Tuesday, January 24, 2023

 


A MACROBIÓTICA:

UM PROJECTO POLÍTICO PARA UM MUNDO NOVO

Por: Gérard Wenker

Perigosa para os estados, subversiva para as igrejas,

a macrobiótica e as receitas de vida longa foram atacadas,

denegridas e ridicularizadas durante séculos.

Até que nos anos 1929-1935, um japonês,

GEORGES OHSAWA,

confrontado com os limites da medicina moderna no seu país, ...

redescobriu as virtudes da dieta macrobiótica ...

 

A macrobiótica é uma arte de viver livremente, de acordo com as leis da ordem universal.

- Livre de pensar livremente

- Livre de viver com saúde

- Livre de morrer no momento escolhido

- Livre de viver num mundo de paz.

Viver livre não é mais do que uma ilusão, se tivermos sido formatados para caber no molde que a sociedade nos preparou para o nosso bem e para o bem de todos.

Viver livre, não é uma liberdade real, se formos deficientes, se formos doentes mentais, se estivermos gravemente doentes, se tivermos fome, se formos obesos, se estivermos na prisão, se estivermos desempregados, se formos sem abrigo. Se não soubermos porquê!

Livres de morrer sim, mas não aos 20 anos, não condenados à morte pela justiça ou pela medicina, não de fome, não nos campos de batalha, não retalhado pela liberdade, não gritando PORQUÊ!...

Livre de viver em paz num mundo de paz. Não sonhe!! Pensa que estes dramas humanos são uma fatalidade, um castigo, uma condenação, talvez até mesmo merecida, por ter pecado. E de qualquer forma, não há escolha, temos de passar por isso, é o nosso karma: inch´Allah.

Não, não é se Deus quiser, mas apenas o que nós quisermos, se nós o quisermos. Para todos os que recusam o inexorável, existe um caminho, um método, uma filosofia ou uma doutrina, pouco importa o nome que lhe queiram chamar, que é realista, viável e praticável, nós chamamos-lhe macrobiótica, e é uma arte de viver que melhora a condição humana e proporciona a verdadeira liberdade através do conhecimento.

Uma arte de viver que existe há milhares de anos, uma arte de viver de tal modo eficaz que foi sempre confiscada pelas elites e pelos poderes para seu próprio uso.

A fim de manter a sua exclusividade, cada época tornou o seu uso mais obscuro - astrologia, numerologia, alquimia e as sucessivas traduções desviaram finalmente o verdadeiro propósito da macrobiótica, que era o de dar a cada indivíduo os meios para ser responsável pela sua saúde e pela sua longevidade.

Perigosa para os estados, subversiva para as igrejas, a macrobiótica e as receitas de vida longa foram atacadas, denegridas e ridicularizadas durante séculos. Forçada a refugiar-se no hermetismo, a macrobiótica sobreviveu, mas de forma distorcida, em algumas escolas esotéricas ocidentais.

No século XX tinha desaparecido completamente, substituída pela dietética, pelas preparações farmacêuticas cada vez mais eficazes e pelas vacinações obrigatórias.

Nos anos 1929-1935, um japonês, Georges Ohsawa, confrontado com os limites da medicina moderna no seu país, foi para França, para Paris, e inscreveu-se na Sorbonne, frequentou o Instituto Pasteur e a Biblioteca Nacional, e foi lá que redescobriu as virtudes da dieta macrobiótica, provavelmente em livros antigos consagrados a esta especialidade. (De Triplici Vita).

Após numerosas viagens e múltiplas aventuras, regressou a França em 1957 para apresentar uma nova macrobiótica totalmente renovada e revitalizada pelo Princípio Único do Extremo Oriente e pela Dialéctica Taoísta.

O sucesso foi imediato, e em poucos anos milhares de seguidores converteram-se aos segredos da cozinha macrobiótica. Um livro intitulado "Macrobiotic Zen" vendeu mais de um milhão de exemplares, e de agora em diante cada cidade tem um ou mais restaurantes macrobióticos, foram criados centros de ensino em todos os países da Europa. Muitas pessoas doentes recuperaram a sua saúde e muitas mais estão a dar sentido às suas vidas, mudando as suas vidas.

Após séculos na sombra, em duas décadas esta arte de viver de acordo com a ordem do universo floresceu em quase todo o planeta, e fomos levados a acreditar que poderia ser o início de uma nova era dourada para a humanidade.

Mas atenção, as forças retrógradas estão vigilantes, os guardiães da ordem mudaram, primeiro foi a ordem clerical nos séculos passados, depois os estados e as suas forças de ordem, e agora é a ordem dos médicos e dos seus vassalos, ou talvez o oposto, as multinacionais farmacêuticas.

Homeopatia - efeito placebo, sem moléculas activas; golpes, esquemas.

Medicina energética – não há provas científicas.

Ah sim! quase me esquecia daqueles que agem na sombra, os lobbies agro-alimentares, retransmitidos pelos cientistas que recebem ordens.

- A B12 - sem salvação fora do fígado de vaca.

- O Cálcio - uma estrutura óssea de betão com produtos lácteos em abundância.

À excepção de curtos períodos de expansão, no século III, na Renascença e no século XX com G. Ohsawa, a macrobiótica e todas as disciplinas adjacentes que advogam regras naturais de saúde, de rejuvenescimento ou de longevidade sempre foram combatidas pelos poderes estabelecidos.

Mas porque é que a macrobiótica mete tanto medo aos governantes, o que é tem de tão subversivo, o que é que ela ensina tão perigoso para ser vigiada, condenada e até interdita? Mesmo que na nossa época liberal os métodos tenham mudado e já não “queimem”, continuam ainda e sempre a denegrir, a ridicularizar e a condenar a macrobiótica.

As regras macrobióticas sempre reflectiram as grandes leis da ordem universal. Respeitar estas leis na vida quotidiana para viver uma vida longa e de boa saúde é a tese fundamental do modo de vida macrobiótico.

Mas a prática regular desta arte de viver proporciona ainda algo mais, algo muito mais perigoso para os poderes, sejam eles democráticos ou totalitários, capitalistas ou monárquicos - "A macrobiótica melhora o julgamento e desenvolve uma consciência universal”.

Eis o verdadeiro perigo, o Estado moderno delegou os seus poderes para melhor governar. A sociedade cuida de tudo por e para nós, para o nosso e para o seu bem no melhor dos mundos.

- O pensamento para a educação e instrução

- A saúde para a ordem dos médicos

- A ordem para as forças da ordem

- A mortalidade para as estatísticas do estado

- A paz para os militares

- O conhecimento para os cientistas

- As crenças para as igrejas.

- Portanto, não deixar desenvolver de jeito nenhum um movimento que advoga a liberdade através de escolha pessoal que desafia a razão do Estado.

 

***

E nós - e nós então ... o que nos resta! Na realidade, pouca coisa, apenas uma coisa aparentemente insignificante, mas na realidade a mais importante de todas, que pode ser resumida numa pequena frase: "Nós somos o que comemos".

É sobre esta simples constatação, que à primeira vista nada tem de subversiva, que as doutrinas macrobióticas têm sido construídas ao longo dos séculos.

Mudar a sua alimentação e a forma de comer, reforçadas no século XX pela reflexão yin-yang da dialéctica taoísta, introduzida no Ocidente por um japonês chamado Georges Ohsawa, é a última liberdade individual que nos resta.

Quando sabemos que este método, permite:

- evitar a maioria das doenças, podemos estar certos de que seremos capazes de

- curar as doenças degenerativas

- reforçar a força vital e o sistema imunitário

- manter uma família saudável.

- desenvolver o próprio nível de consciência

- resolver o problema da fome no mundo

- construir um mundo de paz

Compreende-se melhor o impacto da macrobiótica - esta via para a saúde e a paz, através da evolução biológica e espiritual - se ela se estendesse a milhões de pessoas ou se se estabelecesse em vários países.

Não, não, não; a macrobiótica não passará - aqueles que nada sabem vigiam os seus bens. Por detrás das maiores siglas das organizações mundiais - ONU-OMS-FMI-OMC-G8 – escondem-se os vigilantes do bezerro de ouro.

Sobretudo nenhum humano saudável, que se estão a sair bem, isso não daria nenhum lucro.

Eis os 7 Artigos da Revolução Biológica recomendados pela nova macrobiótica. O nº 1 é prioritário, é inútil ir mais longe enquanto não tivermos assimilado pelo menos as noções básicas yin-yang.

1.  Aprender a reconhecer o jogo permanente das duas forças antagónicas e complementares yin e yang. Utilizá-las como guia para compreender o jogo da vida na natureza, no nosso corpo, nos nossos comportamentos e em todos os fenómenos que nos rodeiam.

2.  A fim de respeitar as polaridades harmoniosas da natureza, é aconselhável não utilizar produtos alimentares contendo aditivos químicos, e de dar a prioridade aos alimentos provenientes de uma agricultura biológica, artesanal e regional.

3.  Consumir frutas e legumes provenientes da mesma zona climática em que vivemos, respeitando a estação natural da vegetação de crescimento biológico de cada planta.

Introduzir regularmente na dieta legumes selvagens locais e legumes do mar (algas) sempre que possível.

4.  O consumo de produtos de origem animal deve satisfazer três critérios:

a)  Comer espécies que não fogem.

b)  Comer as espécies que são biologicamente mais afastadas de nós.

c)  Não ingerir subprodutos animais provenientes de roubo ou apropriação indevida.

d)  Rejeitar totalmente os produtos lácteos: Estes produtos não são concebidos para o consumo humano e além do mais têm taxas elevadas de herbicidas, antibióticos e hormonas. A nível psíquico, os produtos lácteos mantêm-nos a um nível infantil.

(O leite é para os bezerros e o mel para as abelhas se alimentarem durante o Inverno).

5.  Composição do prato macrobiótico padrão de base:


6.  Quadro original das 10 formas de comermos segundo o método macrobiótico, tal como aparece em "Macrobiotica Zen".

Eis o comentário que acompanha este quadro:

“Beba o mínimo possível. Se não alcançar o bem-estar que deseja, experimente o regime que está acima. O mais alto, o nº 7, é o mais fácil; os mais baixos são os mais difíceis”.

Nota: Por mais fácil, G.O. queria dizer mais fácil de equilibrar de acordo com yin e yang, e por mais difícil, pode-se compreender que quanto mais ingredientes diferentes, mais experiência é necessária.

7.  "No Credo" - não acreditar mas sim compreender para se chegar a uma convicção pela sua própria reflexão. Crença, fé e superstição são na realidade sinónimo de ignorância.

"Vivere pavro" saber contentar-se com o essencial sem desperdiçar os dons da vida. Ser grato por tudo o que recebemos.

Como podemos constatar, estas regras, que são apenas recomendações, revelam antes de mais bom senso e seriam perfeitamente inofensivas para os Estados, se não fizessem parte de uma sociedade onde o consumo excessivo e o lucro são os principais pilares da economia e a economia o único barómetro dos governos em vigor. Os lobbies da indústria agro-alimentar (carne industrial, lacticínios, cereais, moagem, etc.) associados aos grandes grupos químicos certificam-se de que ninguém põe um travão à sua expansão. Desinformação, corrupção, manipulação científica, tudo é bom e feito para desacreditar o movimento macrobiótico mundial.

Num futuro próximo, uma geração, no máximo, se as condições de degradação do planeta continuarem ao mesmo ritmo, o modo de vida macrobiótico será talvez a única saída possível para os sobreviventes de uma humanidade laminada por cataclismos naturais, fome, sede e poluição química dos quatro elementos essenciais à vida (terra, água, ar e alimentos), todos eles a par de uma forte regressão dos nossos sistemas imunitários, levando à degeneração da espécie humana.

Assim, um conselho, saltemos com toda a liberdade para o barco salva-vidas chamado "macrobiótica". Enquanto ainda há tempo, preparemo-nos para enfrentar longos períodos de fome, reforcemos os nossos sistemas imunitários, aprendamos a sobreviver com o "vivere pavro" e o respeito das verdadeiras leis da ordem universal através do "Non Credo".

Milhares de pioneiros em todo o mundo já tentaram a aventura da "Grande Vida", juntem-se a eles, um novo mundo está a ser preparado, um mundo de saúde e de paz. Bem-vindos a esta nova idade de ouro aqui e agora.

Gérard Wenker - Setembro de 2003



Thursday, January 19, 2023

 


OS ÓLEOS NA ALIMENTAÇÃO

MACROBIÓTICA PADRÃO

Introdução

Na alimentação macrobiótica padrão (AMBP), os temperos são utilizados de forma regular e devem ser biológicos e fabricados com técnicas naturais.

Um óleo de boa qualidade é essencial para a saúde.

Para a cozinha diária, o óleo de sésamo negro devia ser o preferido.

Os óleos de sésamo branco, de milho e de grãos de mostarda podem igualmente ser utilizados frequentemente e os outros óleos vegetais não refinados, utilizados ocasionalmente.

A utilização dos temperos deve ser moderada e adaptada às necessidades individuais.

A frequência e a quantidade de óleo consumido variam de indivíduo para indivíduo.

Idealmente, os óleos e as gorduras deveriam ser absorvidos pelo organismo no seu estado integral a partir de alimentos como os cereais integrais, as leguminosas e as sementes.

Para uma pessoa normalmente de boa saúde, uma ou duas refeições por dia poderão ser preparadas com uma pequena quantidade de óleo não refinado. Poderá ser sob a forma de pequenos pratos de acompanhamento, de legumes ou de algas salteados ou molhos ou guarnições que os contêm. Mais ou menos uma vez por semana, em dias de festa ou ocasiões especiais, poderão ser preparados fritos de tofu ou de seitan ou tempuras de legumes, peixe ou crustáceos.

Os fritos ou as tempuras utilizam grandes quantidades de óleo. No entanto, quando são correctamente preparados, os alimentos cozinhados desta maneira não são nem oleosos nem pesados, mas estaladiços e de sabor delicado.

Para as pessoas que não estão de boa saúde, o consumo de óleo deve ser minimizado ou evitado até que a sua condição melhore.

Características

Os óleos vegetais são de preferir às matérias gordas animais por causa, entre outras razões, dos seus pontos de fusão diferentes.

A maior parte das gorduras animais, com efeito, permanecem mais ou menos coaguladas à temperatura do corpo ou ocasionam depósitos que podem a longo prazo degenerar.

As sementes oleaginosas são alimentos mais completos e mais fáceis de digerir do que os óleos, que são, de facto, produtos refinados.

Os óleos de melhor qualidade são obtidos prensando as sementes, cereais, frutos ou nozes a temperaturas relativamente baixas, filtrando-os ao mínimo e armazenando-os em garrafas. De aparência turva, são ricos e contêm o aroma natural e o sabor dos produtos integrais dos quais são extraídos.

Contêm igualmente os antioxidantes e os outros nutrientes que impedem que fiquem rançosos.

A extracção dos óleos vegetais de qualidade inferior é correntemente obtida com a ajuda de solventes. Neste procedimento, o hexano, um hidrocarboneto muito tóxico derivado do petróleo, é aquecido a altíssimas temperaturas para extrair o óleo, destruindo a maior parte dos nutrientes.

Certos óleos, de armazéns de produtos naturais, trazem a menção “prensado a frio” para indicar que não foram obtidos a temperaturas elevadas.

No entanto, entre os óleos não refinados habitualmente disponíveis, apenas o óleo de oliva (azeite) é realmente prensado a frio sem qualquer aquecimento. Além disso, a expressão “prensado a frio” não é necessariamente um critério de qualidade.

Cozinha Macrobiótica

O óleo não é um carburante, mas um comburente, o que não faz dele um alimento e ainda menos um nutriente, contrariamente às alegações erróneas da dietética médica moderna.

A água evapora a 100ºC, o ponto de fumaça do óleo situa-se entre os 180 e os 250ºC, sendo, pois, antes de mais, pelas suas qualidades térmicas que o uso do óleo no cozimento de certos alimentos se poderá tornar necessário, porque permite aumentar até 250ºC ou mesmo até 300ºC para certos óleos, a temperatura de cozedura dos alimentos.

Na realidade a utilização e o consumo dos óleos deveriam ser reduzidas ao mínimo necessário – 20 a 30 g de lípidos são suficientes para as necessidades energéticas diárias de um adulto sedentário de 70 Kg de peso. Os corpos gordos são a única forma de energia armazenável pelo nosso organismo – os excedentes são postos em reservas sob a forma de células adiposas, celulite e colesterol – e ninguém já ignora as graves perturbações na saúde que elas provocam.

Taxa de corpos gordos de alguns alimentos (para 100g):

Manteiga: 80 g

Queijo: 40 g

Toucinho:75 g

Frango: 6 g

Salmão fresco: 15 g

Margarina: 75 g

Ovo: 12 g

Óleo vegetal: 80 g

Amêndoas:  40 g

Chocolate:  75 g

Sésamo: 6 g

Soja: 15 g

Arroz integral: 75 g

Aveia: 12 g


Para substituir a manteiga e a margarina, devíamos utilizar as manteigas (purés) de sementes de oleaginosas, tais como: amêndoas, avelãs, girassol, etc. A melhor pasta para barrar é o TAHIN, manteiga de sementes de sésamo – o “abre-te sésamo” dos contos das Mil e Uma Noites. Rica em fósforo, lecitina, e em aminoácidos essenciais, tem uma acção específica sobre a memória, o sistema nervoso e a clareza de espírito. Natural ou aromatizado, salgado ou adoçado, convém a todos os usos, no vinagrete, molho para salada, como base das massas vegetais ou adicionado com mel de cereais nas sobremesas.

Os óleos devem ser sempre provenientes de sementes biológicas prensadas a frio, não refinados e simplesmente filtrados mecanicamente.

O azeite (óleo de oliva) tal como é recomendado pelo corpo médico e dietistas profissionais é o exemplo perfeito dos erros que se podem cometer, a partir do momento que nos deixamos guiar unicamente por considerações analíticas bioquímicas.

Segundo as regras do Yin-Yang, o azeite é um óleo a partir de um fruto, sendo, pois, duplamente Yin, e por consequência deveria limitar-se exclusivamente às zonas de implantação da oliveira. Na cozinha macrobiótica a sua utilização é desaconselhada nas zonas climáticas frias e na estação fria das zonas temperadas.

O óleo cria uma energia dilatante, uma energia de expansão. Apenas uma pequena quantidade é necessária para os cozinhados. Apenas uma colher de sopa é quanto basta para cobrir o fundo da frigideira e fazer saltear os legumes, as massas ou os cereais para toda a família. Para as pessoas que devem limitar o consumo de óleo, basta espalhá-lo no fundo da frigideira com um pincel. Numerosos alimentos combinam bem com o óleo – é o caso da maior parte dos legumes de raiz, as cebolas, as couves e alguns legumes redondos, legumes de folhas, as algas hijiki e arame, o tofu, o seitan e o tempeh. Outros alimentos não combinam tão bem com o óleo – é o caso do feijão azuki, o grão de bico, as algas kombu e as abóboras (se bem que possam fritar-se).

Para ajudar a digestão do óleo, principalmente no caso dos fritos e tempuras, um pouco de daikon (ou nabo ou rabanete) e algumas vezes gengibre ralados ou uma ameixa umeboshi são habitualmente servidos.

No caso do peixe e crustáceos – sejam ou não preparados com óleo – utiliza-se um condimento mais forte, em vez do daikon, o rábano ou o rábano japonês (wasabi).


NUMA ESCALA DE YIN-YANG:

Quanto mais pequena é a semente, mais Yang é o óleo.

Cártamo – Azeite de oliva – Milho – Girassol – Colza – Sésamo




Notas importantes

Os óleos devem ser de primeira pressão a frio – não quer dizer que na sua extracção não se possam aquecer!

O óleo muito quente produz um elemento de degradação.

Nunca chegar ao ponto de fumegar, que se situa, conforme os óleos, próximo dos 160ºC.

(1)  O óleo de cártamo possui um sabor muito doce e permite fazer molhos ligeiros. Degrada-se mais facilmente do que os outros óleos e é instável a altas temperaturas.

É menos utilizado que os outros em cozinha macrobiótica.

(2)  O azeite possui um sabor e um aroma particulares ligeiramente doces e conserva-se por mais de um ano sem refrigeração. É delicioso para as saladas e é utilizado, ocasionalmente, para os cozinhados. É o único óleo bastante comercializado que não é extraído a alta temperatura e a alta pressão. O melhor de todos, o Azeite Virgem, é obtido na primeira pressão do fruto. A segunda qualidade é o dito Azeite Puro e é obtido com a ajuda de produtos químicos. O azeite é, na sua origem, de qualidade monoinsaturada, o que faz que seja mais gordo e menos digesto do que os óleos polinsaturados.

(3)  Depois do óleo de sésamo, o óleo de milho não refinado é o óleo mais frequentemente utilizado na cozinha macrobiótica. Possui um rico sabor de milho e a variedade mais escura provem do grão integral. É frequentemente utilizado nos salteados e no forno e em molhos e guarnições. No entanto, do facto que faz espuma facilmente a altas temperaturas, não é utilizado em fritos e tempuras.

(4)  O óleo de girassol é o principal óleo utilizado na Rússia, no Canadá e outros envolvimentos nórdicos frios. Possui um sabor agradável, um aspecto claro e conserva-se perfeitamente. É utilizado ocasionalmente em vez dos óleos de sésamo e milho.

(5)  O óleo de soja possui um forte sabor parecido com o sabor a peixe, apreciado por uns e rejeitado por outros. Um óleo de soja refinado, de sabor mais neutro, é utilizado pela indústria alimentar.

(6)  O óleo de sésamo negro, obtido através de sementes de sésamo tostadas, possui um rico sabor a avelãs, um aroma fumado, uma cor escura profunda e uma aparência turva. É um óleo de superior qualidade e é preferido para as utilizações regulares como os salteados, fritos na frigideira, tempura, no forno, fritadas assim como em molhos e cremes de tartinar. O óleo de sésamo branco possui um sabor doce, é mais fluído e o seu aroma é menos marcado. É utilizado para confeccionar pratos delicados para os quais o forte sabor do óleo de sésamo negro poderia contrariar o sabor dos outros ingredientes. Muito estável e resistente às alterações, o óleo de sésamo pode ser conservado, arrolhado hermeticamente depois de aberto, num local escuro e fresco ou colocado no frigorífico.

Óleo de Mostarda – O óleo de sementes de mostarda é obtido da mesma planta cujas folhas são utilizadas como legumes. É pouco utilizado no Ocidente, mas bastante utilizado na Ásia e no Médio Oriente.

Outros óleos – Os outros óleos de qualidade vegetal não refinados obtidos de maneira natural e tradicional e que são comummente utilizados, podem ser consumidos de tempos a tempos, por pessoas habitualmente de boa saúde, pelo prazer e variedade que trazem à alimentação. São, entre outros os seguintes: óleo de amendoim, de sementes de algodão e de linho, de amêndoas e de nozes. Os óleos de coco e de palma, sendo de qualidade ligeiramente saturada, são evitados em macrobiótica.



BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

·         GISEL, François – “La Macrobiotique – aperçu théorique”

·         WENKER, Gérard – “Macrobiotique pratique. Traité de longue vie” – 2009;

·         KUSHI, Aveline & Michio – “Harmonisation de l´alimentation – selon les variations de l´environnement et besoins personnels”.


Tuesday, January 17, 2023

 


CREME ESPECIAL “In-Ka”

IN: “L´Art de vivre macrobiotique”, Gérard Wenker.

 

Muito eficaz para todos os problemas musculares e articulares.

Artrose, poliartrite, reumatismo, cãibras musculares, rigidez muscular, etc.

Dores nos joelhos, nos cotovelos, nos ombros e na nuca.

 

Ingredientes e Utensílios

·         Gengibre fresco, cerca de 200 g

·         Álcool de farmácia a 70°

·         Óleo de sésamo biológico

·         Alga Agar-Agar em pó ou em barrinhas

·         Lecitina de soja alimentar em pó (opcional)

·         Um frasco, envolto em papel de alumínio.  

Preparação

1.  Ralar o gengibre para uma gaze/tecido, espremer a polpa até recolher o máximo de sumo. Verter para uma caçarola inox.

2.  Juntar a mesma quantidade de álcool do que sumo de gengibre

3.  Juntar igualmente a mesma quantidade de óleo de sésamo

4.  Juntar uma saqueta de pó de agar-agar

5.  Juntar uma colher de sopa de lecitina de soja em pó (facultativo)

6.  Aquecer em lume brando mexendo; Nunca deixar ferver – Não cobrir – Atenção: é inflamável.

7.  Deixar arrefecer e verter para um frasco esterilizado Proteger da luz.

8.  Conservar no frigorífico.

 

Indicações

·         Estender o creme In-Ka sobre a parte a tratar, friccionando longamente e lentamente e massajando em profundidade. Repor várias vezes creme.

·         Frequência e duração: Uma vez de manhã e uma vez à tarde, entre 15 minutos a ½ hora.

·         Continuar até ao desaparecimento completo das dores e das tensões.

·         Não utilizar em caso de infecções, de fortes inflamações quentes, nem, seguramente, em caso de ferida aberta.

·         Nunca aplicar na cabeça.



Monday, January 16, 2023

 


O CAFÉ: usos e virtudes

Elena Corrales

O café no nosso país, para além de uma bebida, tornou-se um modo de vida. Apesar da sua popularidade, nem todos são efeitos benéficos e os antioxidantes que contém não justificam de todo o seu consumo diário.

O café é uma bebida altamente estimulante feita a partir das sementes torradas e moídas do fruto da planta do café: Coffea arabica ou Coffea robusta. Contém um alcalóide conhecido por todos, a cafeína.

É uma planta que se desenvolve em climas tropicais e equatoriais, embora as suas origens se encontrem na Etiópia; ao longo do tempo, o seu consumo estendeu-se ao longo da história a praticamente todos os países do mundo.

Efeitos positivos

O consumo de café após as refeições facilita a digestão, já que a cafeína activa as secreções gástricas e biliares, bem como a motilidade intestinal. Na prática desportiva, o café facilita a contracção muscular e aumenta a frequência cardíaca.

A cafeína tem um forte efeito estimulante sobre o cérebro: activa o pensamento, a conversação e outras actividades intelectuais. Faz-nos sentir mais "vivos".

Tendo em conta as suas propriedades, poderíamos definir o café como uma planta medicinal que estimula o sistema nervoso. Se o utilizássemos como preparação medicinal, deveríamos preparar uma infusão de 3 grãos de café moídos por chávena de água. O resultado seria um líquido louro com um delicado toque amargo, nada parecido com a chávena de café que consumimos regularmente.

Efeitos negativos

A cafeína tem um forte efeito aditivo, favorece a insónia e, em muitos casos, a agitação nervosa. Também irrita o sistema digestivo, podendo produzir gastrite, azia, diarreia, úlceras estomacais, colite ulcerosa, etc. Precisamente devido a este efeito irritante, tem um efeito laxante.

Destaquemos também que aumenta significativamente os níveis de colesterol e triglicéridos, bem como o risco de padecermos de arritmias cardíacas, hipertensão e endurecimento das artérias.

Por outro lado, favorece as complicações e problemas durante a gravidez. A este respeito, as mulheres que consomem cafeína durante a gravidez correm o risco de dar à luz bebés de baixo peso. O uso da cafeína antes e durante a gravidez aumenta o risco de aborto, especialmente durante o primeiro trimestre, e assim debilita a capacidade reprodutora.

Tem um poderoso efeito diurético e pode sobrecarregar os rins; favorece tanto a desmineralização como a cistite.

O consumo de mais de 300 mg de cafeína por dia aumenta o risco de perda de cálcio dos ossos, especialmente nas mulheres depois da menopausa. Além do mais, o café também dificulta a absorção do ferro, o que pode levar à anemia.

Beber café leva a outros vícios, tais como o tabaco. Nas consultas, é habitual comprovar que pessoas que bebem café regularmente também fumam cigarros.

Energeticamente, o café é yin (expansivo) e o tabaco é yang (contractivo). Uma das leis da natureza ensina-nos que os opostos se atraem. O que neste caso significa que, quanto mais cafeína consumirmos, mais nicotina precisamos e vice-versa. Por conseguinte, se quisermos deixar de fumar, é aconselhável deixar de beber café.

Conclusão

Devemos reservar o consumo de café, sempre biológico, para momentos específicos em que precisamos de estímulos extra, especialmente se for a nível intelectual ou criativo. Bebê-lo de forma continuada, tem mais efeitos negativos do que positivos.

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CAFÉ

Francisco Varatojo

O café é seguramente uma das bebidas mais consumidas em todo o Mundo e também uma das que mais polémicas gera no que toca ao facto de poder ou não afectar a saúde. Na realidade, estamos a falar da cafeína que, para além de estar presente no café existe também em chás cafeinados, colas, chocolate e outros produtos.

A cafeína tem conhecidos efeitos estimulantes podendo, para algumas pessoas funcionar como um antidepressivo. Pode ainda ajudar a dissolver cálculos renais, auxiliar a digestão de gordura, entre outros.

Mas a cafeína tem também consideráveis efeitos indesejados: faz as glândulas supra-renais produzirem imensa adrenalina, deixando as pessoas inicialmente muito agitadas e depois muito cansadas (altura em que bebem outra chávena de café). Pessoalmente, acho que a cafeína é uma das causas principais de cansaço crónico.

Os níveis de açúcar são também afectados pelo consumo de cafeína, produzindo-se frequentemente condições hipoglicémicas crónicas.

A cafeína inibe a absorção de vitaminas do grupo B e faz o organismo excretar minerais como cálcio ou ferro, contribuindo, por exemplo, para a descalcificação óssea.

Segundo a abordagem macrobiótica, para além dos efeitos acima descritos, o café exaure a nossa energia vital, e afecta principalmente órgãos como as glândulas supra-renais, os rins e a bexiga. O sistema imunitário é também bastante taxado, particularmente pela excessiva estimulação de adrenalina e efeitos negativos nos níveis de glicemia.

A ter particular atenção é a combinação sinergética da cafeína com açúcar (café, chocolates, etc.) que amplifica significativamente os efeitos negativos de ambos.

 

 

Sunday, January 15, 2023

 

O LIVRE ARBÍTRIO MACROBIÓTICO

Por: Gérard Wenker (2012)

A macrobiótica pode ser uma nutrição 100% vegetal ou apresentar pratos vegetarianos ou com uma certa percentagem de produtos animais – continuando macrobióticos.

Há um mal entendido com as pessoas que pensam que a macrobiótica é um regime unicamente de cereais e vegetaliano. Com toda a certeza, pode-se seguir um regime apenas de cereais, a mono dieta nº7 de George Ohsawa, mas somente durante um tempo limitado; esta mono dieta faz apenas parte da macrobiótica, não é a macrobiótica.

É evidente que os Esquimós, por exemplo, não podem comer apenas cereais, ou quem vive na Sibéria ou nos vales altos do Himalaias, não pode unicamente seguir um regime de cereais.

Os Anciãos Macrobióticos a quem se chamava à época “Sen-Nin” ou “Homem-Livre”, também diziam a mesma coisa, quando se vive nas altas montanhas, come-se poucos cereais, excepção da tsampa (papas de cevada tostada adicionada de manteiga de yak) prato tradicional do Tibete.

A macrobiótica não é de todo um regime especial. O arroz integral não é a macrobiótica – o arroz integral, é arroz integral – o miso, é miso – uma cenoura, é uma cenoura …

A macrobiótica consiste na maneira de combinar estes alimentos, em certas proporções, de as cozinhar, segundo o clima, a temperatura, a profissão e o sonho de cada um, é isto a macrobiótica. Quando comemos muita carne, ovos, peixe, etc., durante muito tempo, de seguida teremos naturalmente desejos de muita fruta, legumes crus e álcool (yin) para compensar esta alimentação passada carnívora (yang).

Exemplo de sintomas físicos reflectindo uma condição YANG:

Cor da epiderme: branca a escura

Olhos: sanpaku superior

Calvície atrás ou total

Perda matinal de cabelos = 0 a 10

Dores de cabeça occipitais

Olhos e pupilas contraídas

Olhos cinzentos secos

Nariz branco e duro

Maçãs do rosto enrugadas

Lábios finos secos esbranquiçados

Gengiva branca retraída

Língua: branca ou amarela

Micção: menos de 4 por dia e 0 à noite

Prisão de ventre

Temperamento agressivo e impaciente

Sono curto (5 a 6 h) e profundo

Despertar alerta e em forma

É uma maneira completamente intuitiva de exercer um discernimento macrobiótico.

Para estas pessoas, temporariamente, os pratos “vegetarianos” são também macrobióticos, e far-lhes-ão bem, mesmo se isso não é o regime macrobiótico padrão. Elas tentam simplesmente encontrar o equilíbrio. É o que podem experimentar muitas pessoas que se tornaram vegetarianas depois de terem comido durante muito tempo produtos animais e que sentiram melhoras.

Mas se continuam a comer legumes crus, muita fruta e sumos de frutos, a condição passa de yang a yin. Depois, vários anos passados, problemas de ordem muito yin começam a surgir. Quer dizer que se passa de um extremo a outro, e é preciso então reencontrar o equilíbrio. Isso é possível com um regime macrobiótico normal.

Exemplo de sintomas físicos reflectindo uma condição YIN:

Cor da epiderme: vermelha a violeta

Olhos: sanpaku inferior

Calvície frontal

Perda matinal de cabelos = + de 20 a um punhado

Dores de cabeça frontais

Olhos e pupilas dilatados

Olhos vermelhos lacrimantes

Nariz vermelho e inchado

Maçãs do rosto vermelhas

Lábios vermelho vivo pulposos

Gengivas sangrentas

Língua: azul ou violeta

Micção: mais de 5 vezes por dia e 2 a 3 vezes por noite

Diarreia

Depressivo

Despertar difícil e cansado


É necessário não deixar esta confusão no espírito das pessoas de que a macrobiótica é um regime dietético. Quando G. Ohsawa estabeleceu 10 níveis de regimes diferentes, entre os regimes 7 e – 3, foi para nos mostrar que podemos proceder aos ajustamentos que quisermos, tendo em conta as necessidades individuais.

 

O LIVRE ARBÍTRIO

Se estivermos de boa saúde e se tivermos por vezes vontade, poderemos fazer por exº uma refeição composta de 30% de cereais, 50% de legumes, 10% de produtos animais, 10% de fruta, se é isso que desejamos.

Se George Ohsawa designou com sinal “menos” certas composições de menus, foi porque se os adoptarmos durante muito tempo, teremos problemas, mas se aplicados uma vez de tempos a tempos, tudo bem, e estes dez níveis, são macrobiótica. Compete a cada um saber escolher o que lhe convém.

Quando temos um problema de saúde, poderemos fazer o regime Nº 7 durante três, cinco ou dez dias, até que nos sintamos melhores, e isto também é macrobiótica. Ou se formos convidados para um jantar social, poderemos fazer o regime Nº 2 (50% de cereais, 50% do resto em pratos de acompanhamento) e isso é igualmente a via macrobiótica.



Tudo depende de facto das nossas necessidades pessoais; tudo depende dos sonhos que tenhamos. Podemos modificar livremente a nossa alimentação. Estaremos assim na melhor saúde possível e em medida de assegurar uma eficácia máxima, tanto no plano físico, como no plano mental ou espiritual, usufruindo de uma clareza admirável.

Assim, segundo o objectivo escolhido, adoptar-se-á um regime consequente. A macrobiótica é uma bela e grande coisa, não é de todo restrictiva, mas ao contrário, muito vasta. Em macrobiótica, pode-se comer o que quer que seja (teoricamente falando), mas o importante, é a maneira de combinar, de cozinhar, e assim alcançar a saúde, a felicidade, o desenvolvimento espiritual.

ATENÇÃO: se quiserdes curar-vos verdadeiramente e reencontrar uma saúde perfeita … e conservá-la … a recomendação mais importante que posso fazer-vos, é de nunca, mas mesmo nunca, em nenhum caso … consumirdes alimentos preparados pela indústria alimentar.

O único objectivo destes envenenadores, é o de enriquecer e de fazer lucro, sem nenhum estado de alma, escolhendo produtos baratos, de má qualidade, muitas das vezes falsificados. Para fazer aceitar as suas preparações pelos consumidores ignorantes e muito confiantes, juntam numerosos aditivos químicos extremamente perigosos para a nossa saúde.

Saibamos que ninguém nos protege, nem os políticos, nem os cientistas, todos a soldo do grande capital. Quanto ao corpo médico, não se preocupa com a alimentação e ainda menos com as verdadeiras causas das doenças.

A única regra admitida neste domínio, é a de não vos deixar morrer ou ficar doentes imediatamente, de maneira que não possais nunca estabelecer uma relação de causa efeito. Conheceis a cantiga nestes casos: não há provas científicas estabelecidas. Mudai de caminho, não há nada para ver.

O único antídoto, para não morrer destruído por estes venenos industriais, é SALTAR rapidamente para a alimentação macrobiótica probiótica (pela vida). Uma alimentação biológica, natural, regional, artesanal, familiar que protege a nossa vida e a dos nossos filhos.

 

O QUE DIFERENCIA A MACOBIÓTICA DOS OUTROS REGIMES ALIMENTARES:

Posto isto, se tivermos em consideração o clima (composto pelas quatro estações), no qual vive a maioria da população, o regime padrão será com certeza diferente da maneira corrente de nos alimentarmos, a saber:

1- Nós comemos alimentos naturais, integrais, de qualidade biológica.

2- A alimentação é constituída de alimentos de base, e alimentos complementares. Os alimentos de base comportam sempre pelo menos 50% de cereais. A maior parte dos alimentos de complemento é constituída por legumes (terrestres e marinhos); a menor parte compreende as leguminosas, os frutos, algumas vezes o peixe ou a carne. Além disso, a proporção destes diferentes alimentos segue uma progressão logarítmica. Assim, a diferença essencial com outros regimes alimentares é que a proporção de cereais constitui sempre a maior parte dos alimentos.

3- Factor “espaço”.

Além dos alimentos de base e dos alimentos de complemento, é preciso respeitar a ordem das estações. Quando vamos para um país quente, comemos os produtos originários desse clima. Por exemplo, é normal que em África, os africanos comam tapioca, bananas, laranjas, etc.; isto é respeitar os princípios macrobióticos. Mas se em França, comermos tapioca, bananas e morangos no Inverno, etc., isto não é comer de maneira macrobiótica. Devemos escolher alimentos da estação, regionais e que sejam originários do nosso clima.

É também importante variar o modo de cozinhar consoante as estações do ano. No Inverno, por exemplo, podemos cozer os alimentos durante muito mais tempo do que no Verão.

4- Factor tempo”.

Devemos respeitar a dimensão do tempo, as tradições, isto é, as maneiras tradicionais de nos alimentarmos que se perpectuaram ao longo de gerações e gerações. Foi desta maneira que a humanidade se desenvolveu e que o ADN chegou à constituição que hoje temos.

De seguida, cada um de nós tem necessidades pessoais que é preciso ter em conta. Uma pessoa que tenha um trabalho intelectual terá necessidade de um menor volume de comida que outra pessoa que faça actividades físicas. Também neste caso, uma pessoa que pense muito escolherá sobretudo entre os regimes Nº 5, 6 ou 7. Pelo contrário, se tiverdes uma vida social muito activa, será necessário mais alimentos de complemento, sem contudo exceder os 50%, e de grande variedade.

5- A alimentação da mulher deverá ser ligeiramente diferente da alimentação do homem. O homem pode comer um pouco mais de produtos animais se desejar, uma ou duas vezes por semana, de peixe. Ou ainda, o cozinhado de certos legumes pode ser mais concentrado. A mulher consumirá alimentos mais ligeiramente cozinhados e terá uma alimentação quase 100% de origem vegetal. Este quinto ponto compreende igualmente as diferenças de idade. Segundo se seja adulto, velho, adolescente, criança, bebé, a alimentação é diferente em cada caso. O bebé por exemplo dependerá principalmente do leite materno, e não do leite de vaca. Quando a criança cresce, deverá ser a sua mãe que lhe prepara a sua alimentação; enquanto estiver em período de crescimento, não será preciso tanto sal como para um adulto. As necessidades de um velho não são as mesmas que as de um adulto. A alimentação de uma pessoa de idade será mais simples, a quantidade de óleo será reduzida mas em geral, a sua comida será centrada mais nos cereais e menos nos alimentos de complemento, enquanto que um adulto terá mais necessidade de alimentos de complemento.

A macrobiótica necessita de uma compreensão clara do Universo, sabendo que tudo muda segundo certas leis, seguindo uma ordem. Nada é idêntico.

Assim, se praticamos a macrobiótica de maneira muito rígida: se comermos sempre da mesma maneira, se escolhermos apenas duas ou três qualidades de legumes, se comermos sempre a mesma coisa, se fizermos a Nº 7 sem parar, não estamos na via da macrobiótica porque não podemos compreender e seguir a mudança permanente que nos envolve, a mudança do clima, de estação, a mudança da nossa condição física, mental. Os adeptos da macrobiótica que não obtêm resultados práticos denotam falta de compreensão das leis universais.

 

SENTIR-SE CADA VEZ MELHOR, UMA GARANTIA

A macrobiótica permite melhorar a 100% a nossa saúde e alcançar a felicidade. Não há a menor dúvida possível. Se não o conseguimos, a nossa compreensão ou a maneira de praticar a macrobiótica está errada.

A macrobiótica segue princípios que mais cedo ou mais tarde, vegetarianos, carnívoros, crudívoros, etc. serão levados a ter em conta a fim de alcançarem a saúde e a felicidade reais.

A arte de viver macrobiótica é um modo de vida magnífico, uma disciplina de vida e um meio de cura. Na primeira abordagem, a macrobiótica pode parecer difícil, como o início duma nova profissão ou aprendizagem de uma língua. Há tantas coisas para compreender e fazer, por vezes misturadas com o medo, quando a doença está presente. Não existe nenhuma garantia de cura total.

Mas há uma coisa que é sempre garantida: quando se pratica a macrobiótica, sentem-se rapidamente melhorias (10 dias são suficientes).

A natureza fundamental da Vida é o bem estar. Viver em harmonia com as leis naturais significa que o bem estar está lá. Isto é uma fonte inesgotável de encorajamento: a macrobiótica oferece um sentimento permanente de melhorias que obteremos estando em contacto com a nossa verdadeira natureza. Bem estar é o estado natural das coisas. Tudo o resto é provisório.

Há um grande fosso entre o estado de doença e a saúde, mas pequenos passos para nos sentirmos melhor estão sempre ao nosso alcance. A passagem de um estado de doença ao bem estar necessita de uma evolução mental e física. Pouco a pouco o bem estar mais do que a doença torna-se a norma. É o sentimento de se sentir melhor que é o reflexo de uma pessoa de boa saúde.

A tentação de fazer a publicidade para uma cura deverá ser substituída pela garantia absoluta de se sentir melhor. Basta dizer àquele que o pede: “Prometo que se te alimentares e viveres de uma maneira macrobiótica, sentir-te-ás cada vez melhor por tanto tempo enquanto viveres”.

Nada é mais simples e mais verdadeiro.



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