Sunday, July 26, 2026

 

Furikake de Bonito

Com a preciosa colaboração – pesquisa e organização editorial

da Inteligência Artificial ChatGPT

Referência = Furikake de Bonito (Katsuo Furikake) importado pela EnB FOOD S.L., empresa sediada em Madrid que distribui produtos alimentares japoneses para Espanha e Portugal.

O que é o furikake?

É um condimento seco tradicional japonês utilizado para polvilhar arroz, papas de cereais, massa, legumes, tofu e outros pratos. A palavra furikake significa literalmente "polvilhar por cima".

A versão de bonito utiliza katsuobushi, isto é, flocos de bonito (atum-bonito, skipjack tuna) fumado, fermentado e seco, um dos ingredientes mais importantes da cozinha japonesa.

Ingredientes habituais

Embora a composição varie conforme o fabricante, um furikake de bonito contém normalmente:

  • sementes de sésamo
  • flocos de bonito (katsuobushi)
  • alga nori
  • molho de soja
  • açúcar
  • sal
  • mirin ou outros temperos fermentados
  • extrato de levedura
  • por vezes ovo, cálcio de algas ou proteína vegetal
  • frequentemente glutamato monossódico (E621) ou outros potenciadores de sabor nas versões industriais.

Valor nutricional

Como se utiliza em pequenas quantidades (1–2 colheres de chá), o contributo energético é reduzido.

Fornece sobretudo:

  • proteína proveniente do peixe
  • minerais (especialmente cálcio, fósforo e algum iodo se contiver algas)
  • gorduras saudáveis do sésamo
  • compostos umami naturais provenientes do bonito.

Vantagens

Do ponto de vista gastronómico:

  • aumenta muito o sabor sem necessidade de adicionar muito molho de soja;
  • fornece um intenso sabor umami;
  • torna o arroz simples bastante mais apetecível.

Na perspetiva macrobiótica

Aqui a avaliação é um pouco diferente.

Aspetos positivos

·       contém algas;

·       contém peixe em pequena quantidade;

·       usa ingredientes fermentados (molho de soja);

·       é utilizado em doses pequenas.

Aspetos menos favoráveis

As versões industriais costumam conter:

  • açúcar;
  • excesso de sal;
  • potenciadores de sabor;
  • aromas;
  • alguns óleos refinados.

A Macrobiótica tenderia a preferir condimentos mais simples e tradicionais, como:

  • gomasio;
  • tekka;
  • nori tostada;
  • flocos de bonito simples;
  • shiso;
  • umeboshi;
  • miso;
  • gomashio com algas.

Assim, o furikake industrial será visto mais como um condimento ocasional do que como um alimento regular, podendo ser utilizado, mas com moderação:

  • cerca de ½ colher de chá sobre arroz integral;
  • 2–3 vezes por semana;
  • evitando adicionar mais molho de soja na mesma refeição.

Se o produto tiver bastante sal, convém reduzir ainda mais a quantidade.

Como o utilizaria na alimentação macrobiótica

Polvilhar sobre:

  • arroz integral;
  • millet;
  • cevada;
  • papa de arroz;
  • creme de cereais do pequeno-almoço (em versão salgada);
  • legumes cozidos;
  • tofu;
  • onigiri (bolas de arroz).

Vale a pena comprar?

Sim, se:

  • aprecia o sabor japonês;
  • pretende variar os condimentos;
  • o consumir apenas ocasionalmente.

Não será um condimento de uso diário, sobretudo devido ao teor de sal e aos aditivos presentes em muitas versões comerciais.

Como alternativa mais saudável

Obter-se-ão melhores benefícios com:

  1. Gomasio artesanal (sésamo + sal marinho).
  2. Tekka tradicional.
  3. Nori tostada triturada.
  4. Flocos de bonito puro (katsuobushi) sem aditivos.
  5. Mistura caseira de nori + sésamo + shiso + um pouco de bonito, preparada em casa, sem açúcar nem potenciadores de sabor.

Esta última opção aproxima-se muito mais da filosofia da macrobiótica tradicional e permite controlar completamente a qualidade dos ingredientes.

 

Wednesday, July 22, 2026

 

BOTIQUIM DE VIAGEM MACROBIÓTICO

Isabel - https://macrosano.com/

As férias estão à porta e, certamente, já começou a pensar no que vai colocar na mala. Se, além da roupa, gosta de levar um pequeno estojo de primeiros socorros, talvez lhe interesse saber o que costumo incluir no meu botiquim de viagem macrobiótico. Ocupa muito menos espaço e, na minha experiência, revela-se bastante eficaz.

Uma das coisas mais práticas para levar consigo quando viaja é a ameixa umeboshi.

Apesar do nome, este fruto é, na realidade, uma variedade de alperce fermentado em sal e folhas de shiso durante vários meses. Durante este processo, aumenta o seu teor de ácido cítrico, razão pela qual é tão valorizado do ponto de vista da saúde.

Pode levá-la inteira ou em pasta. Em qualquer dos casos, basta colocar uma pequena quantidade num frasco de vidro e terá, muito provavelmente, o suficiente para toda a estadia. Uma alternativa ainda mais prática é levar umebols, pequenas pastilhas que cabem facilmente na carteira ou no bolso.

Porque vale a pena levar ameixas umeboshi?

São particularmente úteis para muitas das situações frequentes durante as férias.

·       Enjoos e vómitos

São muito comuns, sobretudo quando se viaja de automóvel, autocarro ou barco.

A ameixa umeboshi é tradicionalmente utilizada para aliviar os enjoos de qualquer tipo, incluindo os provocados pela ressaca. Muitas grávidas recorrem igualmente a ela como ajuda natural para as náuseas.

Pode ser consumida diretamente, mastigando-a muito bem. No entanto, como o seu sabor é bastante intenso (não se deixe enganar pelo nome, pois praticamente não conserva o sabor da fruta original), poderá preferir deixá-la de molho durante cinco minutos num copo de água quente e consumir tanto a ameixa como a água, mastigando cuidadosamente.

Se tiver oportunidade de a adicionar a um chá bancha, tanto melhor.

·       Fadiga

Quando nos sentimos cansados, é frequente existirem níveis elevados de ácido láctico no organismo.

A ameixa umeboshi contém uma quantidade significativa de ácido cítrico, que favorece a eliminação do ácido láctico, transformando-o em ácido carbónico e água, substâncias facilmente eliminadas pelo organismo.

Consumir uma ameixa umeboshi após a prática de exercício físico ou depois de um dia inteiro de passeios sob o sol pode ajudar a recuperar da fadiga.

·       Para matar a sede

Embora sejam fermentadas em sal, as ameixas umeboshi são excelentes para aliviar a sede.

O equilíbrio entre o sabor ácido e salgado contribui para reduzir eficazmente a sensação de sede.

·       Problemas digestivos

Estimulam a secreção dos sucos gástricos e favorecem o funcionamento do fígado, contribuindo para melhorar a digestão.

São particularmente indicadas após as refeições, sobretudo para quem sofre de digestões pesadas.

·       Diarreia e obstipação

As ameixas umeboshi são tradicionalmente utilizadas tanto em casos de obstipação como de diarreia, pois ajudam a normalizar o funcionamento intestinal.

·       Feridas e picadas de mosquito

Aplicadas diretamente sobre picadas de insetos ou pequenas feridas, podem favorecer uma recuperação mais rápida, ajudando na cicatrização e reduzindo a inflamação.

Também podem ser aplicadas sobre aftas ou fissuras nos lábios ("boqueiras"). Embora provoquem alguma sensação de ardor, podem acelerar o processo de cicatrização.

Nestes casos, a pasta costuma ser mais prática. Se utilizar a ameixa inteira, basta desfazê-la com os dedos e aplicar uma pequena quantidade sobre a zona afetada.

·       Um poderoso alimento alcalinizante

Durante as férias é habitual aumentar o consumo de alimentos e bebidas altamente acidificantes, como:

  • comida rápida;
  • fritos;
  • doces;
  • refrigerantes açucarados;
  • gelados;
  • batidos;
  • cerveja;
  • outras bebidas alcoólicas.

Se não conseguir evitá-los, consumir uma ameixa umeboshi por dia poderá ajudar a reduzir o seu efeito acidificante e a restabelecer o equilíbrio alcalino do organismo.

A elevada concentração de ácido cítrico favorece ainda a absorção intestinal de minerais alcalinos, como o ferro e o magnésio.

Além disso, a umeboshi é naturalmente rica em minerais como ferro, cálcio, magnésio e potássio.

Esta combinação, juntamente com a sua capacidade de favorecer a eliminação de resíduos metabólicos acidificantes, faz da umeboshi um dos alimentos mais alcalinizantes utilizados na tradição macrobiótica.

·       Formas de consumo

As ameixas podem ser consumidas diretamente em jejum, mastigando-as lentamente, ou depois de demolhadas em pouca água. Nesse caso, aproveite também para beber a água da demolha.

Se preferir, pode consumi-las durante as refeições, desfeitas e misturadas nos alimentos.

Talvez a forma mais simples de transportar e consumir a umeboshi seja através das umebols.

As umebols são pequenas bolinhas preparadas a partir de concentrado de ume e pó de jinenjo. O jinenjo é tradicionalmente conhecido por revitalizar o coração, fornecer enzimas digestivas e possuir um forte efeito alcalinizante.

As umebols apresentam as mesmas propriedades da umeboshi, mas de forma muito mais concentrada, uma vez que são produzidas a partir do respetivo concentrado.

A sua principal vantagem é serem fáceis de tomar e apresentarem um sabor mais agradável.

Basta colocá-las na boca e deixá-las dissolver completamente.

Em geral, três a cinco umebols por dia costumam ser suficientes.

Podem ser transportadas confortavelmente na carteira ou no bolso, no respetivo dispensador, sendo habitual consumir uma ou duas após cada refeição.

Contribuem para uma boa digestão, fornecem energia e podem ajudar a reduzir a necessidade de recorrer ao café.

Boas férias!

 

Monday, July 20, 2026

 

A SANTA TRÍADE DA LONGEVIDADE JAPONESA

Rui Rato

Se queres elevar a tua energia, digestão e clareza mental a outro nível, prepara-te!  Estes três pilares não são apenas uma "dieta" — são uma FILOSOFIA DE VIDA INTEGRAL !

1. SHO-SHOKU (少食) — A ARTE DE NUTRIR SEM OPRIMIR

COMER DEMAIS = ROUBAR A TUA PRÓPRIA ENERGIA VITAL

O CONCEITO PROFUNDO

No Ocidente, a obsessão é: "Quantas calorias entram?"  No Sho-shoku, a pergunta-chave é: "QUANTA ENERGIA O TEU CORPO GASTA SÓ PARA DIGERIR?"

A digestão de refeições pesadas consome até 60% da tua energia diária! Quando praticas o Sho-shoku, estás a libertar uma quantidade brutal de energia metabólica para o teu cérebro , sistema imunitário  e reparação celular .

O MECANISMO BIOLÓGICO & ESPIRITUAL

 AUTOFAGIA ATIVADA: Ao comeres menos (e respeitares o Hara Hachi Bu — ficar 80% satisfeito), as tuas células limpam o "lixo" acumulado!

• PRESERVAÇÃO DO KI (ENERGIA VITAL): Estômago pesado = mente pesada . Estômago leve = espírito desperto !

 FIM DA INFLAMAÇÃO SUBCLÍNICA: Menos excesso metabólico significa menos stresse oxidativo no teu sangue .

2.  SO-SHYAKU (咀嚼) — A TRANSMUTAÇÃO PELA SALIVA

CADA GARFADA É UMA MEDITAÇÃO. A TUA BOCA É O TEU PRIMEIRÍSSIMO ESTÔMAGO!

O CONCEITO PROFUNDO

O So-shyaku exige mastigar cada garfada DE 30 A 100 VEZES !! Parece exagero? Não é! É a transformação química do alimento sólido em líquido puro antes de engolir!

O MECANISMO BIOLÓGICO & ESPIRITUAL

• BANHO ENZIMÁTICO: A saliva não serve só para molhar! Ela é rica em amilase (ptialina) e lipase lingual. Quando mastigas profundamente, o teu estômago quase não tem trabalho a decompor hidratos de carbono e gorduras!

 SINALIZAÇÃO DA HORMONA DA SACIEDADE: O teu cérebro demora ~20 minutos a libertar a leptina. Mastigar devagar é o "truque supremo" para nunca comeres em excesso sem passar fome!

• ALQUIMIA ENERGÉTICA: Na visão oriental, mastigar absorve o Prana/Ki do alimento diretamente pelos recetores da boca .

3. SHIZEN-SHOKU (自然食) — A CONEXÃO SAGRADA COM A TERRA

"SHINDO FUJI" (身土不二): O TEU CORPO E A TERRA SÃO A MESMA COISA!

O CONCEITO PROFUNDO

Não adianta mastigar muito nem comer pouco se estás a colocar LIXO QUÍMICO para dentro!  O Shizen-shoku prega a ingestão de alimentos no seu estado puro, vivo, sazonal e local!

O MECANISMO BIOLÓGICO & ESPIRITUAL

• ALIMENTOS INTEGRAIS (HOLISTIC FOODS): Comer a maçã com casca, o arroz integral completo, as raízes inteiras! A natureza criou o alimento com o equilíbrio perfeito de fibras, vitaminas e minerais .

• SAZONALIDADE PERFEITA: Alimentos de Verão arrefecem o corp; alimentos de Inverno aquecem a tua fogueira interna !

• MICROBIOMA EM FESTA: Sem pesticidas, conservantes ou ultraprocessados, a tua flora intestinal flora como um jardim celestial  microbiano!

 A ENGRENAGEM PERFEITA DA VIDA

HIZEN-SHOKU (Comida Inteira/Rica em Fibras)

A BOCA COMO O "PRIMEIRO ESTÔMAGO" NA MEDICINA ORIENTAL

 A VERDADEIRA DIGESTÃO NÃO COMEÇA NO ESTÔMAGO — COMEÇA NA BOCA!

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e na filosofia alimentar japonesa, a boca não é vista apenas como uma "porta de entrada" para a comida. Ela é literalmente o PRIMEIRO ESTÔMAGO (e, sob vários aspetos energéticos, o mais importante de todos)!

A BOCA NO SISTEMA DOS CINCO ELEMENTOS (MTC)

Na MTC, a boca e os lábios são a abertura externa do Elemento Terra , associado ao par de órgãos Baço-Pâncreas e Estômago:

BOCA: O "ESPELHO" DO PÂNCREAS E ESTÔMAGO

• Lábios e paladar: a saúde, a cor e a humidade dos teus lábios refletem diretamente o estado da tua energia digestiva (Pi Qi).

• A saliva como Líquido Precioso (Jin Ye): na visão oriental, a saliva não é apenas água com enzimas; é um fluido vital alquímico impregnado com a tua energia ancestral.

O QUE ACONTECE NO "PRIMEIRO ESTÔMAGO"? (A PROFUNDIDADE DO PROCESSO)

Quando compreendes a boca como o primeiro estômago, percebes que engolir comida sem mastigar é o equivalente a atirar pedras para dentro de um liquidificador desligado !

1. A ALQUIMIA ENZIMÁTICA (O PRÉ-COZINHADO QUÍMICO)

• O estômago não tem dentes!  O seu trabalho é essencialmente ácido e mecânico (mistura).

• A degradação dos hidratos de carbono complexos (como o arroz integral do Shizen-shoku) começa exclusivamente na boca através da ptialina (amilase salivar).

• Se engolires à pressa, esses hidratos de carbono chegam ao estômago sem estarem devidamente quebrados, gerando fermentação, gases e estagnação de Ki .

2. A PRESERVAÇÃO DO FOGO DIGESTIVO (Fogo do Triplo Aquecedor)

• Para a medicina oriental, o estômago precisa de calor para "cozinhar" os alimentos .

• Quando mastigas prolongadamente (So-shyaku), o alimento é aquecido até atingir a temperatura exata do corpo antes de descer.

• Ao engolires comida mal mastigada ou fria, atiras "água gelada" para cima do teu Fogo Digestivo — forçando o corpo a gastar a sua preciosa energia renal (Jing) só para aquecer o estômago!

3. A EXTRAÇÃO DO PRANA/KI SUTIL

• Os alimentos contêm dois tipos de nutrição:

1.      Nutrição Física: proteínas, gorduras, hidratos de carbono, minerais.

2.      Nutrição Energética (Ki ou Prana): a força vital do alimento.

• Os recetores gustativos na língua e no céu da boca são antenas de absorção! Quando mastigas até o alimento se tornar líquido, extrais a energia sutil do alimento diretamente para os meridianos do corpo, antes sequer de ocorrer a absorção intestinal !

·       EM RESUMO: Comes comida real (Shizen-shoku), transformá-la em líquido na boca (So-shyaku) e, como consequência natural, precisas de muito menos quantidade para ficar transbordando de energia (Sho-shoku ) !


 

À DESCOBERTA DOS LEGUMES

Drª Helena Corrales

Embora os legumes e as frutas sejam sempre alimentos de acompanhamento, não é de mais conhecer alguns aspetos desconhecidos da maioria das pessoas, tais como o seu efeito desintegrador e a sua influência no nosso equilíbrio, tanto físico como mental.

Os legumes são definidos como todas as partes da planta que consumimos, exceto as que contêm as sementes: referimo-nos às raízes, aos caules, às folhas, etc.

No entanto, o termo «legume» não é utilizado na botânica, tal como o termo «hortaliça». Neste sentido, «hortaliça» inclui qualquer planta cultivada numa horta de regadio, com exceção das árvores de fruto e dos cereais. A hortaliça é a planta completa, enquanto o legume se refere apenas a uma parte da planta.

De acordo com a parte da hortaliça que consumimos, podemos classificar os legumes em vários grupos:

·       Legumes de raiz: cenouras, nabos, rábanos, pastinacas, gengibre, raiz de lótus, kuzu, etc.

·       Legumes redondos: couve, couve-flor, couves-de-bruxelas, brócolos, abóbora Hokkaido, etc.

·       Legumes de talo: cebolas, aipo, alho-francês, espargos, etc.

·       Legumes de folha: chicória, couve-chinesa, acelga, espinafres, borragem, alface, etc.

·       Legumes de flor: alcachofras.

·       Legumes de fruto: tomates, pepinos, pimentos, beringelas, etc.

A sabedoria popular afirma que os legumes de raiz fortalecem e ajudam a manter os pés assentes na terra. Do mesmo modo, os legumes redondos centram, ao contribuírem para a regulação dos níveis de glicose no sangue, enquanto os legumes de folha relaxam ou soltam. Este comportamento é facilmente observável tanto no plano físico como no comportamental.

Todos distinguem o efeito da cenoura e do tomate no trânsito intestinal. A primeira tem um efeito adstringente, pelo que ajuda a travar a diarreia, enquanto o segundo produz o efeito oposto, graças ao seu forte efeito laxante. Por outro lado, o efeito das especiarias na dispersão mental é facilmente observável. Muitas especiarias são frutos da planta, como os pimentos e as malaguetas, entre outros.

Os tubérculos e os cogumelos merecem uma menção à parte, pois deveriam ser alimentos de consumo ocasional devido ao grande desequilíbrio na relação sódio-potássio.

Os tubérculos são caules engrossados da planta que armazenam substâncias de reserva sob a forma de amido. Os mais conhecidos são os inhames, as chufas (tigernuts), a batata-doce e as batatas comuns.

Os cogumelos são a parte reprodutora dos fungos. Ao contrário das plantas, os fungos são heterotróficos, ou seja, alimentam-se de matéria vegetal em decomposição, já que, por não terem clorofila, não realizam a fotossíntese. Reproduzem-se por esporos. Os mais conhecidos são os cogumelos comuns, os boletos, os míscaros, os shiitake, etc.

O papel dos legumes no metabolismo e na drenagem

Vamos falar do papel dos legumes no metabolismo e na drenagem. Deste modo, aprenderemos a escolher tanto a quantidade que consumimos como a sua proporção relativamente aos restantes alimentos da ementa.

Alimentos construtores e desintegradores

Definimos metabolismo como o conjunto de reações químicas que têm lugar no nosso organismo e que sustentam a vida.

Falamos de anabolismo para nos referirmos às reações através das quais, a partir dos alimentos que consumimos, construímos novas células, hormonas, neurotransmissores, etc.

Em contrapartida, o catabolismo agrupa as reações de desintegração que favorecem a excreção e a eliminação dos resíduos produzidos no nosso organismo.

Para gozarmos de boa saúde, deve existir um equilíbrio entre o anabolismo e o catabolismo, sendo a proporção dos alimentos que ingerimos determinante em todos os casos.

Os alimentos que favorecem o anabolismo e, consequentemente, a construção de tecidos, a síntese de hormonas, etc., são ricos em proteínas: carne, peixe, ovos e produtos lácteos.

Os que favorecem o catabolismo, ou seja, a drenagem e a desintoxicação, são desintegradores e têm um elevado teor de água: frutas e legumes.

Os cereais, as leguminosas e a água seriam, neste caso, alimentos neutros.

Os meios de comunicação social recomendam-nos que reduzamos o consumo de alimentos altamente proteicos e incitam-nos a comer frutas, saladas, legumes e sumos sem limite. De tal modo que existe a ideia generalizada de que, quanto mais fruta e legumes as nossas crianças comerem, melhor saúde terão.

Contudo, comer demasiados legumes e frutas pode dar origem a carências e até a desnutrição, em casos graves. Pelo contrário, dar ênfase aos alimentos construtores pode provocar problemas de acumulação, tanto de proteínas e gorduras como de resíduos metabólicos.

É por isso que os legumes e as frutas devem ser sempre alimentos de acompanhamento, nunca o prato principal.

Para compreendermos, de forma simples, em que proporção devemos comer, pensemos numa paelha, em que há muito arroz (alimento neutro), alguns legumes (alimento desintegrador) e algum conduto (proteína, alimento construtor).

Crucíferas e solanáceas

Duas famílias de plantas comestíveis muito diferentes entre si: umas, muito populares, de consumo diário e menos saudáveis; outras, muito mais interessantes do ponto de vista da saúde e pouco consumidas pela maioria das pessoas.

As crucíferas: os superalimentos

São um conjunto de legumes pouco frequentes à nossa mesa, em alguns casos por serem considerados alimentos de pobres e, noutros, devido ao cheiro característico que libertam durante a cozedura. No entanto, são muito interessantes do ponto de vista da saúde.

Os legumes da família das crucíferas (couve, couve-flor, nabo, rábano, couves-de-bruxelas, brócolos, etc.) são ricos em sulforafanos — compostos existentes nas crucíferas que estimulam a produção de enzimas —, o que lhes confere propriedades anticancerígenas. Estes compostos são responsáveis pelo forte cheiro a enxofre libertado durante a cozedura.

Do mesmo modo, são muito ricos em vitaminas A, E e C, todas elas poderosos antioxidantes.

Uma opção saudável consiste em incluí-los nas nossas ementas em substituição das solanáceas (batatas, tomates, beringelas e pimentos), muito menos saudáveis.

O nabo merece uma menção especial, pois, além de ser um poderoso antioxidante, é um grande depurativo e um diurético suave que estimula o sistema imunitário, prevenindo, assim, as doenças degenerativas e o cancro.

É também indicado em casos de obesidade e diabetes, colesterol e ácido úrico elevados, bem como de distúrbios digestivos, já que favorece a secreção da bílis.

É igualmente recomendado nas constipações, para descongestionar o peito e baixar a febre. Nas doenças cardiovasculares, regula os níveis de homocisteína — um aminoácido presente no plasma sanguíneo e relacionado com o aparecimento de doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC), a doença coronária ou o enfarte do miocárdio, uma vez que níveis elevados podem provocar alterações nos vasos sanguíneos. Vale a pena conhecer este poderoso legume.

As solanáceas e as suas desvantagens

As solanáceas são uma família botânica à qual pertencem os tomates, as batatas, as beringelas e os pimentos.

Os dois primeiros são os legumes mais consumidos atualmente, em comparação com a couve, o nabo ou a cebola, entre outros. Os nutricionistas que veem os alimentos apenas como uma soma de nutrientes consideram-nos saudáveis e ricos em hidratos de carbono, vitaminas e antioxidantes. Além disso, são alimentos baratos e fáceis de cultivar.

Contudo, quando abordamos a nutrição segundo uma perspetiva mais ampla, verificamos que estes quatro legumes pertencem à mesma família botânica do tabaco, do meimendro e da mandrágora, sendo os dois últimos classificados como alucinogénios.

Todas estas plantas contêm alcaloides tóxicos chamados solaninas, como a nicotina do tabaco.

Historicamente, os tomates e as batatas não existiam na Europa antes da descoberta da América. Colombo introduziu-os no Velho Continente como plantas ornamentais e, curiosamente, na atualidade, as batatas substituíram os cereais como fonte de hidratos de carbono na alimentação humana, com as repercussões na saúde que o seu consumo implica.

Porque é desaconselhável o consumo de tomates, batatas, pimentos e beringelas? Para além das solaninas que contêm, são demasiado ricos em potássio relativamente ao sódio. Isto significa que debilitam os rins, favorecem a perda de álcalis (alcalinidade) através da urina ou, por outras palavras, descalcificam e, portanto, danificam o sistema osteoarticular. Se quisermos preservar a nossa saúde, é aconselhável que o consumo de solanáceas seja ocasional.

CONCLUSÃO

Podemos consumir todos os tipos de legumes como alimentos de acompanhamento, mas daremos preferência aos de raiz e aos redondos, como foi explicado no início do artigo, e deixaremos os legumes de fruto e os tubérculos para consumo ocasional, sobretudo se a nossa saúde não for boa.

 

Saturday, July 18, 2026

 

Síntese de post de Rui Rato, retirado do seu site

Horário ideal das refeições segundo a Medicina Tradicional Chinesa

Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), cada período do dia está associado ao funcionamento mais intenso de determinados órgãos e sistemas energéticos. Respeitar este ritmo pode favorecer uma melhor digestão, níveis de energia mais estáveis e um maior equilíbrio físico e emocional.

1. Pequeno-almoço (7h–9h) – Fortalecer a Terra (Estômago)

Este é o período de maior atividade do Estômago.

Não tomar o pequeno-almoço pode contribuir para:

  • menor produção de energia ao longo do dia;
  • cansaço físico e mental;
  • dificuldades de concentração;
  • enfraquecimento gradual da função digestiva.

Na perspetiva da MTC, um pequeno-almoço morno e nutritivo fortalece o sistema digestivo e ajuda a manter uma energia estável durante todo o dia.

2. Almoço (11h–13h) – Nutrir o Fogo (Coração)

O meio-dia corresponde ao pico energético do Coração.

Um almoço insuficiente, demasiado pesado ou ingerido com pressa pode favorecer:

  • sonolência após a refeição;
  • menor capacidade de concentração;
  • irritabilidade e ansiedade;
  • digestão difícil.

A tradição recomenda que esta seja a principal refeição do dia, tomada com tranquilidade e mastigando bem os alimentos.

3. Jantar (17h–19h) – Preservar a Água (Rins)

Ao final do dia, o organismo prepara-se para o repouso e para os processos de recuperação.

Jantares abundantes ou muito tardios podem contribuir para:

  • digestão difícil;
  • sono menos reparador;
  • sensação de peso ao acordar;
  • menor recuperação durante a noite.

Na MTC, recomenda-se um jantar leve, simples e tomado algumas horas antes de deitar.

O ciclo do desequilíbrio

Um pequeno-almoço insuficiente pode conduzir a um almoço apressado ou excessivo, aumentando a fome ao final do dia e favorecendo um jantar demasiado abundante. Este padrão pode comprometer a qualidade do sono e dificultar um despertar com apetite, perpetuando o ciclo.

Em síntese

  • Pequeno-almoço: alimentar a Terra.
  • Almoço: nutrir o Fogo.
  • Jantar: preservar a Água.

Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, respeitar o ritmo natural das refeições constitui um dos pilares da prevenção e da manutenção da saúde, contribuindo para uma digestão mais eficiente, maior vitalidade e melhor equilíbrio físico e emocional.


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