líquido articular

·      O tratamento coloca problemas em caso de intolerância ou de ineficácia do aloporinol: interesse dos novos hipouricemiantes que reduzem o ácido úrico

·      A educação dos doentes é indispensável para o sucesso do tratamento

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PS: Para todos os que se interessam por homeopatia — e sei que são muitos — aqui ficam também alguns remédios eficazes.

Durante uma crise

·      Bryonia alba 7 CH, Colchicum 4 CH, Ledum palustre 7 CH: 5 grânulos de cada, de hora a hora.

·      Bryonia alba: em caso de articulação inchada, vermelho-escura, quente, pele tensa e brilhante, dores agudas e lancinantes agravadas pelo menor movimento, melhoradas pelo repouso, aplicações frias e pressão forte, agravamento às 2h da manhã, com secura das mucosas (boca seca e sede).

·      Colchicum: efeitos semelhantes aos da colchicina alopática (sem os inconvenientes). Em caso de inflamação do dedo grande do pé, dor intensa agravada pelo toque e pelo movimento.

·      Ledum palustre: dores agudas nos dedos dos pés, agravadas durante a noite e pelo calor da cama, melhoradas por aplicações de água fria. Bom remédio para gota crónica, com reumatismo crónico e tofos.

Tratamento de fundo, se as crises forem repetidas 5 grânulos de manhã e à noite durante vários meses.

·      Ledum palustre 7 CH, conforme acima.

·      Sulfur 9 CH: em caso de alternância entre erupções cutâneas e outras doenças (asma, diarreias, crises de reumatismo ou gota). Perfil habitual: pessoa jovem, ativa, apreciadora de boa comida e bons vinhos, frequentemente obesa, sensível ao calor, pele ardente com erupções, orifícios avermelhados, quebra de energia pelas 11h, sintomas recorrentes periodicamente (de três em três ou de seis em seis meses), pés quentes à noite (fora da cama), diarreia pelas 5h, impaciência.

·      Uricum acidum 15 CH: para tentar reduzir a formação de ácido úrico.

·      Lycopodium clavatum 7 CH: bom remédio para eliminar ácido úrico, insuficiência renal e hepática. Perfil habitual: digestão lenta com inchaço abdominal, dores de estômago 2 a 3 horas após as refeições.

·      Natrum phosphoricum 4 CH: gota do dedo grande do pé (ou punhos ou pequenas articulações) em tempo quente, com ácido úrico elevado no sangue, língua coberta por camada amarela espessa, tendência para azia, vómitos e diarreias ácidas.

Existem também complexos homeopáticos.

À escolha:

·      Urarthone: 1 colher de sopa de manhã em jejum e 1 colher à noite antes de deitar. Em caso de crise inflamatória: 1 toma adicional — Laboratório Lehning (frasco de 250 ml)

·      Ou Ledum Complexe n.º 81: 20 gotas, 3 vezes por dia, fora das refeições.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AS SETE CONDIÇÕES DA SAÚDE

IIª PARTE

2.ª condição:

Ter bom Apetite

A 2ª condição é ter bom apetite.

No sentido literal e figurado. Pela comida, pelo conhecimento, pela atividade, pelas experiências, pelo sexo. O apetite é saúde. Uma necessidade insaciável de saúde, liberdade, felicidade e amor por si e pelos outros são sinais de uma saúde irrepreensível. A adaptação e a flexibilidade são os sinais mais reveladores.

No entanto, para conservar este apetite ao longo da vida, devemos ficar aquém da satisfação total. Os excessos repetidos diminuem progressivamente a nossa vitalidade e a nossa sede de viver. Para não transbordarmos nem sufocarmos, devemos distribuir continuamente aquilo que recebemos, de forma a conservar um ligeiro vazio dentro de nós.

Ter bom apetite e satisfazer-nos com comida simples e equilibrada. Actualmente nos países ocidentais, o estômago não descansa, não se fazem comidas completas, está-se a petiscar todo o dia. Não se chega a sentir fome real para se desfrutar de um verdadeiro apetite. Este apetite traduz-se num apetite pela vida.

Para criar saúde, é bom deixar-se um pequeno espaço vazio no estômago e assim diferenciar apetite de vício. Gozaremos de mais vitalidade quando a quantidade de comida for moderada.

A ideia incutida pelos nossos pais e avós de que ter bom apetite é sinal de saúde parece ser verdade. Quando vivemos na direcção da saúde é normal sentir um grande apetite, não apenas por comida, mas por toda a vida em geral. Podemos ter apetite por um lauto banquete cozinhado por um chefe de cozinha consagrado, mas também por uma refeição tão simples quanto uma sopa com uma fatia de pão.

Ter apetite traduz-se também por ter curiosidade ilimitada, desejo sexual, vontade de desbravar o mundo desconhecido ou explorar os recônditos mais profundos do nosso ser.

Falta de apetite

Pela comida, pelo sexo, pela beleza, pelo conhecimento. Não ser curioso acerca de tudo, estar insatisfeito e duvidar de tudo. Desperdiçar e deitar comida fora, não ter qualquer reconhecimento pela comida nem por quem a prepara.

Ter constipações, sinusite, enxaquecas, corrimentos, ficar careca, ter maus odores corporais. Ganhar peso, ter borbulhas ou verrugas. Primeiras rigidezes articulares.

3.ª condição:

Sono profundo e reparador

A 3ª condição tem a ver com o sono, com ter um sono profundo e reparador.

Curto e profundo, sem memória dos sonhos, caso contrário é um sono superficial. Adormecer instantaneamente, em qualquer lugar, em 3 ou 4 minutos, e acordar da mesma forma, sem meios artificiais químicos ou mecânicos (soníferos, tisanas, despertador).

Acordar fresco, disposto e bem-humorado. Lançar-se imediatamente nas suas ocupações.

A insónia e o sono ligeiro e interrompido estão conectados com a dieta e os excessos. Jantar uma grande quantidade de comida, jantar tarde, beber água em grandes quantidades, fritos e vegetais crus, são factores que intervêm com o descanso nocturno. Um grande número de pessoas depende dos comprimidos para dormir, seguido do respectivo café para começar o dia. A forma como acordamos de manhã indica-nos com clareza como está a nossa saúde. Se pela manhã tivermos problemas para nos levantar, especialmente na Primavera, está-nos indicando que há um bloqueio no fígado. A falta de sono, em si mesma, é uma possível causa de susceptibilidade a resfriados, obesidade, perda de memória, doenças cardiovasculares e acidentes cerebrais. Os transtornos do sono estão relacionados com o funcionamento renal.

Segundo Ohsawa, um sono saudável implica adormecer mal cheguemos à cama, dormir toda a noite sem sobressaltos ou pesadelos nem necessidade de ir ao WC e, após dormir entre 6 (Ohsawa dizia 5) e um máximo de 8 horas, acordar completamente revigorados e com vontade de enfrentar um novo dia.

Considerando que a maioria das pessoas na nossa sociedade parece ter problemas mais ou menos sérios de sono, dormir segundo a descrição do parágrafo anterior, parece só ser possível para bebés, crianças e adolescentes. No entanto, quando se começa a ter um estilo de vida mais saudável, a qualidade do sono tende a melhorar bastante num espaço de tempo relativamente curto.

Ter um mau sono

Deitar-se tarde, levantar-se tarde, dormir mais de 8 horas. Acordar frequentemente, comer durante a noite, ter pesadelos, insónias. Provocar artificialmente o sono. Provocar artificialmente o despertar. Transpirar, ouvir o coração bater, ter cãibras nas pernas ou nos pés. Levantar-se de manhã cansado e mal-humorado, arrastar-se na ociosidade. Eczema, furúnculos, olhos lacrimejantes e vermelhos, secreção de muco, corrimentos, caspa, constipações, tosse com expetoração, calosidades plantares.

4.ª condição:

Ter boa memória

A 4ª condição é ter boa memória.

A memória mais importante é a que nos recorda para que estámos aqui, qual é o nosso propósito vital. A outra memória, a relativa, pode ser destruída por comer em excesso, por comer açúcar, por ingerir substâncias tóxicas e aditivas, por falta de treinar e desenvolver as nossas habilidades cognitivas.

Ela é infalível e desenvolve-se com a idade. A memória permite avaliar o nosso julgamento e os nossos pensamentos. Distinguimos várias memórias:

  • Memória mecânica: números, nomes, textos, poemas, números de telefone.
  • Memória visual: rostos, paisagens, acontecimentos, objetos.
  • Memória pré-histórica: instinto-intuição, comer, dormir, reproduzir-se.
  • Memória do nosso destino espiritual, através da qual podemos compreender o significado da nossa vida, da Vida e do nosso lugar no universo.

Uma boa memória é fundamental para o exercício de um discernimento apropriado, - podemos discernir e evitar erros futuros quando nos lembramos dos bons ou maus resultados de uma experiência passada.

Ter boa memória não significa apenas lembrar-nos de números de telefone, datas de nascimento ou dados históricos. Existe um outro tipo de memória, mais subtil e de natureza espiritual, que está ligada à nossa capacidade de não perdermos de vista os nossos objectivos, a nossa missão na vida e, mais importante ainda, a nossa ligação intrínseca à natureza e a todos os fenómenos.

Uma boa memória reflecte a ligação com a origem espiritual comum a toda a humanidade, remete-nos para uma ligação com o infinito que transcende o mundo das palavras e da matéria.

Perder a memória

Esquecer as experiências passadas e repetir os mesmos erros. Esquecer os amigos, esquecer de agradecer, esquecer os antepassados, os pais, os descendentes. Ter esquecido a razão da nossa vinda a este mundo. Esquecer-se de si próprio. Esquecer-se de dar. Perder os seus pertences antes de perder tudo. Egocentrismo, orgulho, paranoia, avareza, frustração. Prisão de ventre ou diarreia, falta de ar, perda de voz, nuca e ombros rígidos, barriga mole e dilatada, hipotensão, hipertensão.

5.ª condição:

Bom humor

A 5ª condição de saúde é não se zangar com ninguém, ter bom sentido de humor.

Não significa não ter emoção de aborrecimento, significa que não devemos alimentar o ressentimento/zanga. Comer de forma extrema, especialmente alimentos yang (carnes, ovos, sal, queijos), provoca uma estagnação do Ki no fígado, e, portanto, surge a raiva.

Quando desenvolvemos uma maior compreensão sobre nós próprios, descobrimos que estamos cheios de luzes e sombras, que não podemos pedir a perfeição que não possuímos. Então a zanga transforma-se em compaixão, quer dizer, não julgamos.

Quando mantemos o ressentimento, a zanga enquista-se no nosso interior tendo como resultado o rancor, a amargura que nos afecta e infecta, criando doença.

Estar sempre alegre e bem-disposto, enfrentar e resolver todos os problemas uns após os outros, colocando em prática uma das regras do taoísmo: “Vencer sem combater”. Uma vida feliz e muitos amigos, quaisquer que sejam as circunstâncias, são o resultado natural da saúde.

Nesta condição de saúde, Ohsawa referiu frequentemente que nunca nos devíamos zangar e que quando nos zangamos somos escravos da nossa consciência mais baixa. Mais do que nunca nos zangarmos, provavelmente o que Ohsawa queria dizer é que, se nos zangarmos, o devemos fazer de uma forma consciente e sem que nos manifestemos arrependidos após o facto.

Ter bom humor é fundamental para apreciarmos correctamente a vida. O humor é o tempero ideal para as agruras, vicissitudes e situações paradoxais com as quais deparamos no dia a dia.

Podemos diagnosticar o nosso bom humor pela quantidade de vezes que conseguimos sorrir ou rir durante o dia. Sorrir frequentemente é um sinal de paz interior e transmite aos outros uma sensação agradável de bem estar.

A cólera

A cólera revela os nossos limites, a nossa incapacidade de compreender e apreender corretamente as circunstâncias da nossa vida. Julgar-se superior quando se é inferior, aterrorizar os medrosos, ter um espírito agressivo, matar por medo de ser morto. Não se amar nem ser amado. Perder o controlo de si mesmo. Nariz vermelho ou arroxeado. Rosácea. Varizes. Papos sob os olhos. Unhas encravadas. Má visão, dores crónicas, além das descritas nos 4 níveis anteriores.

6.ª condição:

Clareza e rapidez de pensamento e acção,

ser organizado

A 6ª condição tem que ver com a capacidade de discernimento.

Estar alerta e ser intuitivo. Temos de ter a intuição clara, a conexão com aquilo que dá sentido à vida, viver a terra organicamente, para que os conceitos não nos toldem os sentidos, especialmente o senso comum.

“A boa saúde e a capacidade de julgar com sabedoria são bênçãos preciosas da vida” (Publio Siro).

E é raro encontrar boa saúde em pessoas com pouco discernimento.

Devemos ser capazes de responder aos estímulos e desafios da vida de uma forma clara, rápida, alegre e ordenada.

Tudo o que fazemos, dizemos e pensamos deve ser a manifestação de um elevado sentido de espiritualidade, proactividade, responsabilidade e empenho.

A vida vale a pena ser vivida quando o fazemos com uma consciência plena e totalmente desperta, com o coração disponível para abraçar todo o mundo em seu redor. A maioria das pessoas não está totalmente desperta, vive uma vida meio adormecida, em alguns casos quase que vegetativa, regida por um piloto automático virado para a sobrevivência, mas pouco criativo e sem liberdade real.

Esta condição de saúde é o reflexo de ordem e alegria interiores.

Levar uma vida ativa e fértil. Aceitar os desafios da existência sem os provocar. Vivacidade e espontaneidade são a expressão da liberdade. Precisão nos movimentos, rapidez e organização no comportamento.

Estar triste e inativo

Nunca estar bem onde se está. Conservar e cuidar respeitosamente de todos os problemas e desventuras passadas. Estar satisfeito por não ter feito algo ou arrepender-se de o ter feito. Não ter sonhos para realizar, estar cansado de tudo. Cólera e apatia, impaciência, introversão ou excessiva demonstração emocional. Melancolia, emotividade. Delírio, depressão. Desordem e desperdício.

7.ª condição:

Sentido de justiça, honestidade, integridade

A 7ª condição é a gratidão e apreciação infinita pela vida. Gratidão à natureza, à comida, aos pais, aos desafios, aos professores, aos problemas.

Que é apenas outro nome para a Ordem do Universo. Confiar nessa justiça absoluta. Nunca ter dúvidas. Realizar todos os seus sonhos divertindo-se. Comer e beber o que se quiser segundo a dialética universal. Nunca mentir para se proteger. Amar toda a gente — quem possui tal saúde é são e santo.

Durante muitos anos, Georges Ohsawa mencionou apenas as 6 primeiras condições de saúde nos seus escritos. A partir de uma certa altura, já mais perto do final da vida, e após grande desilusão com um discípulo próximo, acrescentou esta última, que considerou como absoluta e fundamental, muito mais importante do que todas as outras.

A 7ª condição eleva o conceito de saúde, fazendo-o englobar, apropriadamente, questões éticas, morais e espirituais, essenciais à evolução da humanidade e â relação da mesma com o planeta e os outros seres vivos.

Viver no sentido da justiça, honestidade e integridade significa falar sempre verdade, recusando a mentira como defesa ou protecção. Significa manifestar profunda gratidão para com tudo e todos dando de forma generosa e não calculista. Implica que os nossos actos sejam a manifestação da justiça natural e tenhamos a capacidade de considerar o resultado das nossas acções no futuro, porque vivemos com o princípio de causa e efeito, acreditando que existe uma ordem natural num universo que não é aleatório.

A este nível integramos o corpo, a mente e o espírito – o que pensamos, o que dizemos e o que fazemos são indivisíveis. As nossas acções são o reflexo do nosso discernimento mais elevado e, como tal, podemos viver com verdadeira justiça e liberdade.

A arrogância

Último estádio da doença, cujos sintomas são o exclusivismo, o egocentrismo, o medo, o espírito de contradição e de vingança. O ego ocupou todo o espaço; o homem, neste estádio, está isolado, cortado do mundo que o rodeia. Este autoisolamento caracteriza-se por uma resistência inflexível à mudança.

“Eu nunca mudarei, porque não preciso de mudar.”

Rigidez corporal e mental, solidão.

O desfecho final

Suicídio e loucura — que, afinal, são a mesma coisa.

 

 

FONTES CONSULTADAS

·      “Macrobiótica. O livro da grande vida” – Patrícia Restrepo.

·      “Mente sã. Corpo são” – Francisco Varatojo

·       https://macrobiotiquemonde.blogspot.com/2017/09/rebus-dialectique.html

 

Sunday, May 24, 2026

 MACROBIÓTICA!! SOCORRO ...

Esclarecimento

Gérard Wenker

https://macrobiotiquepourtous.blogspot.com/2007/09/macrobiotique-au-secours.html

resumo

O texto defende que a macrobiótica é frequentemente vista de forma errada como uma “cura milagrosa” para doenças graves e incuráveis. Muitas pessoas recorrem a ela apenas em situações desesperadas, esperando encontrar uma solução que a medicina convencional não conseguiu oferecer.

O autor critica essa visão e considera irresponsável prometer curas através de simples dietas ou consultas isoladas. Explica que a macrobiótica não é uma medicina nem uma terapia milagrosa, mas sim uma filosofia e arte de viver completa, baseada numa transformação profunda da alimentação, dos hábitos, da forma de pensar e do modo de vida.

Segundo ele, embora a macrobiótica possa ajudar na prevenção de doenças e até favorecer processos de recuperação em certos casos, isso exige:

  • compromisso sério e prolongado;
  • acompanhamento adequado;
  • apoio de centros especializados;
  • aprendizagem prática contínua.

O autor denuncia também práticas pouco éticas de alguns consultores que alimentam falsas esperanças sem oferecer apoio real aos doentes.

A mensagem central é que:

  • a macrobiótica não deve ser reduzida a um método de cura;
  • deve ser entendida como um caminho de vida baseado em equilíbrio, responsabilidade pessoal, saúde, liberdade e prevenção;
  • qualquer processo de cura depende sobretudo da compreensão e correção das causas profundas da doença.

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texto

“ - Deverias experimentar a macrobiótica...!”

é o que se diz a uma pessoa em fase terminal, abandonada pela medicina oficial e que ainda se agarra à vida com a energia do desespero.

 - “Coitada” ou “coitado”, conforme o caso, “talvez devesses procurar a macrobiótica; ouvi dizer que faz milagres...!”

é o que se diz a uma amiga ou a um amigo que sofre há anos de uma doença crónica e que já não aguenta mais.

A macrobiótica como última esperança. A panaceia universal capaz de curar tudo, o tratamento milagroso.

Quantos destes pacientes dispostos a tudo recebemos nós, até mesmo a aplicar princípios macrobióticos muito restritivos como último recurso...!!

E agora, numa altura em que este “método” está bem referenciado nos motores de busca da internet, bastando escrever a palavra “macrobiótica” no Google para descobrir o nosso site “lamacrobiotique”, não passa um único dia sem recebermos emails com pedidos de ajuda vindos do mundo inteiro. Apelos de socorro, por vezes dramáticos, pequenas mensagens ingénuas ou perguntas completamente fora de contexto, como estes exemplos:

1 -Podem dar-me receitas para a diabetes tipo 1?

A medicina tradicional fala em poliartrite. Têm conselhos ou ajuda macrobiótica para me dar?

2 -A minha mulher tem um tumor cerebral que está a tratar medicamente. Seria possível recomendarem-me um centro macrobiótico para a tratar?

3 -Tenho 23 anos, sofro alternadamente de anorexia e bulimia há 8 anos, estou desesperada e aconselharam-me a seguir um regime macrobiótico.

4 -Como curar o cancro da mama? Já me retiraram uma mama há 5 anos. É urgente, digam-me o que devo fazer.

5 -A macrobiótica é eficaz para a hepatite B?

6 -É possível eliminar manchas brancas na pele com a macrobiótica?

7 -Tenho 22 anos, peso 80 kg e quero seguir um regime alimentar.

8 -Gostaria de saber quais são os efeitos nocivos do protetor solar total no rosto.

9 -Tomo um medicamento XYZ há vários anos; será perigoso para a saúde? Devo deixá-lo?

Embora a macrobiótica não seja uma medicina nem uma terapêutica generalista, muitas pessoas pensam que sim e só se interessam por este ensinamento quando são atingidas por uma doença crónica incurável, esperando encontrar na macrobiótica a misteriosa fonte da juventude capaz de curar todas as doenças e prolongar a vida.

Será que a leitura de um livro ou de uma prescrição dietética, acompanhada de algumas restrições alimentares, pode realmente vencer onde todas as medicinas — suaves, agressivas, científicas, oficiais ou alternativas — falharam?!!! Pois bem, não, não e não. Vou desiludir mais do que uma pessoa, mas não funciona assim.

Evitar a maioria das doenças praticando a arte de viver macrobiótica, sim, de acordo, isso não é uma utopia. Mas curar uma doença que por vezes se desenvolve há muitos anos, depois de o paciente ter seguido múltiplos tratamentos e ingerido todo o tipo de medicamentos, é algo completamente diferente. Não digo que seja impossível, mas exige um compromisso que vai muito além de um simples regime alimentar e da toma de alguns específicos macrobióticos.

Considero totalmente abusiva a imagem transmitida pela macrobiótica actual e, em certos casos, é até desonesto dar consultas e alimentar falsas esperanças. É por isso que aproveito a notoriedade do nosso site para publicar este esclarecimento.

Há 40 anos que sigo a via macrobiótica, depois de ter visto várias pessoas próximas de mim — incluindo a minha própria mulher morrer de cancro aos 36 anos, no dia 25 de Dezembro de 1968, após uma agonia de 40 dias.

Estudei os princípios que regem a macrobiótica durante 10 anos antes de dar a minha primeira verdadeira consulta, para vos dizer que conheço bem a questão. Essa experiência levou-me a estabelecer certas regras éticas que considero indispensáveis para a credibilidade da macrobiótica enquanto método de cuidados e preservação da saúde.

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Dar uma consulta macrobiótica acompanhada de orientações alimentares e, por vezes, de cuidados externos, convencer uma pessoa doente a submeter-se a regras de vida rigorosas, muitas vezes contra a opinião dos que a rodeiam, para depois a deixar regressar ao seu ambiente habitual, entregue a si própria, sem ajuda nem acompanhamento eficaz, é totalmente irresponsável. E, se além disso, se cobra dinheiro, trata-se de um abuso de confiança.

Pela minha parte, nunca consegui fazê-lo. É por isso que, antes de receber pessoas em consulta, procurei sempre criar previamente uma infraestrutura de acolhimento, reunida no que se convencionou chamar “um centro macrobiótico”.

Um centro macrobiótico inclui, no mínimo:

– uma loja de distribuição de produtos alimentares de qualidade e de específicos macrobióticos;

– um espaço equipado para dar aulas de cozinha;

– um gabinete de consultas;

e, sempre que possível, um dojo e um restaurante.

Além, naturalmente, das pessoas competentes indispensáveis ao bom funcionamento de um complexo deste tipo.Muitos países no mundo possuem pelo menos um centro destes. Em Itália existem mais de 100 “Punto Macrobiotico” organizados segundo este modelo. Na Suíça existem 2 e em França 3.

Após uma primeira consulta macrobiótica, os pacientes ficam frequentemente desorientados: todas as suas certezas acabam de ser postas em causa, bem como os seus hábitos alimentares, o seu modo de vida e até a sua forma de pensar. Esta revolução é difícil, ou mesmo impossível, de assumir sozinho, sobretudo se a pessoa estiver debilitada pela doença. Como preparar as refeições? Onde encontrar receitas? Como adquirir os específicos de nomes desconhecidos recomendados na consulta? Onde comprar os alimentos mais comuns? Em que comunidade encontrar ajuda, conselhos e encorajamento?

Para os principiantes, o caminho macrobiótico apresenta dificuldades quase intransponíveis quando se está isolado e longe de uma fonte de informação prática, daí a necessidade dos centros macrobióticos. Num centro deve encontrar-se absolutamente tudo o que é necessário para acompanhar os primeiros passos do novo adepto e, antes de mais, aulas de cozinha, específicos, bibliografia especializada e conselhos de pessoas mais experientes.

Só nesta condição — a existência de um centro macrobiótico próximo — é que as consultas podem ser úteis e eficazes para os pacientes.

Como podem perceber, a arte de viver macrobiótica exige uma aprendizagem individual longa e exigente. Reapropriar-se da própria vida e, por vezes, da própria morte, numa sociedade que decide tudo por nós, não é tarefa fácil. Libertar-se da segurança e do conforto oferecidos pelos seguros e pela medicina oficial, se ainda não se está doente, é heroísmo; se já se está gravemente doente, é desespero.

É dever dos professores e conselheiros macrobióticos fazer tudo o que estiver ao seu alcance para facilitar este percurso e não se limitarem a estabelecer um diagnóstico, dar conselhos e uma prescrição dietética sem fornecer ao paciente os meios práticos para os aplicar.

Quando estas condições não estão reunidas, aconselho vivamente as pessoas gravemente doentes a não colocarem todas as suas esperanças de cura no método macrobiótico, e ao praticante que se abstenha de as encorajar nesse sentido.

A macrobiótica é, antes de mais, uma Arte de Viver completa, dirigida prioritariamente a todos aqueles que sentem um desejo incomensurável de liberdade e que, tal como os escravos dos séculos passados, estão dispostos a pagar o preço para a reconquistar.

Se, em certas condições, a prática macrobiótica apresenta efetivamente um grande poder de cura, isso exige antes de mais compreender e aceitar corrigir a causa dessas doenças. Só a partir daí poderá iniciar-se um processo de cura.

A internet é um meio fabuloso de divulgação para o movimento macrobiótico, que sempre sofreu, de forma endémica, da sua dispersão planetária e da falta de comunicação daí resultante. Saibamos aproveitar esta oportunidade para recomeçar sobre bases mais realistas. Em certos países de África e do Médio Oriente, a macrobiótica poderia ser uma verdadeira tábua de salvação para os povos, tanto ao nível da economia doméstica como nos domínios da nutrição e da prevenção das doenças.

Por isso, não limitemos esta maravilhosa herança de sabedoria a um simples método de cuidados, fonte de polémica e totalmente redutora do seu verdadeiro valor.

A macrobiótica deveria ser reconhecida pelo que realmente é: uma arte de viver completa, sobre a qual seria possível construir uma nova ordem mundial respeitadora da vida em todas as suas formas, num ambiente de paz e de saúde equitativa para todos.



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