RECUPERAR A FORÇA DE AUTOCURA
Dr. Martín Macedo
Trata-se
da educação vital. A fonte da grande saúde. Esta grande saúde implica coragem,
autoconfiança e fortalecimento das capacidades funcionais. Das capacidades
vitais. Mais vida. Mais função. Mais imunidade. Em vez de enfraquecer os vírus,
ocupa-se de fortalecer as pessoas. Mas não através da injeção de substâncias
artificiais. E sim ensinando a viver. Ensinando a criar corpos fortes e
resistentes. Ensinando a amar a cultura física. A amar a vida e a saúde como
pilares de uma existência grandiosa e com significado.
A
promoção da saúde deveria basear-se na educação vital. Mas isto acontecerá no
futuro, quando se consolidar uma humanidade espiritualmente mais elevada. Ainda
estamos numa etapa espiritualmente muito atrasada. Predomina a barbárie. A
insensibilidade. A maior parte das pessoas alimenta-se à base de proteínas
provenientes de milhões de animais sacrificados desnecessariamente. Fígados,
rins, estômagos, corações, intestinos «recheados», língua (em vinagrete),
sonhos de miolos (de bovino).
Enquanto
nos basearmos nestas fontes de alimentação, o nosso pensamento continuará a ser
«bárbaro» e espiritualmente atrasado. Os nossos esforços para nos «elevarmos»
através da oração e da meditação serão neutralizados por este tipo de hábitos
próprios deste fim de era.
Porque
há 500 anos não era assim. As pessoas alimentavam-se com mais proteínas
vegetais simplesmente porque não existia a tecnologia alimentar que temos hoje,
que permite que todos os habitantes de uma nação se alimentem com um frango ao
almoço e outro ao jantar. E, aos fins de semana, a clássica e amistosa «reunião
de amigos», onde a quantidade de carne, lacticínios e vísceras se multiplica
por 5 ou por 10. Dependendo da resistência individual.
Depois,
na segunda-feira de manhã, no trabalho, há a inevitável conversa sobre a
quantidade que comemos, as sobremesas, toda a bebida e como nos divertimos com
os «amigos».
Há
5 séculos ou 10 séculos isto não era possível. Porque os alimentos eram obtidos
através de técnicas artesanais. Tanto na atividade agrícola como na criação de
animais. Com exceção da realeza. A corte, os de «sangue azul», podiam dar-se ao
luxo de comer carne e pão branco em todas as refeições. E sobremesas com
açúcar, que custava, na Idade Média, algo como 50 dólares por meio quilo. E era
necessário esperar que as caravanas de camelos trouxessem os pães de açúcar de
cana da Arábia.
A
hemofilia e a diabetes eram as doenças da nobreza europeia e asiática. E a gota
e os enfartes.
Na
Antiguidade houve períodos em que alguns grupos humanos podiam comer muita
carne, tal como hoje faz qualquer cidadão de classe média na maior parte das
cidades do mundo.
Quando
o Império Romano chegou ao seu apogeu, começaram as festas, os bailes e os
luxos. A vida de «ricos». A riqueza obtida à força de chicote e espada em todos
os cantos do império.
E
assim começou o declínio do Império Romano. Festas faustosas com grandes
quantidades de comida e bebida. Muitos animais diferentes e muito vinho. Pato,
borrego, faisão, peixe, galinha, ovos, bovinos e as suas vísceras. Em grandes
quantidades.
E
depois o «vomitorium». Para esvaziar o estômago e voltar a desfrutar dos
abundantes manjares de origem animal.
A
história relata-o muito claramente. Quando começaram este tipo de festas,
começou o declínio de Roma. Começou o declínio da saúde dos romanos. O declínio
da grande força e ambição que os levou a criar o maior império da história da
humanidade. O império mais extenso no tempo. Aquele que mais durou.
Excessos
de todos os tipos. Excessos com a comida e a bebida. Excessos sexuais
escandalosos. E assim começou o declínio. O enfraquecimento. O desmoronamento.
Depois
da ascensão vem a queda. E a queda ocorre sempre quando, ao chegar ao «topo»,
começam os festejos excessivos. Ocorre quando se ignora que a base da grandeza,
do sucesso e da majestade está numa saúde majestosa, numa vitalidade infinita e
num corpo temperado pela sobriedade e pelo treino rigoroso.
Quando
os romanos estavam em plena expansão, os soldados levavam 30 quilos de trigo
torrado num saco como base da sua alimentação. Cada soldado levava essa ração.
Iam a pé ou a cavalo. E assim viajavam durante semanas inteiras até ao seu
destino, até ao local da batalha. E, se encontrassem algum alimento na região,
algumas frutas ou alguma carne, acrescentavam-no à sua base de trigo torrado.
Demolhavam-no e comiam-no assim. Pré-cozido.
Algo
semelhante faziam os soldados do Vietcong. Levavam arroz integral torrado como
ração básica. Se conseguiam outras coisas, consumiam-nas. Mas, se não houvesse
nada, tinham o seu alimento básico. Arroz integral torrado. Demolhavam-no
durante alguns minutos e pronto.
Uma
base de cereais. É muito mais fisiológica do que uma base de proteínas animais.
Mas,
quando os romanos chegaram ao topo e se tornaram ricos e poderosos, começaram a
alimentar-se à base de proteína animal. E tornaram-se mais cruéis e déspotas do
que nunca.
Se
observarmos a história das civilizações, verificaremos que existe uma relação
entre a brutalidade, a crueldade, a insensibilidade e o consumo de partes ou
vísceras de animais. Os povos vegetarianos ou semivegetarianos sempre foram
mais sensíveis ao espiritual. E mais respeitadores da vida. Em todas as suas
formas.
O
homem civilizado, sobretudo no Ocidente, alimenta-se com abundante proteína
animal, proveniente de corpos, músculos ou vísceras de diversos animais. Também
«miudezas de frango». Fígado, rim e outras vísceras.
Na
China, alguns cozinheiros «bárbaros» utilizam pulmões de cabra ou de cão para
fazer uma deliciosa sopa de tofu. E também fritam insetos panados em farinha de
arroz. E as pessoas compram-nos como petisco durante um passeio com as
crianças.
A
barbárie está por toda a parte. E a barbárie começa com a ignorância da relação
existente entre o consumo de derivados animais e a lucidez da inteligência.
Não
se pode ter um espírito elevado mantendo uma dieta com «elevado teor de
derivados de partes de animais ou das suas vísceras». Ou «elevo» o pensamento
espiritual ou «elevo» o teor de proteína animal.
Por
isso, no budismo e noutras disciplinas religiosas ensinam-se o jejum e a
abstinência frequente de derivados animais. No budismo mais tradicional, a
recomendação do vegetarianismo é crucial. É um dos pilares do budismo. Mais do
que o «pensamento» budista.
O
pilar é a prática…… do budismo.
Quem
se alimenta à maneira «romana» não pode ser um bom budista, ainda que estude
com todas as suas forças os textos, recite os sutras ao amanhecer e pratique
todas as disciplinas tradicionais.
De
facto, quem se alimenta à maneira da antiga Roma opulenta não se interessa
minimamente nem pelo budismo nem pelo desenvolvimento espiritual.
Por
isso, do ponto de vista espiritual, neste momento e na maior parte das nações
do mundo, estamos ao mesmo nível que os bárbaros romanos. Abusando da comida de
origem animal e da bebida. Abusando de tudo aquilo que nos dá prazer físico até
à saciedade.
Somos
como bárbaros com «brinquedos» tecnológicos. Somos «bárbaros» diplomados. Somos
«bárbaros» ricos e poderosos. Bárbaros com telemóveis de última geração.
Mas
esse estilo de vida destrói rapidamente a saúde. Ao chegar aos 40 anos, a maior
parte das pessoas já tem pelo menos uma doença crónica «incurável». E a
incidência de cancro, diabetes e hipertensão aumenta cada vez mais. E isto está
a acontecer em idades cada vez mais precoces.
Nunca
se viram tantas crianças a receber quimioterapia como actualmente. As pessoas
com cerca de 60 anos dizem-nos: «Na minha infância nunca vi uma criança
“carequinha” com cancro. Agora, no meu bairro, vejo cada vez mais crianças sem
cabelo, a receber quimioterapia.»
Os
tempos mudaram. Estamos a perder a força de autocura. Porque escolhemos viver
de uma forma antinatural. Antibiológica.
Estamos
a cometer o mesmo erro que os romanos. Não vamos ao vomitorium, mas comemos
proteína animal em excesso. E consideramo-lo uma prática de elevado estatuto
social.
E,
quando alguém melhora a sua posição económica, aumentam as reuniões sociais e
as festas. Celebrando a «subida» do salário ou o cargo mais importante na
empresa. Como agora entra mais dinheiro, compramos mais comida e mais bebida. E
começamos a entrar em declínio.
Tal
como os romanos. Tal como Napoleão. Tal como os czares russos.
Há
centenas de anos que cometemos o mesmo erro. Não compreendemos nem queremos
compreender que a base da «ascensão» é uma saúde de ferro. Não há ascensão sem
um corpo forte e resistente. Cheio de sonhos, cheio de entusiasmo, cheio de fé,
cheio de vitalidade.
Se
estudarmos a vida das pessoas famosas, encontraremos o mesmo processo. Sobem e,
imediatamente, começam com luxos, festas e prazeres escandalosos. E, pouco
tempo depois, a queda, o escândalo e até a morte.
O
nosso corpo é uma imensa dádiva do Criador. Tem uma imensa capacidade de
adaptação. Foi aperfeiçoado ao longo de milhares e milhares de gerações. É
incrivelmente resistente. É prodigioso.
Mas
tem um limite. E estamos a chegar ao limite da sua resistência.
Mas
alguns especialistas continuam a insistir na «necessidade» de ingerir proteínas
animais todos os dias. Sobretudo as crianças. E assim o ciclo da ignorância
repete-se a cada nova geração.
Mas
existem algumas culturas que, durante milénios, se têm dedicado a temperar e
fortalecer os nossos magníficos corpos. E fazem-no ainda hoje. E podemos
imitá-las e aprender com elas.
São
os povos da Ásia. Os asiáticos tradicionais temperam os seus corpos com esmero,
plenamente conscientes da relação entre uma saúde de ferro e a «ascensão»
social e económica.
Como
o fazem?
Através
da disciplina.
E
fazem-no hoje.
E
fá-lo-ão amanhã……
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~