A NUTRIÇÃO NAS CULTURAS TRADICIONAIS
Dr. Martín
Macedo
Os maiores
mestres da nutrição não se encontram nas grandes universidades nem nas
faculdades de Medicina. A sabedoria encontra-se disseminada aqui e ali. Se
observarmos atentamente, constataremos que certas culturas muito antigas
mantiveram, basicamente, a mesma forma de alimentação durante milhares de anos.
E não se aborrecem? Sempre a mesma coisa? Em todas as refeições?
Estas culturas
aprenderam, ao longo dos séculos, através de uma observação paciente e de
tentativas e erros, como produzir corpos fortes como o bronze e belos como
diamantes. Fizeram da cultura física a base do seu desenvolvimento e do seu
êxito. Êxito em manter níveis de saúde sem paralelo noutras culturas, noutras
partes do mundo.
As
civilizações espirituais são aquelas que utilizaram mais o seu hemisfério
direito. As civilizações «femininas». Do Oriente e do Ocidente nativo. Porque o
Ocidente nativo é o Oriente do Oriente. De ambos os lados do oceano Pacífico.
De um lado, as civilizações antiquíssimas dos povos nativos americanos, com
milhares de anos, e, do outro, as civilizações asiáticas, também antiquíssimas,
como a Índia, a China, a Coreia e o Japão.
Mas existem
outras culturas altamente desenvolvidas espiritualmente em África, na Europa
Oriental e no Médio Oriente. Se observarmos os seus hábitos alimentares,
encontraremos vários elementos em comum, que nos darão pistas para «descobrir»
a alimentação que produz um funcionamento perfeito, uma saúde formidável.
A primeira
coisa que nos chama a atenção é a clara compreensão de que o ser humano e a
terra são inseparáveis. Se algo acontecer à terra, também acontecerá ao
corpo do homem. Por isso, amam a terra e veneram-na como uma mãe. A Pacha Mama
dos povos nativos americanos e o princípio Shin Do Fu Ni dos japoneses rurais e
tradicionais.
Shin Do Fu Ni
significa: homem, terra, não dois. São um, não são dois. A saúde da terra é
a saúde do homem. A doença da terra é a doença do homem. Não existe
separação. A ligação é íntima.
Por isso amam
a terra. Por isso os índios amam as suas terras e desejam viver eternamente
nelas. E é aí que têm enterrados os seus antepassados. Porque se alimentaram e
viveram com os produtos dessa terra. E essa terra deu-lhes a vida, a saúde, a
força, a coragem e a alegria de viver. Tudo provém da terra e dos alimentos da
terra.
Essa veneração
pela terra e pela agricultura tradicional é o primeiro elemento que nos chama a
atenção.
No Ocidente, a
terra é vista de uma forma académica. Define-se, observa-se ao microscópio,
determinam-se os seus níveis de sais minerais, o seu nível de humidade, o seu
conteúdo em insetos e bactérias fixadoras de azoto e fósforo. Todo este estudo
requer especialistas que se formam durante anos.
Mas o
objetivo, o propósito destes estudos, é criar estratégias PRODUTIVAS. Ou seja,
estuda-se como explorar a terra ao máximo, para que os agronegócios sejam mais
lucrativos e, assim, a economia de um país possa prosperar. E, dessa forma,
«todos viveremos melhor». Porque haverá mais negócios e mais dinheiro para
comprar coisas para viver melhor. Mais eletrodomésticos, mais automóveis, mais
aviões, mais fábricas e mais emprego.
Muitos
empregos para que todos possam ter salários elevados. Enfim… o sonho americano
transformou-se no sonho da humanidade terrestre.
E, para
realizar o tão desejado sonho americano, fazem-se esforços imensos e recorre-se
à tecnologia através do método científico. E assim vemos que aqueles que
alcançaram o sonho americano, ou que estão em vias de o alcançar, acabam com
excesso de peso e com todas as consequências derivadas do aumento do perímetro
abdominal.
Quando as
pessoas começam a prosperar, começam a celebrar com grandes banquetes, a beber
whisky de marca, a comer em restaurantes de luxo, a usufruir das comodidades
dos transportes, com um ou vários automóveis de marca e motoristas que tratam
dos pormenores do trabalho. E a fumar charutos cubanos. E o Rolex.
De um modo
geral, quando as pessoas começam a alcançar o sonho americano, começam
simultaneamente a abusar dos luxos e dos prazeres. E a saúde começa a declinar.
Começam a perda de controlo e a queda. São simultâneas.
A história
repete-se.
Isto faz-me
lembrar os romanos no auge do seu esplendor militar e económico. Quando
começaram a dispor de mais recursos de todos os tipos, começaram os banquetes,
as ânforas de vinho. E mulheres fáceis, bailes e noites sem dormir.
A história
volta a repetir-se.
Por isso, a
nutrição baseada numa visão exploradora da terra não está orientada para a
intuição, mas para a procura da rentabilidade. Os povos tradicionais amam a
terra e veem essa ligação.
O paradigma
ocidental erudito-académico-tecnológico separa tudo e não possui a
sensibilidade do paradigma das culturas tradicionais. Por isso, para descobrir
a nutrição ótima, é necessário aprender com essas culturas que amam a terra
como os seus próprios corpos.
Porque
compreendem que somos uma extensão da terra. Dela provêm os componentes
biológicos que formam os nossos ossos, músculos, sangue e hormonas. E, se a
terra estiver contaminada, o nosso corpo adoecerá.
Outra
característica das culturas antigas é valorizarem os alimentos da terra, os
vegetais, num grau superior aos alimentos provenientes dos corpos dos animais.
Isto é, a alimentação das culturas tradicionais tende para o vegetarianismo.
A sua
sensibilidade, a sua intuição, a sua clara compreensão da misteriosa ligação
homem-solo deve-se à sua prática constante e tradicional de um baixo consumo
de proteína animal.
Os povos do
Oriente consomem pouca proteína animal, em comparação com os elevadíssimos
consumos das nações ocidentais, sobretudo das outrora chamadas «potências»
ocidentais.
Nas nações com
elevado consumo de proteína animal, onde a carne, o frango ou o peixe
constituem a base da alimentação, não é habitual encontrar esta delicada
sensibilidade, esta visão. Encontra-se antes frieza, insensibilidade e uma
visão mais «tecnológica» da atividade agropecuária.
É aí que
florescem os agronegócios. A terra, tal como os animais da quinta, são
«coisas», «produtos para venda», «mercadorias» e fontes de riqueza, na medida
em que possam ser trocados por dólares.
Para mim, é
perfeitamente claro que consumir muita proteína animal nos torna frios, brutais
e insensíveis. Assim eram os romanos, assim eram os bárbaros, assim eram as
nações belicosas que faziam um culto da guerra e adoravam a «águia», carnívora
e poderosa.
Estas nações
acreditam, a nível inconsciente, que o predador carnívoro é o forte, aquele que
domina. E que o herbívoro é o perdedor, o subjugado, o explorado, o fraco.
E
glorificam-se o leão, o tigre, o falcão e a águia. E aquele que se alimenta de
«erva» acaba estúpido como a vaca e torna-se alvo de troça e brincadeiras por
parte dos amigos e familiares.
Recordo os
meus tempos de universidade, quando os meus colegas de turma se divertiam a
rotular-me de «vegetariano». «Ele é vegetariano», diziam a algum professor em
plena aula, ou apresentavam-me a outros estudantes de Medicina como «ele é
vegetariano».
Estranho,
quase estúpido, com uma certa debilidade mental. E, claro, falta-lhe a «força»
da carne. Não é um leão como nós.
Quando alguém
nos quer elogiar, diz-nos: «és um tigre». Como quem diz: és um vencedor, és
forte.
São crenças
coletivas, enraizadas em séculos de programação e repetição. A carne dá força.
Os vegetais são muito saudáveis, mas só vegetais tornar-te-ão anémico e ficarás
extremamente magro.
As culturas
sensíveis do Oriente ou os povos nativos do mundo sempre consideraram os
alimentos de origem animal como algo que deve ser consumido com moderação.
Porque têm o potencial de matar a sensibilidade e a sabedoria.
As culturas
tradicionais veneram a terra e valorizam ao mais alto grau os alimentos de
origem vegetal. É o contrário do Ocidente.
Consideram os
alimentos vegetais «sátvicos» (*). Elevam o
nível de consciência. Aumentam o nível de força vital. Embelezam, rejuvenescem,
limpam e purificam o corpo. Produzem longevidade e fertilidade. Estimulam um
pensamento elevado, o desenvolvimento da mente e do espírito. Fazem emergir o
que há de mais nobre em nós.
Mas não se
trata de qualquer vegetal. Trata-se de um tipo particular de vegetais que as
culturas de elevada sensibilidade espiritual sempre tiveram em grande estima:
os grãos de cereais.
O arroz, o
trigo, o milho, o centeio, o millet, a cevada, a quinoa.
Não são
simples sementes. Constituem os alimentos sagrados dos homens. Assim tem sido
durante centenas de milhares de anos.
A associação
entre cereal-divindade, cereal-saúde perfeita, cereal-pensamento elevado e
agudo, cereal-vitalidade ilimitada esteve e continua a estar presente no
inconsciente coletivo das nações do Extremo Oriente, de África e da América
nativa.
No Ocidente
também se venerou, durante milhares de anos, o cereal, o pão, o trigo. O «corpo
de Cristo».
Até que, no
século XVII, começou a Revolução Industrial, os cereais começaram a ser
refinados e passou a produzir-se comida comercial.
E surgiram
outras teorias, diferentes, científicas, que dividiram os alimentos em
proteínas, vitaminas, gorduras e hidratos de carbono.
Hemisfério
esquerdo.
O valor já não
estava na alma do alimento, mas nos seus componentes bioquímicos. O valor
estava no seu teor de ferro ou de vitamina A.
E assim fomos
perdendo a intuição.
E, por isso,
criámos ambientes antinaturais onde o HPV encontra a fetidez e a acidificação
perfeitas para se multiplicar e replicar. Porque existem muitas células
debilitadas e alteradas.
Chegaram os
tubarões.
Começa a
debandada.
«Salve-se quem
puder.»
E os vírus
começam a «carnificina». Começam a fazer aquilo que lhes foi confiado. Estão a
prestar um serviço. E são altamente eficientes. São infalíveis. São mestres da
predação celular.
São perfeitos.
São predadores
temíveis.
E os fracos
tremem. E procuram refúgio. Mas não há onde esconder-se. Porque os vírus são
tão pequenos que estão em toda a parte.
Vieram fazer o
seu trabalho e fá-lo-ão magistralmente. Não o farão por um estímulo económico.
Não o farão por dinheiro. Fá-lo-ão porque essa é a sua «elevada» missão.
Exterminar
células inviáveis. Tóxicas. Não funcionais.
E, se houver
demasiadas destas células, pode começar um cancro dos órgãos reprodutores.
Tanto no homem como na mulher.
O que fazemos?
Controlos,
exames, extirpar a mais pequena verruga venérea ou a mais pequena mancha
«suspeita» no colo do útero. E vacinar. Todos.
E começar o
mais cedo possível. Com as meninas de 9 anos. E também com os meninos.
No futuro,
possivelmente, os especialistas recomendarão também vacinar os bebés contra o
HPV, para os preparar contra este «flagelo», contra este poderoso inimigo.
E essa é a
estratégia ocidental.
Mas o cancro
nunca esteve em níveis tão elevados. Nunca o ser humano esteve tão doente.
Nunca se venderam tantos medicamentos como agora. Nunca se gastou tanto em
serviços de assistência médica.
E, apesar dos
elevados gastos, das múltiplas vacinas, das toneladas de antibióticos e dos
exames rigorosos e «obrigatórios», a situação sanitária não melhora.
Piora, e o ser
humano não é feliz. É mais infeliz do que nunca. Há mais pessoas deprimidas do
que nunca. E mais psiquiatras e psicólogos do que nunca.
Teremos de
experimentar outras estratégias.
Voltar a
começar.
À origem.
Ao princípio.
(*)- O alimento SÁTVICO
estimula o desenvolvimento de uma mente elevada, de um pensamento elevado, de
sentimentos e propósitos nobres. O alimento sátvico é utilizado,
fundamentalmente, pelos indivíduos espiritualmente avançados. E a carne e o
leite não são sátvicos, com exceção de um pouco de leite de iaque, um bovino de
raça asiática muito diferente da vaca holandesa da indústria e do negócio da
Europa e da América.
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