NUTRIÇÃO PERFEITA
Só é possível
encontrar a nutrição perfeita através da intuição. Do hemisfério cerebral direito.
O hemisfério feminino. Mas também podemos apoiar-nos na clareza conceptual
proporcionada pelo hemisfério esquerdo. Contudo, a intuição deve ser a
influência principal.
Nas culturas
tradicionais, os cereais são a base. Arroz, milho, milet ou quinoa. Cada
cultura utiliza preferencialmente um deles ou uma mistura de vários. O
famosíssimo gastroenterologista japonês Hiromi Shinya prepara todos os dias,
para as suas refeições, uma mistura de cinco cereais, como explica no seu livro
A Enzima Prodigiosa. Tratou os seus doentes com cancros do cólon e do
reto através de cirurgia e, depois, com uma mudança permanente da alimentação.
Os que a seguem têm 0% de recidiva do cancro. E limitou-se a aplicar aquilo que
no Japão se aplica há mais de 3000 anos. A alimentação tradicional. Baseada em
alimentos vegetais, arroz e peixe.
Talvez essa
seja a alimentação perfeita. A melhor alimentação do mundo. A alimentação dos
chineses e dos indianos é muito semelhante. Existem algumas variações, mas a
base é a mesma. Arroz, alimentação predominantemente vegetal e muito pouca
proteína animal. E actividade física.
Talvez os
chineses tenham a alimentação perfeita. Ou os indianos tradicionais. E a
alimentação dos esquimós também é perfeita. É basicamente de origem animal. Mas
é perfeita. Basicamente peixe. Algumas renas. Algumas bagas e raízes. Também
algas. Uma alimentação essencialmente rica em gordura animal. É perfeita.
São povos
muito saudáveis. São cerca de 70 000. Há cerca de 30 000 no Canadá e outros
vivem na Gronelândia e na Sibéria. Suportam temperaturas de 50 graus abaixo de
zero. E fazem-no há séculos.
Temos a prova
de que a sua alimentação é perfeita. Têm uma função perfeita. E uma saúde
perfeita. Vivem pouco, talvez devido à quantidade de gordura que comem e à
ferocidade do clima. Mas, durante o tempo que vivem, desfrutam de uma excelente
saúde.
São conhecidos
como inuítes (*). Acreditam na
reencarnação. E acreditam que as crianças são as pessoas mais importantes, mais
elevadas, porque acabaram de reencarnar. Acreditam em seres espirituais
superiores, mas não lhes prestam culto. São um povo fantástico.
Não há cáries
dentárias. Não há doenças degenerativas. Nem cancro do colo do útero. Nem
esquizofrenia. Gozam de uma excelente saúde. Alimentam-se de acordo com a sua
intuição. As suas crianças são bonitas. As suas mulheres são bonitas. Os homens
são robustos e pacíficos. Possuem a beleza indescritível dos seres que vivem
respeitando a ordem natural.
Não há lugar
para vegetarianos no Alasca. Ou se vive ao estilo inuíte ou se perece. É a
ordem natural. A mesma lei que rege nos trópicos rege o inuíte. Mas a
alimentação muda. Porque o clima é diferente.
Por isso, não
existe uma alimentação perfeita e padronizada. A alimentação perfeita de um
inuíte é diferente da alimentação perfeita de um japonês rural ou de um
habitante do deserto.
Mas, se o
esquimó for levado a viver no Nordeste brasileiro e continuar a comer
exatamente o mesmo que come no Alasca, em poucos meses sofrerá uma embolia e
terá um acidente vascular cerebral ou uma trombose venosa profunda. Ou uma
hipertensão arterial que poderá deixar-lhe sequelas neurológicas
incapacitantes.
Algumas
pessoas que gostam de comer proteína e gordura animal utilizam este argumento
para se justificarem. Os esquimós comem muito peixe rico em ómega-3 e carne de
rena. É carne de mamífero, é carne vermelha. E estão muito bem. Não têm
colesterol elevado nem hipertensão. E procuram obter krill e alimentos típicos
das regiões polares, com elevado teor de ácidos gordos essenciais ómega-3.
Mas adoecem em
pouco tempo. Porque não é uma alimentação perfeita para alguém que vive numa
zona temperada.
A alimentação
perfeita é ditada pelo ambiente geográfico e pela tradição. Se for viver
para o Alasca, fará muito bem em imitar a tradição dos inuítes e comer com eles
os seus pratos tradicionais. E terá uma saúde perfeita e uma função perfeita.
Mas terá de permanecer a viver lá, com 50 graus abaixo de zero, durante anos.
No Alasca, na
Sibéria e na Gronelândia não crescem milho nem maçãs. Seria antinatural ir
viver para a Sibéria e mandar vir maçãs da Europa ou da América para obter um
aporte adequado de vitaminas C e A.
O passarinho
acorda ao amanhecer e come aquilo que cresce na sua região. Num raio de algumas
centenas de metros encontrará os produtos adequados à sua saúde e função. Come
de acordo com a sua fisiologia particular e dentro da sua geografia específica.
Na minha
opinião, a alimentação perfeita para o ser humano é aquela que se baseia nos
cereais. Tem sido assim desde tempos imemoriais. Desde os relatos do Antigo
Testamento até ao Popol Vuh, os cereais são apresentados como alimentos
sagrados. Porque crescem nas regiões mais densamente povoadas do mundo.
Se alguém vive
nessas regiões, a melhor opção será o milho, o trigo ou o arroz como base da
alimentação, tal como fizeram as pessoas que aí viveram com sucesso e saúde
durante séculos ou milénios.
Mas, se alguém
for viver para um clima muito YIN, com temperaturas brutalmente frias, deverá
comer uma alimentação muito YANG para aquecer o corpo e suportar essa situação
extrema. Se levar consigo os seus cereais, não conseguirá resistir e ficará
debilitado.
Por isso, na
filosofia macrobiótica baseamo-nos no YIN e no YANG. É um critério desprezado
pela ciência da nutrição e pela higiene. É um critério não valorizado pela
chamada medicina alopática. Mas é fundamental na medicina tradicional chinesa.
Estes
princípios são fundamentais no Ayurveda e nas medicinas tradicionais das
comunidades indígenas, do Egito e de outras culturas ancestrais. Este critério
filosófico é crucial para se poder encontrar a alimentação perfeita e a função
perfeita.
Os animais
aplicam-no intuitivamente. Quando um animal adoece, procura determinadas ervas
ou determinadas plantas para se curar. E jejua. E espera que a doença se
resolva, que as impurezas ou toxinas sejam eliminadas. E curam-se sozinhos.
Autocura.
Às vezes
morrem. Mas não têm medo. De qualquer forma, algum dia temos de morrer. É algo
inevitável. Se não me puder curar, então morro em paz. E continuarei noutros
níveis de existência. É algo que eu sinto.
Mas o ser
humano tem o YIN e o YANG. Isso permite-lhe modificar a energia dos
alimentos e a sua composição químico-física.
Por isso, pode
viver em qualquer clima, a qualquer altitude e em qualquer região do mundo. A
vantagem do ser humano em relação aos animais chama-se arte culinária. E, com
esta arte, potencia a sua capacidade de adaptação às mudanças climáticas ou
geográficas.
Portanto, o
ser humano está capacitado para desfrutar de uma função melhor do que a do
pássaro ou do búfalo. Tem o fogo. O sal. O óleo. As especiarias. E a tradição.
Mas
esqueceu-se.
Agora não quer
cozinhar. As mulheres não querem ocupar-se da alimentação da família como
antes. Agora procura-se a igualdade. Todos a trabalhar no mundo masculino.
Então, a
humanidade está a sofrer. Está a perder a sua saúde. Não obtém o alimento
perfeito porque este não se pode comprar. O alimento superior é uma produção
artística. Deve ser criado com amor. Como qualquer criação artística de
elevadíssimo valor.
A cozinha
quotidiana. E a sabedoria tradicional. A cozinha tradicional.
Que o teu
alimento seja o teu medicamento. Disse-o Hipócrates. Um dos maiores e mais
eminentes médicos que a humanidade conheceu.
A função
perfeita requer uma nutrição perfeita. E a nutrição perfeita é algo subtil,
especial. Algo único. Cada família é única e cada ser humano é único.
É necessário
criar em casa o alimento superior, de elevada qualidade. É aí que está a fonte
da saúde. No lar.
A origem
etimológica da palavra lar é o lugar onde a família se reúne para se aquecer e
alimentar. O fogo. A cozinha. Alquimia doméstica.
A nutrição é
um assunto da família. Não das instituições. Nem das escolas. Nem é um
assunto académico. Nem político. Pode teorizar-se e criar Escolas de Nutrição.
Mas será algo sem alma. Sem vida. Sem valor para criar corpos perfeitos, com
função perfeita e saúde perfeita.
Aplicando o
critério transformador do YIN e do YANG, os povos da Ásia encontraram a sua
forma tradicional e praticam-na ainda hoje. Assim conseguiram alcançar a saúde
individual, a saúde familiar e a saúde nacional.
E não são
nações perfeitas. Mas o seu nível de saúde e de função é muito superior ao do
decadente Ocidente. Acidificado. Drogado. Lactificado. Afastado dos ciclos
naturais. Indiferente às leis naturais.
O Oriente
ocidentalizou-se no último século. Mas ainda se agarra à sua cultura e à sua
cozinha tradicional. Embora a sua elevada qualidade biológica tenha diminuído
devido ao contacto com o Ocidente, continua a ser incomparavelmente mais
saudável e forte do que a civilização ocidental.
Isto é
particularmente notório nas pessoas com mais de 40 anos. O ocidental médio,
geralmente, já envelheceu e consome permanentemente um ou vários medicamentos.
Já está doente. Crónico.
Aos 60 anos,
já é um peso para a família e para a nação. Gera muitas despesas médicas e
problemas para o país. E conformam-se com a explicação «médica» de que isso é
normal para «a sua idade».
Mas, no
Oriente tradicional, os grandes mestres das artes tradicionais, aos 60 e 70
anos, possuem uma condição física e mental equivalente à de um ocidental de 30
anos.
Isso deve-se à
diferente forma de alimentação. Uma baseia-se na proteína animal e a outra na
proteína vegetal. Uma acidifica e a outra alcaliniza. Uma cria um meio propício
para os vírus e a outra produz um ambiente saudável onde os vírus estão
controlados.
É a magia da
macrobiótica. Uma sabedoria que dá poder ao corpo e à mente. E às emoções. É a
cura contra qualquer vírus ou bactéria que ultrapasse os «limites».
(*)- Os inuítes são povos indígenas do Ártico, tradicionalmente adaptados a algumas das regiões habitadas mais frias do planeta. Vivem sobretudo na Gronelândia, no norte do Canadá e no Alasca.
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