Tuesday, January 17, 2023

 


CREME ESPECIAL “In-Ka”

IN: “L´Art de vivre macrobiotique”, Gérard Wenker.

 

Muito eficaz para todos os problemas musculares e articulares.

Artrose, poliartrite, reumatismo, cãibras musculares, rigidez muscular, etc.

Dores nos joelhos, nos cotovelos, nos ombros e na nuca.

 

Ingredientes e Utensílios

·         Gengibre fresco, cerca de 200 g

·         Álcool de farmácia a 70°

·         Óleo de sésamo biológico

·         Alga Agar-Agar em pó ou em barrinhas

·         Lecitina de soja alimentar em pó (opcional)

·         Um frasco, envolto em papel de alumínio.  

Preparação

1.  Ralar o gengibre para uma gaze/tecido, espremer a polpa até recolher o máximo de sumo. Verter para uma caçarola inox.

2.  Juntar a mesma quantidade de álcool do que sumo de gengibre

3.  Juntar igualmente a mesma quantidade de óleo de sésamo

4.  Juntar uma saqueta de pó de agar-agar

5.  Juntar uma colher de sopa de lecitina de soja em pó (facultativo)

6.  Aquecer em lume brando mexendo; Nunca deixar ferver – Não cobrir – Atenção: é inflamável.

7.  Deixar arrefecer e verter para um frasco esterilizado Proteger da luz.

8.  Conservar no frigorífico.

 

Indicações

·         Estender o creme In-Ka sobre a parte a tratar, friccionando longamente e lentamente e massajando em profundidade. Repor várias vezes creme.

·         Frequência e duração: Uma vez de manhã e uma vez à tarde, entre 15 minutos a ½ hora.

·         Continuar até ao desaparecimento completo das dores e das tensões.

·         Não utilizar em caso de infecções, de fortes inflamações quentes, nem, seguramente, em caso de ferida aberta.

·         Nunca aplicar na cabeça.



Monday, January 16, 2023

 


O CAFÉ: usos e virtudes

Elena Corrales

O café no nosso país, para além de uma bebida, tornou-se um modo de vida. Apesar da sua popularidade, nem todos são efeitos benéficos e os antioxidantes que contém não justificam de todo o seu consumo diário.

O café é uma bebida altamente estimulante feita a partir das sementes torradas e moídas do fruto da planta do café: Coffea arabica ou Coffea robusta. Contém um alcalóide conhecido por todos, a cafeína.

É uma planta que se desenvolve em climas tropicais e equatoriais, embora as suas origens se encontrem na Etiópia; ao longo do tempo, o seu consumo estendeu-se ao longo da história a praticamente todos os países do mundo.

Efeitos positivos

O consumo de café após as refeições facilita a digestão, já que a cafeína activa as secreções gástricas e biliares, bem como a motilidade intestinal. Na prática desportiva, o café facilita a contracção muscular e aumenta a frequência cardíaca.

A cafeína tem um forte efeito estimulante sobre o cérebro: activa o pensamento, a conversação e outras actividades intelectuais. Faz-nos sentir mais "vivos".

Tendo em conta as suas propriedades, poderíamos definir o café como uma planta medicinal que estimula o sistema nervoso. Se o utilizássemos como preparação medicinal, deveríamos preparar uma infusão de 3 grãos de café moídos por chávena de água. O resultado seria um líquido louro com um delicado toque amargo, nada parecido com a chávena de café que consumimos regularmente.

Efeitos negativos

A cafeína tem um forte efeito aditivo, favorece a insónia e, em muitos casos, a agitação nervosa. Também irrita o sistema digestivo, podendo produzir gastrite, azia, diarreia, úlceras estomacais, colite ulcerosa, etc. Precisamente devido a este efeito irritante, tem um efeito laxante.

Destaquemos também que aumenta significativamente os níveis de colesterol e triglicéridos, bem como o risco de padecermos de arritmias cardíacas, hipertensão e endurecimento das artérias.

Por outro lado, favorece as complicações e problemas durante a gravidez. A este respeito, as mulheres que consomem cafeína durante a gravidez correm o risco de dar à luz bebés de baixo peso. O uso da cafeína antes e durante a gravidez aumenta o risco de aborto, especialmente durante o primeiro trimestre, e assim debilita a capacidade reprodutora.

Tem um poderoso efeito diurético e pode sobrecarregar os rins; favorece tanto a desmineralização como a cistite.

O consumo de mais de 300 mg de cafeína por dia aumenta o risco de perda de cálcio dos ossos, especialmente nas mulheres depois da menopausa. Além do mais, o café também dificulta a absorção do ferro, o que pode levar à anemia.

Beber café leva a outros vícios, tais como o tabaco. Nas consultas, é habitual comprovar que pessoas que bebem café regularmente também fumam cigarros.

Energeticamente, o café é yin (expansivo) e o tabaco é yang (contractivo). Uma das leis da natureza ensina-nos que os opostos se atraem. O que neste caso significa que, quanto mais cafeína consumirmos, mais nicotina precisamos e vice-versa. Por conseguinte, se quisermos deixar de fumar, é aconselhável deixar de beber café.

Conclusão

Devemos reservar o consumo de café, sempre biológico, para momentos específicos em que precisamos de estímulos extra, especialmente se for a nível intelectual ou criativo. Bebê-lo de forma continuada, tem mais efeitos negativos do que positivos.

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CAFÉ

Francisco Varatojo

O café é seguramente uma das bebidas mais consumidas em todo o Mundo e também uma das que mais polémicas gera no que toca ao facto de poder ou não afectar a saúde. Na realidade, estamos a falar da cafeína que, para além de estar presente no café existe também em chás cafeinados, colas, chocolate e outros produtos.

A cafeína tem conhecidos efeitos estimulantes podendo, para algumas pessoas funcionar como um antidepressivo. Pode ainda ajudar a dissolver cálculos renais, auxiliar a digestão de gordura, entre outros.

Mas a cafeína tem também consideráveis efeitos indesejados: faz as glândulas supra-renais produzirem imensa adrenalina, deixando as pessoas inicialmente muito agitadas e depois muito cansadas (altura em que bebem outra chávena de café). Pessoalmente, acho que a cafeína é uma das causas principais de cansaço crónico.

Os níveis de açúcar são também afectados pelo consumo de cafeína, produzindo-se frequentemente condições hipoglicémicas crónicas.

A cafeína inibe a absorção de vitaminas do grupo B e faz o organismo excretar minerais como cálcio ou ferro, contribuindo, por exemplo, para a descalcificação óssea.

Segundo a abordagem macrobiótica, para além dos efeitos acima descritos, o café exaure a nossa energia vital, e afecta principalmente órgãos como as glândulas supra-renais, os rins e a bexiga. O sistema imunitário é também bastante taxado, particularmente pela excessiva estimulação de adrenalina e efeitos negativos nos níveis de glicemia.

A ter particular atenção é a combinação sinergética da cafeína com açúcar (café, chocolates, etc.) que amplifica significativamente os efeitos negativos de ambos.

 

 

Sunday, January 15, 2023

 

O LIVRE ARBÍTRIO MACROBIÓTICO

Por: Gérard Wenker (2012)

A macrobiótica pode ser uma nutrição 100% vegetal ou apresentar pratos vegetarianos ou com uma certa percentagem de produtos animais – continuando macrobióticos.

Há um mal entendido com as pessoas que pensam que a macrobiótica é um regime unicamente de cereais e vegetaliano. Com toda a certeza, pode-se seguir um regime apenas de cereais, a mono dieta nº7 de George Ohsawa, mas somente durante um tempo limitado; esta mono dieta faz apenas parte da macrobiótica, não é a macrobiótica.

É evidente que os Esquimós, por exemplo, não podem comer apenas cereais, ou quem vive na Sibéria ou nos vales altos do Himalaias, não pode unicamente seguir um regime de cereais.

Os Anciãos Macrobióticos a quem se chamava à época “Sen-Nin” ou “Homem-Livre”, também diziam a mesma coisa, quando se vive nas altas montanhas, come-se poucos cereais, excepção da tsampa (papas de cevada tostada adicionada de manteiga de yak) prato tradicional do Tibete.

A macrobiótica não é de todo um regime especial. O arroz integral não é a macrobiótica – o arroz integral, é arroz integral – o miso, é miso – uma cenoura, é uma cenoura …

A macrobiótica consiste na maneira de combinar estes alimentos, em certas proporções, de as cozinhar, segundo o clima, a temperatura, a profissão e o sonho de cada um, é isto a macrobiótica. Quando comemos muita carne, ovos, peixe, etc., durante muito tempo, de seguida teremos naturalmente desejos de muita fruta, legumes crus e álcool (yin) para compensar esta alimentação passada carnívora (yang).

Exemplo de sintomas físicos reflectindo uma condição YANG:

Cor da epiderme: branca a escura

Olhos: sanpaku superior

Calvície atrás ou total

Perda matinal de cabelos = 0 a 10

Dores de cabeça occipitais

Olhos e pupilas contraídas

Olhos cinzentos secos

Nariz branco e duro

Maçãs do rosto enrugadas

Lábios finos secos esbranquiçados

Gengiva branca retraída

Língua: branca ou amarela

Micção: menos de 4 por dia e 0 à noite

Prisão de ventre

Temperamento agressivo e impaciente

Sono curto (5 a 6 h) e profundo

Despertar alerta e em forma

É uma maneira completamente intuitiva de exercer um discernimento macrobiótico.

Para estas pessoas, temporariamente, os pratos “vegetarianos” são também macrobióticos, e far-lhes-ão bem, mesmo se isso não é o regime macrobiótico padrão. Elas tentam simplesmente encontrar o equilíbrio. É o que podem experimentar muitas pessoas que se tornaram vegetarianas depois de terem comido durante muito tempo produtos animais e que sentiram melhoras.

Mas se continuam a comer legumes crus, muita fruta e sumos de frutos, a condição passa de yang a yin. Depois, vários anos passados, problemas de ordem muito yin começam a surgir. Quer dizer que se passa de um extremo a outro, e é preciso então reencontrar o equilíbrio. Isso é possível com um regime macrobiótico normal.

Exemplo de sintomas físicos reflectindo uma condição YIN:

Cor da epiderme: vermelha a violeta

Olhos: sanpaku inferior

Calvície frontal

Perda matinal de cabelos = + de 20 a um punhado

Dores de cabeça frontais

Olhos e pupilas dilatados

Olhos vermelhos lacrimantes

Nariz vermelho e inchado

Maçãs do rosto vermelhas

Lábios vermelho vivo pulposos

Gengivas sangrentas

Língua: azul ou violeta

Micção: mais de 5 vezes por dia e 2 a 3 vezes por noite

Diarreia

Depressivo

Despertar difícil e cansado


É necessário não deixar esta confusão no espírito das pessoas de que a macrobiótica é um regime dietético. Quando G. Ohsawa estabeleceu 10 níveis de regimes diferentes, entre os regimes 7 e – 3, foi para nos mostrar que podemos proceder aos ajustamentos que quisermos, tendo em conta as necessidades individuais.

 

O LIVRE ARBÍTRIO

Se estivermos de boa saúde e se tivermos por vezes vontade, poderemos fazer por exº uma refeição composta de 30% de cereais, 50% de legumes, 10% de produtos animais, 10% de fruta, se é isso que desejamos.

Se George Ohsawa designou com sinal “menos” certas composições de menus, foi porque se os adoptarmos durante muito tempo, teremos problemas, mas se aplicados uma vez de tempos a tempos, tudo bem, e estes dez níveis, são macrobiótica. Compete a cada um saber escolher o que lhe convém.

Quando temos um problema de saúde, poderemos fazer o regime Nº 7 durante três, cinco ou dez dias, até que nos sintamos melhores, e isto também é macrobiótica. Ou se formos convidados para um jantar social, poderemos fazer o regime Nº 2 (50% de cereais, 50% do resto em pratos de acompanhamento) e isso é igualmente a via macrobiótica.



Tudo depende de facto das nossas necessidades pessoais; tudo depende dos sonhos que tenhamos. Podemos modificar livremente a nossa alimentação. Estaremos assim na melhor saúde possível e em medida de assegurar uma eficácia máxima, tanto no plano físico, como no plano mental ou espiritual, usufruindo de uma clareza admirável.

Assim, segundo o objectivo escolhido, adoptar-se-á um regime consequente. A macrobiótica é uma bela e grande coisa, não é de todo restrictiva, mas ao contrário, muito vasta. Em macrobiótica, pode-se comer o que quer que seja (teoricamente falando), mas o importante, é a maneira de combinar, de cozinhar, e assim alcançar a saúde, a felicidade, o desenvolvimento espiritual.

ATENÇÃO: se quiserdes curar-vos verdadeiramente e reencontrar uma saúde perfeita … e conservá-la … a recomendação mais importante que posso fazer-vos, é de nunca, mas mesmo nunca, em nenhum caso … consumirdes alimentos preparados pela indústria alimentar.

O único objectivo destes envenenadores, é o de enriquecer e de fazer lucro, sem nenhum estado de alma, escolhendo produtos baratos, de má qualidade, muitas das vezes falsificados. Para fazer aceitar as suas preparações pelos consumidores ignorantes e muito confiantes, juntam numerosos aditivos químicos extremamente perigosos para a nossa saúde.

Saibamos que ninguém nos protege, nem os políticos, nem os cientistas, todos a soldo do grande capital. Quanto ao corpo médico, não se preocupa com a alimentação e ainda menos com as verdadeiras causas das doenças.

A única regra admitida neste domínio, é a de não vos deixar morrer ou ficar doentes imediatamente, de maneira que não possais nunca estabelecer uma relação de causa efeito. Conheceis a cantiga nestes casos: não há provas científicas estabelecidas. Mudai de caminho, não há nada para ver.

O único antídoto, para não morrer destruído por estes venenos industriais, é SALTAR rapidamente para a alimentação macrobiótica probiótica (pela vida). Uma alimentação biológica, natural, regional, artesanal, familiar que protege a nossa vida e a dos nossos filhos.

 

O QUE DIFERENCIA A MACOBIÓTICA DOS OUTROS REGIMES ALIMENTARES:

Posto isto, se tivermos em consideração o clima (composto pelas quatro estações), no qual vive a maioria da população, o regime padrão será com certeza diferente da maneira corrente de nos alimentarmos, a saber:

1- Nós comemos alimentos naturais, integrais, de qualidade biológica.

2- A alimentação é constituída de alimentos de base, e alimentos complementares. Os alimentos de base comportam sempre pelo menos 50% de cereais. A maior parte dos alimentos de complemento é constituída por legumes (terrestres e marinhos); a menor parte compreende as leguminosas, os frutos, algumas vezes o peixe ou a carne. Além disso, a proporção destes diferentes alimentos segue uma progressão logarítmica. Assim, a diferença essencial com outros regimes alimentares é que a proporção de cereais constitui sempre a maior parte dos alimentos.

3- Factor “espaço”.

Além dos alimentos de base e dos alimentos de complemento, é preciso respeitar a ordem das estações. Quando vamos para um país quente, comemos os produtos originários desse clima. Por exemplo, é normal que em África, os africanos comam tapioca, bananas, laranjas, etc.; isto é respeitar os princípios macrobióticos. Mas se em França, comermos tapioca, bananas e morangos no Inverno, etc., isto não é comer de maneira macrobiótica. Devemos escolher alimentos da estação, regionais e que sejam originários do nosso clima.

É também importante variar o modo de cozinhar consoante as estações do ano. No Inverno, por exemplo, podemos cozer os alimentos durante muito mais tempo do que no Verão.

4- Factor tempo”.

Devemos respeitar a dimensão do tempo, as tradições, isto é, as maneiras tradicionais de nos alimentarmos que se perpectuaram ao longo de gerações e gerações. Foi desta maneira que a humanidade se desenvolveu e que o ADN chegou à constituição que hoje temos.

De seguida, cada um de nós tem necessidades pessoais que é preciso ter em conta. Uma pessoa que tenha um trabalho intelectual terá necessidade de um menor volume de comida que outra pessoa que faça actividades físicas. Também neste caso, uma pessoa que pense muito escolherá sobretudo entre os regimes Nº 5, 6 ou 7. Pelo contrário, se tiverdes uma vida social muito activa, será necessário mais alimentos de complemento, sem contudo exceder os 50%, e de grande variedade.

5- A alimentação da mulher deverá ser ligeiramente diferente da alimentação do homem. O homem pode comer um pouco mais de produtos animais se desejar, uma ou duas vezes por semana, de peixe. Ou ainda, o cozinhado de certos legumes pode ser mais concentrado. A mulher consumirá alimentos mais ligeiramente cozinhados e terá uma alimentação quase 100% de origem vegetal. Este quinto ponto compreende igualmente as diferenças de idade. Segundo se seja adulto, velho, adolescente, criança, bebé, a alimentação é diferente em cada caso. O bebé por exemplo dependerá principalmente do leite materno, e não do leite de vaca. Quando a criança cresce, deverá ser a sua mãe que lhe prepara a sua alimentação; enquanto estiver em período de crescimento, não será preciso tanto sal como para um adulto. As necessidades de um velho não são as mesmas que as de um adulto. A alimentação de uma pessoa de idade será mais simples, a quantidade de óleo será reduzida mas em geral, a sua comida será centrada mais nos cereais e menos nos alimentos de complemento, enquanto que um adulto terá mais necessidade de alimentos de complemento.

A macrobiótica necessita de uma compreensão clara do Universo, sabendo que tudo muda segundo certas leis, seguindo uma ordem. Nada é idêntico.

Assim, se praticamos a macrobiótica de maneira muito rígida: se comermos sempre da mesma maneira, se escolhermos apenas duas ou três qualidades de legumes, se comermos sempre a mesma coisa, se fizermos a Nº 7 sem parar, não estamos na via da macrobiótica porque não podemos compreender e seguir a mudança permanente que nos envolve, a mudança do clima, de estação, a mudança da nossa condição física, mental. Os adeptos da macrobiótica que não obtêm resultados práticos denotam falta de compreensão das leis universais.

 

SENTIR-SE CADA VEZ MELHOR, UMA GARANTIA

A macrobiótica permite melhorar a 100% a nossa saúde e alcançar a felicidade. Não há a menor dúvida possível. Se não o conseguimos, a nossa compreensão ou a maneira de praticar a macrobiótica está errada.

A macrobiótica segue princípios que mais cedo ou mais tarde, vegetarianos, carnívoros, crudívoros, etc. serão levados a ter em conta a fim de alcançarem a saúde e a felicidade reais.

A arte de viver macrobiótica é um modo de vida magnífico, uma disciplina de vida e um meio de cura. Na primeira abordagem, a macrobiótica pode parecer difícil, como o início duma nova profissão ou aprendizagem de uma língua. Há tantas coisas para compreender e fazer, por vezes misturadas com o medo, quando a doença está presente. Não existe nenhuma garantia de cura total.

Mas há uma coisa que é sempre garantida: quando se pratica a macrobiótica, sentem-se rapidamente melhorias (10 dias são suficientes).

A natureza fundamental da Vida é o bem estar. Viver em harmonia com as leis naturais significa que o bem estar está lá. Isto é uma fonte inesgotável de encorajamento: a macrobiótica oferece um sentimento permanente de melhorias que obteremos estando em contacto com a nossa verdadeira natureza. Bem estar é o estado natural das coisas. Tudo o resto é provisório.

Há um grande fosso entre o estado de doença e a saúde, mas pequenos passos para nos sentirmos melhor estão sempre ao nosso alcance. A passagem de um estado de doença ao bem estar necessita de uma evolução mental e física. Pouco a pouco o bem estar mais do que a doença torna-se a norma. É o sentimento de se sentir melhor que é o reflexo de uma pessoa de boa saúde.

A tentação de fazer a publicidade para uma cura deverá ser substituída pela garantia absoluta de se sentir melhor. Basta dizer àquele que o pede: “Prometo que se te alimentares e viveres de uma maneira macrobiótica, sentir-te-ás cada vez melhor por tanto tempo enquanto viveres”.

Nada é mais simples e mais verdadeiro.



Saturday, January 14, 2023

 


A ABÓBORA DOCE DE HOKKAIDO

(POTIMARRON)

Por: Gérard Wenker

A abóbora de que vamos falar é uma prima da nossa abóbora (família das Cucurbitaceae), mas é incomparavelmente melhor em sabor e mais nutritiva. Pertence às variedades do Extremo Oriente que são consumidas cozinhadas e cuja carne é deliciosa. As sementes (provenientes da ilha de Hokkaido, no norte do Japão) foram importadas pela primeira vez em 1957 por Georges Ohsawa, e imediatamente se adaptaram-se perfeitamente ao nosso clima. Desde então, lembrando com gratidão este presente, temos guardado sementes todos os anos para enviar a amigos em todo o mundo, e esta preciosa abóbora aclimatou-se em todo o lado. Talvez valha a pena dizer que a abóbora doce, capaz de produzir 30.000 kg por hectare, poderia tornar-se um elemento importante na luta de tanta gente contra a fome ...

Uma cultura sem problemas...

A abóbora doce é semeada em Maio – cada ponto a uma distância de 1,50 m em todas as direcções, com 3 sementes juntas a uma profundidade de 2 cm. Não é necessário nenhum cuidado especial para preparar o solo, mas certifiquemo-nos de que é rico em matéria orgânica (composto), uma vez que a abóbora gosta de húmus. Assim que os rebentos tiverem cerca de 5 cm de altura, remove-se as plantas supérfluas para deixar apenas a mais vigorosa em cada ponto. A única manutenção consiste em sachar o solo à volta, para o manter solto e impedir a proliferação das ervas daninhas. A abóbora está normalmente madura por volta de Setembro: nesta altura, os caules começam a enrugar-se. Na colheita, deve ter-se o cuidado de não danificar o fruto e de o conservar num local fresco e seco. A abóbora doce é fácil de cultivar, mesmo no alto ou em vasos (neste último caso, pode ser utilizada como planta ornamental). A sua cor varia do verde ao vermelho, com uma gama de tonalidades intermédias (verde azeitona, verde-azul, amarelo claro, amarelo alaranjado, laranja, vermelho alaranjado, etc.). O fruto é pequeno (1 a 4 kg), muito denso, muito duro, e faz um som pleno quando é percutido com os nós dos dedos. Se a abóbora se tornar maior, mais aguada e perder a sua densidade, isto significa que ocorreu um cruzamento com a abóbora local, através do pólen transportado pelas abelhas. Este cruzamento pode ser facilmente reconhecido, não só pelo seu tamanho maior, mas também pela sua pele mais lisa e pelo som oco que produz quando é percutida. Por outro lado, conserva-se menos bem do que a abóbora doce.

Valor dietético

A abóbora doce (ou potimarron: nome que o Professor G. Ohsawa gostava de lhe dar devido ao seu sabor que lembra a castanha), ocupa um lugar importante na dieta macrobiótica ou cerealífera, não só devido ao seu excelente sabor e apresentação agradável, mas sobretudo devido à sua riqueza nutricional e ao equilíbrio dos seus componentes.

Análise da abóbora doce (resultados expressos em 100 gr.)

Proteína (total) = 1,57 g.

Proteína (aminoácidos)

·         Isoleucina 0,054g - Leucina 0,085g - Lisina 0,058g - Metionina 0,019 - Cistina 0,009 - Fenilalanina 0,049 - Tirosina 0,073 - Treonina 0,040 - Triptófano 0,033 - Valina 0,060 - Histidina 0,025 - Arginina 0,010 .

Provitamina A = 17,6 mg

Gorduras = 0,014

Amido = 8,92

Açúcares = 2,93

Minerais (total) 0,88

Minerais (em mgr): Cálcio 53 mg - Fósforo 104 mg - Sódio 7,34 mg - Potássio 32,2 mg - Magnésio 17 mg - Ferro 1,06 mg - Silício 0,38 mg.

É muito rica em provitamina A (caroteno), e é, portanto, uma excelente fonte de vitamina A. Para concluir estes dados analíticos, saliente-se que a relação Sódio/Potássio (Na/K) da abóbora doce é de 1/4, ou seja, muito favorável de acordo com o princípio Yin Yang que preconiza 1/5 como relação Na/K ideal.

G. Ohsawa atribuiu-lhe um poder curativo em muitas doenças, sobretudo na diabetes. E de facto, nós próprios temos testemunhado resultados surpreendentes em doentes com diabetes que já não podiam ser mantidos vivos sem uma injecção diária de insulina.

Uma vez que somos feitos do que comemos, que todos os constituintes do nosso edifício físico provêm da nossa alimentação, é impossível negar a importância absoluta da natureza e da qualidade de tudo o que ingerimos para viver (incluindo naturalmente a água que bebemos e o ar que respiramos). Os materiais de que uma casa é construída são a base da sua solidez. Se for construída com materiais de má qualidade, nunca será possível fazer uma boa casa. Felizmente para o edifício humano, que vive, evolui e se renova constantemente, é possível reparar em qualquer altura qualquer defeito de construção. Citemos a este propósito o que disse o Professor Doutor A. Kawabata, da Universidade de Kyoto: "O corpo humano é composto por aproximadamente quatro triliões de células, mas de todas as que recebemos da nossa mãe (incluindo os nossos 15 triliões de células cerebrais), rapidamente não resta uma única”.

À medida que inúmeras células morrem, formam-se constantemente novas células. E cada célula repete o processo de nascimento, crescimento, maturidade, senilidade e morte. Podemos dizer que a saúde é uma bela harmonia de vida e de morte, e que a doença é uma desarmonia. A verdadeira força motriz desta alternância de nascimento e destruição das nossas células é o alimento que absorvemos. A maior causa da doença vem de uma má alimentação: quando esta é boa, todas as dificuldades que nos rodeiam podem ser muito mais facilmente resolvidas, e o homem equilibrado até tem prazer em enfrentá-las. A saúde é a primeira lei ética de cada indivíduo e, ao mesmo tempo, o ideal supremo de toda a Humanidade.

As possibilidades de reconstrução ou regeneração do nosso corpo são infinitas: este é o papel dos humildes alimentos que a natureza nos dá, o simples grão de arroz de um bom solo não poluído por químicos, em suma, todos os preciosos cereais, os bons legumes e frutas cultivados de cultura biológica, as plantas selvagens, etc. É neste context que falamos de abóbora doce, que, como tantos alimentos naturais, tem não só um valor curativo específico, mas também um certo poder preventivo. E é apropriado aqui voltar à diabetes, que foi mencionada acima: esta doença não está em declínio, longe disso; afecta até indivíduos cada vez mais jovens, de modo que é útil pensar na sua prevenção. Mesmo se as valiosas propriedades da abóbora doce ainda não estão cientificamente explicadas, é, no entanto aceite que se devem à estrutura bioquímica especial dos seus hidratos de carbono.

Outra aplicação das virtudes da abóbora doce, é a utilização das suas sementes para combater os parasitas intestinais. Este remédio altamente eficaz sempre foi conhecido nos países onde a abóbora cresce. Os nossos cães e gatos, assim que são afligidos por vermes, demonstram-no devorando as sementes de abóbora que lhes são postas à disposição...

Passemos à a cozinha.

SOPA DE ABÓBORA:

Ingredientes (para 8 pessoas):

·         1/2 kg de cebolas, 2 colheres de sopa de óleo de girassol, ou óleo de sésamo, uma abóbora doce, 2 litros de água, 50 g de farinha de trigo ligeiramente peneirada, 4 colheres de sopa de Tamari ou sal (ou ambos), 100 g de queijo parmesão, salsa picada.

Preparação:

·         Aquecer o óleo numa frigideira e dourar ligeiramente as cebolas finamente picadas. Adicionar a abóbora picada e água, ferver até ficar macia, mexer, adicionar o Tamari e ligar com a farinha previamente diluída em um pouco de água fria. Acrescentar a salsa picada e polvilhar com queijo ralado antes de servir. Esta sopa é muito tonificante.

BATATAS FRITAS DE ABÓBORA

Ingredientes (para 4 pessoas):

·         1/2 kg de abóbora doce, sal marinho.

Preparação:

·         Cortar a abóbora tipo batatas fritas, secá-las bem e mergulhá-las numa frigideira com óleo a ferver. Escorrê-las assim que estiverem bem douradas. Polvilhar com sal.

 

BATATAS FRITAS "LIGHT" DE ABÓBORA

·         Cortar uma abóbora grande em quatro.

·         Fazer fatias em forma de barco ou meio barco.

·         Reparti-las num prato Pyrex em duas camadas, passar as fatias por óleo de sésamo com um pincel.

·         Colocar num forno quente durante meia hora.

·         Tirar quando estiverem douradas. Polvilhar com sal.



Wednesday, January 11, 2023

 


OS PRATOS ÚNICOS

Exº: DA SOPA REGENERADORA DE GÉRARD WENKER

 

OS PRATOS ÚNICOS

Os pratos únicos fazem parte da tradição de todos os países do mundo: consistem em receitas que unem as leguminosas, os cereais, os vegetais de estação e, muito ocasionalmente (e prescindível), algo de carne ou peixe, para proporcionar um prato completo do ponto de vista nutricional.

Exemplos:

·        Sopa Ministroni italiana – une a massa ou os cereais integrais com feijões

·         As lentilhas com o arroz, da tradição espanhola

·         O cozido madrileno

·         O cuscuz com grão-de-bico marroquino

·         O arroz com feijocas da América latina

·         O Dhal com chapati ou arroz na Índia

·         Etc.

Proporcionam-nos proteínas de alta qualidade ao unir cereais integrais com leguminosas, gorduras, minerais e vitaminas.

A larga cozedura a que são submetidos, fornece calor e energia suficientes para fazer face às necessidades individuais diárias, inclusivamente em condições de climas rigorosos e trabalho duro.

O fornecimento vitamínico, no que diz respeito às vitaminas hidrossolúveis sensíveis ao calor, é insuficiente. Porém, uma peça de fruta da estação, um pouco de salsa ou de cebolinho ou a parte verde de alho francês frescos e picados ou ainda uma salada como acompanhamento, complementam essa insuficiência.

Podem conservar-se por 2 ou 3 dias no frigorífico – reavivando a sua energia de cada vez que os reaquecemos com um pouco de ervas frescas picadas -, embora o ideal seja prepará-los frescos todos os dias. Muitos destes pratos únicos também podem ser servidos com uma colher por pessoa de pestos caseiros.


A SOPA REGENERADORA DE GÉRARD WENKER

Aconselhada para:

·         Pessoas em estado de fraqueza crónica,

·         Convalescentes,

·         Pessoas idosas,

·         A todos aqueles que ainda não são capazes de praticar uma cozinha macrobiótica mais elaborada, por motivos de tempo, espaço ou outra razão,

·         É particularmente recomendada aos principiantes, como prato principal, enquanto aprendem ou aperfeiçoam a sua prática culinária,

·         Esta preparação pode ser consumida como prato único durante várias semanas, à razão de várias tigelas por dia.

Prepare e coma esta sopa diariamente, não a conserve no frigorífico.

Reaqueça-a cada vez que a utilizar durante o dia, evitando a ebulição.

Varie muitas vezes os ingredientes que a compõem, adaptando-a à estação e às variações climatéricas do dia. 

Para uma eficácia máxima, a qualidade biológica e energética de todos os produtos utilizados, incluindo a água, é primordial.

1. PREPARAÇÃO

Utensílios: 2 panelas inox, 2 bicos (fogão)

Tempo de preparação: 1h30

INGREDIENTES

·         50 g de cereais tostados

·         50 g de leguminosas

·         1 l de água da fonte

·         1 colher de sopa (c.s.) de óleo de sésamo

·         1 pitada de sal, 2 c.s. de miso

·         Legumes bolbos, legumes raiz

·         Legumes folhas, legumes selvagens

·         Legumes do mar (algas)

·         Plantas aromáticas: segurelha, estragão, tomilho

·         Plantas condimentais: gengibre ou rábano

·         Proteínas: tofu um, seitan, fu ou mochi

1ª PARTE

2. PREVIAMENTE: TOSTAR UM CEREAL INTEGRAL EM GRÃO

·         À escolha: kamut, espelta, centeio, cevada, aveia, arroz, millet, sarraceno.

Lavar em água corrente da torneira 500 g do cereal escolhido, escorrer alguns minutos, tostar numa sertã de fundo espesso (não utilizar sertãs esmaltadas). Tostar a seco, durante uns 10 minutos, em lume médio, mexendo com regularidade com uma espátula de madeira, deixar esfriar, guardar hermeticamente num frasco de vidro de boca larga.

3. COZINHAR O CEREAL E A LEGUMINOSA

a)  Levar à ebulição 0,5 l de água da fonte numa panela inox.

Lavar e juntar meia taça de feijão azuki ou lentilhas, juntar alguns raminhos de segurelha, tomilho ou estragão e um pedaço de alga kombu, deixar cozer em lume brando cerca de meia hora ou mais.

b)  Medir meia taça de cereal preparado e tostado, e juntar à leguminosa que está a cozinhar. Deixar cozer ainda durante meia hora.

Durante este tempo preparar os legumes.

2ª PARTE

4. PREPARAÇÃO DOS LEGUMES

·         Lavar e cortar em lamelas finas de 2 a 3 mm os legumes disponíveis e de estação. Escolher entre:

- 1 cebola ou 3 echalotas ou 1 alho francês com a sua raiz

- 1 cenoura ou 1 pastinaga – a partir do Outono abóbora

- 1 daikon ou rábano branco ou negro

- 1 grossa folha de couve branca, verde, frisada ou chinesa

Reservar separadamente em taças

- Juntar algumas plantas selvagens comestíveis: escolher entre as espécies mais fáceis de reconhecer e encontrar

Folhas: urtigas, dente-de-leão, borragem, tussilagem, agrião, tanchagem, …

Raizes: dente-de-leão, bardana, cenoura selvagem, salsifis, …

- Cortar finamente um punhado de 2 ou 3 destas plantas selvagens

- Juntar ainda algas: demolhar durante 5 mn um pequeno punhado de algas, escorrer e cortar finamente – wakame, dulse, arame ou hiziki.

5. PREPARAR A SOPA

·         Na segunda panela inox deitar 1 c.s. de óleo de sésamo, aquecer em lume médio, juntar as cebolas ou as echalotas e salteá-las docemente, até que deixem de fazer lacrimar os olhos.

·         Juntar sucessivamente todos os legumes, mexendo lentamente durante 5 mn.

·         Juntar uma pitada de 3 dedos de sal marinho integral, mexer ainda durante 5 mn, juntar as algas com a sua água do demolho.

·         Verter lentamente 0,5 l de água da fonte, pouco mineralizada e levar à ebulição.

·         Juntar os cereais (do ponto 3.).

·         Misturar e deixar cozinhar tudo durante meia hora.

·         Ajustar a quantidade de água se necessário.

·         No final do cozimento, juntar alguns bocados de tofu ou fu, ralar um bocado de gengibre ou de rábano, deixar cozer ainda mais 5 mn e desligar o lume.

·         Desfazer/diluir o miso numa tijela com água da sopa, e juntar à panela, mexer e deixar repousar alguns minutos.

·         Guarnecer com salsa ou cebolinho picado ou a parte verde do alho francês picados e servir quente.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

·         “Préparations macrobiotiques spéciales pour tous” – Gérard Wenker (2010)

·         “Que el alimento sea tu medicina” – Clara Castellotti (2022)



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