Thursday, September 3, 2026

 

RECUPERAR A FORÇA DE AUTOCURA

Dr. Martín Macedo

Trata-se da educação vital. A fonte da grande saúde. Esta grande saúde implica coragem, autoconfiança e fortalecimento das capacidades funcionais. Das capacidades vitais. Mais vida. Mais função. Mais imunidade. Em vez de enfraquecer os vírus, ocupa-se de fortalecer as pessoas. Mas não através da injeção de substâncias artificiais. E sim ensinando a viver. Ensinando a criar corpos fortes e resistentes. Ensinando a amar a cultura física. A amar a vida e a saúde como pilares de uma existência grandiosa e com significado.


A promoção da saúde deveria basear-se na educação vital. Mas isto acontecerá no futuro, quando se consolidar uma humanidade espiritualmente mais elevada. Ainda estamos numa etapa espiritualmente muito atrasada. Predomina a barbárie. A insensibilidade. A maior parte das pessoas alimenta-se à base de proteínas provenientes de milhões de animais sacrificados desnecessariamente. Fígados, rins, estômagos, corações, intestinos «recheados», língua (em vinagrete), sonhos de miolos (de bovino).

Enquanto nos basearmos nestas fontes de alimentação, o nosso pensamento continuará a ser «bárbaro» e espiritualmente atrasado. Os nossos esforços para nos «elevarmos» através da oração e da meditação serão neutralizados por este tipo de hábitos próprios deste fim de era.

Porque há 500 anos não era assim. As pessoas alimentavam-se com mais proteínas vegetais simplesmente porque não existia a tecnologia alimentar que temos hoje, que permite que todos os habitantes de uma nação se alimentem com um frango ao almoço e outro ao jantar. E, aos fins de semana, a clássica e amistosa «reunião de amigos», onde a quantidade de carne, lacticínios e vísceras se multiplica por 5 ou por 10. Dependendo da resistência individual.

Depois, na segunda-feira de manhã, no trabalho, há a inevitável conversa sobre a quantidade que comemos, as sobremesas, toda a bebida e como nos divertimos com os «amigos».

Há 5 séculos ou 10 séculos isto não era possível. Porque os alimentos eram obtidos através de técnicas artesanais. Tanto na atividade agrícola como na criação de animais. Com exceção da realeza. A corte, os de «sangue azul», podiam dar-se ao luxo de comer carne e pão branco em todas as refeições. E sobremesas com açúcar, que custava, na Idade Média, algo como 50 dólares por meio quilo. E era necessário esperar que as caravanas de camelos trouxessem os pães de açúcar de cana da Arábia.

A hemofilia e a diabetes eram as doenças da nobreza europeia e asiática. E a gota e os enfartes.

Na Antiguidade houve períodos em que alguns grupos humanos podiam comer muita carne, tal como hoje faz qualquer cidadão de classe média na maior parte das cidades do mundo.

Quando o Império Romano chegou ao seu apogeu, começaram as festas, os bailes e os luxos. A vida de «ricos». A riqueza obtida à força de chicote e espada em todos os cantos do império.

E assim começou o declínio do Império Romano. Festas faustosas com grandes quantidades de comida e bebida. Muitos animais diferentes e muito vinho. Pato, borrego, faisão, peixe, galinha, ovos, bovinos e as suas vísceras. Em grandes quantidades.

E depois o «vomitorium». Para esvaziar o estômago e voltar a desfrutar dos abundantes manjares de origem animal.

A história relata-o muito claramente. Quando começaram este tipo de festas, começou o declínio de Roma. Começou o declínio da saúde dos romanos. O declínio da grande força e ambição que os levou a criar o maior império da história da humanidade. O império mais extenso no tempo. Aquele que mais durou.

Excessos de todos os tipos. Excessos com a comida e a bebida. Excessos sexuais escandalosos. E assim começou o declínio. O enfraquecimento. O desmoronamento.

Depois da ascensão vem a queda. E a queda ocorre sempre quando, ao chegar ao «topo», começam os festejos excessivos. Ocorre quando se ignora que a base da grandeza, do sucesso e da majestade está numa saúde majestosa, numa vitalidade infinita e num corpo temperado pela sobriedade e pelo treino rigoroso.

Quando os romanos estavam em plena expansão, os soldados levavam 30 quilos de trigo torrado num saco como base da sua alimentação. Cada soldado levava essa ração. Iam a pé ou a cavalo. E assim viajavam durante semanas inteiras até ao seu destino, até ao local da batalha. E, se encontrassem algum alimento na região, algumas frutas ou alguma carne, acrescentavam-no à sua base de trigo torrado. Demolhavam-no e comiam-no assim. Pré-cozido.

Algo semelhante faziam os soldados do Vietcong. Levavam arroz integral torrado como ração básica. Se conseguiam outras coisas, consumiam-nas. Mas, se não houvesse nada, tinham o seu alimento básico. Arroz integral torrado. Demolhavam-no durante alguns minutos e pronto.

Uma base de cereais. É muito mais fisiológica do que uma base de proteínas animais.

Mas, quando os romanos chegaram ao topo e se tornaram ricos e poderosos, começaram a alimentar-se à base de proteína animal. E tornaram-se mais cruéis e déspotas do que nunca.

Se observarmos a história das civilizações, verificaremos que existe uma relação entre a brutalidade, a crueldade, a insensibilidade e o consumo de partes ou vísceras de animais. Os povos vegetarianos ou semivegetarianos sempre foram mais sensíveis ao espiritual. E mais respeitadores da vida. Em todas as suas formas.

O homem civilizado, sobretudo no Ocidente, alimenta-se com abundante proteína animal, proveniente de corpos, músculos ou vísceras de diversos animais. Também «miudezas de frango». Fígado, rim e outras vísceras.

Na China, alguns cozinheiros «bárbaros» utilizam pulmões de cabra ou de cão para fazer uma deliciosa sopa de tofu. E também fritam insetos panados em farinha de arroz. E as pessoas compram-nos como petisco durante um passeio com as crianças.

A barbárie está por toda a parte. E a barbárie começa com a ignorância da relação existente entre o consumo de derivados animais e a lucidez da inteligência.

Não se pode ter um espírito elevado mantendo uma dieta com «elevado teor de derivados de partes de animais ou das suas vísceras». Ou «elevo» o pensamento espiritual ou «elevo» o teor de proteína animal.

Por isso, no budismo e noutras disciplinas religiosas ensinam-se o jejum e a abstinência frequente de derivados animais. No budismo mais tradicional, a recomendação do vegetarianismo é crucial. É um dos pilares do budismo. Mais do que o «pensamento» budista.

O pilar é a prática…… do budismo.

Quem se alimenta à maneira «romana» não pode ser um bom budista, ainda que estude com todas as suas forças os textos, recite os sutras ao amanhecer e pratique todas as disciplinas tradicionais.

De facto, quem se alimenta à maneira da antiga Roma opulenta não se interessa minimamente nem pelo budismo nem pelo desenvolvimento espiritual.

Por isso, do ponto de vista espiritual, neste momento e na maior parte das nações do mundo, estamos ao mesmo nível que os bárbaros romanos. Abusando da comida de origem animal e da bebida. Abusando de tudo aquilo que nos dá prazer físico até à saciedade.

Somos como bárbaros com «brinquedos» tecnológicos. Somos «bárbaros» diplomados. Somos «bárbaros» ricos e poderosos. Bárbaros com telemóveis de última geração.

Mas esse estilo de vida destrói rapidamente a saúde. Ao chegar aos 40 anos, a maior parte das pessoas já tem pelo menos uma doença crónica «incurável». E a incidência de cancro, diabetes e hipertensão aumenta cada vez mais. E isto está a acontecer em idades cada vez mais precoces.

Nunca se viram tantas crianças a receber quimioterapia como actualmente. As pessoas com cerca de 60 anos dizem-nos: «Na minha infância nunca vi uma criança “carequinha” com cancro. Agora, no meu bairro, vejo cada vez mais crianças sem cabelo, a receber quimioterapia.»


Os tempos mudaram. Estamos a perder a força de autocura. Porque escolhemos viver de uma forma antinatural. Antibiológica.

Estamos a cometer o mesmo erro que os romanos. Não vamos ao vomitorium, mas comemos proteína animal em excesso. E consideramo-lo uma prática de elevado estatuto social.

E, quando alguém melhora a sua posição económica, aumentam as reuniões sociais e as festas. Celebrando a «subida» do salário ou o cargo mais importante na empresa. Como agora entra mais dinheiro, compramos mais comida e mais bebida. E começamos a entrar em declínio.

Tal como os romanos. Tal como Napoleão. Tal como os czares russos.

Há centenas de anos que cometemos o mesmo erro. Não compreendemos nem queremos compreender que a base da «ascensão» é uma saúde de ferro. Não há ascensão sem um corpo forte e resistente. Cheio de sonhos, cheio de entusiasmo, cheio de fé, cheio de vitalidade.

Se estudarmos a vida das pessoas famosas, encontraremos o mesmo processo. Sobem e, imediatamente, começam com luxos, festas e prazeres escandalosos. E, pouco tempo depois, a queda, o escândalo e até a morte.

O nosso corpo é uma imensa dádiva do Criador. Tem uma imensa capacidade de adaptação. Foi aperfeiçoado ao longo de milhares e milhares de gerações. É incrivelmente resistente. É prodigioso.

Mas tem um limite. E estamos a chegar ao limite da sua resistência.

Mas alguns especialistas continuam a insistir na «necessidade» de ingerir proteínas animais todos os dias. Sobretudo as crianças. E assim o ciclo da ignorância repete-se a cada nova geração.

Mas existem algumas culturas que, durante milénios, se têm dedicado a temperar e fortalecer os nossos magníficos corpos. E fazem-no ainda hoje. E podemos imitá-las e aprender com elas.

São os povos da Ásia. Os asiáticos tradicionais temperam os seus corpos com esmero, plenamente conscientes da relação entre uma saúde de ferro e a «ascensão» social e económica.

Como o fazem?

Através da disciplina.

E fazem-no hoje.

E fá-lo-ão amanhã……

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Wednesday, September 2, 2026

 

QUANDO OS RINS PERDEM O SEU PODER DE LIMPEZA,

TORNAM-SE RINS INSUFICIENTES

Martín Macedo

Este quadro é conhecido como insuficiência renal crónica (IRC).

Graças aos rins, podemos manter uma saúde perfeita.

Eles filtram 180 litros de sangue todos os dias, sem nunca descansarem.

Os rins nunca têm férias.

Trabalham com uma vontade infinita.

Com dor ou sem dor, com frio ou com calor, com fome ou sem fome.

Os rins estão ligados à vida infinita, à vontade infinita e à sabedoria infinita.

Mas, por vezes, alguns homens renunciam à sabedoria e destroem os seus próprios rins milagrosos.

Nos EUA, adoram as medições.

E, segundo estas, são diagnosticados todos os anos 80 000 novos casos de insuficiência renal crónica.

Muitos destes doentes necessitam de diálise para poderem continuar vivos.

Em 1997, o Governo Federal dos EUA gastou 11,8 mil milhões de dólares no tratamento dos doentes renais crónicos.

Qual é a causa da falência dos rins?

O açúcar.

A ciência afirma, sem sombra de dúvida, que 43% dos casos de IRC se devem à diabetes.

Quase metade dos doentes renais está doente devido à sua dependência do açúcar, que provoca danos irreversíveis nas delicadas estruturas tubulares que filtram o sangue.

A segunda causa de IRC é a hipertensão.

Aqui, a responsável é a proteína animal, que contrai e endurece a microcirculação, impedindo que chegue oxigénio suficiente às estruturas funcionais do rim.

Assim, o extremo yang combina-se com o extremo yin para destruir os rins e, depois, o Governo tem de cobrar impostos para poder sustentar os cuidados médicos prestados a centenas de milhares de doentes renais crónicos.

No entanto, os rins são extremamente poderosos.

Muitas pessoas têm uma vida ativa apenas com um rim.

Outras têm os rins danificados em até 50% da sua capacidade de filtrar o sangue e não apresentam sintomas.

Só quando essa capacidade se reduz para 15% surgem os sintomas de sangue «sujo», devido a uma filtragem insuficiente.

Por essa razão, quando se regressa a uma alimentação sábia e saudável, existe uma forte possibilidade de recuperar a saúde, embora uma parte tenha sido danificada de forma irreversível.

 

 

Monday, August 31, 2026

 

A INDÚSTRIA DA DOENÇA                                                            Michael Pollan – IN: Metamorfose

 A medicina está aprendendo como manter vivos os que a dieta ocidental está deixando doentes. Os médicos aprenderam a manter vivos os cardíacos, e agora estão dando duro para tratar da obesidade e do diabetes. Muito mais que o corpo humano, o capitalismo é incrivelmente adaptável, capaz de transformar os problemas que cria em novas oportunidades de negócio: comprimidos para emagrecer, operações para a colocação de pontes cardíacas, bombas de insulina, cirurgia bariátrica.

Embora se estime que 80% dos casos de diabetes tipo 2 poderiam ser evitados com mudança na dieta e exercícios físicos, parece que o capital esperto investe na criação de uma grande indústria do diabetes. A imprensa dominante está cheia de anúncios de novos aparelhos e novas drogas para diabéticos, e a indústria do sistema de saúde prepara-se para satisfazer a crescente procura por cirurgias para a colocação de pontes (80% dos diabéticos sofrerão de doenças do coração), diálise e transplantes de rim. No caixa do supermercado, é possível folhear exemplares de uma nova revista com enfoque no estilo de vida: Diabetic Living. O diabetes está em via de ser normalizado no Ocidente – reconhecido como um novo segmento demográfico e, portanto, uma grande oportunidade de marketing. Ao que tudo indica, é mais fácil, ou pelo menos mais lucrativo, transformar uma doença da civilização em estilo de vida do que mudar a alimentação da civilização.

 

A ARTE DE NÃO CURAR

IN: Metamorfose

Entre as múltiplas facetas de George Ohsawa – poeta, filósofo, escritor, tradutor, editor, conferencista, homem de negócios – destaca-se a de curador. Aqueles que o seguiram de perto deixaram o extraordinário testemunho das tantas vidas que Ohsawa libertou da dor, do sofrimento e da morte estúpida.

Françoise Riviére, que participou do primeiro acampamento organizado por Ohsawa na França, não hesita em comparar as curas a que assistiu às do Novo Testamento: “As curas realizadas no famoso acampamento de Chelles, em 1957, foram tão impressionantes que não podemos senão equipará-las aos milagres operados pelo Cristo.”

Mas o Ohsawa curador jamais identificara a doença ao mal e a saúde ao bem. Ohsawa deu mostras inequívocas de que alcançara o fundamental: sabia como poucos que um princípio paradoxal governa o mundo fenomênico, que nada escapa à sua poderosa influência, que mesmo a saúde e a doença não se furtam ao seu domínio.

Circunstâncias houve em que Ohsawa percebeu que o “melhor” seria o “pior”: há doentes que se não devem curar, sob pena de, uma vez libertos dos limites impostos pela doença, multiplicarem a própria infelicidade e a dos que os cercam. Nestes casos, deve o verdadeiro curador, arriscando-se embora a ser mal compreendido pelo doente, negar-se a curá-lo.

É o próprio Ohsawa quem nos relata um caso que vem muito a propósito.

Ouçamo-lo:

Não se deve curar a doença, mas sim o doente.

Um dia, em 1944, já próximo ao fim da guerra, o diretor de um laboratório farmacêutico veio procurar-me pedindo um conselho. Tinha ficado rico fabricando um remédio especial para a cura da asma.

̶ Venho solicitar vossas instruções dietéticas.

GO- Estais doente?

̶ Sim, sofro de uma asma ‘incurável’.

GO- Asma? Mas e o vosso famoso medicamento?

̶ Ah, não tem adiantado.

GO- Mas não tem tido uma tão grande saída?

̶Tudo é possível vender investindo somas elevadas em anúncios diários nos jornais.

GO- Então o vosso produto não é eficaz?

̶ Deveis saber bem disto, uma vez que já escrevestes tanto que não existe medicamento nem operação que cure a asma.

GO- Mas o vosso...  que é tão vendido...  ?

̶ Caro Senhor, desconheceis o que é o comércio e a indústria atualmente? Ganhei muito dinheiro, mas quanto mais ganhava tanto mais gastava; e agora, por anos e anos, venho eu mesmo sofrendo de asma. Desnecessário dizer que tentei todos os meios de cura, mas em vão. Vosso método é minha última esperança. Conheço-o perfeitamente, pois foi graças aos vossos ensinamentos, há dez anos, que minha esposa e filhos recuperaram a saúde e ainda a conservam.

GO- Muito bem. Sinto-me feliz. Isto quer dizer que vossa esposa adquiriu uma boa compreensão do meu método e teoria. Então, nada tenho para dar-vos. Basta seguir vossa esposa, isto é, comer o que ela prepara em casa e nada mais.

̶  Mas é muito difícil...

GO- Sim, eu sei. Tendes de comer fora, diariamente, com vossos amigos e fregueses. Mas não tendes outra alternativa entre viver e morrer, ser ou não ser, longevidade ou morte prematura.

 

GO- Depois de uma movimentada conversação, pois ele é muito Yang, despedi-o sem dar as instruções solicitadas.

Após sua partida, minha secretária, Srta. Sima Moriyama, que abandonou uma posição muito importante como nutricionista a fim de ser uma de minhas secretárias, disse, parte para si mesma e parte para mim:

̶  É muito justo. Não há necessidade de dar instruções ao diretor de um laboratório farmacêutico que fabrica e vende tanto veneno para empilhar dinheiro sem que, primeiramente, admita que tal indústria é uma grande fraude, abandone seu negócio e confesse publicamente nos jornais que engana seus concidadãos.

GO- Não, Srta. Sima, não foi esse o motivo por que o despedi esta manhã. Não creio que ele terá disposição de seguir sua esposa, apesar de ela ter feito todo o possível. Pela primeira vez cheguei à conclusão, esta manhã, que ele deve ser repelido, que ele não deve ser curado.

̶  Mas por quê?

GO- Porque, de acordo com o diagnóstico baseado em sua fisionomia, constatamos que ele possui características demasiado Yang difíceis de erradicar.  Ele é muito Yang, não é verdade?

̶  Oh, sim, é verdade. É muito barulhento, conversador, agitado...

GO- É isto mesmo; ele é demasiado Yang. Tem muitas amantes e não pode ser um marido fiel. É uma infelicidade tanto para ele como para a família. Mas, se é asmático, deve ser muito cauteloso. As crises asmáticas são muito fortes e penosas. A asma é uma reação de seu sistema nervoso autônomo e ajuda a contrabalançar seus excessos. Se fosse curado, como é exageradamente Yang, ele e sua família teriam de sofrer muitos e maiores padecimentos posteriormente.

Yin atrai Yang e Yang atrai Yin. É a lei da natureza. Se comermos demasiado Yang, ficaremos demasiado Yin. Mais cedo ou mais tarde teremos de compreender isto ou morrer.

GO- Srta. Sima, não devemos curar a doença, mas sim o doente. Às vezes temos de recusar curar aquele que seja demasiado arrogante e egoísta, e esperar até que fique mais humilde e com vontade de aprender.

 

 

A BARAFUNDA YIN-YANG - Carl Ferré - IN: Metamorfose

“Quando adotei a macrobiótica em 1975, manifestei predileção pelo trigo sarraceno. Alguém comentou que se tratava de um grão extremamente yang. Mas eu o ingeria todos os dias. Ele não era, absolutamente, muito yang para mim. Anos depois, Jacques de Langre confidenciou-me que o considerava extremamente yin, já que pertencia de fato à família de uma fruta, o ruibarbo.

“Opiniões divergentes como as anteriores ajudam a barafundear ainda mais os conceitos de yin e yang. Há quantidades diferentes de yin e yang em cada alimento, em cada órgão, em cada pessoa, em cada coisa, enfim. Alguns aspectos do trigo sarraceno são yang (pequenez, rijeza); outros são yin (pertencer à família do ruibarbo). O trigo sarraceno é considerado “yang” pelos que privilegiam seus aspectos yang, e “yin” pelos que privilegiam seus aspectos yin. Pode-se dizer o mesmo sobre os tomates, o sal, o açúcar e qualquer outro alimento.”

 

Saturday, August 29, 2026

 Os Sete Princípios Conceptuais de Ohsawa

Adaptabilidade

«Nunca é demais salientar que viver de acordo com a macrobiótica não significa aderir rigidamente a um conjunto de regras. A manutenção de um equilíbrio saudável na nossa vida quotidiana exige de cada pessoa adaptabilidade e consciência das influências, em permanente mudança, de numerosos fatores.»

Natureza

«Na sua procura de prazer e conforto, o homem encontra apenas fraqueza e doença. Abandonar a civilização artificial e regressar à natureza é encontrar o modo de vida macrobiótico.»

Ausência de inimigos

«Uma vez que somos herdeiros de todo o Universo infinito — da vida, que inclui a vida e a morte —, nunca precisamos de matar, nem sequer em “legítima defesa”. Na verdade, não existe inimigo algum em nenhuma parte do Universo infinito.»

Mentalidade primitiva

«A filosofia fundamental dos povos primitivos não civilizados é muito simples: aceitar tudo com gratidão e sem o menor protesto… Sem essa compreensão, nenhum ser humano pode alcançar a consciência do verdadeiro Eu — a Unidade.»

Ausência de exclusividade

«A exclusividade é simultaneamente a doença mais difícil de curar no mundo e a origem de toda a infelicidade. Devemos tornar-nos o tipo de pessoa que não consegue, de modo algum, sentir aversão por outro ser humano.»

Gratidão

«Aceita tudo com alegria e gratidão ilimitadas, mesmo que seja extremamente humilhante, doloroso ou causador de grande incómodo… Mantém-te numa condição em que, desde a manhã até à noite, as palavras que saem da tua boca reflitam uma gratidão infinita.»

Unidade

«O significado da Unidade consiste em experimentar o facto de que a alma é una e de que todas as coisas deste mundo são indivisíveis, apesar de os seres humanos parecerem separados… Eis o significado da unidade… a unificação do mundo inteiro.»

Citações extraídas e adaptadas de Essential Ohsawa, de George Ohsawa, por Carl Ferré.


 

 

Os Sete Princípios de Vida de Ohsawa

Atividade

«Em termos simples, a transmutação ocorre quando um elemento se transforma noutro… No processo da transmutação bioquímica, o ingrediente mais essencial é a atividade, cujos subprodutos são o oxigénio e o calor.»

Transmutações biológicas

«O processo de transmutação ocorre sempre que existe vida, independentemente do tipo de alimentação que seguimos. Ao compreendermos como funciona, podemos tornar-nos verdadeiramente criadores de nós próprios e da nossa existência.»

Vivere parvo

«Vive segundo o princípio de vivere parvo, que significa: desapega-te de tudo aquilo que não é absoluta e imediatamente necessário.»

A quantidade mata a qualidade

«Come e bebe apenas o mínimo absoluto, recordando que a quantidade altera a qualidade — e que as necessidades individuais são diferentes.»

Responsabilidade individual

«O desejo de curar apenas os sintomas ou de controlar a própria saúde sem aceitar responsabilidades é comparável à ideia de que uma pessoa pode colocar-se diante de um comboio em movimento sem ser atropelada.»

Mea culpa

«Muitos homens desejam ser curados por outras pessoas ou por algum dispositivo mecânico, evitando, ao mesmo tempo, o seu próprio envolvimento e a responsabilidade pessoal, a causa da sua doença: mea culpa… culpa minha. Não pode haver cura enquanto não reconhecermos os nossos próprios erros, a nossa ignorância e, acima de tudo, a Ordem do Universo — a chave da nossa saúde, liberdade e justiça.»

Felicidade

«Todos nascem felizes. Se uma pessoa não continuar a ser feliz, a culpa é sua; por ignorância, violou a Ordem do Universo através de uma alimentação e de uma forma de beber impróprias.»

Citações extraídas e adaptadas de Essential Ohsawa, de George Ohsawa, por Carl Ferré; www.ohsawamacrobiotics.com.

Macrobiotics Today, novembro/dezembro de 2010, p. 32.


  A EFICÁCIA DA MACROBIÓTICA Dr. Martín Macedo A macrobiótica é a forma biológica de os seres humanos se alimentarem. Não é vegetariana ...