Wednesday, February 1, 2023

 


(“Ode” ao arroz)

“Experimente comer arroz integral durante 10 dias

e compreenderá o porquê dos antigos asiáticos

acreditarem que a divindade

se esconde nos grãos de arroz”

Dr. Martin Macedo

ARROZ

Por: Miguel Boeiro

Observo sempre com muita curiosidade a vegetação das terras por onde deambulo nas minhas viagens. Depois escolho uma das plantas encontradas, por uma questão de mera simpatia ou por a julgar mais significativa, para ser o alvo das minhas investigações botânicas.

Ora, estando mais de um mês no sul da China (ilha Hainan), qual foi a planta que aí encontrei mais abundante e representativa? Já calculam! Foi a do arroz, cereal que é a base da alimentação de 1.400 milhões de chineses e de mais de metade da população mundial.

O arroz sempre me apaixonou e tenho para com ele um carinho e uma afinidade que vêm dos tempos de menino. O meu pai, embora analfabeto, concentrava um conjunto de saberes ancestrais e misteriosos que recebeu oralmente dos antepassados. Um dia, já perto do Natal, que para ele nada tinha a ver com o consumismo da festa da cristandade, trouxe da Barroca d’Alva umas sementinhas castanhas que colocou num pires com alguma água. Curioso, como sempre fui, todos os dias ia ver as sementes e acompanhei radiante a sua rápida germinação. Nasceu uma pequena seara de um verde tão bonito e mimoso, como jamais vira. E aí logo me dei conta de que estava perante algo imensamente mais sagrado do que os “meninos-jesuses” de todo o mundo, uma vez que “pais-natais” ainda não havia naqueles idos (que me desculpem os crentes mais radicais).

A sensação do arroz como planta sagrada, tive-a, de novo, na China profunda, ao ver as searas amorosamente cuidadas e enquanto ia comendo arroz três vezes por dia durante um largo mês. Definitivamente, fiquei fã do arroz.

Há meia dúzia de anos comprei um livro que descrevia, tim-tim por tim-tim, este afamado comestível, terminando com dezenas de receitas. Emprestei-o a alguém e não voltei a reavê-lo. Paciência! Que a esse alguém lhe faça bom proveito, são os meus votos sinceros. Recordo, no entanto, que lá se referia o nosso país como o maior consumidor europeu do precioso cereal: 17 kg por ano, per capita. A seguir vinha a Espanha com 9 kg e muito atrás, todos os outros. Num almoço ocasional com o embaixador da Coreia do Norte perguntei-lhe, qual seria o consumo médio por pessoa na RPD da Coreia. Fez umas contas rápidas e de imediato me respondeu: 150 kg!

Existem cerca de 8 mil variedades de arroz, mas basicamente elas integram sete espécies, sendo a mais conhecida a Oryza sativa (arroz asiático). Cada vez mais apreciadas são as variedades perfumadas, como o basmati, o jasmim, o vermelho e o dourado, este, manipulado geneticamente. Entre nós, as mais conhecidas são o carolino e o agulha.

Como se sabe, o arroz é uma gramínea de origem asiática. Julga-se que é usado como alimento há perto de 7 mil anos, fazendo parte do quotidiano dos países orientais que são, de longe, os seus principais produtores e consumidores.

A planta tem um cultivo anual em terras alagadas, mas pode sobreviver por vários anos nas regiões tropicais.

O arroz é um dos alimentos mais equilibrados que se conhece. Contém hidratos de carbono, proteínas, vitaminas B1, B2, B3, cálcio, magnésio, manganés, fosforo, zinco, ferro, proteínas, pouca gordura e nenhum glúten. No que respeita às proteínas, é certo que não possui a totalidade dos aminoácidos essenciais, mas combina muito bem com todas as outras fontes proteicas.

O arroz integral, ou seja, o arroz em que apenas se retira a casca exterior (celulose), ficando com uma película fina acastanhada, é o melhor para uma nutrição saudável. Essa película contém fibra e maior quantidade de proteína e de gordura, alimentando muito mais. Se bem mastigado, é de fácil digestão, combatendo o colesterol, a arteriosclerose, a diabetes, a prisão do ventre e outras disfunções do aparelho digestivo. Além disso, contém selénio que é um antioxidante natural que beneficia o sistema imunológico. Quem consome apenas arroz normal, leva algum tempo a habituar-se ao integral, mas depois acaba por o achar mais saboroso que o chamado arroz branco.

Quanto às formas de cozinhar, elas variam muito, de país para país e de região para região. Na China o arroz é cozido a vapor o que, de entre outras vantagens, fica mais a jeito para ser comido com os tradicionais pauzinhos, como aliás, sempre assim fiz.

Para mim, que gosto dele bem cozido mas não empapado, a melhor maneira é usar o forno solar: uma parte de arroz para três de água, um pouco de azeite e uma pitada de sal, sol que baste e passadas 2 horas, está pronto. Vantagens: não esturra, não pega, não endurece e é claro, não se despende energia elétrica nem gás, o que, em tempos de aguda crise, não é de somenos.

Miguel Boieiro





Tuesday, January 31, 2023

 


O ARROZ INTEGRAL

Drª Elena Corrales

O arroz é o cereal mais cultivado no mundo depois do trigo. É o grão mais evoluído do reino vegetal e o seu aparecimento como espécie botânica é contemporâneo com o aparecimento do ser humano na terra. É por isso que lhe chamamos “o rei dos cereais”: é fruto e semente simultaneamente.

O arroz integral conserva o germen intacto, uma vez que apenas a casca exterior não comestível foi removida, razão pela qual tem uma cor ligeiramente mais escura do que a que conhecemos como arroz branco.

Valor nutricional

É o mais equilibrado de todos os cereais quanto aos seus nutrientes, contém hidratos de carbono de absorção lenta, as suas proteínas contêm todos os aminoácidos essenciais, e é rico em vitaminas, minerais, oligoelementos e fibra. Não contém glúten, tornando-o um alimento de eleição para os celíacos.

Entre os oligoelementos, o selénio destaca-se como um poderoso antioxidante que tem a capacidade de reparar o ADN e promover a apoptose celular.

Os hidratos de carbono que contém, sendo de absorção lenta, são excelentes para aumentar a resistência durante a actividade física e para regular as baixas de açúcar que ocorrem quando consumimos açúcares rápidos.

O germen fornece proteínas e ácidos gordos, bem como aleuronas que previnem a arteriosclerose e a hipertensão. O salvado (“farelo”) é rico em fitoquímicos tais como os flavonóides, os ácidos fenólicos, os fitoesteróis e os lignanos. Estas substâncias ajudam a prevenir desde as doenças cardiovasculares a certos tipos de cancro.

Como informação adicional, uma chávena de arroz integral tem vinte vezes mais fibra do que uma chávena de fruta e cinco vezes mais fibra do que uma chávena de vegetais. Estes dois alimentos, vegetais e frutas, contêm muita água, pelo que o campeão das fibras é sem dúvida o arroz integral.  Este dado torna-o altamente saciante e melhora a qualidade do nosso microbioma.

Em termos de conteúdo calórico, 100 gramas de arroz integral fornecem-nos 375 calorias, mas quando cozinhado, à medida que o seu volume aumenta, o seu conteúdo calórico é reduzido em quase um terço. Este dado é muito importante tanto se quisermos perder peso como se não quisermos emagrecer.

100 GRAMAS

VITAMINAS

MINERAIS

PROTEÍNAS

ARROZ BRANCO

1,7 mg

215,8 mg

6,7 mg

ARROZ INTEGRAL

5,09 mg

476,6 mg

7,5 mg

Valor nutritivo do arroz integral

Tem uma característica muito importante: é o único alimento que não deixa qualquer resíduo metabólico, ou por outras palavras, o seu consumo não produz purinas. É por isso que é considerado o cereal da cura. É o ingrediente da primeira papa que damos aos bebés e, consequentemente, é altamente recomendado para pessoas idosas e convalescentes.

Existem muitas variedades de arroz: de grão curto, de grão longo, arroz vermelho, arroz selvagem, arroz doce... de todas elas, a mais equilibrada é a de grão curto, também chamada arroz redondo. Estamos sempre a falar do arroz integral. Se descascarmos o arroz, o resultado é um alimento morto que nos alimenta, mas que não nos vitaliza. Pense que se semear um punhado de arroz integral, ele crescerá, mas se semear um punhado de arroz branco, mesmo que o regue com água benta e que ponha música de Mozart, ele não crescerá, simplesmente porque a refinação lhe retirou o seu germen, o arroz branco engorda, aumenta os níveis de glicose, favorece a prisão de ventre etc.

No Ocidente, o arroz é sempre cozinhado com outros alimentos, mas no Oriente, é costume cozinhá-lo só e servi-lo separadamente, pois tem a função do pão nas nossas mesas.

Aspectos energéticos

A opção de se consumir arroz em vez de pão tem muitas vantagens do ponto de vista energético.  O grão de arroz permanece intacto desde a sua colheita e o único tratamento a que é submetido antes de ser comido é a cozedura, onde a temperatura não sobe acima dos 100°C, que é o ponto de ebulição da água. Pensemos agora no pão: quando se mói o trigo, a farinha, mesmo que tenha sido moído com um moinho de pedra e não haja aumento de temperatura, o ki (energia vital) do grão desaparece, ou seja, na farinha, mesmo que seja integral e acabada de moer, já não há energia vital, e é por isso que se semearmos um punhado de farinha, ela não nasce. Além disso a farinha depois da moagem, fermenta, depois é amassada e finalmente cozida no forno a mais de 100°C durante mais de uma hora. O resultado é um alimento com menos poder energético. Portanto, não é má ideia aprender a comer sem pão e, em seu lugar, pôr arroz na mesa. Deixaremos o pão para as sandes e os petiscos.

Aspectos terapêuticos

A Medicina Oriental considera os alimentos pelo seu valor nutritivo e qualidades funcionais. O arroz harmoniza o funcionamento dos pulmões e do intestino grosso, pelo que é altamente indicado como alimento de consumo diário para todos os distúrbios digestivos, tais como síndrome do intestino irritável, colite ulcerosa e outras doenças intestinais. É também de grande ajuda em problemas respiratórios, tais como asma, bronquite, etc. É importante assinalar que a forma como é cozinhado, o tempo de cozedura, a adição de sal, etc. devem ser ajustados em cada caso.


Bibliografia traduzida

https://www.elenacorrales.com/blogelenacorrales/







Tuesday, January 24, 2023

 


A MACROBIÓTICA:

UM PROJECTO POLÍTICO PARA UM MUNDO NOVO

Por: Gérard Wenker

Perigosa para os estados, subversiva para as igrejas,

a macrobiótica e as receitas de vida longa foram atacadas,

denegridas e ridicularizadas durante séculos.

Até que nos anos 1929-1935, um japonês,

GEORGES OHSAWA,

confrontado com os limites da medicina moderna no seu país, ...

redescobriu as virtudes da dieta macrobiótica ...

 

A macrobiótica é uma arte de viver livremente, de acordo com as leis da ordem universal.

- Livre de pensar livremente

- Livre de viver com saúde

- Livre de morrer no momento escolhido

- Livre de viver num mundo de paz.

Viver livre não é mais do que uma ilusão, se tivermos sido formatados para caber no molde que a sociedade nos preparou para o nosso bem e para o bem de todos.

Viver livre, não é uma liberdade real, se formos deficientes, se formos doentes mentais, se estivermos gravemente doentes, se tivermos fome, se formos obesos, se estivermos na prisão, se estivermos desempregados, se formos sem abrigo. Se não soubermos porquê!

Livres de morrer sim, mas não aos 20 anos, não condenados à morte pela justiça ou pela medicina, não de fome, não nos campos de batalha, não retalhado pela liberdade, não gritando PORQUÊ!...

Livre de viver em paz num mundo de paz. Não sonhe!! Pensa que estes dramas humanos são uma fatalidade, um castigo, uma condenação, talvez até mesmo merecida, por ter pecado. E de qualquer forma, não há escolha, temos de passar por isso, é o nosso karma: inch´Allah.

Não, não é se Deus quiser, mas apenas o que nós quisermos, se nós o quisermos. Para todos os que recusam o inexorável, existe um caminho, um método, uma filosofia ou uma doutrina, pouco importa o nome que lhe queiram chamar, que é realista, viável e praticável, nós chamamos-lhe macrobiótica, e é uma arte de viver que melhora a condição humana e proporciona a verdadeira liberdade através do conhecimento.

Uma arte de viver que existe há milhares de anos, uma arte de viver de tal modo eficaz que foi sempre confiscada pelas elites e pelos poderes para seu próprio uso.

A fim de manter a sua exclusividade, cada época tornou o seu uso mais obscuro - astrologia, numerologia, alquimia e as sucessivas traduções desviaram finalmente o verdadeiro propósito da macrobiótica, que era o de dar a cada indivíduo os meios para ser responsável pela sua saúde e pela sua longevidade.

Perigosa para os estados, subversiva para as igrejas, a macrobiótica e as receitas de vida longa foram atacadas, denegridas e ridicularizadas durante séculos. Forçada a refugiar-se no hermetismo, a macrobiótica sobreviveu, mas de forma distorcida, em algumas escolas esotéricas ocidentais.

No século XX tinha desaparecido completamente, substituída pela dietética, pelas preparações farmacêuticas cada vez mais eficazes e pelas vacinações obrigatórias.

Nos anos 1929-1935, um japonês, Georges Ohsawa, confrontado com os limites da medicina moderna no seu país, foi para França, para Paris, e inscreveu-se na Sorbonne, frequentou o Instituto Pasteur e a Biblioteca Nacional, e foi lá que redescobriu as virtudes da dieta macrobiótica, provavelmente em livros antigos consagrados a esta especialidade. (De Triplici Vita).

Após numerosas viagens e múltiplas aventuras, regressou a França em 1957 para apresentar uma nova macrobiótica totalmente renovada e revitalizada pelo Princípio Único do Extremo Oriente e pela Dialéctica Taoísta.

O sucesso foi imediato, e em poucos anos milhares de seguidores converteram-se aos segredos da cozinha macrobiótica. Um livro intitulado "Macrobiotic Zen" vendeu mais de um milhão de exemplares, e de agora em diante cada cidade tem um ou mais restaurantes macrobióticos, foram criados centros de ensino em todos os países da Europa. Muitas pessoas doentes recuperaram a sua saúde e muitas mais estão a dar sentido às suas vidas, mudando as suas vidas.

Após séculos na sombra, em duas décadas esta arte de viver de acordo com a ordem do universo floresceu em quase todo o planeta, e fomos levados a acreditar que poderia ser o início de uma nova era dourada para a humanidade.

Mas atenção, as forças retrógradas estão vigilantes, os guardiães da ordem mudaram, primeiro foi a ordem clerical nos séculos passados, depois os estados e as suas forças de ordem, e agora é a ordem dos médicos e dos seus vassalos, ou talvez o oposto, as multinacionais farmacêuticas.

Homeopatia - efeito placebo, sem moléculas activas; golpes, esquemas.

Medicina energética – não há provas científicas.

Ah sim! quase me esquecia daqueles que agem na sombra, os lobbies agro-alimentares, retransmitidos pelos cientistas que recebem ordens.

- A B12 - sem salvação fora do fígado de vaca.

- O Cálcio - uma estrutura óssea de betão com produtos lácteos em abundância.

À excepção de curtos períodos de expansão, no século III, na Renascença e no século XX com G. Ohsawa, a macrobiótica e todas as disciplinas adjacentes que advogam regras naturais de saúde, de rejuvenescimento ou de longevidade sempre foram combatidas pelos poderes estabelecidos.

Mas porque é que a macrobiótica mete tanto medo aos governantes, o que é tem de tão subversivo, o que é que ela ensina tão perigoso para ser vigiada, condenada e até interdita? Mesmo que na nossa época liberal os métodos tenham mudado e já não “queimem”, continuam ainda e sempre a denegrir, a ridicularizar e a condenar a macrobiótica.

As regras macrobióticas sempre reflectiram as grandes leis da ordem universal. Respeitar estas leis na vida quotidiana para viver uma vida longa e de boa saúde é a tese fundamental do modo de vida macrobiótico.

Mas a prática regular desta arte de viver proporciona ainda algo mais, algo muito mais perigoso para os poderes, sejam eles democráticos ou totalitários, capitalistas ou monárquicos - "A macrobiótica melhora o julgamento e desenvolve uma consciência universal”.

Eis o verdadeiro perigo, o Estado moderno delegou os seus poderes para melhor governar. A sociedade cuida de tudo por e para nós, para o nosso e para o seu bem no melhor dos mundos.

- O pensamento para a educação e instrução

- A saúde para a ordem dos médicos

- A ordem para as forças da ordem

- A mortalidade para as estatísticas do estado

- A paz para os militares

- O conhecimento para os cientistas

- As crenças para as igrejas.

- Portanto, não deixar desenvolver de jeito nenhum um movimento que advoga a liberdade através de escolha pessoal que desafia a razão do Estado.

 

***

E nós - e nós então ... o que nos resta! Na realidade, pouca coisa, apenas uma coisa aparentemente insignificante, mas na realidade a mais importante de todas, que pode ser resumida numa pequena frase: "Nós somos o que comemos".

É sobre esta simples constatação, que à primeira vista nada tem de subversiva, que as doutrinas macrobióticas têm sido construídas ao longo dos séculos.

Mudar a sua alimentação e a forma de comer, reforçadas no século XX pela reflexão yin-yang da dialéctica taoísta, introduzida no Ocidente por um japonês chamado Georges Ohsawa, é a última liberdade individual que nos resta.

Quando sabemos que este método, permite:

- evitar a maioria das doenças, podemos estar certos de que seremos capazes de

- curar as doenças degenerativas

- reforçar a força vital e o sistema imunitário

- manter uma família saudável.

- desenvolver o próprio nível de consciência

- resolver o problema da fome no mundo

- construir um mundo de paz

Compreende-se melhor o impacto da macrobiótica - esta via para a saúde e a paz, através da evolução biológica e espiritual - se ela se estendesse a milhões de pessoas ou se se estabelecesse em vários países.

Não, não, não; a macrobiótica não passará - aqueles que nada sabem vigiam os seus bens. Por detrás das maiores siglas das organizações mundiais - ONU-OMS-FMI-OMC-G8 – escondem-se os vigilantes do bezerro de ouro.

Sobretudo nenhum humano saudável, que se estão a sair bem, isso não daria nenhum lucro.

Eis os 7 Artigos da Revolução Biológica recomendados pela nova macrobiótica. O nº 1 é prioritário, é inútil ir mais longe enquanto não tivermos assimilado pelo menos as noções básicas yin-yang.

1.  Aprender a reconhecer o jogo permanente das duas forças antagónicas e complementares yin e yang. Utilizá-las como guia para compreender o jogo da vida na natureza, no nosso corpo, nos nossos comportamentos e em todos os fenómenos que nos rodeiam.

2.  A fim de respeitar as polaridades harmoniosas da natureza, é aconselhável não utilizar produtos alimentares contendo aditivos químicos, e de dar a prioridade aos alimentos provenientes de uma agricultura biológica, artesanal e regional.

3.  Consumir frutas e legumes provenientes da mesma zona climática em que vivemos, respeitando a estação natural da vegetação de crescimento biológico de cada planta.

Introduzir regularmente na dieta legumes selvagens locais e legumes do mar (algas) sempre que possível.

4.  O consumo de produtos de origem animal deve satisfazer três critérios:

a)  Comer espécies que não fogem.

b)  Comer as espécies que são biologicamente mais afastadas de nós.

c)  Não ingerir subprodutos animais provenientes de roubo ou apropriação indevida.

d)  Rejeitar totalmente os produtos lácteos: Estes produtos não são concebidos para o consumo humano e além do mais têm taxas elevadas de herbicidas, antibióticos e hormonas. A nível psíquico, os produtos lácteos mantêm-nos a um nível infantil.

(O leite é para os bezerros e o mel para as abelhas se alimentarem durante o Inverno).

5.  Composição do prato macrobiótico padrão de base:


6.  Quadro original das 10 formas de comermos segundo o método macrobiótico, tal como aparece em "Macrobiotica Zen".

Eis o comentário que acompanha este quadro:

“Beba o mínimo possível. Se não alcançar o bem-estar que deseja, experimente o regime que está acima. O mais alto, o nº 7, é o mais fácil; os mais baixos são os mais difíceis”.

Nota: Por mais fácil, G.O. queria dizer mais fácil de equilibrar de acordo com yin e yang, e por mais difícil, pode-se compreender que quanto mais ingredientes diferentes, mais experiência é necessária.

7.  "No Credo" - não acreditar mas sim compreender para se chegar a uma convicção pela sua própria reflexão. Crença, fé e superstição são na realidade sinónimo de ignorância.

"Vivere pavro" saber contentar-se com o essencial sem desperdiçar os dons da vida. Ser grato por tudo o que recebemos.

Como podemos constatar, estas regras, que são apenas recomendações, revelam antes de mais bom senso e seriam perfeitamente inofensivas para os Estados, se não fizessem parte de uma sociedade onde o consumo excessivo e o lucro são os principais pilares da economia e a economia o único barómetro dos governos em vigor. Os lobbies da indústria agro-alimentar (carne industrial, lacticínios, cereais, moagem, etc.) associados aos grandes grupos químicos certificam-se de que ninguém põe um travão à sua expansão. Desinformação, corrupção, manipulação científica, tudo é bom e feito para desacreditar o movimento macrobiótico mundial.

Num futuro próximo, uma geração, no máximo, se as condições de degradação do planeta continuarem ao mesmo ritmo, o modo de vida macrobiótico será talvez a única saída possível para os sobreviventes de uma humanidade laminada por cataclismos naturais, fome, sede e poluição química dos quatro elementos essenciais à vida (terra, água, ar e alimentos), todos eles a par de uma forte regressão dos nossos sistemas imunitários, levando à degeneração da espécie humana.

Assim, um conselho, saltemos com toda a liberdade para o barco salva-vidas chamado "macrobiótica". Enquanto ainda há tempo, preparemo-nos para enfrentar longos períodos de fome, reforcemos os nossos sistemas imunitários, aprendamos a sobreviver com o "vivere pavro" e o respeito das verdadeiras leis da ordem universal através do "Non Credo".

Milhares de pioneiros em todo o mundo já tentaram a aventura da "Grande Vida", juntem-se a eles, um novo mundo está a ser preparado, um mundo de saúde e de paz. Bem-vindos a esta nova idade de ouro aqui e agora.

Gérard Wenker - Setembro de 2003



Thursday, January 19, 2023

 


OS ÓLEOS NA ALIMENTAÇÃO

MACROBIÓTICA PADRÃO

Introdução

Na alimentação macrobiótica padrão (AMBP), os temperos são utilizados de forma regular e devem ser biológicos e fabricados com técnicas naturais.

Um óleo de boa qualidade é essencial para a saúde.

Para a cozinha diária, o óleo de sésamo negro devia ser o preferido.

Os óleos de sésamo branco, de milho e de grãos de mostarda podem igualmente ser utilizados frequentemente e os outros óleos vegetais não refinados, utilizados ocasionalmente.

A utilização dos temperos deve ser moderada e adaptada às necessidades individuais.

A frequência e a quantidade de óleo consumido variam de indivíduo para indivíduo.

Idealmente, os óleos e as gorduras deveriam ser absorvidos pelo organismo no seu estado integral a partir de alimentos como os cereais integrais, as leguminosas e as sementes.

Para uma pessoa normalmente de boa saúde, uma ou duas refeições por dia poderão ser preparadas com uma pequena quantidade de óleo não refinado. Poderá ser sob a forma de pequenos pratos de acompanhamento, de legumes ou de algas salteados ou molhos ou guarnições que os contêm. Mais ou menos uma vez por semana, em dias de festa ou ocasiões especiais, poderão ser preparados fritos de tofu ou de seitan ou tempuras de legumes, peixe ou crustáceos.

Os fritos ou as tempuras utilizam grandes quantidades de óleo. No entanto, quando são correctamente preparados, os alimentos cozinhados desta maneira não são nem oleosos nem pesados, mas estaladiços e de sabor delicado.

Para as pessoas que não estão de boa saúde, o consumo de óleo deve ser minimizado ou evitado até que a sua condição melhore.

Características

Os óleos vegetais são de preferir às matérias gordas animais por causa, entre outras razões, dos seus pontos de fusão diferentes.

A maior parte das gorduras animais, com efeito, permanecem mais ou menos coaguladas à temperatura do corpo ou ocasionam depósitos que podem a longo prazo degenerar.

As sementes oleaginosas são alimentos mais completos e mais fáceis de digerir do que os óleos, que são, de facto, produtos refinados.

Os óleos de melhor qualidade são obtidos prensando as sementes, cereais, frutos ou nozes a temperaturas relativamente baixas, filtrando-os ao mínimo e armazenando-os em garrafas. De aparência turva, são ricos e contêm o aroma natural e o sabor dos produtos integrais dos quais são extraídos.

Contêm igualmente os antioxidantes e os outros nutrientes que impedem que fiquem rançosos.

A extracção dos óleos vegetais de qualidade inferior é correntemente obtida com a ajuda de solventes. Neste procedimento, o hexano, um hidrocarboneto muito tóxico derivado do petróleo, é aquecido a altíssimas temperaturas para extrair o óleo, destruindo a maior parte dos nutrientes.

Certos óleos, de armazéns de produtos naturais, trazem a menção “prensado a frio” para indicar que não foram obtidos a temperaturas elevadas.

No entanto, entre os óleos não refinados habitualmente disponíveis, apenas o óleo de oliva (azeite) é realmente prensado a frio sem qualquer aquecimento. Além disso, a expressão “prensado a frio” não é necessariamente um critério de qualidade.

Cozinha Macrobiótica

O óleo não é um carburante, mas um comburente, o que não faz dele um alimento e ainda menos um nutriente, contrariamente às alegações erróneas da dietética médica moderna.

A água evapora a 100ºC, o ponto de fumaça do óleo situa-se entre os 180 e os 250ºC, sendo, pois, antes de mais, pelas suas qualidades térmicas que o uso do óleo no cozimento de certos alimentos se poderá tornar necessário, porque permite aumentar até 250ºC ou mesmo até 300ºC para certos óleos, a temperatura de cozedura dos alimentos.

Na realidade a utilização e o consumo dos óleos deveriam ser reduzidas ao mínimo necessário – 20 a 30 g de lípidos são suficientes para as necessidades energéticas diárias de um adulto sedentário de 70 Kg de peso. Os corpos gordos são a única forma de energia armazenável pelo nosso organismo – os excedentes são postos em reservas sob a forma de células adiposas, celulite e colesterol – e ninguém já ignora as graves perturbações na saúde que elas provocam.

Taxa de corpos gordos de alguns alimentos (para 100g):

Manteiga: 80 g

Queijo: 40 g

Toucinho:75 g

Frango: 6 g

Salmão fresco: 15 g

Margarina: 75 g

Ovo: 12 g

Óleo vegetal: 80 g

Amêndoas:  40 g

Chocolate:  75 g

Sésamo: 6 g

Soja: 15 g

Arroz integral: 75 g

Aveia: 12 g


Para substituir a manteiga e a margarina, devíamos utilizar as manteigas (purés) de sementes de oleaginosas, tais como: amêndoas, avelãs, girassol, etc. A melhor pasta para barrar é o TAHIN, manteiga de sementes de sésamo – o “abre-te sésamo” dos contos das Mil e Uma Noites. Rica em fósforo, lecitina, e em aminoácidos essenciais, tem uma acção específica sobre a memória, o sistema nervoso e a clareza de espírito. Natural ou aromatizado, salgado ou adoçado, convém a todos os usos, no vinagrete, molho para salada, como base das massas vegetais ou adicionado com mel de cereais nas sobremesas.

Os óleos devem ser sempre provenientes de sementes biológicas prensadas a frio, não refinados e simplesmente filtrados mecanicamente.

O azeite (óleo de oliva) tal como é recomendado pelo corpo médico e dietistas profissionais é o exemplo perfeito dos erros que se podem cometer, a partir do momento que nos deixamos guiar unicamente por considerações analíticas bioquímicas.

Segundo as regras do Yin-Yang, o azeite é um óleo a partir de um fruto, sendo, pois, duplamente Yin, e por consequência deveria limitar-se exclusivamente às zonas de implantação da oliveira. Na cozinha macrobiótica a sua utilização é desaconselhada nas zonas climáticas frias e na estação fria das zonas temperadas.

O óleo cria uma energia dilatante, uma energia de expansão. Apenas uma pequena quantidade é necessária para os cozinhados. Apenas uma colher de sopa é quanto basta para cobrir o fundo da frigideira e fazer saltear os legumes, as massas ou os cereais para toda a família. Para as pessoas que devem limitar o consumo de óleo, basta espalhá-lo no fundo da frigideira com um pincel. Numerosos alimentos combinam bem com o óleo – é o caso da maior parte dos legumes de raiz, as cebolas, as couves e alguns legumes redondos, legumes de folhas, as algas hijiki e arame, o tofu, o seitan e o tempeh. Outros alimentos não combinam tão bem com o óleo – é o caso do feijão azuki, o grão de bico, as algas kombu e as abóboras (se bem que possam fritar-se).

Para ajudar a digestão do óleo, principalmente no caso dos fritos e tempuras, um pouco de daikon (ou nabo ou rabanete) e algumas vezes gengibre ralados ou uma ameixa umeboshi são habitualmente servidos.

No caso do peixe e crustáceos – sejam ou não preparados com óleo – utiliza-se um condimento mais forte, em vez do daikon, o rábano ou o rábano japonês (wasabi).


NUMA ESCALA DE YIN-YANG:

Quanto mais pequena é a semente, mais Yang é o óleo.

Cártamo – Azeite de oliva – Milho – Girassol – Colza – Sésamo




Notas importantes

Os óleos devem ser de primeira pressão a frio – não quer dizer que na sua extracção não se possam aquecer!

O óleo muito quente produz um elemento de degradação.

Nunca chegar ao ponto de fumegar, que se situa, conforme os óleos, próximo dos 160ºC.

(1)  O óleo de cártamo possui um sabor muito doce e permite fazer molhos ligeiros. Degrada-se mais facilmente do que os outros óleos e é instável a altas temperaturas.

É menos utilizado que os outros em cozinha macrobiótica.

(2)  O azeite possui um sabor e um aroma particulares ligeiramente doces e conserva-se por mais de um ano sem refrigeração. É delicioso para as saladas e é utilizado, ocasionalmente, para os cozinhados. É o único óleo bastante comercializado que não é extraído a alta temperatura e a alta pressão. O melhor de todos, o Azeite Virgem, é obtido na primeira pressão do fruto. A segunda qualidade é o dito Azeite Puro e é obtido com a ajuda de produtos químicos. O azeite é, na sua origem, de qualidade monoinsaturada, o que faz que seja mais gordo e menos digesto do que os óleos polinsaturados.

(3)  Depois do óleo de sésamo, o óleo de milho não refinado é o óleo mais frequentemente utilizado na cozinha macrobiótica. Possui um rico sabor de milho e a variedade mais escura provem do grão integral. É frequentemente utilizado nos salteados e no forno e em molhos e guarnições. No entanto, do facto que faz espuma facilmente a altas temperaturas, não é utilizado em fritos e tempuras.

(4)  O óleo de girassol é o principal óleo utilizado na Rússia, no Canadá e outros envolvimentos nórdicos frios. Possui um sabor agradável, um aspecto claro e conserva-se perfeitamente. É utilizado ocasionalmente em vez dos óleos de sésamo e milho.

(5)  O óleo de soja possui um forte sabor parecido com o sabor a peixe, apreciado por uns e rejeitado por outros. Um óleo de soja refinado, de sabor mais neutro, é utilizado pela indústria alimentar.

(6)  O óleo de sésamo negro, obtido através de sementes de sésamo tostadas, possui um rico sabor a avelãs, um aroma fumado, uma cor escura profunda e uma aparência turva. É um óleo de superior qualidade e é preferido para as utilizações regulares como os salteados, fritos na frigideira, tempura, no forno, fritadas assim como em molhos e cremes de tartinar. O óleo de sésamo branco possui um sabor doce, é mais fluído e o seu aroma é menos marcado. É utilizado para confeccionar pratos delicados para os quais o forte sabor do óleo de sésamo negro poderia contrariar o sabor dos outros ingredientes. Muito estável e resistente às alterações, o óleo de sésamo pode ser conservado, arrolhado hermeticamente depois de aberto, num local escuro e fresco ou colocado no frigorífico.

Óleo de Mostarda – O óleo de sementes de mostarda é obtido da mesma planta cujas folhas são utilizadas como legumes. É pouco utilizado no Ocidente, mas bastante utilizado na Ásia e no Médio Oriente.

Outros óleos – Os outros óleos de qualidade vegetal não refinados obtidos de maneira natural e tradicional e que são comummente utilizados, podem ser consumidos de tempos a tempos, por pessoas habitualmente de boa saúde, pelo prazer e variedade que trazem à alimentação. São, entre outros os seguintes: óleo de amendoim, de sementes de algodão e de linho, de amêndoas e de nozes. Os óleos de coco e de palma, sendo de qualidade ligeiramente saturada, são evitados em macrobiótica.



BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

·         GISEL, François – “La Macrobiotique – aperçu théorique”

·         WENKER, Gérard – “Macrobiotique pratique. Traité de longue vie” – 2009;

·         KUSHI, Aveline & Michio – “Harmonisation de l´alimentation – selon les variations de l´environnement et besoins personnels”.


Tuesday, January 17, 2023

 


CREME ESPECIAL “In-Ka”

IN: “L´Art de vivre macrobiotique”, Gérard Wenker.

 

Muito eficaz para todos os problemas musculares e articulares.

Artrose, poliartrite, reumatismo, cãibras musculares, rigidez muscular, etc.

Dores nos joelhos, nos cotovelos, nos ombros e na nuca.

 

Ingredientes e Utensílios

·         Gengibre fresco, cerca de 200 g

·         Álcool de farmácia a 70°

·         Óleo de sésamo biológico

·         Alga Agar-Agar em pó ou em barrinhas

·         Lecitina de soja alimentar em pó (opcional)

·         Um frasco, envolto em papel de alumínio.  

Preparação

1.  Ralar o gengibre para uma gaze/tecido, espremer a polpa até recolher o máximo de sumo. Verter para uma caçarola inox.

2.  Juntar a mesma quantidade de álcool do que sumo de gengibre

3.  Juntar igualmente a mesma quantidade de óleo de sésamo

4.  Juntar uma saqueta de pó de agar-agar

5.  Juntar uma colher de sopa de lecitina de soja em pó (facultativo)

6.  Aquecer em lume brando mexendo; Nunca deixar ferver – Não cobrir – Atenção: é inflamável.

7.  Deixar arrefecer e verter para um frasco esterilizado Proteger da luz.

8.  Conservar no frigorífico.

 

Indicações

·         Estender o creme In-Ka sobre a parte a tratar, friccionando longamente e lentamente e massajando em profundidade. Repor várias vezes creme.

·         Frequência e duração: Uma vez de manhã e uma vez à tarde, entre 15 minutos a ½ hora.

·         Continuar até ao desaparecimento completo das dores e das tensões.

·         Não utilizar em caso de infecções, de fortes inflamações quentes, nem, seguramente, em caso de ferida aberta.

·         Nunca aplicar na cabeça.



O DAIKON SÍNTESE GLOBAL ORGANIZADA POR TEMAS (IA) Existe um elevado grau de concordância entre as fontes. Abaixo segue uma síntese or...