Saturday, August 1, 2026

 

INSÔNIA  YIN  E  YANG  SEGUNDO  A  MACROBIÓTICA

Por: Agnès Pérez

De acordo com a macrobiótica, a insônia pode ser classificada como yin ou yang. A macrobiótica e a medicina oriental reconhecem várias das causas também apontadas pela medicina convencional, mas consideram ainda a energia vital, o estilo de vida e os fatores emocionais e mentais. Ao ampliar o olhar para esses aspectos, procuram compreender melhor os casos em que não existe uma causa aparente e atuar sobre o problema de forma mais abrangente.

A insônia não se resume à dificuldade de adormecer. Também inclui acordar durante a noite e não conseguir voltar a dormir, despertar cedo demais ou ter um sono pouco profundo e não reparador.

Grande parte da população passa por episódios de insônia em algum momento da vida. A falta de descanso reduz consideravelmente a qualidade de vida. Muitas vezes, porém, quem sofre desse problema não percebe que o próprio estado interno, os hábitos cotidianos ou a atitude perante a vida podem dificultar o relaxamento e impedir um sono profundo e reparador.

O risco de insônia tende a aumentar entre pessoas submetidas a estresse, horários irregulares, situações adversas ou fragilidade emocional. Ansiedade, depressão, alterações hormonais, luto e consumo de álcool, drogas, cafeína ou tabaco também podem interferir no sono.

INSÔNIA YIN E INSÔNIA YANG

Na perspectiva macrobiótica, o nosso estado energético condiciona o tipo de insônia. A constituição pessoal — mais yin ou mais yang desde o nascimento — também pode favorecer determinados desequilíbrios.

Insônia yang

Uma pessoa excessivamente yang tende a viver em estado de tensão. Pode ser muito exigente consigo mesma, impor-se uma rotina cheia de pressões e obrigações e reservar pouco tempo para descansar ou desfrutar a vida. Mesmo durante as horas de repouso, a mente continua ativa, planejando as tarefas do dia seguinte. Como consequência, torna-se difícil relaxar e entrar num sono profundo.

Do ponto de vista alimentar macrobiótico, a tensão e a rigidez do organismo são associadas ao consumo excessivo de proteína animal — como carne, embutidos, peixe defumado ou enlatado, ovos, queijos curados e frutos do mar —, bem como de sal, condimentos salgados e alimentos secos, assados ou crocantes. O uso frequente da panela de pressão e o consumo exagerado de produtos de panificação também são considerados fatores contrativos, capazes de dificultar o relaxamento.

O corpo pode ainda acumular calor yang quando predominam métodos de preparo intensos e prolongados, como fritar, grelhar, assar ou cozinhar repetidamente. Nessa situação, recomenda-se moderar o consumo de pão integral, cereais integrais e oleaginosas, sobretudo quando causam sensação de calor, ativação ou sobrecarga.

Na visão macrobiótica, a combinação de alimentos muito contrativos com preparações que geram calor pode favorecer desconforto, transpiração e agitação. Para compensar, sugerem-se preparações mais leves e refrescantes: folhas e talos escaldados ou cozidos no vapor, legumes prensados com pouco sal e alimentos de sabor naturalmente doce. Quando bem preparados, esses alimentos tendem a ser considerados mais relaxantes.

O jantar deve ser suficiente para proporcionar saciedade e tranquilidade, mas sem excesso. Em casos de insônia yang, recomenda-se evitar à noite proteína animal, sopa de miso e condimentos muito salgados.

O exercício físico pode ajudar a liberar a tensão acumulada, mas sua intensidade e seu horário precisam ser observados. Uma atividade demasiado vigorosa, especialmente perto da hora de dormir, pode deixar o organismo ainda mais ativado.

Insônia yin

Uma pessoa excessivamente yin, sobretudo no plano mental, pode ficar presa a pensamentos recorrentes, preocupações e emoções das quais não consegue se distanciar. Essa atividade mental intensa dificulta o adormecer.

Também pode existir falta de enraizamento: a pessoa sente pouca conexão com o corpo, respira de forma superficial, percebe fraqueza nas pernas e nos pés e concentra a maior parte da atenção acima do diafragma. Nessa condição, a mente parece mais rápida e dispersa.

Segundo a abordagem macrobiótica, convém evitar açúcar, excesso de melaço e frutas secas, bebidas alcoólicas, cannabis, opiáceos, estimulantes e sucos de fruta. Pode ser útil reduzir temporariamente o consumo de frutas, sobretudo cruas, até que a energia esteja mais concentrada.

Para favorecer o enraizamento, recomenda-se incluir diariamente pratos preparados com raízes, como ensopados, kimpira ou nishime. Cereais integrais e leguminosas bem cozidos também podem ajudar. Em alguns casos, admite-se temporariamente uma pequena quantidade de proteína animal, como ovo ou peixe.

Quem segue uma alimentação vegana e se sente excessivamente yin deve rever cuidadosamente a composição da dieta e dar preferência a alimentos vegetais bem cozidos, preparados de modo a proporcionar maior concentração e estabilidade.

Essas orientações são temporárias e devem ser adaptadas à evolução do quadro e às necessidades individuais.

Horário do jantar e ritmo circadiano

É importante não jantar imediatamente antes de dormir. O ideal é terminar a refeição pelo menos três horas antes de se deitar, permitindo uma digestão adequada e reduzindo a possibilidade de desconforto intestinal, refluxo ou azia durante a noite.

O ritmo circadiano também oferece pistas importantes sobre o sono. Respeitar os ciclos naturais — dormir à noite, manter o quarto silencioso e confortável, receber luz natural durante o dia e seguir horários regulares para as refeições — favorece o equilíbrio do organismo.

O principal relógio circadiano encontra-se no núcleo supraquiasmático, uma região do hipotálamo. Ele coordena vários relógios biológicos do corpo e participa da organização dos ciclos de sono e vigília.

Na tradição da medicina oriental, cada período da noite é associado à atividade predominante de determinados órgãos. Entre as 23h e a 1h, a vesícula biliar estaria em sua fase de maior atividade. O coração, por sua vez, é associado ao *Shen* — o espírito ou a consciência — e às atividades mentais. Quando a mente permanece excessivamente ativa nesse período, surge o padrão de insônia considerado yin.

Entre a 1h e as 3h, o fígado estaria mais ativo. Se houver muita tensão acumulada, pode ser difícil alcançar o relaxamento necessário para dormir profundamente. Quando o *ki*, ou energia do fígado, é excessivamente intenso, podem ocorrer rigidez muscular, irritabilidade e perturbações do sono. Esse padrão é associado à insônia yang.

Pesadelos e sonhos recorrentes

Michio Kushi descreveu diferentes tipos de sonhos e relacionou-os aos órgãos e aos cinco elementos da medicina oriental.

Sonhos com discussões, lutas, multidões ou ambientes barulhentos seriam associados a desequilíbrios do elemento Árvore, ligado ao fígado e à vesícula biliar. O mesmo se aplicaria a sonhos marcados por preocupação, inquietação ou vento forte.

Desequilíbrios relacionados ao coração e ao intestino delgado poderiam manifestar-se em sonhos nos quais a pessoa é empurrada, vê monstros ou fogo ou sente que derrete ao sol.

Alterações ligadas ao baço-pâncreas e ao estômago apareceriam em sonhos com problemas difíceis de resolver, labirintos, corredores estreitos ou exames para os quais não se encontra a resposta correta. Também poderiam surgir sentimentos de solidão ou afastamento da família e dos amigos.

Desequilíbrios dos pulmões e do intestino grosso seriam associados a sonhos confusos, fragmentados ou pouco definidos, assim como a viagens por caminhos e estradas solitárias.

Sonhos relacionados aos rins e à bexiga teriam como tema a água: inundações, chuva, natação ou afogamento. Também poderiam envolver sexualidade ou pessoas por quem se sente atração.

Na leitura macrobiótica, o conteúdo dos sonhos e a qualidade do sono também podem sugerir excessos alimentares. Especiarias muito picantes, por exemplo, poderiam perturbar o elemento fogo. Já a proteína animal, considerada extremamente yang e contrativa, tenderia a estimular a atividade em vez do repouso. Por isso, seria desaconselhada em casos de insônia yang acompanhada de irritabilidade ou sonhos agressivos.

Recursos naturais para a insônia

Nos casos de insônia yang, em que o principal objetivo é relaxar o corpo, a macrobiótica sugere preparações como suco de maçã com kuzu, *ame-kuzu*, amazake morno ou, para pessoas muito yang, suco de maçã aquecido antes de dormir ou ao despertar durante a noite.

Também são tradicionalmente usadas infusões ou tinturas de plantas relaxantes, como valeriana, erva-cidreira, lúpulo, papoula, maracujá e flor de laranjeira.

Para a insônia yin, recomenda-se eliminar álcool, drogas e estimulantes como café, chá com cafeína, açúcar e bebidas açucaradas. Dentro da prática macrobiótica, podem ser utilizados *ume-kuzu*, pequenas quantidades de tempero de nori adicionadas aos cereais e outros preparados de caráter yang.

Além da alimentação, é importante reduzir tudo o que dispersa ou enfraquece a mente. Um trabalho mental disciplinado e a prática regular de exercício físico podem ajudar, sobretudo atividades que envolvam braços e pernas, presença mental, coordenação e contato consciente com o corpo.

Sentar-se em silêncio e concentrar a atenção na respiração também pode ser útil. A respiração consciente favorece uma mente mais calma e estável. Perceber como o *prana*, o *ki* ou a energia

Prática, desapego e paz interior

Seja yin ou yang, a insônia pode estar associada a uma mente inquieta, incapaz de repousar. Nos *Yoga Sutras*, Patañjali descreve cinco modalidades da atividade da consciência:

- percepção correta;

- percepção errônea;

- imaginação ou interpretação sem base real;

- sono;

- memória.

Segundo esse ensinamento, a serenidade interior desenvolve-se por meio de *abhyasa* — prática constante — e *vairagya* — desapego ou renúncia. A prática direciona e fortalece a energia; o desapego evita que ela se perca na busca incessante de estímulos e ajuda a conduzi-la ao centro do ser.

Assim, a insônia, como outros desequilíbrios e adversidades, pode ser entendida como um convite para cuidar do corpo e da mente, recuperar a paz interior, reencontrar o próprio centro e restabelecer uma relação mais natural com o ambiente e com os ritmos da vida.

Obrigado.

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