Sunday, March 5, 2023

 



ALOÉ VERA barbadensis

CURIOSIDADES

§  O nome botânico “aloé” engloba cerca de 250 variedades reconhecidas. Tem a aparência de um cacto, embora pertença à família das liliáceas, como os alhos e as cebolas.

§  De todas estas variedades, apenas 3 ou 4 têm propriedades curativas e medicinais significativas – entre elas destacam-se a Aloé barbadensis (a aloé vera de flor amarela), também conhecida como aloés-de-barbados ou babosa (Brasil) e a Aloé arborescens (de flor vermelha).

§   Encontra-se espalhada por todo o mundo, desde que o clima seja seco e o solo rico em minerais.

§  ALOÉ: deriva do Árabe “Alhoceh” que significa substância amarga e VERA: deriva do Latim e significa verdadeiro.

§  A aloé vera é conhecida e apreciada pelas suas virtudes desde tempos muito antigos, havendo provas disso: na escrita cuneiforme dos sumeros; no livro dos medicamentos do antigo Egipto (3.500 AC); na medicina tradicional chinesa, indiana, grega e romana (com destaque para os escritos de Dioscórides e Plínio).

§  As rainhas egípcias Nefertiti e Cleópatra já utilizavam o Aloé como tratamento de beleza. 

§   Consta-se que Mahatma Ghandi atribuía a sua grande energia ao uso regular de Aloé.

§   É originária do Norte e do Sul de África, Arábia em particular, Cabo Verde e Canárias. Chegou a Espanha e a várias partes do Sul da Europa no sec.XVI através dos árabes e foi introduzida na China, na Índia e América no sec.XVII.

§  É também conhecida como “planta da imortalidade”, “planta miraculosa”, “planta das queimaduras”, “planta da vida”, “curativo natural”, “curador silencioso”, “lírio do deserto”, “elixir da longevidade”, “língua de crocodilo”, “bênção do céu”, “sábila” (México) e “acíbar” (os árabes chamavam-lhe “a grande curadora” e usavam o acíbar preparado a partir dela para curar as mais diversas doenças).

§  Enquanto que os árabes sublinharam a importância da aloé na cura dos órgãos internos, os índios americanos utilizaram-na como vulnerária e cicatrizante  em caso de feridas, queimaduras e problemas de pele em geral, situações em que a planta, além de proteger a zona, hidratar e cicatrizar, torna mais rápida a cura e elimina o risco de infecção.

§  Uma aloé uma vez arrancada e deixada inteira com as suas raízes, pode sobreviver por um ano (e eu já tive a experiência disso), envolvida num pano de algodão. Em contrapartida, as folhas, uma vez cortadas, resistem apenas uma semana no frigorífico e o seu suco em 24 horas perde praticamente todas as suas propriedades e decompõe-se – daqui é fácil compreender que os preparados comerciais têm de conter uma boa dose de agentes químicos para a conservar. De facto, a maneira mais natural de a conservar, é em tintura alcoólica de não menos de 70°, onde o álcool serve de conservante.


PROPRIEDADES

§  Para uso medicinal utiliza-se a seiva e as folhas de plantas com mais de 3 anos de idade, que se cortam pela base, onde a planta concentra a quantidade mais importante de princípios activos. Será melhor evitar recolectar as folhas no Verão, quando o excesso de antraquinona (princípio activo amargo e laxante) a torna desagradável. Das folhas grossas e compactas do aloé, que podem atingir os 50 cm de comprimento e 10 cm de largura, retiram-se 2 extractos fundamentais: 1) o látex, amarelo e colhido principalmente nos extremos das folhas (a usar com moderação, pois contém propriedades laxativas e irrita os intestinos mais sensíveis) e 2) o gel, extraído da parte central da folha e que constitui a base da esmagadora maioria dos produtos comercializados, mas que contém algumas contra indicações para o uso interno.

§  Contém mais de 75 ingredientes (princípios activos) diferentes que lhe conferem destacadas propriedades: purgantes (antraquinona); melhora úlceras duodenais e estomacais e diminui a acidez (aloeoleina); reforça o sistema imunitário (carricina); gera ácido salicílico de efeito analgésico e antifebril (emolina, emodina e barbaloina); actividade emoliente sobre a pele (mucílago da polpa interna); neutralisa o efeito das toxinas microbianas (aloetina); estimula o crescimento celular e a cicatrização (hormonas vegetais). Também contém vitaminas A, C, E e B, minerais (sódio, potássio, magnésio, cobre, cromo, …), enzimas (que reforçam a sua actividade sobre o sistema imunitário), substâncias antisépticas (saponina) e anti inflamatórias, etc. Contém 3 esteróis importantes, entre os quais está o colesterol HCL, que reduz a gordura no sangue. Todos estes componentes entram em sinergia apoiando-se e potenciando-se uns aos outros.

§  É também chamada “hormona das feridas” pelo seu poderoso efeito cicatrizante, tendo sido recentemente definida como a melhor mistura de antibióticos, agentes coagulantes, inibidores da dor e estimulantes do crescimento dos tecidos que se conhece na natureza. Além do mais, possui uma incrível capacidade de penetração que lhe permite chegar até às camadas mais profundas da epiderme e curá-las.

§  Duas são as suas qualidades mais importantes: 1) actuar sobre o tecido epitelial e, portanto, regenerar todas as mucosas do organismo e as membranas que revestem os órgãos internos e 2) estimular o sistema imunitário.

§  Está incluída na lista das plantas adaptogénicas – actua indirectamente como nutritiva e estimula, tonifica e aumenta as funções protectoras do organismo.

§  São-lhe atribuídas propriedades preventivas e de apoio na cura do cancro e da SIDA, devido à sua acção sobre o sistema imunitário – nestes casos deve utilizar-se exclusivamente a planta fresca e inteira e não os preparados comerciais (que são de desconfiar e fugir …).

§  É muito eficaz no tratamento das doenças gastrointestinais agudas e crónicas – úlceras, gastrites, prisão de ventre, inflamação intestinal … - e é aconselhável uma cura de aloés depois de se ter tomado medicamentos (corticóides ou anti inflamatórios, p.exº) que possam ter comprometido a mucosa estomacal.

§  Para a prisão de ventre – ingerir um trocito de polpa próxima da pele da folha (a que contém antraquinona de efeito laxativo e é esverdeada) pela manhã em jejum ou tomar suco, adoçado com mel, se necessário. A tintura alcoólica é uma alternativa para quem não suporta o gosto amargo da planta.

§  A polpa interior transparente é a que se utiliza na maior parte das perturbações de saúde, tendo o cuidado de tirar-lhe bem a pele e a parte verde que está em contacto com ela. O gosto da gelatina é aceitável.

§  A cor amarela das suas flores está relacionada com o fígado e a vesícula biliar, órgãos sobre os quais a aloé exerce grande poder de cura, desintoxicando e aumentando a emissão de bílis. Aconselha-se uma cura de aloé na Primavera, estação do fígado - um troço de polpa de 3x3cm por dia é suficiente.

§  Em caso de ferida, queimadura (causada pelo fogo, Sol ou radioterapia) ou picada de insecto – cortar uma folha e aplicar directamente a parte interna gelatinosa sobre a zona afectada, mantendo-se com uma ligadura (pano) e deixando actuar durante uma hora ou mais e podendo ser mantida durante 24 horas (substituir as folhas de vez em quando por folhas novas). Também se pode empapar uma gase com o suco da aloé e aplicá-la na parte afectada.

§  Os doentes de cancro, durante as sessões de radioterapia, deveriam aplicar o suco da aloé fresca duas vezes ao dia – pela manhã e à noite – depois de um creme de rosa mosqueta. Esta prática pode evitar as dolorosas queimaduras que acompanham a terapia.

§  Em caso de fungos (pé de atleta, candidíase vaginal), herpes, dermatite provocadas pelas fraldas nos bebés, psoríase, etc. - aplicar externamente a aloé em forma de polpa ou de unguento.

§  Em medicina ayurvédica, utiliza-se como o melhor tónico feminino do mundo vegetal, para preservar a beleza, a saúde e a juventude da mulher. Utiliza-se como emenagoga, 1 semana antes das regras. É afrodisíaca feminina e rejuvenescedora do útero e do aparelho reprodutor feminino. No homem aumenta o sémen.

§  Faz com que todos os nutrientes alcancem os órgãos e se transformem em novos tecidos.

§  Pode ainda ser utilizada em caso de hipertensão arterial – tomar 5 a 7 colheres de sopa de polpa de aloé, de manhã em jejum.

§  O uso continuado e em grande quantidade da aloé, pode acarretar problemas, devendo o doente consultar previamente o médico, se quiser ter tratamentos demorados. De referir ainda, que a planta não deve ser usada conjuntamente com medicamentos para o coração, diuréticos e corticosteróides.

§  CONTRA INDICAÇÕES – gravidez, menstruação, hemorróides, colite, intestino irritável.

 

PREPARAÇÕES

§  TINTURA ALCOÓLICA – cortar em trocitos umas folhas grandes de aloé e triturar com um robot de cozinha. Deixar macerar à sombra num frasco de vidro, cobertas com álcool a 70°, durante 4 semanas. Filtrar e guardar em frasco de vidro escuro. Para uso externo – dermatites, psoríase, herpes, etc. - usar diluída em água ou em cremes ou unguentos.

§  TINTURA HIDROALCOÓLICA – actua-se da mesma forma anterior, mas as folhas trituradas são cobertas com aguardente de orujo. Para uso interno (fígado, prisão de ventre, problemas estomacais, sistema imunitário debilitado, etc. – tomar 15 a 30 gotas em meio copo de água, 3 vezes ao dia.

§  ACÍBAR – prepara-se nos meses quentes. Num recipiente de vidro posto ao Sol deixam-se escorrer as folhas de aloé cortadas transversalmente. Põe-se o suco em lume brando – ou deixa-se secar ao Sol – até que se transforme numa geleia condensada – 0.10g por dia para perturbações estomacais ou hepáticas; 0.20g para um efeito purgante. Tomar 1 colher de sopa antes das refeições.

§  XAROPE DE ALOÉ – colher as folhas do meio – rejeitar as mais velhas e as mais novas. Lavá-las muito bem e retirar o gel verde que se encontra na parte central de cada folha (não aproveitar as extremidades). Liquidifazer o gel, juntamente com mel e aguardente (ou whisky) de boa qualidade – tudo em partes iguais. Guardar o xarope no frigorífico e consumi-lo no prazo máximo de 2 meses.

§  GEL – obtido da polpa fresca, com um liquidificador – 2 colheres de sopa, duas vezes ao dia, como purgante ou cura de desintoxicação; 2 colheres de café, com uma pitada de curcuma, duas vezes ao dia, como tónico geral. O gel de aloé pode ser usado por períodos relativamente largos, ainda que se aconselhe os meses de Abril e Maio, tanto pela capacidade depurativa do próprio período (estação do fígado e da vesícula biliar) como pelo sabor da planta, menos amarga.

§  OUTRAS PRODUTOS CASEIROS – sumo, loção pós-solar para depois de um dia de praia, produtos de higiene (sabonete, pensos higiénicos, …) …

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

§  https://asenhoradomonte.com//?s=aloe+vera

§  “Fitoterapia energética” – Clara Castellotti

§  “As plantas nossas irmãs” – Miguel Boieiro

§  “Autocura das doenças pela macrobiótica” – Rui Rato.




Tuesday, February 28, 2023

 


EQUIVALÊNCIAS APROXIMADAS DOS TEMPÊROS

(segundo Aveline Kushi, 1985)

 A comparação entre o poder salino do sal marinho, do miso, do tamari de soja, e da ameixa umeboshi têm a ver com o lote em questão.

Assim, estas equivalências são dadas a título indicativo.

1 pitada de sal

1/2 colher de café de tamari de soja

1/3 de colher de café de miso

1/3 de ameixa umeboshi


1/4 de colher de café de sal

1 1/2 colher de café de tamari de soja

1 2/3 de colher de café de miso

1 ameixa umeboshi

 

1/2 de colher de café de sal

1 colher de sopa de tamari de soja

1 colher de sopa + 1 colher de café de miso

2 ameixas umeboshi

 

1 1/2 colher de café de pasta umeboshi

1 ameixa umeboshi

1 colher de café de vinagre de umeboshi (ume-su)

2/3 de ameixa umeboshi

1/4 colher de café de sumo de gengibre

1 colher de café de gengibre ralado

1 colher de sopa de vinagre de arroz

1 colher de sopa de vinagre de sumo de limão

1 colher de sopa de arrow-root (araruta)

1 colher de café de kuzu  

1 1/4 de taça de malte de cevada ou geleia de arroz

1/2 taça de geleia de ácer

2 1/4 de colheres de sopa de malte de cevada ou geleia de arroz

1 colher de sopa de geleia de ácer

 

MEDIDAS

3 colheres de café

1 colher de sopa

4 colheres de sopa

1/4 de taça

5 1/3 colheres de sopa

1/3 de taça

8 colheres de sopa

1/2 taça

16 colheres de sopa

1 taça

 

TEMPERATURAS DO FORNO E TEMPURA – em graus centígrados

Baixo

120 – 150

Médio

180 – 190

Alto

200 – 230

Tempura

175 – 180

 

Monday, February 27, 2023

 


OS ESPECÍFICOS MACROBIÓTICOS JAPONESES.

Tradução livre dos artigos de Gèrard Wenker:
“Específicos Macrobióticos. Os específicos macrobióticos em questão! Ou o sindroma do Yin” – 2005
“Pourquoi la macrobiotique utilise des produits japonais” – 2012

A utilização de certos produtos japoneses na dieta macrobiótica foi recomendada no seu tempo por Georges Ohsawa e continua a ser ainda hoje pelos seus discípulos e conselheiros macrobióticos, com excepcional eficácia.

A particularidade destes específicos, é a sua ligação directa com a dialéctica Yin-Yang. Para a maior parte deles, a sua origem remonta à antiga China. Foram de seguida retomados e preservados pela tradição japonesa. Alguns foram mesmo inventados por G. Ohsawa, sempre tendo em conta a dialéctica universal.

A receita de preparação é sempre a mesma – utilizar um produto muito yin e torná-lo yang por intermédio de diversas operações por vezes simples, mas também algumas vezes muito sofisticadas – o fogo, a pressão, o tempo, o sal – todos os quatro têm uma acção yang, dizemos que yanguizam. Utilizados com sabedoria, com a consciência do processo yin-yang podem produzir resultados miraculosos.

EXAMINEMOS OS PRINCIPAIS ESPECÍFICOS COM ALGUM DETALHE.

PRODUTOS ELEBORADOS POR G. OHSAWA:

·       Dentie (*) – Pó à base de sal e beringela calcinada. Muito eficaz para todas as afecções da boca (gengivites, piorreia, úlcera do estômago) e para parar hemorragias. Pode ser utilizado como dentífrico –Atenção: não utilizar regularmente para não prejudicar as gengivas e o esmalte dos dentes (NDT). Muito, muito yang.

·             Dentífrico com dentie – em tubo misturado com argila.

·       Gomasio – Condimento composto por sementes de sésamo tostadas, esmagadas com sal num almofariz estriado (suribashi). Tostar a seco as sementes de sésamo (pequenas = yang) – operação eminentemente yang, esmagá-las (ainda uma acção yang) e adicionar o produto mais yang, sal tostado, em proporção variável segundo a condição de cada um (1:7 a 1:22). Desacidifica o sangue e dá bom humor.

·       Chá Mú (*) – Preparação com 16 plantas, incluindo o ginseng. Reforça os órgãos femininos e aquece o organismo. Bebida yang muito energética concebida por G. Ohsawa.

·         Yannoh – Ou “café Ohsawa”. Tostar num pouco de óleo de sésamo: 3 partes de arroz + 2 partes de feijão azuki + 2 pates de trigo + 1 parte de grão de bico e moer. Ferver 2 colheres de sopa durante 10 minutos em ½ litro de água. Estimulante cerebral, eficaz para dores de cabeça crónicas yin. Bom para a memória e a concentração.

PRODUTOS TRADICIONAIS DO JAPÃO:

·         Chá de 3 anos (*) – Chá tradicional dos mosteiros Zen japoneses. Bebida yang indispensável em macrobiótica. O chá Bancha vem dos chazeiros selvagens. O Kukicha provem dos ramos e galhos deixados a secar durante 3 anos nas plantas. O Hojicha é composto unicamente de folhas. Depois da colheita, estes chás são ainda ligeiramente tostados para eliminar qualquer traço de alcalóide – cafeína, teína. Ricos em tanino, cálcio, fósforo e em vit. A, têm ainda uma acção bactericida e desintoxicante. Bom para fadiga, reumatismo, ulcera, icterícia, neurastenia.

·         Tekka – Do japonês Tek que quer dizer ferro. Condimento muito yang composto por raíz de bardana, raíz de lótus, de cenouras, de gengibre e de um pouco de óleo de sésamo, finamente picados e envolvidos durante 3 horas em miso (hatcho miso), sendo tudo calcinado até se obter um pó negro. É um tónico do coração e um yanguizador muito potente, a utilizar com moderação. Fortifica o coração e é bom para a anemia e tuberculose.

·       Miso – Preparação elaborada a partir do feijão de soja, sal e koji (enzima), longamente fermentada sob pressão. O hatcho miso é uma pasta de soja salgada fermentada durante 2 anos que serve para a confecção de molhos, sopas e caldos. Existem numerosas variedades de miso preparadas a partir do arroz, cevada, trigo sarraceno, etc. Fortificante yang, neutraliza as radiações yin.

·         Tamari (*) – O tamari vendido na Europa é na realidade shoyu concentrado. O verdadeiro Tamari autêntico é um subproduto do fabrico do miso. É muito forte, espesso e não contém trigo. Tónico do coração é bom para ciáticas e nevralgias.

·         Shoyu – Molho de soja tradicional, contém soja, trigo, sal e água da fonte. Colocado em cultura com koji, a sua fermentação dura 12 a 18 meses. Na Europa é comercializado sob o nome de Tamari, isto para não se confundir com os molhos industriais elaborados quimicamente em alguns dias. Tónico do coração é bom para ciáticas e nevralgias.

·         Ameixa de Ume – A Ume é uma ameixieira cujas ameixas ácidas não são comestíveis no seu estado natural – submetendo-as a várias lacto-fermentações, os japoneses fizeram delas uma preparação medicinal com virtudes tão variadas como eficazes.

·         Ameixa Umeboshi (*) – Pickles de ameixas Ume salgadas, envelhecidas vários anos em madeira de carvalho. Específico do fígado, estômago e intestinos. Bom para o sistema digestivo, parasitas intestinais, estômago, fígado.

·         Bonito (*) – Variedade de atum, cujos filetes secos ao Sol são ralados e reduzidos a flocos. Serve para preparar um caldo muito energético para os períodos de muito frio. É o único produto tradicional elaborado a partir do reino animal.

·         Feijão Azuki – Pequeno feijão vermelho específico dos rins. Os melhores provêm da ilha Hokkaido no extremo Norte do Japão. Uma variedade mais corrente é produzida em Itália. Regeneram os rins, bom para diabetes, cãibras menstruais.

·         Alga Hiziki – Alga negra em forma de filamento, sabor forte (a iodo), a mais yang das algas. Melhora a circulação venosa, boa para varizes, hemorróides.

·         Kuzu (*) – Fécula branca de amido extraída de uma raiz de planta selvagem. Utilizado na cozinha como espessante. Específico yang dos intestinos. Regulariza os intestinos, bom para prisão de ventre, diarreia, catarro pulmonar, rinite.

·         Soba – Massa (esparguete) confeccionada com a farinha do trigo sarraceno. Prato que aquece.

·         Arroz Integral – Arroz de grão inteiro descorticado não refinado/polido, cereal de base da cozinha macrobiótica pelas suas virtudes nutrientes e desintoxicantes. O arroz integral foi abandonado no início do sec. XX em todo o Extremo Oriente a favor do arroz branco refinado graças a uma máquina de descorticar simples e robusta, inventada pelos alemães. Desintoxicante, limpa o organismo em profundidade.

(*) – importado do Japão

PORQUÊ A MACROBIÓTICA UTILIZA PRODUTOS JAPONESES ?

Porquê utilizar numerosos produtos orientais? – o que está em contradição com uma das regras da Macrobiótica: o consumo de produtos regionais de proximidade e de estação.

Este dilema, por vezes polémico, continua ainda hoje a existir e já lá vão mais de 40 anos! – e quase provocou o desaparecimento do movimento macrobiótico em França.

Gérard Wenker responde-nos baseado na sua experiência prática e histórica:

1. Durante séculos o Extremo Oriente desenvolveu receitas culinárias e terapêuticas sobre uma base vegetal vegetariana, de uma grande eficácia no tratamento de certas doenças – Fitoterapia, Medicalimentos.

2.  No Ocidente, o foco inseriu nas transformações à base de produtos animais – charcutaria, “foie-gras”, patés, carnes fritas em banha, enchidos, carnes secas, etc.

Quanto à verdadeira Fitoterapia ocidental, desapareceu completamente, interdita no Renascimento Italiano no sec. XVI.

3.  Alguns produtos macrobióticos são específicos terapêuticos muito eficazes, mas não reproduzíveis nos nossos países: tal como o Kuzu, as ameixas Umeboshi, o Chá de 3 anos, as raízes de Lótus.

Outros, de fabrico muito delicado, são atualmente produzidos na Europa – tais como o Miso e o Tamari.

 

4.  Os feijões Azuki são provenientes da bacia do Pó em Itália, se bem que os azukis da ilha japonesa de Hokkaido sejam bem mais eficazes para curar as doenças dos rins. As abóboras originárias da mesma ilha são semeadas atualmente em muitas hortas familiares de França, Bélgica, Portugal …

5.  Quanto às algas Kombu e Wakame, 80% provêm da Bretanha.

6.  Isto diz respeito aos países da Europa, já que para outras regiões do globo terrestre é bastante mais problemático.

Mas antes de mais, é necessário diferenciar a alimentação macrobiótica corrente universal da alimentação dietética restritiva terapêutica.

PODEMOS DIFERENCIAR 3 PERÍODOS NA PRÁTICA MACROBIÓTICA:

A Macrobiótica é a adaptação de uma ideologia metafísica a um modo de vida prático.

A Macrobiótica não tem nenhum equivalente, ela é única.

Por outro lado, se não há senão uma Macrobiótica, podemos distinguir 3 orientações diferentes na sua aplicação.

1.  A Macrobiótica de regeneração = aplicação.

2.  A Macrobiótica de desenvolvimento = interpretação.

3.  A Macrobiótica de libertação = intuição.

A primeira fase começa pela aprendizagem e uma aplicação estrita das regras e dos princípios.

A segunda etapa prossegue depois de se ter estudado a dialéctica universal, também chamada “Yin-Yang”, por uma interpretação mais liberal.

A terceira parte, termo lógico dos esforços realizados nas etapas precedentes, está marcado por uma existência de liberdade, orientada por um julgamento intuitivo próximo da conscência suprema.

A Macrobiótica de Regeneração – Esta primeira etapa, a Macrobiótica de regeneração e curativa, é a única que é restritiva e que necessita na maior parte do tempo de específicos japoneses, como complemento para ser verdadeiramente eficaz e rápida. Os alimentos de base como o arroz integral e os outros cereais, os legumes, as leguminosas secas, os frutos, os óleos, os chás e as tisanas, etc. estão disponíveis em todos os países do nosso planeta. O problema situa-se principalmente ao nível da qualidade e dos produtos não refinados.

A Macrobiótica de Desenvolvimento – A segunda etapa, mais liberal, prossegue com uma interpretação pessoal da dialéctica universal energética yin-yang, que é indispensável, bem entendido, termos integrado. Esta macrobiótica cruzeiro (corrente) já não necessita de específicos, mas unicamente de um equilíbrio alimentar com os produtos locais/nacionais à nossa disposição.

A Macrobiótica de Libertação – A terceira parte, termo lógico dos esforços realizados nas etapas precedentes, é marcada pela existência de liberdade, orientada por um discernimento intuitivo e espiritual. Idealmente, deveríamos todos lá chegar.

Resumindo, uma Macrobiótica Padrão Regional, preconizada unicamente com os produtos locais, é possível e mesmo recomendável, mas unicamente para as pessoas que ultrapassaram a primeira etapa e controlaram definitivamente os seus problemas de saúde.

A acção dos “medicalimentos” (para os “tratamentos/cuidados internos”) como remédios familiares – específicos ou bebidas –, são consumidos com o objectivo de eliminar perturbações fisiológicas. A maior parte das vezes são acompanhados com “tratamentos/cuidados” externos para uma maior eficácia terapêutica – como por exemplo, as compressas de gengibre.

Todos estes específicos macrobióticos, muitas vezes aconselhados por G. Ohsawa e consultores macrobióticos actuais, violam um dos princípios macrobióticos fundamentais: “devemos consumir alimentos provenientes da mesma zona climática e regional da nossa, alargada a um raio de 500 Km”. Georges Ohsawa justificou esta escolha pelo facto de que na Europa a maioria dos produtos tradicionais de acção yang são de origem animal, portanto difíceis de utilizar e equilibrar. O Japão, muito ao contrário, sempre deu preferência a produtos de origem vegetal que têm uma polaridade mais fraca, e, portanto, bem mais fáceis de equilibrar.

Quando G. Ohsawa começou em 1956 a tratar os doentes nos diferentes campos macrobióticos, a maioria dos pacientes que ele via, tinham doenças yin, o que, por outro lado, também se verifica sempre hoje.

Os tratamentos internos e externos necessitam pois, na maior parte dos casos, de um reequilíbrio do lado yang. Esta yanguização é obtida, por um lado por específicos yang de acção rápida (gomasio, miso, tekka) e por outro lado por uma profunda modificação da alimentação (arroz integral, azukis, kuzu) e sobretudo por uma maneira de cozinhar muito mais yang (nituké). A juntar a isto, a supressão de todos os alimentos julgados muito yin (frutos, alimentos crus, bebidas alcoólicas, tomates, batatas, açúcar, chocolate, pastelaria, etc. etc.).

Mas atenção … não somos super-homens … é necessário entender e estudar bem o Princípio Único, o segredo da dialéctica universal … senão a doença aparece de novo e ficamos de novamente doentes  …

A TEORIA SEM A PRÁTICA É INÚTIL …
E A PRÁTICA SEM A TEORIA É PERIGOSA …

 

 

 

 

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