Monday, January 2, 2023

 


O REGIME MACROBIÓTICO Nº7 DE GEORGES OHSAWA

A dieta desintoxicante de cereais

(Iª parte)

(por: Gérard Wenker, 2012)

A alimentação macrobiótica é extraordinariamente eficaz: cura ou melhora a maior parte das doenças fisiológicas, mesmo as ditas incuráveis (Artrite – Asma – Arteriosclerose – Cancros – Cistite – Diabetes – Eczema – Colesterol – Epilepsia – Gota – Hipertensão – Hipotensão – Obesidade – Anorexia – Parkinson – Psoríases – Enxaqueca – Reumatismo – Catarro pulmonar – Sinusite – Esclerose em placas – Zona, etc.) e psicológicas (Depressão – Neurastenia – Autismo – Paranoia – Esquizofrenia); e bem entendido para permanecermos em forma e conservarmos uma perfeita saúde até idade avançada.

PORQUÊ ?

·         O resultado de tudo o que assimilamos encontra-se no sangue.

·         A alimentação macrobiótica purifica o sangue em 10 dias.

·         Um sangue saudável limpa as toxinas acumuladas em 30 dias.

·         Os órgãos regeneram-se em 90 dias, o corpo na sua totalidade num ano.

Se desejarmos verdadeiramente testar a eficácia da Macrobiótica, experimentemos então o Regime Nº7 durante 10 dias. Seremos transportados para um outro mundo, o mundo da saúde física, mental e espiritual.

É MUITO SIMPLES:

Consumir a cada refeição unicamente cereais biológicos integrais ou semi-integrais em grão. Pelo menos 50% dos cereais devem ser arroz integral. Beber o menos possível – Mastigar o mais possível. É como um jejum, mas sem fome.

Consideremos no entanto, algumas restrições:

À condição de ser seguido correctamente e de conhecermos os limites.

Pode ser igualmente perigoso, levado sem precaução, segundo o princípio macrobiótico: “Quanto maior a face, maior o dorso”.

CONTRA-INDICAÇÕES: pessoas muito magras ou anoréxicas – doentes em terapia medicamentosa – sangue muito espesso – esclerose dos capilares sanguíneos – anemia perniciosa – pessoas que se submeteram a transplantes de órgãos – diverticulose intestinal.

O regime Nº7 não é um fim em si – deve marcar o início de uma profunda mudança do nosso modo de vida, e dos nossos hábitos alimentares segundo os princípios universais macrobióticos, caso contrário recairemos irremediavelmente doentes e desesperados.

Não mais de dez dias. Poderemos sempre recomeçar de tempos a tempos quando sentirmos necessidade. De seguida, para continuarmos na via da cura, devemos imperativamente prosseguir com a alimentação macrobiótica padrão tal como nós (conselheiros macrobióticos experimentados) ensinamos nos livros e nos seminários de estudos e nas consultas.

ALGUMAS INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES, QUE DEVERÃO FACILITAR A CURA

Primeiro caso – pessoas que praticam já a alimentação macrobiótica, mais ou menos bem, há mais ou menos tempo, com desvios e erros, mas que conhecem os princípios de base.

Deverão preceder o início da cura com alguns dias sem desvios, sem produtos animais, sem sobremesas, sem alimentos crus. Unicamente o prato macrobiótico padrão vegetaliano: cereal – leguminosas – legumes – algas. Bebida chá de 3 anos, caldo de miso e água da fonte.

Segundo caso – pessoas totalmente ignorantes dos princípios macrobióticos.

Não os conhecem de todo … informem-se minimamente sobre a filosofia prática macrobiótica antes de se lançarem nesta aventura sobretudo se tiverem uma doença grave. Comecem pela comida vegetariana durante uma semana, sem nenhum produto industrial, bebida açucarada, nem produtos lácteos.

Isto exige mesmo assim uma certa força de vontade e a capacidade de se privarem durante um certo tempo de todos os prazeres gustativos: café, açúcar, lácteos, carne, chocolate, álcool, etc.

Em todos os casos, os 3 primeiros dias são bastante penosos mentalmente - devem ocupar o espírito e serem activos.

Dito isto … estamos prontos, psicologicamente, fisicamente e praticamente … então mãos à obra.

PORQUÊ UMA MONODIETA DE CEREAIS ?

Na condição dos cereais serem integrais e biológicos, o seu valor nutritivo é o melhor equilibrado de entre todos os alimentos. Mas o que faz de facto dos cereais alimentos ideais para as monodietas é que contêm muito poucos dejectos, conhecidos pelo nome de purinas, tais como o ácido úrico, a xantina e a cafeína, que são verdadeiros venenos para o organismo.

Exemplos de dosagens comparativas de purinas em mg/100g de alguns alimentos:

Carne/1500 – Anchovas/500 – Peixe/150 – Café/1000 – Cacau/2.200 - Chá/2.800 – Pão/50 – Cenouras/5 – Arroz/0

Como podemos constatar, o arroz não contém nenhuma purina, razão pela qual em Macrobiótica o arroz é o cereal da desintoxicação e por conseguinte o cereal da cura. Em caso de problema, podemos regressar sempre ao arroz e aos outros cereais, que não contêm ou contêm poucas toxinas, e que são apesar de tudo muito energéticos.

Precaução: o arroz integral tem um grande poder de limpeza do organismo, as toxinas assim libertadas são veiculadas pelo sangue antes de serem eliminadas pelo sistema excretório. É fácil de compreender que em caso de forte acumulação, esta brusca difusão de dejectos em todo o corpo, pode causar fenómenos de eliminação que são o equivalente a uma mini intoxicação (diarreia, prisão de ventre, enxaquecas, acessos de fraqueza).

Para os macrobióticos e os vegetarianos não há em geral problemas, para os carnívoros e pessoas doentes é preferível seguirem durante algum tempo o regime macrobiótico padrão antes de se lançarem para o regime Nº7. Dito isto, sobre as precauções a seguir e fazendo prova de um mínimo de bom senso, toda a gente deveria fazer a experiência de uma monodieta de cereais. Seja sob o controlo de um praticante macrobiótico se for por razões de saúde, seja a título pessoal enquanto exercício da vontade ou experiência espiritual.

EXISTEM VÁRIAS VARIANTES DE DIETA DE CEREAIS, A UTILIZAR CONFORME O OBJECTIVO E OS RESULTADOS PROCURADOS

Se quisermos tirar a máxima eficácia duma tal dieta, a primeira coisa a fazer é escolher aquelas que melhor nos convêm em função da condição física e psíquica do momento. A segunda coisa, que tem uma grande importância, é a de nos prepararmos mentalmente e fisiologicamente para decidirmos o melhor momento, dia, mês, estação, para começar. Comporemos o nosso regime segundo as necessidades, sabendo que cada cereal tem uma acção específica. O cereal principal em certas circunstâncias pode ser acompanhado por outro cereal secundário ou por um “específico” que reforçará e completará a acção.

As pessoas intolerantes ao glúten, não devem utilizar trigo, cevada, aveia, centeio, espelta, kamute e triticale (hibrido do trigo e centeio). Os seguintes cereais não colocam qualquer problema: arroz – arroz selvagem – milho – millet – quinoa – sarraceno – kacha – cevada perolada (lágrima de Jacob) – amaranto – sorgo.

ACÇÃO ESPECÍFICA DOS ALIMENTOS

Arroz

Potente desintoxicante do sangue, limpa os tecidos em profundidade

Sarraceno

Muito energético, bom para as pessoas enfraquecidas e friorentas

Cevada

Tem uma acção calmante sobre o sistema nervoso

Millet

Reforça o sistema ósseo, em caso de descalcificação

Aveia

Estimulante muscular e nervoso, mas aquece

Milho

Em caso de melancolia, tristeza, depressão

Umeboshi

Sistema digestivo, estômago, fígado

Gomasio

Desacidifica o sangue e reforça os intestinos

Miso

Potente fortificante Yang. Neutraliza os produtos químicos e as radiações

Tamari

Fortifica o coração. Nevralgias, ciáticas.

Chá Mú

Para pessoas enfraquecidas Yin. Tónico Yang.

Chá de 3 anos

Fadiga, reumatismo, úlceras, icterícia, neurastenia

Kuzu

Regulariza os intestinos, prisão de ventre, diarreia

 

PASSO A PASSO PARA SE INICIAR UMA MONODIETA DE CEREAIS:

Alguns exemplos de regimes cerealíferos

Para uma duração de 10 dias no máximo – porquê 10 dias?  Considera-se geralmente que um décimo dos glóbulos vermelhos do sangue se regenera todos os dias, assim em 10 dias o plasma do sangue estará inteiramente renovado e limpo. (*)

 

VARIANTES DO REGIME Nº7 DE G. OHSAWA:

Nº7.1

A mais restritiva e a mais simples. Desintoxicante. Mastigar 30 vezes

Pequeno-almoço

1 malga de arroz recozido + 1 taça de chá de arroz

Almoço

1 malga de arroz integral + 1 c. café de gomásio + 1 taça de chá de 3 anos

Jantar

1 pequena malga de arroz integral + 1 c. c. de gomásio + 1 taça de chá de arroz


Nº7.2

Variante mais digesta. Mastigar 30 vezes e beber o mínimo

Pequeno-almoço

1 malga de creme de arroz com 1 c.c. de Tamari + 1 taça de chá de 3 anos

Almoço

1 malga de arroz integral com ½ ameixa umeboshi + gomásio + 1 taça de chá de 3 anos

Jantar

1 malga de arroz recozido + Tamari + ½ taça de chá de 3 anos

 

Nº7.3

Variante calmante com cevada

Pequeno-almoço

1 malga de creme de  cevada com 1 c.c. de Tamari + ½ taça de chá de 3 anos

Almoço

1 malga de cevada em grão com gomásio + 1 taça de chá de 3 anos

Jantar

Idem Almoço (mastigar pelo menos 50 vezes) com 1 taça de chá de cevada

 

Nº7.4

Variante Yang fortificante para pessoas Yin e estação fria

Pequeno-almoço

1 malga de kokkoh com Tamari + 2 galetes de arroz + 1 taça de chá de 3 anos

Almoço

1 malga de sarraceno ou de Kacha (sarraceno tostado e moído) + 1 c.c. de gomásio + 1 taça de chá de 3 anos com 1 c.c. de Tamari

Jantar

1 malga de massa Soba (massa de sarraceno) com 1 c.c. de Tamari + 1 taça de água da cozedura das Soba  com Tamari

 

Nº7.5

Variante ligeira para problemas digestivos

Pequeno-almoço

1 malga de creme de cereal (arroz, cevada, aveia, Kokkoh, etc) + galetes de arroz barradas com miso doce + 1 taça de café Yannoh

Almoço

1 malga de cuscuz ou de bulgur com gomásio + 1 taça de chá Mú

Jantar

1 malga de creme de Kuzu com ½ ameixa Umeboshi e 1 c.c. de Tamari

 

Nº7.6

Variante para convalescentes e pessoas enfraquecidas

Pequeno-almoço

1 malga de Tsampa (cevada tostada e moída) + 1 c. sopa de Tahin + gomásio + 1 taça de chá Mú

Almoço

1 malga de papa de aveia em grão integral com ½ c.c. de Tekka + 1 taça de caldo de miso com alga Nori e salsa

Jantar

1 malga de quinoa + chá de 3 anos

 

Nº7.7

Variante mineralizante

Pequeno-almoço

1 malga de quinoa com gomásio + 1 taça de chá de 3 anos Hochicha e de chá verde Sencha (50%/50%)

Almoço

1 taça de caldo de miso com ½ folha de alga nori e salsa + 1 malga de millet com gomásio

Jantar

1 malga de millet com tamari ou tekka + 1 taça de chá de arroz

 

COMO COZINHAR OS CEREAIS:

Medida: 1 taça= 225g – 1 taça de arroz cru dá 3 taças de arroz cozido.

Contar 1 taça de arroz cozido por pessoa.

Recipiente: panela de pressão ou panela de ferro fundido com tampa bastante pesada.

Quantidade

1 taça de arroz

2 taças de água

1 pitada de 3 dedos de sal integral marinho

Preparação

Colocar o arroz num passador, lavar em água fria, escorrer e vazar para a panela. Juntar a pitada de sal e a água fria, agitar ligeiramente para assentar uniformemente os grãos sobre toda a superfície do fundo, o que permite igualmente verificar a qualidade do arroz – quantos mais grãos houver a flutuar à superfície, pior a qualidade do cereal.

Colocar a panela sem tampa sobre o fogo, levar à ebulição ligeira, tapar a panela e deixar subir a pressão, ao sinal de “pressão plena” baixar para lume brando e colocar o difusor se necessário.

A partir deste instante contar 45 minutos – 1 hora para panela normal.

Acabado o tempo, tirar a panela do lume e deixar que a pressão caia por ela própria, o que permite que os grãos do fundo se soltem mais facilmente.

Abrir a panela e retirar o arroz.

O arroz cozido desta maneira tem um gosto a avelãs, um sabor doce delicioso e é particularmente digesto – no entanto, mastigá-lo muito bem.

OS CHÁS DE CEREAL

Pesar 250 a 500g do cereal desejado, arroz, cevada ou trigo.

Tostar ligeiramente numa sertã/panela em lume médio durante 5 a 10 minutos mexendo constantemente.

Deixar arrefecer e guardar em bem seco num frasco de vidro bem fechado.

Para 1 parte de cereal tostado juntar 5 partes de água, levar à ebulição e deixar ferver durante 15 minutos.

Kokkoh: mistura especialmente elaborada a partir de grãos de cereal tostados e moídos (em quantidade decrescente): arroz, cevada, aveia, sésamo, e azukis, tudo moído fino. Recomendado sob a forma de creme para os bebés e doentes com falta de apetite. Muito digesto.

Kokkoh sem glúten de Celnat: arroz redondo integral, arroz doce, quinoa, azukis.

LISTA DE PRODUTOS:

·         Arroz integral ou semi-integral do nosso país

·         Para a França é recomendado o arroz de Camargue biológico

·         Para a Itália o arroz da planície do Pó

·         Para a Espanha, o arroz Huesca e Calaspara são os melhores

·         Millet dourado – Aveia – cevada – Quinoa

·         Galetes de arroz

·         Miso – pasta de soja fermentada

·         Nori em folhas ou em flocos

·         Chá de 3 anos – Kukicha troncos ou Bancha/Hojicha em folhas

·         Gomasio como condimento sobre os cereais (sementes de sésamo salgadas, tostadas e trituradas a 80%)

·         Kuzu – fécula extraída de planta selvagem. Utilizada na cozinha como gelificante.

·         Kokkoh – creme precozido nutriente completo para bebes, convalescentes e idosos.

AINDA ALGUMAS RECOMENDAÇÕES

·   Escolher com cuidado um dos regimes e mantê-lo durante toda a duração da cura.

·         Para curas de longa duração, juntar aos cereais uma pitada de salsa.

·         O gomásio deve ser preparado na proporção de 1/7 a 1/12 (1 parte de sal + 7 a 12 partes de sementes de sésamo tostadas), conforme a condição de saúde de cada pessoa.

·         Os cereais serão cozinhados com o menos de água possível.

·         Preparar as quantidades para 2 dias, é mais fácil para uma pessoa só.

·         Após o 6º dia, se não evacuar, fazer uma lavagem (clister) com água tépida.

·         Praticar exercícios corporais diariamente mesmo se estivermos cansados: Do-In, Yoga, Jogging, Marcha, Bicicleta, Trabalho nórdico, Passeios na natureza, etc.

·         Beber pouco, mastigar muito bem.

…………………………………………

REGENERAÇÃO E PROCESSO DE ELIMINAÇÃO

A alimentação macrobiótica padrão compreende um mínimo de purinas, muito poucos lípidos e praticamente nenhum produto químico. Se for bem compreendida e praticada correctamente é auto-limpadora, desintoxicante e equilibrada. A sua eficácia na regressão e cura da maior parte das doenças é espectacular.

Durante o 1º ano, mas em geral durante o 1º e o 3º mês de uma prática correcta de um regime de regeneração, poderão surgir sintomas de eliminação.

Sintomas benignos

·         Erupções cutâneas, borbulhas, manchas brancas ou acastanhadas

·         Enxaquecas ou cefaleias

·         Catarro pulmonar, sinusite, tosse abundante, mucosidades

·         Laringite e extinção de voz

·         Dores de dentes e perda de chumbagem

·         Prisão de ventre ou diarreia

·         Interrupção das regras

·         Dores musculares ou articulares

·         Transpiração e mau odor corporal

·         Perda de cabelos e caspa

·         Emagrecimento

Todos estes fenómenos são reacções de eliminação fisiológica de curta duração, 3 a 7 dias em geral.

Para as mulheres: as regras, em certos casos, podem parar vários meses.

Para os homens: a libido sexual pode interrompe-se durante algum tempo.

Não é aconselhável interromper estas reacções de eliminação, bastando mastigar bem e não fazer desvios alimentares fora do regime preparatório.

Em alguns casos, tornam-se necessários alguns ajustamentos ao regime padrão para acelerar ou retardar estes fenómenos desagradáveis, mas indispensáveis. Se comermos correctamente, não haverá qualquer perigo, mas não devemos ser excessivos na interpretação, nem muito rígidos na aplicação dos princípios dietéticos macrobióticos.

Em certas pessoas mais seriamente atingidas na sua saúde por uma doença formalmente diagnosticada, podem aparecer fenómenos de eliminação mais severos.

Sintomas mais severos

·         Crise nefrítica

·         Eliminação de cálculos renais

·         Nevralgia cerebral

·         Hemorragia nasal ou vaginal

·         Eliminação de pedras

·         Dificuldades respiratórias

·         Febre forte

Esta lista não é exaustiva. Em todos os casos dificilmente suportáveis torna-se necessário cuidados complementares, internos ou externos (compressas de gengibre destinados a acelerar ou a retardar os processos de eliminação, sob os conselhos e a vigilância de um conselheiro macrobiótico experimentado.

Estas eliminações muitas vezes diagnosticadas e tratadas como doenças pelo corpo médico convencional, são na realidade um mecanismo natural de protecção do nosso organismo e em nenhum caso se devem suprimir ou bloquear brutalmente através de potentes medicamentos, mas apenas acompanhá-las e controlá-las através de meios naturais.

Para cada doença existe um tratamento macrobiótico específico. Estes tratamentos necessitam de uma compreensão precisa da fisiologia do corpo humano e do controlo perfeito da ciência do Yin-Yang. Apenas as pessoas que praticam a Macrobiótica há longos anos são capazes de aconselhar eficazmente um doente atingido gravemente na sua saúde.

Gérard Wenker, 2009


(*) (NDT)





Saturday, December 31, 2022

 


OS SIGNIFICADOS DOS ALIMENTOS

... os excessos ...

... e Festas Felizes para todos!

Drª Elena Corrales

Hoje gostaria de partilhar convosco uma reflexão sobre os diferentes significados que o acto de comer tem, precisamente tendo em conta as datas que se aproximam e que têm um denominador comum: o excesso.

A nossa atitude em relação à comida e ao que ela representa nas nossas vidas mudou profundamente, tanto que no passado comíamos para viver e agora vivemos para comer.

No início do século passado, a maioria da população produzia directamente os alimentos que consumia, excepto as classes sociais mais altas. Actualmente, porém, menos de dois por cento da população mundial dedica-se à agricultura. Esta é a primeira vez na história que uma mudança tão radical ocorre: deixámos de ser produtores para ser consumidores de alimentos, e isto mudou completamente o significado da alimentação.

No passado, o alimento tinha dois significados básicos, o da sobrevivência e o da ligação à terra, à natureza, à fonte e à origem. O primeiro significado é mais económico e o segundo, mais espiritual e psicológico.

Nas culturas tradicionais o alimento era reverenciado, na nossa cultura o pão benzia-se e até há bem pouco tempo beijava-se. O cereal representava o sagrado que está na ordem natural.

Mas havia também um terceiro significado da comida: a celebração. Nos dias de festa, a comida representava diversão, alegria e abundância. Estes eram os únicos dias em que os alimentos de luxo se comiam; muitos dos nossos anciãos ainda se lembram como se comia o frango nas ocasiões festivas especiais.

1.  A COMIDA COMO SOBREVIVÊNCIA

Na sociedade de hoje, o primeiro destes significados já não existe. A fome não desapareceu, muito pelo contrário. Mas o significado da comida como sobrevivência não está relacionado com as culturas, mas sim com o dinheiro. Os pobres do mundo não passam fome por falta de alimentos, mas sim por falta de dinheiro. Assim, perdemos a referência da proveniência dos alimentos.

2.  A ALIMENTAÇÃO COMO ELO DE LIGAÇÃO COM A TERRA

Com o segundo significado houve uma grande distorção, o aspecto espiritual desapareceu, o pão já não é abençoado e é deitado para o lixo sem qualquer reflexão e ouvimos frases como "não comas pão que te torna estúpido".

Ao mesmo tempo, o aspecto psicológico aumentou de forma caótica, de modo que mais de metade da população dos países ricos sofre de distúrbios alimentares e come por ansiedade, para preencher os seus vazios existenciais, como refúgio face à sua insegurança, etc.

3. A COMIDA COMO CELEBRAÇÃO

O terceiro significado tem aumentado desproporcionadamente. Actualmete, o alimento é basicamente algo que dá prazer, representa diversão e entretenimento.

A comida é concebida exclusivamente como uma fonte de prazer sensorial e comemos todos os dias como se fosse festa. Comemos diariamente alimentos que tradicionalmente foram um luxo e em quantidades excessivas.

É por isso que quando chega a época festiva, em vez de vivermos o verdadeiro significado da celebração, que é comer em união e celebrar, chegamos à mesa saturados de jantares pré-natalícios e almoços de negócio.

O facto de sermos omnívoros e termos um elevado poder de compra não significa que possamos comer qualquer alimento em qualquer quantidade e em qualquer altura do ano. Portanto, estes dias que são de fazer o balanço do que vivemos durante o ano e fazer planos de saúde e prosperidade para o próximo ano, seria uma boa altura para reconsiderar a nossa atitude em relação ao acto de comer. 

Boas festas para todos(as) vós!

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Friday, December 30, 2022

 


10 PRINCÍPIOS PARA TER UMA BOA SAÚDE

Gérard Wenker

1- COMPRE PRODUTOS BIOLÓGICOS: 

A compra de produtos não biológicos enfraquece o corpo e o solo. Isto é evidente. Quem ousaria ainda ingerir pesticidas, antibióticos e outros produtos da agricultura intensiva?  E acima de tudo, não descasque os legumes (excepto as batatas e as pastinacas), grande parte das vitaminas e dos oligoelementos encontram-se debaixo da casca, por isso guarde-os preciosamente.

2- CORTE OS LEGUMES APENAS ANTES DE OS COZINHAR:

O caminho desde horta até ao prato deve ser o mais curto possível: colher, lavar, cortar, cozinhar, servir. Se forem cultivados por si, é fácil. Caso contrário, certifique-se de que viajaram um número limitado de quilómetros até à sua panela.

3- TRABALHE À MÃO:

Utilize o menos possível ou nunca os electrodomésticos, trabalhe "à mão". O fluxo electromagnético dos aparelhos eléctricos interfere com a energia dos vegetais, que fica "diluída". Faça o puré de batata "com um garfo" ou utilize o passe-vite para as sopas e os purés de legumes.

4- TENHA UMA ALIMENTAÇÃO VARIADA:

Variar os ingredientes, estilos de cozinhar, as proporções, os condimentos, o corte dos vegetais.  Se comermos sempre a mesma coisa, nem todas as energias estarão presentes; é assim que certas doenças podem aparecer, apesar de uma boa alimentação.

5- COMA PRODUTOS INTEGRAIS, NÃO TRANSFORMADOS:

Ou com um mínimo de processamento. Ah....ah...ah, estamos sem palavras diante das refeições congeladas vendidas nos supermercados que contêm o que sabemos e que percorreram milhares de quilómetros. Mas cuidado com os produtos biológicos do mesmo tipo que aparecem no mercado. Embora de longe não tenham os mesmos inconvenientes acima mencionados, nem por isso não perderam toda a sua energia.  Entre estes produtos citemos, os cereais moídos em farinha que oxidam rapidamente, o tofu e o tempeh. O ideal, seria fabricar estes produtos em casa com a família, pois vale a pena consagrar tempo para isso.

6- COMA ALGAS MARINHAS 4 A 6 VEZES POR SEMANA:

Em sopa, em pratos sozinhos ou misturados com vegetais, tofu, cereais ou leguminosas. As algas contêm uma grande quantidade de ómega-3, tão importante para um bom número de doenças, elas fortalecem as nossas artérias, limpam o sangue e fornecem-nos uma grande quantidade de oligoelementos. Privilegie a kombou e a wakame e o esparguete do mar provenientes da Bretanha. Não há necessidade de mudar de continente para as obter.

7- COMA PRODUTOS FERMENTADOS:

Pickles, chucrutre, miso, tamari, natto. Estes produtos asseguram uma boa digestão dos cereais e um sistema digestivo saudável e, especialmente, um intestino saudável. E o instinto é o nosso cérebro, por isso dêem-lhe toda a vossa atenção. Ver este artigo sobre o assunto:http://santenature.over-blog.com/article-l-intestin-un-second-cerveau-113106229.html

8- ABANDONE COMPLETAMENTE OS PRODUTOS LÁCTEOS:

Estes produtos não são concebidos para o consumo humano e, além disso, têm níveis elevados de herbicidas, antibióticos e hormonas.  No plano psicológico, os produtos lácteos mantêm-nos a um nível infantil.

E a osteoporose perguntam-me vocês?: ah bom, não existem provas de que escapemos a esta doença engolindo produtos lácteos desde o berço até ao túmulo.  Para desfrutar de uma estrutura óssea saudável durante toda a sua vida: reduza o sal alimentar, coma uma grande quantidade de vegetais de folhas verdes (especialmente a couve verde "kale"), limite as proteínas animais, a exposição regular e moderada ao sol assegura uma grande quantidade de vitamina D importante para a fixação do cálcio, se ainda fuma, deixe de fumar imediatamente, faça exercício físico regular e completo, o que nos leva ao seguinte princípio:

9- FAÇA DESPORTO OU EXERCÍCIO FÍSICO PELO MENOS TRÊS VEZES POR SEMANA.

Isso irá oxigenar o seu cérebro e fazer circular a energia.

10- NÃO COMA "COM TODA A SUA FOME".

Este é o princípio mais duro de seguir, parar de comer quando ainda se sente um pouco de fome. Mas tente e rapidamente sentirá os seus benefícios, sobretudo se o aplicar à refeição da noite, a qualidade do seu sono irá beneficiar grandemente.



Thursday, December 29, 2022

 


BEBER É UM GRANDE PRAZER

DrªElena Corrales

O ser humano é o único animal que bebe quando não tem sede. Bebemos para socializar, para depurar … mas quanto e o que devemos beber?

O que nos faz beber deveria ser para saciar a sede, mas será que temos realmente sede ou criámos hábitos que muitas vezes não estão muito bem fundamentados no que diz respeita às nossas necessidades de líquidos?

Vivemos numa sociedade que bebe, e bebe muito, diria eu, demasiado. Hoje vamos analisar o consumo de água, refrigerantes e álcool.

A ÁGUA

A água é a base da vida. É o elemento mais importante do nosso organismo já que representa 70% da composição corporal. Por conseguinte, a nossa saúde dependerá das características da água que consumimos, sem qualquer dúvida. A qualidade e pureza da água condiconam as reacções químicas do metabolismo.

Há muitas pessoas, incluindo médicos, que recomendam beber até dois litros de água por dia porque, segundo dizem, é muito boa para limpar o corpo de toxinas, incluindo a pele. Pessoalmente, acreditamos que esta abordagem é o produto de uma visão fragmentada da vida e desligada do que é a harmonia no corpo humano. Evidentemente, a água arrasta substâncias ou partículas, mas aqui mais do que nunca devemos aplicar o critério de que não é mais limpo quem muito limpa, mas quem pouco suja.

Sem dúvida, o rim é algo mais do que um simples coador, é um filtro activo que, como qualquer sistema biológico, está preparado para filtrar uma determnada quantidade de líquido que tem a ver com as necessidades do metabolismo celular. Beber sem sede fatiga o sistema renal.

Qualquer pessoa não iniciada pode adivinhar o que acontece quando um órgão é submetido a um stress contínuo durante anos, excedendo o seu ritmo fisiológico, sem ter em conta, além disso, que juntamente com a água que se bebe, entram no corpo grandes quantidades de toxinas consideradas normais na nossa sociedade.

A água potável está livre de microrganismos, desinfectada, e isso evita que possamos morrer pouco tempo depois de a bebermos. O que não se elimina com a potabilização por não ser economicamente rentável, são os detergentes, fertilizantes químicos, insecticidas, alumínio, cobre, zinco, chumbo, selénio, crómio, flúor, mercúrio, radioactividade... que estão presentes na água e que pouco a pouco vamos ingerindo. Raramente se tem em conta que a água é o dissolvente universal, daí a sua capacidade de conter todo o tipo de solutos.

Estes componentes, embora não matem imediatamente, vão fazendo mossa na nossa saúde através da sua acumulação no nosso corpo. De tudo isto se depreende que a água exerce um papel fundamental na nossa saúde e é importante que o nosso corpo a receba com as suas qualidades naturais, ou seja, água trabalhada pela natureza, quer venha da água de nascente ou de poços, quer sob a forma de vegetais e/ou frutas.

A alternativa à água da torneira seria a água engarrafada e/ou filtrada, tanto para beber como para cozinhar.

Com este discurso não pretendemos criar alarme e fazer-vos pensar: Já nem sequer água podemos beber! O que queremos é convidá-vos a reflectir sobre quais são as necessidades reais de líquido e que, tal como olhamos para a qualidade dos alimentos que comemos todos os dias, a água que bebemos também deve ser saudável.

É o próprio corpo com a sua sensação de sede que nos indica quanto precisamos de beber. Isso depende de vários factores: da quantidade de sal que ingerimos na nossa dieta e da quantidade de vegetais, que contêm muita água. Devemos também ter em conta a transpiração de cada pessoa. Assim, não podemos estabelecer uma regra fixa. A sede é um bom indicador.

Tal como não dormimos quando não temos sono, não devemos beber quando não temos sede. E se nos vamos hidratar, devemos fazê-lo com água de qualidade, sempre com baixa mineralização e, se possível, nunca da torneira.

OS REFRIGERANTES

Outro grande grupo de bebedores, depois daqueles que bebem água sem terem sede, é o dos adolescentes, que são grandes consumidores de refrigerantes. Os produtos que se consomem actualmente não têm nada a ver com a chufa ou a horchata, a salsaparrilha ou os sumos de frutas feitos artesanalmente pelos nossos avós.

Estas bebidas bebiam-se quase exclusivamente no Verão, o que é perfeito porque essa é a função dos refrigerantes, a de refrescar. Os produtos actuais são consumidos em todas as alturas do ano e, o que é mais grave, frios e com gelo.

Perguntamo-nos: será que perdemos realmente a noção do significado de quente e frio como forma de nos harmonizarmos com o ambiente? Se usamos roupa de lã e impermeável no Inverno para nos manter o calor interno contra as inclemências meteorológicas, como é que nos refrescamos com sumos, refrigerantes e bebidas de cola?

Os refrigerantes artificiais são um cocktail de gás, açúcar e produtos químicos. Não sabemos se a legislação actual determina ou limita o teor máximo de açúcar nestes produtos. No entanto, notamos que existem marcas que se anunciam como "sem açúcar" e utilizam adoçantes como substitutos, que são frequentemente mais perigosos do que o próprio açúcar.

Quanto ao açúcar, para o metabolizar, o organismo deve utilizar as suas reservas de vitaminas B, bem como de cálcio e magnésio: é por isso que dizemos que é um grande desmineralizador. Como todos os alimentos refinados, apenas nos fornece calorias vazias.

O açúcar é um comestível ("não alimento") que, além do mais, tem outros efeitos que tornam o seu consumo desaconselhável, tais como acidez do estomago e grande adição. Esta última vem da assimilação rápida pelo organismo, que pode, em última análise, desencadear hipoglicémia reactiva; é o que se conhece como ansiedade pelos doces.

Sobre os ciclamatos e as sacarinas, tem-se escrito muito sobre os seus efeitos cancerígenos. O mesmo se aplica ao quinino, ao qual muitas pessoas reagem alergicamente, e à cafeína, que, embora em pequenas doses, activa o metabolismo e acelera o pulso e a respiração, causando mais tarde uma diminuição da concentração e da capacidade de acção do organismo.

Uma lata de cola contém sete colheres de chá de açúcar e o teor de cafeína de três latas é equivalente a uma grande chávena de café. Há adolescentes que bebem mais de um litro de refrigerantes por dia ...

Outro grande grupo de substâncias que entram na composição dos refrigerantes é o ácido fosfórico, que é nocivo ao bom funcionamento do sistema nervoso e especialmente o das crianças e os conservantes E-210 e E-211 que podem causar urticária e asma se tomados com os corantes que são frequentemente acompanhados.

É interessante, portanto, "refrescar-nos" quando realmente faz calor e fazê-lo com bebidas menos suspeitas e, como dissemos anteriormente, respeitando a nossa sede.

O ÁLCOOL

O terceiro grupo de bebedores são aqueles que "para os copos" todas as tardes, de bar em bar. Não vamos falar sobre os efeitos do álcool porque, infelizmente, todos conhecemos as consequências do alcoolismo. Queremos falar sobre algo que será novidade para algumas pessoas e pode ajudá-las a compreender porque é que o vinho por vezes não lhes cai bem. Trata-se dos conservantes derivados do enxofre utilizados na vinificação: os sulfitos. A legislação da Europa Central é muito menos permissiva na adição destas substâncias do que a dos países mediterrânicos.

Os sulfitos permitem que o vinho seja preservado a longo prazo. Para além do dióxido de enxofre, os fabricantes adicionam frequentemente certas quantidades de ácido sórbico, o que por vezes provoca alergias graves. Sintomas de envenenamento agudo, tais como vómitos, dores de cabeça e diarreia, podem ocorrer após a ingestão de produtos com enxofre. A morte por envenenamento agudo por dióxido de enxofre é muito pouco provável que ocorra, devido ao vómito, mas o envenenamento crónico causado pelo consumo diário é muito mais perigoso.

Os sais de enxofre suprimem a vitamina B1 do nosso organismo, de modo que os consumidores de vinho são cronicamente deficitários nesta vitamina. Isso leva a perturbações funcionais do sistema nervoso, do estômago e dos intestinos e do metabolismo basal.

Em relação aos limites toleráveis de sulfito, é curioso notar que o limite para vinhos é quatro vezes superior ao limite para as compotas. Pensemos na forma arbitrária em que estes valores são fixados.

Aqueles de nós que vivem nas cidades notam como o número de bares está a aumentar a cada dia e como o consumo de álcool e de bebidas estimulantes está a crescer de forma constante. O aumento do número de bares não é simplesmente um fenómeno de estatísticas sociais, mas um dos muitos sinais da tremenda crise que ameaça a espécie humana. As pessoas bebem sistematicamente quando estão cansadas ou tristes, bebem para acalmar a ansiedade... para preencher o seu vazio interior. Nada a ver com saciar a sede.

Bebamos bebidas saudáveis quando temos sede e façamos um uso moderado das que fazem parte da nossa cultura e da vida social.

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