Tuesday, July 25, 2023

 


DESPERDÍCIO NA VIDA ALIMENTAR - George Ohsawa

Entre todos os desperdícios cometidos pelo homem, o mais importante e temível é o que ocorre na alimentação. Com base nas minhas experiências alimentares pessoais ao longo de 30 anos e também na experiência que adquiri ao guiar mais de 100.000 doentes para a saúde, utilizando apenas alimentos, posso afirmar que o homem pode sobreviver facilmente com menos alimentos e com alimentos menos dispendiosos do que o sugerido pela medicina, fisiologia ou ciência da nutrição modernas ou ocidentais. Além disso, longe de apenas sobreviver, esse tipo de alimentação modesta (como o estilo macrobiótico) resulta não apenas em melhorias na saúde e nas habilidades cerebrais, tornando o coração mais generoso, promovendo a felicidade e enriquecendo a sensibilidade, mas também nos revela o sentido da vida, que é a coisa mais essencial para o homem. Cerca de 1.500 calorias seriam suficientes para um homem de 50 kg realizando um trabalho médio e 1.200 calorias para uma mulher de 40 kg nas mesmas condições.

De acordo com os especialistas em nutrição, um homem do tipo mencionado acima precisaria de 2.600 calorias, mas isso nos parece claramente impreciso. A prova mais eloquente disso é que um cientista renomado começou, sem que se percebesse, a considerar 1.800 calorias como a quantidade padrão, em vez das 2.600 calorias que ele costumava recomendar como absolutamente necessárias. Ele não fez nenhum comentário sobre essa redução no número de calorias. Se esse cientista estiver certo, isso significa que ele incitou o povo a cometer um enorme desperdício por muito tempo.

Foi, portanto, uma perda nacional incalculável, na casa dos bilhões de yens, agravada, em grau inestimável, por deteriorações na vitalidade física e na saúde, deteriorações que geram desgraças e tragédias. No entanto, não é culpa desse famoso cientista. É a grave culpa dos seus mestres e predecessores, especialistas científicos em nutrição. Eles consideravam como regra suprema a análise padrão da nutrição estabelecida pelo famoso químico alemão J. Liebig (1803-1873) há 100 anos, após um estudo experimental de nutrição realizado num único homem. J. Liebig é, é claro, o fundador da teoria ocidental da nutrição.

Mas essa teoria foi concebida para atender a uma necessidade urgente e temporária, como foi o caso há 100 anos, na época do triunfo do materialismo.

Inevitavelmente, essa teoria foi corrigida e modificada sucessivamente por vários químicos, seus sucessores. No entanto, como a base da teoria era errônea e não se baseava em nenhum princípio fundamental da vida, essas modificações e correções foram resultado de observações superficiais, experimentações e interpretações muito arbitrárias.

A ciência da nutrição deve determinar o consumo alimentar normal do homem após estudar previamente o "Princípio da Vida". No entanto, todas as pesquisas realizadas consistiam em experimentos conduzidos levando em consideração apenas o desejo insaciável do homem, sem se basear num princípio fundamental e sem uma diretriz válida. Isso significa que essas pesquisas eram realmente surpreendentemente anticientíficas.

Vejamos, por exemplo, o sakê (álcool de arroz). Em geral, é um alimento do qual podemos abrir mão, caso falte. No entanto, para a sua fabricação, branqueamos centenas de milhões de quilos de arroz, sendo metade disso desperdiçado como casca de arroz (resíduo). Algumas frações desse sakê caro são desperdiçadas, seja derramando-as, deixando-as apodrecer ou jogando-as pelo ralo. Além disso, quantos atos emocionais irreparáveis esse produto não causou ao homem: homicídios por impulso, fraude e vários outros crimes, jogos, erros, acidentes de carro? E quantos danos à saúde não foram causados por esse álcool em quem o abusou, quantas tristezas não foram aumentadas para sua família? Isso é um grande desperdício - a tragédia de um consumo desprovido de diretrizes corretas e baseado noutra diretriz: a preocupação exclusiva com o prazer sensorial.

No entanto, o álcool não é o único culpado. Existem outros desperdícios de alimentos que levaram, mais do que o álcool, quase todo o povo na direção da infelicidade e tristeza. São alimentos que levam em conta apenas o sabor e o prazer sensorial. Por exemplo, todas as refeições requintadas em restaurantes luxuosos. Às vezes, elas são mais caras do que a despesa alimentar de uma família por um mês.

Também todas essas guloseimas que inundam as ruas! A terrível cena da era de ouro dos caramelos e chocolates! Só de pensar nisso, me arrepio. Todas essas latas de conservas, todas essas frutas de países distantes, as bananas, que os antigos nem podiam imaginar, tudo isso se espalhou até mesmo nas montanhas de Hokkaido. Os restaurantes e cafés no estilo ocidental que surgem em todos os lugares, como rebentos de bambu após a chuva, fazem os ocidentais acreditarem que todo o Japão se tornou numa colônia dos Estados Unidos ou da Inglaterra ...

A ampla disseminação do leite de vaca, que este povo japonês nunca consumiu por milhares de anos, e da carne de boi, que ignora completamente a ordem do clima, do meio ambiente e da tradição, incentivando a diminuição do cultivo de arroz em favor do aumento da produção de trigo ...

A lista de exemplos é interminável. Tudo isso constitui um desperdício, o grande desperdício que leva em consideração apenas o prazer, a mentalidade de gourmet e a ideia analítica da abundância da nutrição.

Mais um exemplo: o desperdício de açúcar. Esse seria o melhor exemplo do desperdício público generalizado. No Japão, até cerca de 40 ou 50 anos atrás, por volta de 1900, as famílias que quase nunca consumiam açúcar eram mais numerosas do que as que o consumiam. Mesmo entre as que consumiam, a maioria consumia apenas meio kilo por família por ano. Isso porque não sentiam nenhum inconveniente em viver sem açúcar. Podemos dizer que o açúcar é a pequena bala de chumbo do rifle dos caçadores de pessoas conhecidos como "exploradores comerciais", que buscam obter grandes lucros visando a avidez dos seres humanos ligados exclusivamente ao gosto e ao prazer sensorial. As quantias que esses seres visados pelos caçadores-exploradores gastam apenas para comprar açúcar comum ultrapassariam os 500 milhões de yens por ano. As quantias que eles gastam para comprar alimentos preparados com açúcar, como doces, gelados, bebidas (alcoólicas, sumos ou outras), e para comprar molho de soja e molho agridoce artificiais, etc., provavelmente ultrapassam os 2 bilhões de yens por ano. Isso representa um desperdício de 100%, custando 60 bilhões de yens ao longo de 30 anos. Se esse desperdício fosse apenas desperdício de dinheiro, eu não me preocuparia muito. Mas se causar diretamente uma terrível diminuição da força física da nação, é algo bem diferente. As pessoas seriamente conscientes do interesse do seu país e da humanidade não poderiam ficar sem se preocupar com isso.

Eu afirmo com certeza que é o açúcar que é o fator mais poderoso e mais disseminado entre as causas de todas essas mazelas nacionais: o enfraquecimento geral da força física dos soldados, o aumento da mortalidade infantil, o aumento da tuberculose e das doenças digestivas, a miopia, a redução da longevidade, a degradação geral da saúde, etc. É muito fácil provar isso de forma irrefutável, tanto no nível individual quanto no nacional, fisiologicamente, psicologicamente, estatisticamente, economicamente. Eu já enfatizei esses fatos várias vezes nos meus outros livros.

Refª: Fb/Rui Rato



Thursday, July 20, 2023

 O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

IVª parte

Aceitar a contradição

É muito importante aprender a aceitar os dois lados da moeda. Há sempre perdas e ganhos, simultaneamente. Todos temos simultaneamente um aspeto masculino e um aspeto feminino. Jovem e velho também. Há células que estão a nascer e células que vão ser "desmanteladas" porque completaram o seu ciclo. Aos 120 dias, os glóbulos vermelhos estão "velhos" e devem ser destruídos, para formar novos. Essa é a parte velha. Até um bebé recém-nascido tem essa parte velha, porque tem glóbulos vermelhos "velhos" com quase 120 dias. Como foi referido no capítulo anterior, Yin e Yang alternam-se, mas também são simultâneos. E há uma proporção e uma principalidade e complementaridade. O masculino e o feminino são simultâneos.

Todos temos as hormonas de ambos os sexos. Mas não somos hermafroditas. Precisamos do sexo oposto para gerar vida, para nos reproduzirmos. É aí que reside a simultaneidade. Podemos desempenhar papéis masculinos ou femininos à vontade. Uma mãe solteira faz de pai e de mãe ao mesmo tempo. Faz ou interpreta magnificamente o papel Yang do pai, se assim o desejar. Da mesma forma, um pai viúvo com filhos pequenos pode ser Yin, terno e compreensivo como se fosse uma mãe. Porque ambas as energias estão em todos os fenómenos. Se algo fosse apenas Yin, expandir-se-ia mais e mais até explodir.

Se algo fosse só Yang, contrair-se-ia cada vez mais até implodir e desaparecer. Como um buraco negro. Só Yang. Portanto, todas as estruturas têm ambas as forças coexistindo, como numa competição pela supremacia. Uma tratando de contrair e a outra tentando expandir. Mas, a longo prazo, o Yin vence o Yang. Este facto é conhecido como entropia. A entropia é a tendência de todos os sistemas organizados para a desordem, para a dissolução, até à finalização da sua existência. Os nossos corpos físicos estão sujeitos à entropia e é por isso que envelhecemos. E isso é inevitável.

Mas podemos diminuí-la, conhecendo como funcionam o Yin e o Yang e integrando-a na forma de nos alimentarmos. Alguns alimentos aumentam a entropia (os alimentos muito Yin que acidificam o sangue) e outros abrandam-na (os alimentos yang de qualidade vegetal e mineral). Portanto, todos nós temos ambas as tendências, por vezes dominando uma e outras vezes dominando a outra. Não somos 100% uma ou outra. Nem 100% masculinos, nem 100% femininos. Nem 100% saudáveis, nem 100% doentes.

Todos temos uma parte doente, subclínica, escondida, mas potencial. Se 90% de nós for saudável, podemos dizer que somos muito saudáveis. Mas se a parte oposta se tornar forte e começar a ganhar protagonismo, a nossa "estabilidade" perde-se e a situação inverte-se. Por isso é muito importante aprender a aceitar a contradição que somos, ou seja, a coexistência de ambas as tendências.

Todos temos defeitos e virtudes. Todos temos um lado "santo" e um lado "pecador". Todos temos segredos ocultos e aspectos que mostramos abertamente. Isto é muito importante. Porque se há um aspeto que não aceitamos, geramos um conflito emocional. A não aceitação já é um conflito. Se um diabético não aceita a sua doença, para além de ter de sofrer com a sua doença, terá de sofrer por não se aceitar e amar tal como é. Isso gera mais desordem, mais entropia, mais infelicidade.

O melhor é aceitar o outro lado. E começar a trabalhar para aumentar o lado que nos interessa aumentar, neste caso a saúde. Todos temos um "sábio" e um ignorante. Por muito que estudemos e aprendamos, há inúmeras coisas que não saberemos. Ignoraremos muitos idiomas, muitos pormenores da geografia ou da geologia de outras nações ou de outros lugares do sistema solar. A maioria das pessoas aceita que ignoram muitas coisas e isso não lhes causa conflitos. Mas há pessoas que não se perdoam por não terem terminado a universidade ou a secundária.

E alimentam sempre a sua autorrejeição.... Não estudei, não tive perseverança, arrependo-me muito de não ter continuado naquele trabalho ou naquela relação que teria sido maravilhosa. Simplesmente não aceitam o seu lado ignorante, inexperiente, inocente e ingénuo. E não o aceitar já é um problema. Porque se gera um conflito que nos torna menos saudáveis e felizes. Uma pessoa sábia aceita o "outro" lado, que faz parte da nossa natureza, mesmo que não gostemos dele. E além disso é inevitável.

Por isso, para criar saúde, não temos de lutar "contra" a doença. Há que aceitar a doença e "utilizá-la" para aumentar a nossa determinação em criar uma saúde magnífica. A doença como caminho. Aprender, tomar consciência, descobrir que hábitos ou práticas nos estavam a destruir ou a enfraquecer. E, a partir dessa experiência desagradável, descobrir o que quero e focar-me. "Já passei pela doença e agora sei que o que quero com toda a minha alma que é uma saúde magnífica”.

Já passei pelo Inverno e agora sei o que quero é que chegue a Primavera e o Verão para poder desfrutar do mar e das montanhas. A experiência do contraste fortalece a nossa determinação. Para conseguirmos algo, temos de estar determinados a consegui-lo. E para criar saúde, há que ter muito claro de que a desejamos tanto que estamos dispostos a fazer tudo para a conseguir. Há que sentir gratidão e emoção quando se sente um desejo tão forte. Porque é aí e só aí que emerge o gigantesco potencial humano.

O grande ser humano só é grande quando tem grandes desejos e está disposto a dar tudo por eles. Se a experiência da contradição é capaz de esculpir na nossa alma um desejo tão poderoso, tão grande, tão veemente, então bendita contradição, bendito contraste. Bendita pobreza, bendita solidão, bendita doença, bendito despedimento laboral, bendita crise. Aceitar é muito importante. Mas ainda mais importante é chegar a um nível em que aprendemos a abençoar e a sentir gratidão por aquilo que antes considerávamos o "aspeto negativo" da nossa vida. É por isso que na filosofia oriental se diz que o vazio cria a abundância, tal como o Inverno cria a Primavera. É apenas uma questão de perceção.

Com uma mudança de percepção, podemos utilizar o aspeto anteriormente abominado e convertê-lo num poderoso trampolim para o lado que nos interessa experimentar. Assim, a doença pode ser um motivo de dor e tristeza, um estigma e uma cruz. Mas se tivermos esta visão, a doença pode converter-se num trampolim para a transformação da nossa vida. E podemos criar uma saúde magnífica, acima da média. Ou inclusivamente tornarmo-nos curadores. Os exemplos são muitos.

Georges Ohsawa, Louise Hay, Dr. Edward Bach, Horace Fletcher, Mina Dovick e muitos outros sofreram de doenças "incuráveis" e tornaram-se campeões da medicina natural. O próprio Pasteur ultrapassou a dor da morte de duas das suas filhas devido a doenças infecciosas e dedicou-se de alma e coração à descoberta da vacina contra a raiva. E salvou milhares de pessoas. Ohsawa chamou a esta arte, aprender a descobrir a "utilidade da inutilidade". E no Budismo ensina-se que a bela flor de lótus cresce na lama mais suja. E o mais elevado mestre Zen constrói a sua túnica de Roshi (mestre muito avançado) com restos de roupas velhas que recolhe do lixo, lavando-as e costurando-as cuidadosamente. Aceitar é importante, mas amar o lado “desvantajoso" torna-nos muito grandes e sábios. Porque compreendemos que um não existe sem o outro. Que um é a razão de ser do outro.

(continua)



Wednesday, July 19, 2023

 


 O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

IIIª parte

Aprender a controlar o desequilíbrio

O esquema clássico de yin e yang, mostra as duas metades exatamente simétricas, uma branca e outra negra. São opostas com 50% do espaço para cada uma. Isso sugere um equilíbrio "perfeito" entre as duas forças criativas. No capítulo anterior, referimos que yin e yang, sucedem-se, alternam. Primeiro o dia e logo a seguir a noite. A inspiração segue-se à expiração. O estômago primeiro enche-se e logo se esvazia (nalguns casos isso nunca acontece....). As pessoas chegam e logo se vão embora.

A leitura começa na primeira página e culmina na última. Primeiro o princípio e logo o fim. Ou início e fim. Todo o início implica um fim. Sem excepção. Se há um início, há um fim. É absoluto. Se o Verão começa, o Verão vai terminar. Ninguém o pode impedir. O nosso nascimento caminha inexoravelmente para o seu fim. A doença também. Afirmar que uma doença é incurável é afirmar que tem uma data de início e não tem data de finalização.

E não há excepções a este princípio eterno. Se começa, acaba. Sem falta. Sem excepção. Se o cristianismo começou um dia, algum dia vai acabar. A minha mãe é super católica. Quando eu era muito jovem, gostava de discutir com ela sobre este assunto. Ela dizia que a Bíblia afirma que "o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão (Mateus 24:35)" e, do seu ponto de vista, isso equivale a dizer que a "sua" Igreja Católica é eterna. Argumentava-lhe que a Igreja ia desaparecer totalmente um dia porque "tudo o que tem um princípio tem um fim" e este é um princípio absoluto.

E isso incomodava-a, porque se a sua Igreja acabar, o seu sistema de crenças desmorona-se e ninguém quer um terramoto desse tipo. Caiu o Muro de Berlim, caiu o Império Romano, caiu o império de Napoleão e o de Alexandre Magno. E o de Genghis Khan. Tudo o que tem um princípio tem um fim. Este princípio é poderoso. Se procurarmos algo dia e noite, acabaremos por o encontrar. O objetivo é começar e continuar até encontrarmos o que procuramos. Por isso, yin e yang alternam-se.

A mudança. O princípio e o fim. Para além do yin e do yang, está a eternidade imutável, sempre viva, sempre em transformação, para além dos vai vens do yin e do yang. Aceitando tudo com paz infinita, como um monge que medita profundamente sobre uma rocha solitária. Mas yin e yang não só se alternam como também coexistem. São dois aspectos simultâneos e ambos reais. O dia e a noite alternam-se. Mas simultaneamente há dia em Tóquio e noite em Buenos Aires. O masculino e o feminino coexistem em nós.

O sábio e o tolo. O rico e o pobre. O saudável e o doente. Ninguém é absolutamente masculino ou absolutamente feminino. Tudo tem percentagens variáveis de Yin e Yang. Temos uma parte densa (ossos e tendões) e uma parte mole, líquida, fluidos, sangue, líquido intersticial. Simultaneamente. Por vezes estamos mais "húmidos" e outras vezes mais "secos". Por vezes mais emocionais e por vezes mais racionais. Mas ambas as naturezas coexistem. O nosso prato de comida contém ambas as "energias" yin e yang. Os alimentos de origem animal são yang.

Os alimentos de origem vegetal são relativamente yin. Mais frescos, calmos, macios, com maior conteúdo de água e uma energia mais pacífica, mais estática. Os alimentos cozinhados são relativamente yang (o fogo é yang) e os alimentos crus são relativamente mais yin (mais frescos, mais frios estruturalmente íntegros). Os alimentos salgados (de preferência usar um pouco de sal marinho) são mais yang e os alimentos doces são mais yin. E assim, o nosso prato de comida contém simultaneamente as duas energias.

E todos os dias isso muda consoante as necessidades desse dia, do nível de atividade, do clima, do estádio de ânimo, dos “desejos” e das preferências dos hábitos herdados. Não existe uma "dieta equilibrada", tampouco é apropriado temer o desequilíbrio. Porque equilíbrio e desequilíbrio sucedem-se sem falta. São outra forma de manifestar yin e yang. Alternam, equilíbrio e logo a seguir o desequilíbrio. Como quando caminhamos ou conduzimos uma bicicleta.

Andamos de um lado para o outro, desequilibramos um pouco e depois reequilibramo-nos, e logo a seguir repetir o ciclo. Quando uma criança aprende a andar, simplesmente aprende a controlar o desequilíbrio. Quando aprende a andar de bicicleta, aprende a controlar o desequilíbrio provocado pela pedalada e pela rotação do guiador. O mesmo acontece com a dieta. Há que aprender a controlar o desequilíbrio, porque a dieta é algo muito dinâmica como andar ou conduzir uma bicicleta. Muitas pessoas vão a um nutricionista para obter uma "dieta equilibrada" ou uma "dieta balanceada".

A palavra “equilibrada” atrai-nos e tranquiliza-nos. A palavra "dieta desequilibrada" inquieta-nos e percepcionámo-la como uma ameaça para a nossa saúde. Também na medicina chinesa nos dizem que as técnicas físicas como a acupunctura, a moxabustão ou a massagem Tuina procuram o "equilíbrio" Yin e Yang. Idealiza-se a procura do "equilíbrio". Mas pensemos numa balança. Se estiver em "equilíbrio", a balança é inútil. Apenas é útil como objeto de decoração. A balança é útil e poderosa quando é desequilibrada e depois reequilibrada para determinar o peso de um produto. Equilibrando-se e desequilibrando-se. É assim que somos. Como as balanças. Dinâmicos. Ao respirar já nos desequilibramos.

E logo corrigimos ou controlamos o desequilíbrio. A nossa digestão também passa por fases em que o nível de sais, proteínas, líquidos é desequilibrado e depois o organismo cria um equilíbrio, estabilizando, corrigindo o desequilíbrio. Mas nós fomos ensinados a temer o desequilíbrio. "Esta pessoa está desequilibrada”. Deve ir ao psiquiatra.

Ou perdeu o equilíbrio e caiu no vazio quando estava a conduzir o carro. Mas conduzir um carro, um avião ou um barco é também retificar o inevitável desequilíbrio que ocorre a cada momento durante a viagem. O que o piloto ou o condutor faz é retificar, corrigir o desequilíbrio. E para isso teve de estudar e treinar-se. Teve de aprender a corrigir o desequilíbrio. E nós podemos aprender a fazê-lo com a nossa saúde e com a nossa doença, pois ambas disputam a supremacia. .......

(continua)




 


O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

IIª parte

Os ciclos da mudança

Ninguém pode negar a mudança. Independentemente da sua religião, cultura, raça ou filosofia de vida. Nisto estamos todos de acordo. Trata-se de uma lei. A Lei da Mudança. A lei mais poderosa, mais imponente. A Lei eterna. A Lei perfeita. A Lei suprema. Quem conhece esta lei tem capacidades infinitas. Como um advogado infinito. Os advogados dominam as leis humanas, civis, penais, do comércio e da indústria. Mas as leis escritas pelo homem, escrevem-se e revogam-se. Formulam-se e esquecem-se. Mas a Grande Lei é eterna e imutável.

Apaixonei-me pelo estudo da Grande Lei quando era um jovenzito de 16 anos. E graças a um grande japonês, o Mestre Georges Ohsawa. E aos seus principais discípulos. Todos têm em comum um grande amor pelo estudo da Lei. Da Grande Lei. Esta Lei sustenta que tudo se move eternamente, muda eternamente. Nada nem ninguém pode parar o processo de mudança.

Não há paragens. Não há descanso. Não há por onde escapar. Ninguém pode escapar à mudança. Ninguém pode escapar ao envelhecimento. Ninguém pode escapar à morte. Nem à dor. Nem ao sofrimento. Nem à infelicidade. Nem ao Verão, nem ao Inverno. Nem à fome, nem ao cansaço. Nem à segunda-feira, nem ao dia de regresso ao trabalho depois das férias. Nem à sogra, nem aos impostos. Quando fazemos um percurso por uma estrada, este não é plano. Há subidas, lentas ou bruscas, e logo a seguir descidas, suaves ou bruscas.

    Ninguém pode escapar aos altos e aos baixos. Tampouco as equipas de futebol podem escapar à "despromoção para a B". Por mais que lutem. Por muito que tentem. Não é pessimismo. É simplesmente resultado da compreensão do funcionamento da Lei. A Grande Lei. É simplesmente o resultado de um estudo entusiástico e apaixonado da Lei. Subimos e descemos. Choramos e rimos. Curamo-nos e adoecemos. Sofremos e gozamos. Alguns pais amorosos pensam: "Não quero que os meus filhos passem fome e privações como eu passei”.

Vou sacrificar-me para que eles não passem por essas experiências duras. Mas, por mais que o tentem, seus filhos sofrerão algum tipo de contratempo. Um pai cheio de amor e vontade não pode contrariar a Grande Lei. A Lei obriga-nos a sair do Verão e a entrar no Outono. Por mais que choremos ou gritemos, protestemos ou vociferemos aos quatro ventos com todas as forças dos pulmões. O Verão passará e o Outono chegará. É a mudança. É a Lei.

Os japoneses dizem que dos 0 aos 20 anos é a Primavera da vida. Dos 20 aos 40 anos é o Verão da vida. Dos 40 aos 60 anos é o Outono da vida. E dos 60 aos 80 anos é o Inverno da vida. Quando se faz 40 anos (eu também passei por esse momento .... há algum tempo) entra-se no Outono da vida. Por mais que não gostemos ou fiquemos com raiva ou rejeitemos é um esforço inútil. Entrámos no Outono da vida. Quer gostemos ou não. A Lei assim o estabelece. E todos passarão ao Outono. Os que agora são jovens e belos, sedutores e brilhantes. A mudança colocá-los-á numa outra estação, dando lugar a novos rebentos que aguardam a sua vez para verdejar.

A Grande Lei tem ciclos. Subidas e descidas. Inspiração e expiração. Chegada e partida. Início e fim. Ascensão e declínio. Os antigos chineses chamavam-lhes Yin e Yang. Há pelo menos 6000 anos que se lhes chamam assim. Penso que é uma boa tradição continuar a chamar-lhes assim.

Esquematicamente, podem ser representados como uma espiral.

Movendo-se em direção ao centro, temos a tendência Yang. Portanto, Yang reúne, concentra, aperta, ativa e aquece. Tudo se move mais rápido no centro de um furacão. Tudo se acelera no centro da cidade.

Quando aumenta a temperatura, as moléculas activam-se. Essa é a tendência Yang. Quando projectamos o ar para fora dos pulmões, a tendência é Yang. Por isso dizemos que a expiração é Yang. A inalação é Yin. A mudança diz: ao chegar ao centro da espiral, não há descanso, como quando um autocarro chega ao seu destino e o condutor descansa um pouco. Uma vez chegado ao centro, ao extremo Yang, começa a mover-se para fora.

Sem descanso, sem tempo para se refrescar ou para ir à casa de banho. Trabalha-se 24 horas sem nunca descansar. A mudança nunca descansa. Funciona 365 dias por ano, 24 horas por dia. Como algumas empresas que vendem comida rápida. O que vendem é abominável. Então porque têm tanto êxito? Em parte, e é apenas a minha opinião, é porque seguem o ritmo ditado pela Grande Lei. Movem-se, trabalham, operam, criam, as 24 horas dos 365 dias do ano. Não há domingos nem férias nem feriados. Nem Primeiro de Maio.

Nem paragens "parciais" para gerar novas estratégias de luta. A luta consiste em trabalhar eternamente, dando eternamente, movendo-se eternamente. Como o coração. Não há paragens para o coração. Se um coração entra em "paragem" é preciso chamar o 112. O coração vive de acordo com a Grande Lei. Funciona como a espiral. Contrai-se durante a sístole (Yang) e começa a expandir-se, a mover-se para fora para dilatar e voltar a encher-se de sangue. A dilatação é Yin. E assim é o coração. E também o pulmão.

Movem-se como a espiral. Em direção ao centro, e sem tempo para tomar um refresco, o movimento para a periferia começa sem parar. Yin manifesta-se pela expansão, a dilatação, a calma, a quietude, o frio, a escuridão, o afastamento, a solidão, o isolamento, a paz e o pensamento calmo e profundo.

Uma vez chegado ao extremo Yin, tampouco há descanso para ir à casa de banho ou para beber um gole de água, ou mesmo para respirar fundo algumas vezes. A Lei diz: agora em direção ao centro, vamos, segue o teu movimento para o centro, tens de começar a fase Yang. Nem sequer um eletrão escapa à Lei. A mão abre-se e fecha-se. A pupila dilata-se para deixar entrar mais luz na retina e contrai-se para reduzir o excesso de intensidade luminosa e proteger a retina. Yin e Yang. Primeiro abro e logo fecho. E volto a abrir e volto a fechar. Uma fase de ativação e uma fase de repouso.

Uma fase de arrefecimento e uma fase de aquecimento. Uma fase de Lua crescente e uma fase de Lua minguante. Alguém pode parar isto? Como dizia a Mafalda, "parem o mundo, que eu quero sair daqui". Estações quentes e estações frias. Ondas que vão e vêm. Maré alta e maré baixa. Os surfistas são especialistas em ondas. Conhecem-nas intimamente. Estudam-nas, observam-nas e sabem esperar. Sabem que a Lei lhes trará mais ondas. Eternamente. Eles envelhecerão e se aposentarão do desporto. Mas a Grande Lei continuará a trazer ondas. Que bela Lei! Que generosidade! Que Poder e Magnificência! Continuemos a estudar, até nos apaixonarmos pela Grande Lei.

Porque uma vez que  a dominemos como o surfista domina as ondas, poderemos criar e produzir qualquer coisa: saúde, beleza, juventude, alegria eterna, força infinita, sucesso supremo e a mais estridente vitória. Sonhemos em grande, porque a Grande Lei ajudar-nos-á..... se o conhecermos intimamente. Estudemos.... continuemos a estudar.......

(continua)

 

 

O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

Iª parte

A filosofia das transformações

Neste universo não há nada de permanente. Tudo está em constante transformação. O ser humano sempre procurou a estabilidade, a certeza e a segurança. Mas a natureza da realidade é a permanente mudança e transformação. E ninguém sabe o futuro. Porque o futuro não está escrito. É o resultado das decisões que tomamos no presente, é o resultado das decisões que tomam milhões de seres no presente. O futuro é criado pelo presente. E só existe um presente eterno.

Um presente mutável, imprevisível. Por vezes, os homens fazem previsões. Como as previsões meteorológicas ou as previsões de esperança de vida feitas pelos médicos. Toda a gente gosta de fazer previsões e acertar. É assim que se tornam famosos os "sábios" que "adivinham" o futuro. Mas há milhares de futuros possíveis. O futuro é quântico. E é criado com base nos milhares de possibilidades que existem no presente. Uma pessoa prática, com os pés assentes na terra, focar-se-á mais no presente do que no futuro.

O presente é eterna mudança, eterna transformação. A nossa saúde muda. Não é sempre a mesma. Por vezes é mais forte, outras vezes mais frágil. Mesmo que façamos esforços titânicos para nos mantermos saudáveis, continuaremos a passar por períodos de fraqueza e doença. Porque não podemos negar o yin e o yang, os nomes das direcções em que tudo está a mudar. Estas são palavras de origem chinesa. E são muito antigas. Mas continuamos a usá-las, porque reflectem uma realidade dinâmica.

Uma realidade que precisamos de conhecer. Para podermos jogar o jogo da vida e triunfar. Sem conhecer as regras do jogo, ninguém pode ganhar. Quem entra no jogo sem conhecer as regras, pode fazer tentativas sinceras, mas no final perderá e será convidado a retirar-se do jogo. Os antigos asiáticos baseavam todas as suas actividades no Yin e no Yang. Mesmo no antigo governo chinês havia um "departamento Yin e Yang", dirigido por um especialista em "Yin e Yang". Estes princípios eram aplicados à agricultura, à medicina, às relações humanas, à astrologia, à arte da guerra e às previsões de acontecimentos futuros.

Toda a cultura oriental, sobretudo na China, Japão, Coreia e noutras nações da região, está fortemente imbuída da filosofia tradicional. Sempre compreenderam a natureza instável da realidade. E, ao compreenderem a instabilidade, conseguiram sociedades de uma estabilidade espantosa e inacreditável. Porque a instabilidade cria a estabilidade. Yin cria Yang e Yang cria Yin.

É um estudo filosófico apaixonante porque tem implicações práticas poderosas. Não se trata de uma filosofia como a de alguns eruditos ocidentais que "filosofam" sobre o nada, ou sobre o vazio existencial ou sobre a natureza da perceção. Esses estudos académicos são grandiosos e muito profundos. Mas, por vezes, não nos conduzem a resultados práticos. Nalguns casos, corremos o risco de ficar num mero jogo intelectual.

O que, aliás, pode ser fascinante. Mas no caso da filosofia oriental, a natureza dos estudos é procurar compreender e dominar a arte da mudança. De criar mudanças. De produzir mudanças. De criar a realidade com base na compreensão da natureza das mudanças. A aplicação prática da filosofia da mudança, ou da filosofia das transformações, pode alcançar resultados práticos incríveis. No âmbito da medicina, as doenças são classificadas como sendo criadas por excesso de Yin ou excesso de Yang. Ou, nalguns casos, por uma combinação de ambos os excessos. Noutros casos, há carências. Carência de Yin ou carência de Yang. Um tumor em crescimento é dominado pelo Yin. O Yin é a força de expansão, de crescimento, de dilatação, de aumento. Como um balão que se enche, ou uma espiral a mover-se para a periferia. Não se trata de um jogo mental fascinante.

Yin é algo real. Não é algo palpável, mas o seu efeito manifesta-se em formas correntes e quotidianas. Os alimentos Yin criarão expansão no corpo. Alguns com maior intensidade do que outros. Os vegetais e as frutas são Yin. Têm tendência a relaxar, a refrescar, a hidratar e a aumentar o volume. Mas o açúcar e as farinhas refinadas, bem como os alimentos gordos, tanto de origem animal como vegetal, são extremamente Yin.

Se dermos estes alimentos a um doente com um tumor de crescimento rápido, maligno, agressivo (muito Yin), estaremos a fortalecer o tumor e o seu comportamento expansivo, de crescimento, disseminando-se por todo o corpo e criando metástases. O leitor pode compreender que a metástase é outra expressão do Yin extremo e patológico. A ciência começa agora a compreender a relação entre a gordura de origem animal e o açúcar e o cancro. E as pessoas que vivem nas grandes cidades, em particular, consomem muitos alimentos extremamente yin.

E, sem o saberem, introduzem estas forças extremas nos seus corpos, que pouco a pouco vão criando o terreno propício para o aparecimento da doença. Assim, ao suprimir totalmente da dieta de um doente com um tumor em expansão, os alimentos Yin mencionados (lacticínios, açúcar, farinhas refinadas, óleos refinados), o crescimento do tumor pára "milagrosamente". Os médicos, que não estudam e não compreendem o Yin e o Yang, quando se deparam com alguns destes casos, chamam-lhes "remissões espontâneas".

Não compreendem que, aplicando Yin e Yang à dieta do doente oncológico ou de qualquer outra doença degenerativa, é perfeitamente possível e natural criar "remissões espontâneas". Nada escapa à influência destas leis das transformações. Não se trata de uma filosofia interessante, para motivar a exploração de verdades misteriosas. É muito prática. Tão prática que pode produzir remissões espontâneas, todos os dias. Se esta filosofia fosse aplicada nos hospitais, haveria muitas, muitas curas "milagrosas".

Mas, por agora, os hospitais são controlados pela indústria farmacêutica. E esta não deseja curar ninguém. Só deseja que o seu negócio multimilionário prospere. Sabe que há soluções como a naturopatia e a nutrição. E sabe que funcionam. Mas não as consideram "oficiais" ou "científicas" porque podem afetar a rentabilidade do seu negócio.

As empresas que fabricam automóveis dispõem da tecnologia necessária para produzir milhões de automóveis eléctricos de uma elegância e uma autonomia similar ou mesmo superiores às dos automóveis movidos a combustíveis fósseis. E o mundo seria um lugar muito mais limpo e mais bonito para se viver. Mas apesar de terem o know-how, as infraestruturas e os recursos para o fazer, não o fazem.

Porque os interesses petrolíferos não o permitem. O negócio está em primeiro lugar. Mesmo que sujemos o planeta. Mesmo que se contamine a atmosfera e o ar seja quase irrespirável em algumas das principais cidades do mundo. O negócio está em primeiro lugar, e depois a felicidade colectiva. Sacrificamos a saúde e a felicidade para engordar as contas bancárias. O mesmo acontece com a medicina.

Apesar de existirem terapias e técnicas milenares de alta eficácia terapêutica comprovada, são desprezadas e desqualificadas. Prefere-se continuar com os mesmos "tratamentos" de sempre porque assim podem continuar a vender milhões em fármacos. No entanto, para aqueles que desejam aprender esta filosofia de transformações e produzir corpos fortes, extremamente saudáveis e belos, podemos continuar a estudar juntos. Há sempre o Yin e o Yang. Vida e morte. Os que aumentam a vida e os que a diminuem. E sempre tem sido assim. E será sempre assim. Mas, por vezes, o Yin predomina sobre o Yang. E às vezes é o contrário. Podemos mudar o domínio das forças que destroem e fazer com que as forças que constroem predominem durante uma longa e gloriosa era. Podemos. Mas para isso primeiro devemos estudar. E começaremos agora mesmo...

(continua)

Sunday, July 16, 2023

 


AS FESTAS COM A “DIETA Nº7”
por um japonês primitivo
A Nº 7 !!!
“Oh! É fanatismo!”
“Muito Yang!”
“Perigoso!”
”Muito severo”
”Não é suficiente para viver” …

Em todo o caso, são famosas todas as opiniões que criticam a dieta nº7.
Cada vez que oiço esta palavra, ”Número 7”, eu lembro-me …

… Há mais de trinta anos no Japão, a alimentação não era envenenada como hoje.
Para as crianças, a maior felicidade era comer uma bola de arroz com uma umeboshi. Era, portanto, a nº 7.
Comia-se a cada dia, pela manhã, duas tigelas de arroz e uma pequena tigela de sopa de missô; ao almoço, duas pequenas tigelas de arroz e alguns pedaços de pickles de nabo salgado; ao jantar, uma pequena tigela de sopa de missô ou tamari, uma pequena quantidade de legumes cozinhados sem água, duas tigelas de arroz e, ocasionalmente, uma pequena quantidade de peixe.
Não era a dieta nº 7, mas era baseada na dieta nº 7.

Quando estávamos stressados, esta dieta era imediatamente trocada pela nº 7, tais como o arroz com pickles salgados de nabo ou uma umeboshi.

O arroz desta época não era integral, nem branco como hoje, era semi-integral. Muito frequentemente, a cevada e o millet integral eram comidos com o arroz na proporção de 50% (arroz), 50% (millet ou cevada).

Íamos para a escola com uma marmita que continha arroz e uma umeboshi.
Nós chamávamos a esta marmita: “A marmita da subida do sol”.
Mesmo os soldados japoneses comiam uma marmita muito semelhante. Era, portanto, a nº 7.

A maior festa anual, era a passagem do Ano, para a qual preparávamos arroz moti com muita antecedência.
Como ficávamos impacientes por este moti … Era bom comê-lo grelhado e temperado com tamari. Este grande prazer, não era a nº 7.
Decorávamos durante duas semanas os lugares sagrados da casa com este alimento de longevidade, acompanhado de folhas de feto e desejávamos a longevidade da família.
As mães preparavam para as crianças bolos de arroz para cada estação do ano, era absolutamente a nº 7, ainda que estes fossem envoltos em folhas de plantas selvagens, ou coloridos de verde para os harmonizar. Estes bolos eram bons, deliciosos, obras artísticas que davam um grande prazer às crianças.

A festa do nascimento das crianças era celebrada com arroz integral e azuki (nº 7).
No 1º aniversário, fazíamos caminhar o bebé com um saco de moti de 2 kilos às costas e contavamos os passos que ele dava.
Que felicidade trazia a nº 7 a toda a família.

Desde que me lembro, com ternura, do meu país natal, as 4 estações não poderiam existir sem a dieta nº 7.
Os japoneses viviam esta tradição do “Vivere parvo” com a maior alegria eterna e com reconhecimento infinito. Não existiam na altura doenças complicadas, podres e desumanas como atualmente. Os jovens eram ainda os príncipes e as princesas do reino dos céus.

Depois de 30 anos, o Japão mudou.
A tradição da nº 7, desapareceu.
Hoje, as pessoas preferem bolos estrangeiros açucarados, coloridos, artificiais e sedutores, que confundem os sentidos dos olhos e da língua, ao invés da dieta nº 7, simples e natural. Eles adoptaram uma outra medida estrangeira para julgar os valores da nutrição, tais como vitaminas, proteínas, calorias, etc….
Antigamente havia um só supermercado de fruta para 30.000 mil habitantes, e no presente existe mais de trinta onde se vende banalmente todos os frutos estrangeiros, tropicais: bananas, mangas, ananás, etc., que violam as leis da Ordem do Universo.
Os bombons e os bolos coloridos artificialmente e quimicamente que são mais perigosos que a bomba atómica, atacam e envenenam a boca das crianças a cada dia e momento. As suas dietas já não são mais o arroz, nem a sopa de missô, ou os pickles salgados, mas são feitos de carne sintetizada feita a partir de petróleo, o leite esterilizado, as conservas, as algas açucaradas, bebidas vitaminadas artificialmente, tudo isto colorido por materiais cancerígenos e venenosos.

O Japão da nº 7, morreu.
Quando eu me lembro desta alimentação reconheço afirmativamente a justiça da nº 7 da macrobiótica.
Tenho, portanto, a convicção da vida ideal do homem que se nutre sobre a base da dieta nº 7.
Também se pode praticar a macrobiótica das dietas nº 3 à nº 5. Simplesmente é um pouco mais difícil de as praticar correctamente, comparando com a nº 7, porque nos enganamos muito facilmente no equilíbrio quantitativo. A dieta macrobiótica é correcta, se a praticarmos sobre a base da dieta nº 7, com a flexibilidade e concepção do equilíbrio do yin-yang.
Quando percebemos que as coisas não funcionam com deveria ser com legumes, peixe, sobremesas e fruta, temos que voltar rapidamente à nº 7.
Na minha infância quando eu apanhava frio ou febre, ou problemas de intestinos, a minha mãe obrigava-me imediatamente a comer creme de arroz, com uma simples umeboshi. Nesta altura, a alimentação japonesa seguia ainda a tradição segundo a filosofia do extremo oriente. As pessoas praticavam ainda a dieta nº 7 para curar as suas doenças.

Prof. George Ohsawa
Traduzido do francês por Rui Rato,
da revista Lettre du TENRYU, nº16, Janeiro de 1970





Saturday, July 15, 2023

 


FLORES, FRUTOS E VIDA - George Ohsawa

A erva dá flores…
Estas flores dão frutos….
Este ano como, como no último ano,
No próximo ano, como este ano,
Para sempre…

A árvore dá flores,
Que se transformam em frutos,
Lindos e embalsamados,
Cada ano, todos os anos,
Para sempre, e para sempre….

A erva e a árvore não se mexem:
Elas estão contentes do seu pequeno cantinho, onde elas crescem!
Elas não correm, elas não correm atrás de nada,
Elas aceitam tudo, tudo lhes é dado:
Mau tempo, como bom tempo,
Neve, chuva, tempestade, secura,
Grande calor e grande frio…
Elas os transmutam em belas flores e frutos…
Muito bonitos, embalsamados e deliciosos!

O homem corre, movimenta-se e procura sem repouso…
Que bela flor ele produz na sua estação?
Que belo fruto brilhante?
Quantos?
Não dá nada,
Nem flores, nem frutos,
E simplesmente se apaga…

A flor é a alegria materializada de viver, é a vida, o infinito, é a alma.

REFERÊNCIA: Rui Rato
15 de julho de 2022






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