Friday, December 30, 2022

 


10 PRINCÍPIOS PARA TER UMA BOA SAÚDE

Gérard Wenker

1- COMPRE PRODUTOS BIOLÓGICOS: 

A compra de produtos não biológicos enfraquece o corpo e o solo. Isto é evidente. Quem ousaria ainda ingerir pesticidas, antibióticos e outros produtos da agricultura intensiva?  E acima de tudo, não descasque os legumes (excepto as batatas e as pastinacas), grande parte das vitaminas e dos oligoelementos encontram-se debaixo da casca, por isso guarde-os preciosamente.

2- CORTE OS LEGUMES APENAS ANTES DE OS COZINHAR:

O caminho desde horta até ao prato deve ser o mais curto possível: colher, lavar, cortar, cozinhar, servir. Se forem cultivados por si, é fácil. Caso contrário, certifique-se de que viajaram um número limitado de quilómetros até à sua panela.

3- TRABALHE À MÃO:

Utilize o menos possível ou nunca os electrodomésticos, trabalhe "à mão". O fluxo electromagnético dos aparelhos eléctricos interfere com a energia dos vegetais, que fica "diluída". Faça o puré de batata "com um garfo" ou utilize o passe-vite para as sopas e os purés de legumes.

4- TENHA UMA ALIMENTAÇÃO VARIADA:

Variar os ingredientes, estilos de cozinhar, as proporções, os condimentos, o corte dos vegetais.  Se comermos sempre a mesma coisa, nem todas as energias estarão presentes; é assim que certas doenças podem aparecer, apesar de uma boa alimentação.

5- COMA PRODUTOS INTEGRAIS, NÃO TRANSFORMADOS:

Ou com um mínimo de processamento. Ah....ah...ah, estamos sem palavras diante das refeições congeladas vendidas nos supermercados que contêm o que sabemos e que percorreram milhares de quilómetros. Mas cuidado com os produtos biológicos do mesmo tipo que aparecem no mercado. Embora de longe não tenham os mesmos inconvenientes acima mencionados, nem por isso não perderam toda a sua energia.  Entre estes produtos citemos, os cereais moídos em farinha que oxidam rapidamente, o tofu e o tempeh. O ideal, seria fabricar estes produtos em casa com a família, pois vale a pena consagrar tempo para isso.

6- COMA ALGAS MARINHAS 4 A 6 VEZES POR SEMANA:

Em sopa, em pratos sozinhos ou misturados com vegetais, tofu, cereais ou leguminosas. As algas contêm uma grande quantidade de ómega-3, tão importante para um bom número de doenças, elas fortalecem as nossas artérias, limpam o sangue e fornecem-nos uma grande quantidade de oligoelementos. Privilegie a kombou e a wakame e o esparguete do mar provenientes da Bretanha. Não há necessidade de mudar de continente para as obter.

7- COMA PRODUTOS FERMENTADOS:

Pickles, chucrutre, miso, tamari, natto. Estes produtos asseguram uma boa digestão dos cereais e um sistema digestivo saudável e, especialmente, um intestino saudável. E o instinto é o nosso cérebro, por isso dêem-lhe toda a vossa atenção. Ver este artigo sobre o assunto:http://santenature.over-blog.com/article-l-intestin-un-second-cerveau-113106229.html

8- ABANDONE COMPLETAMENTE OS PRODUTOS LÁCTEOS:

Estes produtos não são concebidos para o consumo humano e, além disso, têm níveis elevados de herbicidas, antibióticos e hormonas.  No plano psicológico, os produtos lácteos mantêm-nos a um nível infantil.

E a osteoporose perguntam-me vocês?: ah bom, não existem provas de que escapemos a esta doença engolindo produtos lácteos desde o berço até ao túmulo.  Para desfrutar de uma estrutura óssea saudável durante toda a sua vida: reduza o sal alimentar, coma uma grande quantidade de vegetais de folhas verdes (especialmente a couve verde "kale"), limite as proteínas animais, a exposição regular e moderada ao sol assegura uma grande quantidade de vitamina D importante para a fixação do cálcio, se ainda fuma, deixe de fumar imediatamente, faça exercício físico regular e completo, o que nos leva ao seguinte princípio:

9- FAÇA DESPORTO OU EXERCÍCIO FÍSICO PELO MENOS TRÊS VEZES POR SEMANA.

Isso irá oxigenar o seu cérebro e fazer circular a energia.

10- NÃO COMA "COM TODA A SUA FOME".

Este é o princípio mais duro de seguir, parar de comer quando ainda se sente um pouco de fome. Mas tente e rapidamente sentirá os seus benefícios, sobretudo se o aplicar à refeição da noite, a qualidade do seu sono irá beneficiar grandemente.



Thursday, December 29, 2022

 


BEBER É UM GRANDE PRAZER

DrªElena Corrales

O ser humano é o único animal que bebe quando não tem sede. Bebemos para socializar, para depurar … mas quanto e o que devemos beber?

O que nos faz beber deveria ser para saciar a sede, mas será que temos realmente sede ou criámos hábitos que muitas vezes não estão muito bem fundamentados no que diz respeita às nossas necessidades de líquidos?

Vivemos numa sociedade que bebe, e bebe muito, diria eu, demasiado. Hoje vamos analisar o consumo de água, refrigerantes e álcool.

A ÁGUA

A água é a base da vida. É o elemento mais importante do nosso organismo já que representa 70% da composição corporal. Por conseguinte, a nossa saúde dependerá das características da água que consumimos, sem qualquer dúvida. A qualidade e pureza da água condiconam as reacções químicas do metabolismo.

Há muitas pessoas, incluindo médicos, que recomendam beber até dois litros de água por dia porque, segundo dizem, é muito boa para limpar o corpo de toxinas, incluindo a pele. Pessoalmente, acreditamos que esta abordagem é o produto de uma visão fragmentada da vida e desligada do que é a harmonia no corpo humano. Evidentemente, a água arrasta substâncias ou partículas, mas aqui mais do que nunca devemos aplicar o critério de que não é mais limpo quem muito limpa, mas quem pouco suja.

Sem dúvida, o rim é algo mais do que um simples coador, é um filtro activo que, como qualquer sistema biológico, está preparado para filtrar uma determnada quantidade de líquido que tem a ver com as necessidades do metabolismo celular. Beber sem sede fatiga o sistema renal.

Qualquer pessoa não iniciada pode adivinhar o que acontece quando um órgão é submetido a um stress contínuo durante anos, excedendo o seu ritmo fisiológico, sem ter em conta, além disso, que juntamente com a água que se bebe, entram no corpo grandes quantidades de toxinas consideradas normais na nossa sociedade.

A água potável está livre de microrganismos, desinfectada, e isso evita que possamos morrer pouco tempo depois de a bebermos. O que não se elimina com a potabilização por não ser economicamente rentável, são os detergentes, fertilizantes químicos, insecticidas, alumínio, cobre, zinco, chumbo, selénio, crómio, flúor, mercúrio, radioactividade... que estão presentes na água e que pouco a pouco vamos ingerindo. Raramente se tem em conta que a água é o dissolvente universal, daí a sua capacidade de conter todo o tipo de solutos.

Estes componentes, embora não matem imediatamente, vão fazendo mossa na nossa saúde através da sua acumulação no nosso corpo. De tudo isto se depreende que a água exerce um papel fundamental na nossa saúde e é importante que o nosso corpo a receba com as suas qualidades naturais, ou seja, água trabalhada pela natureza, quer venha da água de nascente ou de poços, quer sob a forma de vegetais e/ou frutas.

A alternativa à água da torneira seria a água engarrafada e/ou filtrada, tanto para beber como para cozinhar.

Com este discurso não pretendemos criar alarme e fazer-vos pensar: Já nem sequer água podemos beber! O que queremos é convidá-vos a reflectir sobre quais são as necessidades reais de líquido e que, tal como olhamos para a qualidade dos alimentos que comemos todos os dias, a água que bebemos também deve ser saudável.

É o próprio corpo com a sua sensação de sede que nos indica quanto precisamos de beber. Isso depende de vários factores: da quantidade de sal que ingerimos na nossa dieta e da quantidade de vegetais, que contêm muita água. Devemos também ter em conta a transpiração de cada pessoa. Assim, não podemos estabelecer uma regra fixa. A sede é um bom indicador.

Tal como não dormimos quando não temos sono, não devemos beber quando não temos sede. E se nos vamos hidratar, devemos fazê-lo com água de qualidade, sempre com baixa mineralização e, se possível, nunca da torneira.

OS REFRIGERANTES

Outro grande grupo de bebedores, depois daqueles que bebem água sem terem sede, é o dos adolescentes, que são grandes consumidores de refrigerantes. Os produtos que se consomem actualmente não têm nada a ver com a chufa ou a horchata, a salsaparrilha ou os sumos de frutas feitos artesanalmente pelos nossos avós.

Estas bebidas bebiam-se quase exclusivamente no Verão, o que é perfeito porque essa é a função dos refrigerantes, a de refrescar. Os produtos actuais são consumidos em todas as alturas do ano e, o que é mais grave, frios e com gelo.

Perguntamo-nos: será que perdemos realmente a noção do significado de quente e frio como forma de nos harmonizarmos com o ambiente? Se usamos roupa de lã e impermeável no Inverno para nos manter o calor interno contra as inclemências meteorológicas, como é que nos refrescamos com sumos, refrigerantes e bebidas de cola?

Os refrigerantes artificiais são um cocktail de gás, açúcar e produtos químicos. Não sabemos se a legislação actual determina ou limita o teor máximo de açúcar nestes produtos. No entanto, notamos que existem marcas que se anunciam como "sem açúcar" e utilizam adoçantes como substitutos, que são frequentemente mais perigosos do que o próprio açúcar.

Quanto ao açúcar, para o metabolizar, o organismo deve utilizar as suas reservas de vitaminas B, bem como de cálcio e magnésio: é por isso que dizemos que é um grande desmineralizador. Como todos os alimentos refinados, apenas nos fornece calorias vazias.

O açúcar é um comestível ("não alimento") que, além do mais, tem outros efeitos que tornam o seu consumo desaconselhável, tais como acidez do estomago e grande adição. Esta última vem da assimilação rápida pelo organismo, que pode, em última análise, desencadear hipoglicémia reactiva; é o que se conhece como ansiedade pelos doces.

Sobre os ciclamatos e as sacarinas, tem-se escrito muito sobre os seus efeitos cancerígenos. O mesmo se aplica ao quinino, ao qual muitas pessoas reagem alergicamente, e à cafeína, que, embora em pequenas doses, activa o metabolismo e acelera o pulso e a respiração, causando mais tarde uma diminuição da concentração e da capacidade de acção do organismo.

Uma lata de cola contém sete colheres de chá de açúcar e o teor de cafeína de três latas é equivalente a uma grande chávena de café. Há adolescentes que bebem mais de um litro de refrigerantes por dia ...

Outro grande grupo de substâncias que entram na composição dos refrigerantes é o ácido fosfórico, que é nocivo ao bom funcionamento do sistema nervoso e especialmente o das crianças e os conservantes E-210 e E-211 que podem causar urticária e asma se tomados com os corantes que são frequentemente acompanhados.

É interessante, portanto, "refrescar-nos" quando realmente faz calor e fazê-lo com bebidas menos suspeitas e, como dissemos anteriormente, respeitando a nossa sede.

O ÁLCOOL

O terceiro grupo de bebedores são aqueles que "para os copos" todas as tardes, de bar em bar. Não vamos falar sobre os efeitos do álcool porque, infelizmente, todos conhecemos as consequências do alcoolismo. Queremos falar sobre algo que será novidade para algumas pessoas e pode ajudá-las a compreender porque é que o vinho por vezes não lhes cai bem. Trata-se dos conservantes derivados do enxofre utilizados na vinificação: os sulfitos. A legislação da Europa Central é muito menos permissiva na adição destas substâncias do que a dos países mediterrânicos.

Os sulfitos permitem que o vinho seja preservado a longo prazo. Para além do dióxido de enxofre, os fabricantes adicionam frequentemente certas quantidades de ácido sórbico, o que por vezes provoca alergias graves. Sintomas de envenenamento agudo, tais como vómitos, dores de cabeça e diarreia, podem ocorrer após a ingestão de produtos com enxofre. A morte por envenenamento agudo por dióxido de enxofre é muito pouco provável que ocorra, devido ao vómito, mas o envenenamento crónico causado pelo consumo diário é muito mais perigoso.

Os sais de enxofre suprimem a vitamina B1 do nosso organismo, de modo que os consumidores de vinho são cronicamente deficitários nesta vitamina. Isso leva a perturbações funcionais do sistema nervoso, do estômago e dos intestinos e do metabolismo basal.

Em relação aos limites toleráveis de sulfito, é curioso notar que o limite para vinhos é quatro vezes superior ao limite para as compotas. Pensemos na forma arbitrária em que estes valores são fixados.

Aqueles de nós que vivem nas cidades notam como o número de bares está a aumentar a cada dia e como o consumo de álcool e de bebidas estimulantes está a crescer de forma constante. O aumento do número de bares não é simplesmente um fenómeno de estatísticas sociais, mas um dos muitos sinais da tremenda crise que ameaça a espécie humana. As pessoas bebem sistematicamente quando estão cansadas ou tristes, bebem para acalmar a ansiedade... para preencher o seu vazio interior. Nada a ver com saciar a sede.

Bebamos bebidas saudáveis quando temos sede e façamos um uso moderado das que fazem parte da nossa cultura e da vida social.

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Tuesday, December 27, 2022

 


HOMENAGEM A SENSEI NYOTI SAKURAZAWA

(GEORGES OHSAWA)

Por: Gérard Wenker

George Ohsawa viu-se durante a sua vida numa encruzilhada de várias correntes de pensamento, primeiro em seu próprio país, o Japão, em plena revolução cultural na transição de uma sociedade tradicional ancestral para a era industrial; depois entre a metafísica oriental e o materialismo ocidental e finalmente entre os pacifistas e os senhores da guerra do Japão antigo.

Incansável, dotado de um espírito brilhante e de uma vontade excepcional, como Marcello Ficino na época do Renascimento, Georges Ohsawa, confrontado com  essa poderosa mistura de ideias, teve a oportunidade de medir os benefícios e os malefícios a longo prazo.

Valendo-se da sua própria situação social e a da sua família num Japão desestabilizado pela entrada no mundo moderno, soube aproveitar uma capacidade de resiliência fora do comum para tirar dela, após profunda reflexão e partindo de antigos dados orientais, uma nova "concepção-constituição universal", de acordo com as mais recentes descobertas científicas.

Posteriormente, G. Ohsawa foi levado a conceber um sistema filosófico no qual o homem aparece dependente de forças antagonistas e complementares que são designadas por yin e yang.

Depois de ter desenvolvido um método prático baseado no equilíbrio das cargas do Ki (energia vital) dos alimentos e na relação sódio-potássio nas células do corpo humano, ele chamou a essa doutrina de "O Zen Macrobiótico" e passou a maior parte da sua vida a ensiná-la.

Chegado pela segunda vez a França em 1957, organizou acampamentos para demonstrar a eficácia de seu sistema na cura de numerosas doenças, consideradas incuráveis. Ele continuará incansavelmente a ensinar e a formar conselheiros qualificados que continuarão a sua obra após a sua morte em 1966.

 

O professor e mestre NYOTI SAKURAZAWA escreveu muitas obras sobre a filosofia da medicina do extremo oriente - mais de 2.000.000 de exemplares do livro “O Zen Macrobiótico” circulam no mundo inteiro.

Conheceu eminentes personalidades entre as quais se contam o Dr. Albert Schweitzer, Alexis Carrel, Nehru.

O seu domínio sobre conhecimentos orientais, permitiu-lhe ter sido capaz de prever, entre outros, o fim trágico de J. Kennedey e de Gandhi.

Hoje, poucas pessoas se lembram que foi ele que esteve na origem da introdução na Europa da Acupunctura, da Ikebana, da arte Bonsai, da filosofia Zen, da Arte do Chá.

Foi também ele que fez com que fosse a França o mestre Taisen Deshimaru falar sobre o Zen e Aritomo Murashise à Bélgica falar sobre BUDO.

Apoiou, através do seu Princípio Único, as teses do célebre investigador cientista francês C. Louis Kervran, que fez descobertas sobre os metabolismos biológicos aberrantes pelas transmutações biológicas.

Colaborou com eminentes biólogos especialistas em doenças cancerígenas, como o Dr. SHISHYMA e o Dr. MORISHITA.

Criou a Macrobiótica (1929) baseada no equilíbrio das cargas da energia Ki dos alimentos e a relação Potássio(K)/Sódio(Na) no organismo.

Está na origem da agricultura biológica e trouxe à ribalta as teses da ecologia moderna. Inoculou-se a si próprio com doenças tropicais para fazer a demonstração das suas teorias.

O desaparecimento de N.S. teve como efeito que todas estas disciplinas que ele importou pela primeira vez para a Europa estejam hoje em muitos espíritos ocidentais, amputadas a partir da sua fonte última, “A lógica universal do Princípio Único”.

Segundo o sensei N.S., o universo é regido por uma única lei presente em todos os domínios. O AIKIDO é uma aplicação entre muitas outras deste Princípio Unificador.

Os seus ensinamentos explicam-nos a dialética yin-yang, várias vezes milenar, adaptada à vida actual. Ele interpretou a Ordem do Universo em sete Princípios e doze Teoremas, explicando as mutações e as mudanças na permanência da impermanência. A interpretação destes princípios pode ser analisada tanto no plano metafísico como no plano físico, o que leva à confusão e contradição nos espíritos ocidentais.

Há 4.000 anos a dialética era física. Como resultado, o céu era considerado como o símbolo do grande yin e a terra do grande yang. O céu era o espaço infinito, o vazio yin e a terra, inversamente, era yang. Os metafísicos como CONFUCIUS inverteram esta classificação, partindo do princípio de que o vazio produz tudo.

Para maior clareza e uma melhor compreensão, N.S. manteve voluntariamente a dialética num plano físico que corresponde melhor ao nosso mundo moderno científico.

O principiante encontrará, pois, paradoxalmente, o facto de encontrar nos tratados de acupunctura o atributo yang para o intestino, a bexiga, enquanto no plano físico os órgãos ocos são classificados yin. Dito isto, aconselho o leitor a não misturar estes dois planos, correndo o risco de inverter a classificação o que terá como consequência erros de avaliação e mal direccionados. (*)

Neste momento, as obras sobre o TAO são numerosas e estão frequentemente cheias de erros de dialética. Não aceite senão o que compreender pela lógica e a analogia, rejeite desde o início o que não se verificar através das leis do Princípio Único. Este princípio aplica-se a todas as ciências desde a química, a física, a biologia, a botânica, a electrónica, a medicina, mas também nas disciplinas culturais. Os DO, e mais particularmente o AIKIDO, o JUDO e o BUDO, são aplicações práticas e dinâmicas destas leis universais. A Macrobiótica é uma forma de viver incluindo o Princípio Único nos pensamentos, nas acções e na maneira de nos alimentarmos.

N.S. deixou atrás de si milhares de discípulos no mundo inteiro (1). A fábrica de alimentos naturais de S. Martin Latem, perto de Gand, na Bélgica, tomou o prenome da esposa de Georges Ohsawa: “LIMA”. Lima perpetuou os ensinamentos do seu marido até à sua morte com 102 anos, em Novembro de 1999, em Tóquio.

 (*)



(1) PIONEIROS MACROBIÓTICOS DO SEC. XX:

Ayam - Claude Aubert et Emmanuelle Aubert - Herman Aihara - Cornelia Aihara - Jean Baudry - J. Bouquet - Mario Binetti - Marc Van Cauwenberghe - Dr. Marc Van Cauwenberghe. Chishima & Morishita - Gérard et Diana Cazals - Jean Celle - Jacques Delangre - Hubert Descamps - Paul Dietrich - Bruno Doumaisel - Wendy et Edward Escoo - Masanobu Fukuoka - Pierre Gevaert - François et Sosoa Gisel - Eddie Hara - Jean Hervé - Dr. Sagen Hiziduka - Dr. Jean Ithurriague - Alex Jack - Hubert Jouan - Louis Kervran - Louis Kervran - Aveline Kushi - Michio Kushi - Tomio Kikuchi - René Lévy - Hélène et Mateo Magarinos - Jacques Mittler - Noboru Muramoto - Yves Nani - M. Nakamura - Adelbert et Wieke Nelissen - Nguyên thi ThuBa - Mario Pianesi - Françoise Rivière - Jean et Margaretha Rofidal - Jacques Skalka - Francisco Varatojo - Shizuko Yamamamoto - Roland Yasuhara - Clim Yoshimi - Daniel, Ingrid et Boris Youssoufian - Thierry Lebrun.

 

  

BIOGRAFIA CRONOLÓGICA DE NYOITI SAKURASAWA

CONHECIDO COMO GEORGES OHSAWA

1893

Nasceu em Kyoto, a 18 de Outubro, em frente do templo TENRYU. 

 

 

1902

Morte da sua mãe, aos 29 anos (de tuberculose). Suas duas irmãs morreram muito novas. O seu pai havia já deixado o lar conjugal muito antes. 

 

 

1908

Contraiu tuberculose pulmonar e intestinal. Morte de seu irmão mais novo aos 16 anos. Começa a escrever poemas (Tankas). 

 

 

1910

Abandonado pela medicina clássica (hemoptises graves). Escreve poemas e publica-os. 

 

 

1912

Recupera a saúde graças ao Dr. Hiziduka SAGEN. Médico militar - fisiognomonista - inventor da terapia alimentar Na/K.

 

 

1913

Contratado por uma empresa de importação-exportação em Kobe.

 

 

1914

Diplomou-se na escola francesa de Kobe, mas perdeu o emprego quando rebenta a Primeira Guerra Mundial. Tornou-se comissário de bordo de longo curso.

 

 

Vai a França pela primeira vez.

 

 

1915

Torna-se gerente de uma empresa de importação-exportação.

 

 

1917

Torna-se director geral de outra empresa de importação-exportação em Yokohama.  Sonha já em fundir as culturas oriental e ocidental e viaja frequentemente para a Europa e para os EUA.

 

 

1918

Membro da sociedade "SHOKUYO-KAI", (macrobiótica) dedica-se à divulgação do método do Dr. H. Sagen. Estuda medicina (mais tarde tornou-se presidente da Sociedade de Médicos Tradicionais de Nippon).

 

 

1920

Introduz em França dispositivos emissores-receptores; importa para o Japão câmaras especiais e películas "KODAK"; obtém patentes e escreve em japonês "Técnica moderna do cinema ".  Traduz também "As Flores do mal", de Baudelaire.

 

 

1923

Apoia os sobreviventes na sede social da sua Companhia após o Grande Terremoto de Tóquio.

 

 

1924

Abandona a sua carreira e dedica-se ao movimento "Shokuyô-Kai".

 

 

1927

Torna-se redactor-chefe da revista "Shokuyô-Zassi", existente desde 1906.

 

 

1928

Organiza o primeiro acampamento de Verão do Princípio Único em Hokkaido; publica “A Fisiologia da Mentalidade Japonesa” e “Conferências sobre Macrobiótica”, de H. Sagen.

 

 

1929

Vai a Paris pela Transiberiana, para propor ao mundo a filosofia do Princípio Único. Insiste na unificação das culturas do Este e do Oeste. Cria a MACROBIÓTICA baseada no equilíbrio das cargas do KI dos alimentos e da relação Potássio–Sódio no organismo.

 

 

1931

Publica seu primeiro livro em francês: "O Princípio Único" (da Vrin), prefaciado por René GROUSSET da Academia Francesa, e por Serge ELISEEV, filósofo de renome.

 

 

1929 a 1935

Estuda na SORBONNE e no INSTITUTO PASTEUR, imerso na maior pobreza. Publica artigos sobre acupuntura, Judo, Haï-Kaï, Bonsaï. Publica "O Livro das Flores" e também romances policiais. Trabalha com SOULIE DE MORANT no desenvolvimento da acupuntura e ganha a vida como praticante desta arte.

 

 

1935

Volta ao Japão, onde introduz um modelo de avião ultraleve: o "Piolho do Céu”. Funda a revista "MUSUBI" que durará dez anos.

 

 

1937

É eleito presidente da sociedade Shokuyô-Kai (Macrobiótica), cuja revista atinge os 10.000 assinantes.

 

 

1939

Encerramento do hospital macrobiótico do Dr. H. Sagen. Deixa a sociedade Shokuyō-Kai.

 

 

1940

Fundação do INSTITUTO DO PRINCÍPIO ÚNICO, em Ootsu. Milita no movimento pacifista por um "Governo Mundial" ao lado de Albert Einstein, Norman Cousin, Dr. A. Schweitzer, Tomas Mann e Edgard Gevaert (fundador da primeira fábrica de produtos macrobióticos).

 

 

1941

As suas atividades contra a guerra desencadeiam um movimento de oposição; previu a entrada do Japão na guerra e alertou sobre sua derrota. Também previu a retirada dos britânicos da Índia e o assassinato de Gandhi. Detido por várias vezes e torturado por mais de dez vezes.

 

 

1944

Reafirma a derrota do Japão. Escreveu para seus alunos na frente de batalha: “Abstem-te de toda a comida, sê o último vencedor. Mesmo à custa da desobediência, tenta sobreviver”. Tenta entrar na Rússia para convencer os dirigentes russos - mas foi condenado à morte. Escapa e  regressa ao Japão para se esconder.

 

 

1945

Acusado de espionagem e torturado, depois condenado à morte, é solto graças à intervenção do Procurador Sato. Tenta imediatamente um golpe de estado com o General Limura, convencendo-o a propor a paz aos EUA! É preso novamente, foi libertado no mês seguinte por ordem do General MAC ARTHUR. 

 

 

1945

Cria uma nova revista: "A BÚSSOLA", para tentar reunir os seus amigos dispersos.

 

 

1946 a 1948

Funda um colégio para jovens e trabalha com o movimento do GOVERNO FEDERAL MUNDIAL. Expulso da função pública, cria a título privado a "MAISON IGNORAMUS" e o jornal "O GOVERNO MUNDIAL".

 

 

1948

É proibido de qualquer atividade social oficial por Mac Arthur, por causa de seu livro "O que fez o Japão perecer", considerado muito "nacionalista" desta vez!

 

 

1949

Lança a revista médica "SANA". Suas obras em japonês contam já com mais de 300 títulos!

 

 

1952

Publica "O Livro do Judo".

 

 

1953

Deixa o Japão em companhia da sua esposa numa viagem sem fim à volta do mundo.

 

 

1954

Estabelece o INSTITUTO DO PRINCÍPIO ÚNICO na Índia e a seção japonesa da Universidade AUROBINDO. Escreve a MAO TSE TOUNG e alguns outros estadistas.

 

 

1955

Parte para África onde fará jejum durante 60 dias, percorrendo 7.000 km sem parar em conferências e consultas. Chega a LAMBARENÉ, a casa do Dr. SCHWEITZER.

 

 

1956

Encontro com o Dr. Schweitzer. Escreve “A Filosofia da Medicina do Extremo Oriente”. (da Vrin-Paris). Contrai e cura-se de úlceras tropicais na tentativa de convencer o "Grande Doutor", em vão.

 

 

1957

Chega a França, e começa o seu ensino da Macrobiótica na sua forma definitiva. Primeiro acampamento macrobiótico, em Chelles, que mais tarde será conhecido como o “campo dos milagres”. Publica “Jack e Mitie”.

 

 

1958

Diplomado, com medalha de prata, pela Prefeitura de Paris! Eleito Deputado dos "CIDADÃOS DO MUNDO".

 

 

1958 a 1964

Vários acampamentos de Verão em França - Saintes-Maries, Préfailles, Ballons, St Médard de Guizières. Corresponde-se com os seus amigos franceses. Previu o assassinato do presidente Kennedy na primeira página do "HERALD TRIBUNE". Colabora com grandes biólogos, como os Doutores CHlSHlMA e MORISHlTA, especialistas em cancro.

 

 

Também organiza acampamentos de Verão nos EUA

e em vários países ocidentais.

 

Abertura da primeira fábrica de produtos macrobióticos (Lima), na Bélgica.

 

 

Publica “O Zen Macrobiótico”, “O Cancro e a Filosofia do Extremo Oriente” e “A Era Atômica” (da Vrin).

 

 

1959

Preside o Congresso Mundial de "Cidadãos do Mundo", em Viena, Áustria ao lado de Thomas Mann, Upton Sinclair.

 

 

1964

Experiências sobre as transmutações, em relação com L. KERVRAN, Presidente do Conselho de Higiene de Paris.

 

 

1965

Acampamento de Verão em Port Manech, onde anuncia a chegada do Mestre Zen TALSEN DESHlMARU, a quem apresenta como seu sucessor. Publica a “Declaração de Paz Mundial e Eterna”.

 

 

1965

Anuncia a sua prática ilimitada da monodieta "N°7" declarando: "Quero tentar ser um verdadeiro asceta que vive a ordem do universo no seu corpo".

 

 

1966

Publica "A Educação da Vontade" como seu testamento, e organiza os primeiros "Jogos Olímpicos Espirituais e Culturais" que tiveram lugar no Verão com os seus amigos do mundo inteiro - (300 representantes do mundo inteiro foram convidados). Me Deshimaru será o Secretário Geral na presença do Ministro da Saúde do Japão.

 

 

A 24 de Abril de 1966, faleceu em sua casa, Tóquio, sem ter cessado as suas atividades até ao último minuto.

 

 

Lima, nascida a 18 de Abril de 1898, perpetuou os ensinamentos do marido e dirigiu o "Centro Internacional Ignoramus" no Japão, até sua morte aos 102 anos em 9 de Novembro de 1999 em Tóquio.

 

CURIOSIDADE: segundo o Professor Tomio Kikushi (discípulo de G. Ohsawa destacado para o Brasil) e transcrito por Dirceu Cavalheiro, no período em que NYOTI SAKURAZAWA viajou pela Europa e começou a espalhar a sua filosofia em Paris, adotou o pseudônimo "Ohsawa", supostamente do francês “Oh-ça-va”, que significa "Oh vai tudo bem" ou "estou indo bem", como resposta â pergunta "Como vai você?".

 


O LEGADO DE GEORGE OHSAWA

Por: EDWARD ESKO (**)

(Traduzido do inglês por François Roland e Fabienne Pizot)

Os ensinamentos de Ohsawa sobre o respeito pela natureza e um modo de vida ecológico são semelhantes aos do movimento ecológico mundial, com a inclusão da defesa da escolha de uma alimentação vegetaliana respeitadora do meio ambiente. Além disso, as ideias de Ohsawa sobre a justiça econômica alimentar foram retomadas na obra “Alimentação para um pequeno planeta”, de Frances Moore Lappe, “Alimentação para uma nova América”, de John Robbins, assim como de outras obras que preconizam um regime alimentar à base de cereais, legumes e soja, como uma solução para o problema da fome no mundo e como meio de preservar os recursos naturais, incluindo as florestas tropicais. 

A importância que Ohsawa dá aos produtos naturais, bem como o seu ensinamento sobre a indiscutível unidade do corpo humano com o solo, é agora expressa no seio dos movimentos para a produção de alimentos naturais e biológicos, bem como na agricultura sustentável. O uso de pesticidas e outros produtos químicos na produção alimentar é agora reconhecido como uma ameaça quer para a saúde individual quer para a integridade do meio ambiente à escala planetária. Constata-se, portanto, que há um apelo para o retorno aos métodos de produção e da agricultura biológicos. Assim, os produtos biológicos deixaram de estar confinados às lojas especializadas e passaram a aparecer por todo o lado nas prateleiras das grandes superfícies.

A convicção de Ohsawa na superioridade de uma alimentação à base de vegetais é agora compartilhada à escala mundial por cientistas e investigadores em medicina - publicado pelo governo dos EUA em 1977. Os estudos de populações como "The Campbell Report" (sobre a saúde na China), demonstram que a taxa de doenças cardiovasculares, cancros, diabetes e outras doenças crônicas é muito menor entre as pessoas que fazem uma nutrição à base de cereais e de legumes.

A introdução por Ohsawa na cultura ocidental de terapias do Extremo Oriente, como a acupuntura, a moxabustão, a fitoterapia chinesa, a meditação, a visualização, entre outras abordagens holísticas, criou, por um lado, um terreno fértil para o surgimento de métodos não convencionais, medicinas holísticas, alternativas e naturais e, por outro lado, tem favorecido a sua aceitação pela opinião pública. Sondagens recentes mostraram que um terço da população dos EUA recorre pelo menos a um método não convencional de cuidados ou prevenção da saúde, incluindo a macrobiótica. Um grande número de médicos, de profissionais da saúde, bem como investigadores do Instituto Nacional de Saúde dos EUA dão crédito agora às medicinas alternativas ou não convencionais. O sonho de Ohsawa de uma síntese entre a medicina oriental e a medicina ocidental poderá tornar-se realidade mais cedo do que pensamos.

Confirmados por mais de cinquenta anos de experimentação, os ensinamentos de Ohsawa provam que um regime alimentar à base de alimentos naturais não refinados contribui para a cura de doenças crônicas e agudas. A medicina leva agora esse facto a sério. No plano bioquímico, os investigadores estão em vias de descobrir um grande número de compostos presentes nos cereais, leguminosas, algas, miso, bem como nos legumes, que inibem o crescimento de tumores cancerígenos. No plano clínico, estudos como o conduzido pelo Dr. Dean Ornish, provam que um regime alimentar à base de cereais e de legumes pode evitar bloqueios coronários crônicos (a principal causa de ataques cardíacos e de apoplexia) dão razão à convicção de Ohsawa: o corpo humano pode forjar a sua própria cura com a ajuda de alimentos devidamente selecionados.

A crescente popularidade da macrobiótica entre as pessoas com cancro, assim como a publicação de relatos documentados da sua cura, levou o Instituto Nacional de Saúde dos EUA a aprovar um estudo oficial sobre macrobiótica e cancro. Num futuro próximo, uma alimentação natural equilibrada de acordo com os princípios da macrobiótica poderá tornar-se num componente importante do sistema de saúde moderno. Além disso, as ideias de Ohsawa sobre a responsabilidade de cada um pela sua própria saúde estão ganhando terreno tanto no domínio saúde pública como no domínio da medicina preventiva.

As descobertas de Ohsawa no campo das transmutações atômicas, bem como a sua aplicação do princípio yin/yang na química e na física, contribuíram para o estabelecimento progressivo de uma nova escola de pensamento. Segundo este último, coisas e fenômenos estão ligados por uma relação de interdependência. A tradicional separação cartesiana entre corpo e espírito, o testemunho e o sujeito de observação, a natureza e a humanidade, é substituída por um paradigma mais holístico e unificador.

A visão que defende Ohsawa de uma civilização planetária unida em torno de uma motivação comum centrada na saúde, na paz, no respeito pela natureza, bem como numa percepção intuitiva da nossa origem e do nosso destino como seres humanos, está gradualmente tomando forma, à medida que suas ideias continuam a se propagar par além das barreiras nacionais, raciais, ideológicas e geográficas. De Sidney a São Petersburgo, de Boston a Buenos Aires, do Colorado ao Congo, de Oroville a Osaka, um número crescente de pessoas está aplicando as ideias de Ohsawa. 


(**) Edward Esko ensina macrobiótica. É escritor, conferencista e autor de várias publicações, entre as quais “A Macrobiótica Contemporânea”. Este trecho é retirado do prefácio da sua obra intitulada "O Essencial de Ohsawa".

 

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