Sunday, March 19, 2023

 


TOMATE vs. Solanáceas

Solanum Lycopersicum ou Lycopersicon esculentum

Nem tudo são rosas quando comemos tomate numa bela salada crua ou num saboroso prato de carne (ou de seitan) à Bolonhesa … pois, sendo uma solanácea e tendo uma energia muito expansiva, o consumo do tomate também tem desvantagens.

Como em tudo, há prós e contras … o que é preciso é conhecer e saber utilizar …

CURIOSIDADES

·         A maior fábrica de concentrado de tomate da Europa, sita algures em Inglaterra, utiliza como matéria-prima tomates de excelente qualidade provenientes de Salvaterra de Magos, em Portugal.

·         O tomate era desconhecido na Idade Média na Europa até há 300 ou 400 anos atrás – foi trazido e divulgado por toda a parte após a colonização das Américas pelos europeus.

·         Os primeiros tomates que chegaram a Itália eram amarelos e foram apelidados de “pomodori” (maçã de ouro), nome que ainda hoje se mantém, enquanto que em todas as outras línguas subsiste o vocábulo “tomate” derivado da palavra asteca, “tomatl”.

·         Inicialmente o tomate foi olhado pelos europeus e nos EUA com muita desconfiança, tendo sido introduzidos como planta ornamental de jardim – acreditava-se que causavam cancro do estômago e apendicite. Até que, em 1820, o coronel Robert Johnson, desafiando os conselhos dos seus médicos, comeu tomates no Palácio da Justiça de New Jersey, frente a uma multidão de 2.000 testemunhas, tendo sobrevivido e contribuído a partir de então para a aceitação do consumo do tomate como alimento.

·         Actualmente, há centenas de novas espécies de tomate de todas as formas, feitios e cores: vermelho intenso, rosa, amarelo, castanho, laranja, quase branco e até negro, sendo cultivado em estufas ou por processo hidropónico, tal é a sua utilização na indústria alimentar.

·         As sementes do tomate são extremamente duradouras, resistindo à passagem pelo trato intestinal e à decomposição na compostagem.

·         Aspecto lúdico do tomate: a festa da “Tomatina” em Espanha (Buñol) – os participantes protagonizam uma voluptuosa guerra, arremessando tomates uns aos outros.

PROPRIEDADES - CONTRAS

·         Tomates, batatas, beringelas, pimentos, bagas de goji – alimentos que fazem quase todos parte da dieta mediterrânica há vários séculos – pertencem à família das SOLANÁCEAS, vegetais de origem tropical e sub-tropical, que contêm um alcalóide tóxico, a SOLANINA, responsável por eliminar minerais e oligoelementos do organismo – são inibidores de cálcio e outros minerais alcalinos e tornam o pH do sangue ácido. Solanáceas são também o jindungo, o piripiri, o tabaco, a beladona, a mandrágora, …

·         As folhas e os frutos verdes do tomateiro contêm mais solanina, logo são mais tóxicos.

·         O efeito tóxico da solanina é particularmente grave e perigoso em pessoas com atrite reumatóide, refluxo gastro-esofágico, intestinos permeáveis, colite ulcerosa, lúpus, psoríase, esclerose múltipla, doença celíaca, cistite intersticial, doentes do fígado, rins, sistema digestivo, sistema imunológico, crianças com eczema, … levando às dores e inflamações articulares ou intestinais, calcificação dos tecidos moles, irritação intestinal, etc.

PROPRIEDADES – PRÓS

·         O tomate bem maduro naturalmente é rico em licopeno, pró-vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina C, P e K. Também possui minerais importantes como o potássio, o fósforo e o cálcio e ainda frutose e ácido fólico (anticancerígeno e bom para o cérebro, coração, pele e sistema imunitário).

·         O tomate representa uma grande fonte de LICOPENO – oxidante muito eficaz contra os radicais livres que dá a cor avermelhada ao tomate. Vários estudos atribuem ao licopeno a capacidade de prevenir o cancro da próstata, suprimir as células tumorais mamárias e reforçar o sistema imunitário.

·         É muito rico em potássio, equilibrando o sódio contido nos produtos animais consumidos – por este motivo, é por nós inconscientemente desejado quando consumimos carne ou peixe. No entanto, ao optarmos por uma dieta com mais vegetais, não notaremos tanto a sua falta.

·         Como planta medicinal é ainda utilizado: em cataplasmas (folhas), como emoliente (para amolecer tumores), em caso de hemorroidas (cortado fresco às rodelas e aplicado localmente), como diurético (em sumo fresco, sem sal, bebido várias vezes ao dia).

·         Bem amadurecido, é refrescante, aperitivo, alcalinizante e anticancerígeno.

SABER UTILIZAR …

·         A justificação de que não devemos consumir tomate, porque é extremamente “Yin” ou contém solanina, é verdadeiramente extrema e como sempre fruto de pouco conhecimento - a salsa e o aipo, p. exº, pertencem à mesma família da cicuta, e nem por isso são mortais, antes pelo contrário – pertencer à mesma família de plantas, não significa ter as mesmas propriedades e efeitos, já que as doses dos princípios activos são diferentes e amiúde as plantas pertencem a uma mesma família por outros motivos (forma das folhas, flor, etc.). Além do mais, a solanina presente no tomate, é mínima comparada com a que existe noutras solanáceas (beladona, datura, …) e os tomates bem maduros, lavados, borrifados com sal marinho durante um certo tempo, desaparece quase por completo.

·         Este alcalóide presente no tomate é menos tóxico se os consumirmos bem amadurecidos de forma natural – o ideal é cultivá-los e colhê-los bem roxos – sendo mínima a presença de solanina.

·         Outra forma de consumir o tomate é em forma de tomate seco (bem seco ao Sol) ou cultivá-lo com água do mar, como se faz na Sicília.

·         As pessoas mais débeis constitucionalmente ou que têm problemas de mineralização, artrite, reumatismos, doenças de pele, dores generalizadas, articulações débeis ou doridas, deveriam moderar a sua utilização ou evitá-lo.

·         As pessoas mais robustas, de boa saúde e que vivam em zonas com climas quentes e secos poderão integrar o seu consumo mais amiúde na sua dieta, sobretudo nos meses mais quentes de Verão, tomando, contudo, algumas precauções na sua preparação: reduzir o conteúdo de solanina, preferir cozimentos mais longos, consumi-lo de preferência em molho de tomate caseiro, borrifá-los com sal marinho ou flor de sal antes de os consumir … O licopeno encontra-se numa concentração dez vezes maior e a sua biodisponibilidade aumenta, após a cocção, isto é, em forma de molho de tomate.

Por tudo o que foi dito, deveríamos evitar o consumo de tomate, tendo o cuidado de o cozinhar devidamente e por tempo suficiente e temperando-o com sal marinho integral.

É melhor não o consumir diariamente, reservando a sua utilização para receitas especiais ou então consumi-lo em pequena quantidade e unicamente no Verão.

 

COMO ALQUIMIZAR AS SOLANÁCEAS

A cozinha mediterrânica utiliza uma grande quantidade de tomates, pimentos, beringelas, batatas, todos eles pertencentes à família das solanáceas, que contêm solanina, um princípio activo potencialmente tóxico, responsável por eliminar minerais e oligoelementos do organismo.

Mas não temos que nos assustar ou eliminar tais alimentos da nossa dieta. Muito simplesmente, só há que os consumir unicamente na sua estação e bem maduros (Verão). A solanina, de facto, em tais condições, é praticamente inexistente. Devido à energia expansiva destes vegetais, é importante adoptar algumas precauções, que nada têm de novo, e constituem, de facto, a maneira tradicional de os preparar.

Em algumas zonas de Sicília, por exemplo, os tomates são regados com água do mar: o clima, particularmente quente, e o sal da água, deixando os tomates a secar ao Sol durante dias, são todos eles factores yang que harmonizam a natureza yin do vegetal.

No que diz respeito às beringelas e pimentos, devem deixar-se uma meia hora cortados e borrifados com sal marinho, a seguir passam-se por baixo da torneira (que eliminará a solanina) e, finalmente, seguem-se cozeduras muito longas, se possível, no forno: o tempo e o ambiente muito yang do forno vai, em parte, equilibrá-los.

Nas batatas, a solanina vê-se à vista desarmada: é aquela coloração verde que têm quando são colhidas antes do tempo, mas que também se acumula nas batatas velhas, enrugadas e germinadas. Assim há que observá-las, deixá-las uma meia hora cortadas em água com sal marinho. Mas, devido ao seu índice glicémico muito alto, devem-se evitar, se tivermos o açúcar no sangue elevado ou alguma doença grave e debilitante, já que neste caso, há que ter a glicémia sob controlo.  Também se deve restringir o seu uso ou eliminar as solanáceas da dieta se se sofrermos de algum tipo de condição inflamatória que gere dores: artrite, enxaqueca, artrose, etc.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

·         - “ECODIETA. Vivir en armonia com el entorno” – Clara Castellotti.

·         - “QUE EL ALIMENTO SEA TU MEDICINA. La dieta mediterrânea a la luz del yin y el yang” – Clara Castellotti.

·         - “Harmonisation de l´alimentation selon les variations de l´environnement et les besoins personnels” – Aveline e Michio Kushi.

·         - “Solanáceas, vegetais venenosos, cuidado com batatas, tomates e outros” – Manuel Moreira

·        -  “Plantas para curar e para comer” – Miguel Boieiro.

·        -  “Las solanáceas (tomate, patata, pimento y berengena) en la macrobiótica: por qué no se suelen comer y cómo suscituirlas” – CALAGNESMACROBIÓTICA.



Friday, March 10, 2023

 



DENTE DE LEÃO

“O dente de leão deve ser seguramente a planta com maior reputação na área da Fitoterapia, pois é presença obrigatória em todas as grandes obras da especialidade” (Miguel Boieiro).

Se há super plantas selvagens usadas como alimento e remédio, o dente de leão ocupa, sem dúvida nenhuma, lugar de grande destaque nessa classificação.
Tais “super-poderes” curativos estão bem patentiados no seu nome científico – taraxacum – que em grego significa: taraxos (transtorno) + akos (remédio). Isto é, indicada para curar todo o tipo de transtornos.
Já o seu nome vulgar – “dente de leão”, “dendeleon” para os ingleses, “pissenlit” (mija na cama) para os gauleses ou “erva urinária” para os castelhanos – está relacionado ou com a forma dentada das suas folhas ou com as suas grandes virtudes diuréticas e depurativas dos rins.
A taraxacum officinalis é uma planta nativa da Europa e Ásia, aclimatada a todo o hemisfério Norte.
Se bem que pode ser recolectada e consumida fresca durante todo o ano, é recomendável recolectar as raízes no Outono.
As suas sementes têm um fantástico poder disseminador, “semeando-se por toda a parte”, com um simples sopro de uma criança ou com o sopro do vento.
Toda a planta pode ser utilizada sem contra-indicações, em infusões (folhas), em decocções (raízes), em sumo fresco ou em alcoolaturas (maceração da planta jovem em álcool) – toda a planta é a ctiva, mas a raíz é a parte que mais propriedades contém.
As folhas jovens e frescas são especialmente benéficas na Primavera. Podem ser comidas cruas em saladas ou fervidas no vapor.
De efeito moderado, permite ser bebida diariamente, sendo o seu chá mais adequado às estações quentes do que frias.
Tal como a urtiga, é eficaz nas curas de desintoxicação da Primavera e do Outono.
Contém importantes princípios activos: lactopionina, tanino, inulina, tiraxicina, polissacarídeos, caroteno, mucilagens, fitosterol, esteróis, flavonoides, cumarina, enzimas, saponinas, etc.
É fácil de adquirir em qualquer ervanária.

PROPRIEDADES MEDICINAIS
Purificadora do sangue, colagoga (incrementa e estimula a passagem da bílis para o intestino delgado), diurética, estomacal, tónico amargo, remineralizante, anti anémica, hipotensora, depurativa, litotrópica (ajuda a dissolver cálculos e pedras das vias urinárias e biliares, em especial das vias urinárias), …
É indicada para problemas hepáticos, estomacais, biliares, intestinais e urinários; gota; erupções cutâneas; obesidade; inflamações, quistos e cancro da mama.
A cor amarela das flores e o gosto amargo, indicam propriedades hepáticas, enquanto que o leite que escorre dos seus talos assinalam a sua actividade curativa sobre as glândulas mamárias e aliviam as dores de picada de abelha.
As suas raízes tostadas são um válido substituto do café sem efeitos colaterais e favorecem o sistema imunitário.
Estudos mais recentes demonstram a sua capacidade antioxidante e anticancerígena.

RECEITAS e PREPARAÇÕES

“Negligenciando - o Dente de Leão - este tesouro do reino vegetal, a sociedade moderna mostra-se totalmente cega às virtudes da mãe natureza” (Ed Esko).

  CHÁ PARA DESINTOXICAR O FÍGADO (Lourenço Azevedo)
Ingredientes (plantas secas)
·         4 colheres de chá (cerca de 20g) de folhas esmagadas num almofariz (ou com as mãos)
·         1 litro de água
Ingredientes (plantas frescas)
·         8 colheres de chá (cerca de 40g) de folhas
·         1 litro de água
Preparação
·         Deixar a água entrar em ebulição, apagar o lume e esperar 3 a 5 minutos. Juntar as folhas e fica em repouso durante 10 minutos.
·         Coar e beber quente ou verter para uma garrafa térmica e beber durante o dia. Tomar, antes das refeições, uma chávena, três vezes ao dia.
Sugestões de utilização
·         Também se pode adicionar uma casca de limão, potenciando o seu efeito sobre o fígado.
·         Adicionar folhas de menta quando a infusão está à temperatura ambiente – alternativa refrescante e depurativa para os dias mais quentes da Primavera e do Verão.

  

CHÁ DEPURATIVO DO SANGUE
·         1 a 2 pés de dentes de leão (folhas e raiz)
·         Ferver em 2 copos de água, durante uns 10 minutos
·         Tomar 2 a 3 copos por dia. Pode ser bebido diariamente por qualquer pessoa.



  CHÁ DE RAIZ SECA DE DENTE DE LEÃO (Michio Kushi)
·         Cortar a raiz em rodelas fininhas
·         Tostar ligeiramente e reduzir a pó no moinho do café
·         Proporções: 1 colher de sopa de pó de raiz para 1 litro de água
·         Ferver durante 10 minutos, coar e beber
·         Tem gosto amargo. Fortalece o estômago e os intestinos e intensifica a vitalidade.



  CHÁ DE RAIZES E FOLHAS SECAS DE DENTE DE LEÃO (Bernardete Kikushi)
·         Ferver 2 copos de água e, quando estiver em ebulição, adicionar um punhado de raízes e folhas secas de dente de leão
·         Deixar ferver por 5 minutos em lume brando
·         Este chá pode ser usado frequentemente. É muito bom para o fígado e um excelente depurativo do sangue. Possui ainda propriedades  regenerativas e remineralizantes


“CAFÉ” DE RAIZES DE DENTE DE LEÃOas raízes são muito amargas e uma vez secas e tostadas e reduzidas a pó, são um excelente substituto do café, sem as desvantagens deste. Tonificante especialmente indicado para doenças cardíacas e desequilíbrios do sistema nervoso central.



  CAFÉ DE RAIZES DE DENTE DE LEÃO (Sara Rato)
·         Lavar as raízes e secar ao Sol durante vários dias. Cortar em pedaços pequenos
·         Tostar no forno. Moer no moinho do café
·         Ferver 2 copos de água, e, quando estiver em ebulição, adicionar 2 c. de chá deste café, deixando ferver por 10 minutos
·         Apagar o fogão, mexer um pouco e coar


NA COZINHA, AS FOLHAS JOVENS TENRAS E FRESCAS, PODEM SER PREPARADAS DE VÁRIAS MANEIRAS:
·         No vapor
·         Refogadas em azeite, alho e shoyu (molho de soja japonês salgado)
·         Em saladas cruas
·         Em saladas ligeiramente escaldadas em água a ferver (1 a 2 minutos)
·         Salteadas (em óleo/azeite ou água)
·         Como produto constituinte de sopas
·         Em “tempura” (fritas envoltas num polme)
·         Etc.
As folhas verdes do dente de leão dão força e vitalidade e são uma boa fonte de fibras, facilitando a digestão e são muito boas para a vesícula biliar.

  

  DENTE DE LEÃO COM SHOYU (Lima Oshawa) – receita para 5 pessoas
Ingredientes (plantas secas)
·         1 punhado de folhas tenras, apanhadas antes da eclosão das flores
·         1 colher de sopa (c.s.) de óleo de sésamo ou de azeite
·         3 colheres de sopa de shoyu
·         3 colheres de sopa de água
·         1 colher de sopa de sementes de sésamo, ligeiramente tostadas e esmagadas
Preparação
·         Lavar as folhas e cortá-las finamente
·         Salteá-las em óleo quente, em fogo médio, durante 2 a 3 minutos
·         Diluir o shoyu na água e juntar às folhas. Pode-se substituir por sal marinho
·         Deixar fervilhar até à completa absorção do líquido
·         Servir salpicadas com as sementes de sésamo tostadas e moídas
Variante com raízes de dente de leão
·         Lavar (escovar) bem as raízes e depois escorrer
·         Salteá-las em 1 c.s. de óleo de sésamo (ou azeite) 3 a 4 minutos em lume médio
·         Temperar com shoyu diluído ou 1 pitada de sal e deixar fervilhar até à completa absorção do líquido
·         Prato tradicional japonês contra o artritismo

  

  SUMO DE PLANTAS FRESCAS
·         2 a 3 colheres de sobremesa por dia
·         Indicado como diurético, depurativo e colagogo

   

  PICKLES DE BOTÕES FLORAIS DE DENTE DE LEÃO
·         Dos botões florais, ainda não abertos, do dente de leão, conservados em vinagre e sal, faz-se um aperitivo (pickles) semelhante às alcaparras.

  

  CATAPLASMA DE FOLHAS E FLORES FRESCAS
·         Esmaga-las e aplicar directamente na pele em caso de dermatite
·         A cataplasma é uma massa medicamentosa em forma de papa que se aplica sobre a pele de uma determinada zona do corpo dorida ou inflamada.

 

  AUTORES DE REFERÊNCIA
·         Lourenço Azevedo – “Regenerar. Manual de bem-estar para viver de acordo com as estações do ano”
·         Miguel Boieiro – “Plantas para Curar e para Comer”
·         Clara Castellotti – “Fitoterapia Energética. Plantas medicinales para una salud plena y natural”
·         Michio Kushi
·         Lima Ohsawa
·         Sara Rato
·         Bernardete Kikushi
·         Ed Esko – “Ode ao dente de leão” - Metamorfose, https://restaurantemetamorfose.blogspot.com/2017/12/ode-ao-dente-de-leao.html

 

 


# curiosidades

JÁ OUVIU FALAR DA COUVE-ROMANESCA?

descubra os seus benefícios

Pensa-se que este alimento seja o resultado do cruzamento entre o brócolo e a couve-flor, daí o seu formato sui generis. Mas o mais importante? Os seus benefícios para a saúde.

Poucos vegetais têm uma aparência tão singular e atraente como a couve-romanesca, dona de uma estrutura cónica e um padrão em espiral.

Com um leve sabor a noz, é de tal forma suave que facilmente se modifica com temperos e molhos.

A verdade é que qualquer prato beneficia do toque de elegância que acrescenta. Além disso, o seu aspecto curioso pode até ajudar a convencer as crianças a comer legumes!

 

5 RAZÕES PARA COMER COUVE-ROMANESCA

Com inúmeros nutrientes, os benefícios associados ao seu consumo vão fazê-la pensar duas vezes quando se cruzar com esta couve no corredor do supermercado.

§  É rica em potássio, ácido fólico, fibra e carotenoides;

§  Contém níveis elevados das vitaminas B1, B2, C e K;

§  Tem uma ação antioxidante, protegendo dos radicais livres que aceleram o processo de envelhecimento;

§  Tem uma ação anticancerígena;

§  Neutraliza os ácidos do estômago.

 

QUAL A MELHOR ALTURA PARA CULTIVAR?

Devem ser cultivadas entre maio e agosto. Como? Com a cabeça a descoberto, para ganharem a cor verde fluorescente que lhes é característica.

Após os meses de crescimento, é durante o inverno e a primavera que encontramos as couves-romanescas mais viçosas e saborosas.

COMO ESCOLHER

Faça tal e qual como faria se fosse escolher um brócolo ou uma couve-flor – cabeças firmes e com cores fortes, sem sinais de descoloração.

Conserve as couves romanescas dentro de um saco fechado, no frigorífico ou no congelador.

Agora que já conhece as propriedades e benefícios da couve-romanesca, saiba como a preparar nesta receita rápida e fácil para fazer no forno.

… E já agora, coma também as folhas … não as deite às galinhas … que elas agradecem …

 

REFERÊNCIAS:

·  https://www.saberviver.pt/comida/nutricao/couve-romanesca-descubra-beneficios/

 

Sunday, March 5, 2023

 



ALOÉ VERA barbadensis

CURIOSIDADES

§  O nome botânico “aloé” engloba cerca de 250 variedades reconhecidas. Tem a aparência de um cacto, embora pertença à família das liliáceas, como os alhos e as cebolas.

§  De todas estas variedades, apenas 3 ou 4 têm propriedades curativas e medicinais significativas – entre elas destacam-se a Aloé barbadensis (a aloé vera de flor amarela), também conhecida como aloés-de-barbados ou babosa (Brasil) e a Aloé arborescens (de flor vermelha).

§   Encontra-se espalhada por todo o mundo, desde que o clima seja seco e o solo rico em minerais.

§  ALOÉ: deriva do Árabe “Alhoceh” que significa substância amarga e VERA: deriva do Latim e significa verdadeiro.

§  A aloé vera é conhecida e apreciada pelas suas virtudes desde tempos muito antigos, havendo provas disso: na escrita cuneiforme dos sumeros; no livro dos medicamentos do antigo Egipto (3.500 AC); na medicina tradicional chinesa, indiana, grega e romana (com destaque para os escritos de Dioscórides e Plínio).

§  As rainhas egípcias Nefertiti e Cleópatra já utilizavam o Aloé como tratamento de beleza. 

§   Consta-se que Mahatma Ghandi atribuía a sua grande energia ao uso regular de Aloé.

§   É originária do Norte e do Sul de África, Arábia em particular, Cabo Verde e Canárias. Chegou a Espanha e a várias partes do Sul da Europa no sec.XVI através dos árabes e foi introduzida na China, na Índia e América no sec.XVII.

§  É também conhecida como “planta da imortalidade”, “planta miraculosa”, “planta das queimaduras”, “planta da vida”, “curativo natural”, “curador silencioso”, “lírio do deserto”, “elixir da longevidade”, “língua de crocodilo”, “bênção do céu”, “sábila” (México) e “acíbar” (os árabes chamavam-lhe “a grande curadora” e usavam o acíbar preparado a partir dela para curar as mais diversas doenças).

§  Enquanto que os árabes sublinharam a importância da aloé na cura dos órgãos internos, os índios americanos utilizaram-na como vulnerária e cicatrizante  em caso de feridas, queimaduras e problemas de pele em geral, situações em que a planta, além de proteger a zona, hidratar e cicatrizar, torna mais rápida a cura e elimina o risco de infecção.

§  Uma aloé uma vez arrancada e deixada inteira com as suas raízes, pode sobreviver por um ano (e eu já tive a experiência disso), envolvida num pano de algodão. Em contrapartida, as folhas, uma vez cortadas, resistem apenas uma semana no frigorífico e o seu suco em 24 horas perde praticamente todas as suas propriedades e decompõe-se – daqui é fácil compreender que os preparados comerciais têm de conter uma boa dose de agentes químicos para a conservar. De facto, a maneira mais natural de a conservar, é em tintura alcoólica de não menos de 70°, onde o álcool serve de conservante.


PROPRIEDADES

§  Para uso medicinal utiliza-se a seiva e as folhas de plantas com mais de 3 anos de idade, que se cortam pela base, onde a planta concentra a quantidade mais importante de princípios activos. Será melhor evitar recolectar as folhas no Verão, quando o excesso de antraquinona (princípio activo amargo e laxante) a torna desagradável. Das folhas grossas e compactas do aloé, que podem atingir os 50 cm de comprimento e 10 cm de largura, retiram-se 2 extractos fundamentais: 1) o látex, amarelo e colhido principalmente nos extremos das folhas (a usar com moderação, pois contém propriedades laxativas e irrita os intestinos mais sensíveis) e 2) o gel, extraído da parte central da folha e que constitui a base da esmagadora maioria dos produtos comercializados, mas que contém algumas contra indicações para o uso interno.

§  Contém mais de 75 ingredientes (princípios activos) diferentes que lhe conferem destacadas propriedades: purgantes (antraquinona); melhora úlceras duodenais e estomacais e diminui a acidez (aloeoleina); reforça o sistema imunitário (carricina); gera ácido salicílico de efeito analgésico e antifebril (emolina, emodina e barbaloina); actividade emoliente sobre a pele (mucílago da polpa interna); neutralisa o efeito das toxinas microbianas (aloetina); estimula o crescimento celular e a cicatrização (hormonas vegetais). Também contém vitaminas A, C, E e B, minerais (sódio, potássio, magnésio, cobre, cromo, …), enzimas (que reforçam a sua actividade sobre o sistema imunitário), substâncias antisépticas (saponina) e anti inflamatórias, etc. Contém 3 esteróis importantes, entre os quais está o colesterol HCL, que reduz a gordura no sangue. Todos estes componentes entram em sinergia apoiando-se e potenciando-se uns aos outros.

§  É também chamada “hormona das feridas” pelo seu poderoso efeito cicatrizante, tendo sido recentemente definida como a melhor mistura de antibióticos, agentes coagulantes, inibidores da dor e estimulantes do crescimento dos tecidos que se conhece na natureza. Além do mais, possui uma incrível capacidade de penetração que lhe permite chegar até às camadas mais profundas da epiderme e curá-las.

§  Duas são as suas qualidades mais importantes: 1) actuar sobre o tecido epitelial e, portanto, regenerar todas as mucosas do organismo e as membranas que revestem os órgãos internos e 2) estimular o sistema imunitário.

§  Está incluída na lista das plantas adaptogénicas – actua indirectamente como nutritiva e estimula, tonifica e aumenta as funções protectoras do organismo.

§  São-lhe atribuídas propriedades preventivas e de apoio na cura do cancro e da SIDA, devido à sua acção sobre o sistema imunitário – nestes casos deve utilizar-se exclusivamente a planta fresca e inteira e não os preparados comerciais (que são de desconfiar e fugir …).

§  É muito eficaz no tratamento das doenças gastrointestinais agudas e crónicas – úlceras, gastrites, prisão de ventre, inflamação intestinal … - e é aconselhável uma cura de aloés depois de se ter tomado medicamentos (corticóides ou anti inflamatórios, p.exº) que possam ter comprometido a mucosa estomacal.

§  Para a prisão de ventre – ingerir um trocito de polpa próxima da pele da folha (a que contém antraquinona de efeito laxativo e é esverdeada) pela manhã em jejum ou tomar suco, adoçado com mel, se necessário. A tintura alcoólica é uma alternativa para quem não suporta o gosto amargo da planta.

§  A polpa interior transparente é a que se utiliza na maior parte das perturbações de saúde, tendo o cuidado de tirar-lhe bem a pele e a parte verde que está em contacto com ela. O gosto da gelatina é aceitável.

§  A cor amarela das suas flores está relacionada com o fígado e a vesícula biliar, órgãos sobre os quais a aloé exerce grande poder de cura, desintoxicando e aumentando a emissão de bílis. Aconselha-se uma cura de aloé na Primavera, estação do fígado - um troço de polpa de 3x3cm por dia é suficiente.

§  Em caso de ferida, queimadura (causada pelo fogo, Sol ou radioterapia) ou picada de insecto – cortar uma folha e aplicar directamente a parte interna gelatinosa sobre a zona afectada, mantendo-se com uma ligadura (pano) e deixando actuar durante uma hora ou mais e podendo ser mantida durante 24 horas (substituir as folhas de vez em quando por folhas novas). Também se pode empapar uma gase com o suco da aloé e aplicá-la na parte afectada.

§  Os doentes de cancro, durante as sessões de radioterapia, deveriam aplicar o suco da aloé fresca duas vezes ao dia – pela manhã e à noite – depois de um creme de rosa mosqueta. Esta prática pode evitar as dolorosas queimaduras que acompanham a terapia.

§  Em caso de fungos (pé de atleta, candidíase vaginal), herpes, dermatite provocadas pelas fraldas nos bebés, psoríase, etc. - aplicar externamente a aloé em forma de polpa ou de unguento.

§  Em medicina ayurvédica, utiliza-se como o melhor tónico feminino do mundo vegetal, para preservar a beleza, a saúde e a juventude da mulher. Utiliza-se como emenagoga, 1 semana antes das regras. É afrodisíaca feminina e rejuvenescedora do útero e do aparelho reprodutor feminino. No homem aumenta o sémen.

§  Faz com que todos os nutrientes alcancem os órgãos e se transformem em novos tecidos.

§  Pode ainda ser utilizada em caso de hipertensão arterial – tomar 5 a 7 colheres de sopa de polpa de aloé, de manhã em jejum.

§  O uso continuado e em grande quantidade da aloé, pode acarretar problemas, devendo o doente consultar previamente o médico, se quiser ter tratamentos demorados. De referir ainda, que a planta não deve ser usada conjuntamente com medicamentos para o coração, diuréticos e corticosteróides.

§  CONTRA INDICAÇÕES – gravidez, menstruação, hemorróides, colite, intestino irritável.

 

PREPARAÇÕES

§  TINTURA ALCOÓLICA – cortar em trocitos umas folhas grandes de aloé e triturar com um robot de cozinha. Deixar macerar à sombra num frasco de vidro, cobertas com álcool a 70°, durante 4 semanas. Filtrar e guardar em frasco de vidro escuro. Para uso externo – dermatites, psoríase, herpes, etc. - usar diluída em água ou em cremes ou unguentos.

§  TINTURA HIDROALCOÓLICA – actua-se da mesma forma anterior, mas as folhas trituradas são cobertas com aguardente de orujo. Para uso interno (fígado, prisão de ventre, problemas estomacais, sistema imunitário debilitado, etc. – tomar 15 a 30 gotas em meio copo de água, 3 vezes ao dia.

§  ACÍBAR – prepara-se nos meses quentes. Num recipiente de vidro posto ao Sol deixam-se escorrer as folhas de aloé cortadas transversalmente. Põe-se o suco em lume brando – ou deixa-se secar ao Sol – até que se transforme numa geleia condensada – 0.10g por dia para perturbações estomacais ou hepáticas; 0.20g para um efeito purgante. Tomar 1 colher de sopa antes das refeições.

§  XAROPE DE ALOÉ – colher as folhas do meio – rejeitar as mais velhas e as mais novas. Lavá-las muito bem e retirar o gel verde que se encontra na parte central de cada folha (não aproveitar as extremidades). Liquidifazer o gel, juntamente com mel e aguardente (ou whisky) de boa qualidade – tudo em partes iguais. Guardar o xarope no frigorífico e consumi-lo no prazo máximo de 2 meses.

§  GEL – obtido da polpa fresca, com um liquidificador – 2 colheres de sopa, duas vezes ao dia, como purgante ou cura de desintoxicação; 2 colheres de café, com uma pitada de curcuma, duas vezes ao dia, como tónico geral. O gel de aloé pode ser usado por períodos relativamente largos, ainda que se aconselhe os meses de Abril e Maio, tanto pela capacidade depurativa do próprio período (estação do fígado e da vesícula biliar) como pelo sabor da planta, menos amarga.

§  OUTRAS PRODUTOS CASEIROS – sumo, loção pós-solar para depois de um dia de praia, produtos de higiene (sabonete, pensos higiénicos, …) …

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

§  https://asenhoradomonte.com//?s=aloe+vera

§  “Fitoterapia energética” – Clara Castellotti

§  “As plantas nossas irmãs” – Miguel Boieiro

§  “Autocura das doenças pela macrobiótica” – Rui Rato.




O DAIKON SÍNTESE GLOBAL ORGANIZADA POR TEMAS (IA) Existe um elevado grau de concordância entre as fontes. Abaixo segue uma síntese or...