Sunday, March 2, 2025

 

CONVENCER SEM FALAR

Dr. Martín Macedo

O povo Hunza foi descoberto em 1910 pelo médico britânico Mac Carrison. Constituído por 30.000 habitantes distribuídos por pequenas aldeias, os Hunza vivem a uma altitude média de 2.000 metros acima do nível do mar, no extremo Norte do Paquistão, próximo da fronteira com a Índia, Tibete e Rússia. Apesar de estarem rodeados por povos asiáticos os seus traços físicos, segundo os observadores correspondem aos de um europeu médio. Diz-se que um grupo de sobreviventes do exército de Alexandre Magno se refugiou nesta zona montanhosa, de muito difícil acesso e ali se estabeleceram. Estão totalmente isolados de outras regiões povoadas. Têm de percorrer 500 Km de distância para chegar a um centro povoado e como viajam a pé a dita viagem leva-lhes cerca de um mês a percorrer. Agarram-se obstinadamente ao seu modo de vida e costumes. Mac Carrison tendo feito um levantamento da situação sanitária das colónias britânicas na Índia, chegou a esta zona limítrofe e não encontrou ali nada que lhe chamasse a atenção. Como quase todos os outros médicos procurava registar as doenças prevalecentes nos povos que visitava. E no povo Hunza não havia nenhum doente. No entanto, muitos anos depois, reflectindo sobre a inexplicável ausência de doenças nessa região do mundo, voltou e investigou a fundo o seu modo de vida, procurando uma explicação para esta surpreendente ausência de doenças. Esta gente vivia com facilidade até aos 120 anos e inclusivamente até aos 140 anos. Os homens procriavam até aos 75 anos e os anciãos não viam diminuir nem a sua visão nem a audição. Mantinham a sua dentadura intacta apesar da sua idade avançada e ocupavam-se dos trabalhos agrícolas com um coração forte até aos 110 anos. Não existiam doenças mentais e salvo alguma fractura ou febre curta e intensa, como pôde constatar, nunca adoeciam. O seu carácter era alegre e conciliador. Segundo os relatos de Mac Carrinson não se encontraram condutas criminosas entre os Hunza. Esta gente gozava de uma saúde extraordinária, muito superior à saúde média no mundo desenvolvido. Existe um filme que mostra o povo Hunza. Tornaram-se famosos cerca de 1960 quando começaram a chegar turistas e curiosos de todas as partes do mundo. Como Mac Marrison estava convencido que esta saúde extraordinária se devia ao modo de alimentação deste povo decidiu quando regressou a Inglaterra fazer uma experiência dietética, para provar a sua teoria. Alimentou dois grupos de ratos com dois tipos de dietas diferentes: a um grupo com a dieta típica londrina e ao outro grupo com a dieta Hunza. O primeiro grupo de 1.200 ratos foi alimentado com pão branco, pratos doces, à base de farinha branca, compotas, carne, arenque, conservas, guloseimas e de vez em quando com leguminosas. A seguir a um tempo bastante prolongado desenvolveram as mesmas doenças crónicas dos londrinos, comprovando que também se tornavam agitados e agressivos. Alguns destes ratos acabaram por se devorar entre si.

Por outro lado, o outro grupo foi alimentado com alimentos típicos dos Hunza: trigo sarraceno, millet, trigo, cevada, lentilhas, damascos, maçãs, uvas, papas e muito pouca carne. Comprovou que no mesmo período de tempo estes gozavam de excelente saúde, reinando entre eles o entendimento. O seu comportamento era pacífico em comparação com o grupo nutrido com uma típica dieta urbana.

Os Hunza nunca adoecem. Se alguém visitar esta zona do mundo ou vir o filme não necessita ser convencido da eficácia do seu sistema de vida. Eles convencem sem falar. Não só pela sua extraordinária imunidade e fortaleza, mas também pelo seu carácter alegre e conciliador. Não há conflitos sérios entre eles. Parece um paraíso. Porém é real. Este nível de saúde não se encontra salvo raríssimos casos no mundo moderno. O que consideramos “saúde” no sentido comum é algo bem ténue comparado com a fortaleza extraordinária dos Hunza. Porque nunca adoecem. Nem um resfriado, nem uma gripe. As infecções provocadas por feridas ou outras causas curam-se sem medicamentos. Se tivermos um resfriado uma vez no ano ou se tivermos uma gripe em cada 6 meses estamos abaixo do nível de saúde dos Hunza. Se tivermos depressões ou ataques de pânico ou se nos cansarmos ao subir uma escada não estamos bem. Não convenceremos ninguém por mais que nos alimentemos com cereais em grão e outros alimentos saudáveis. Quem tem um tipo de saúde assim catequiza com o exemplo e não precisa de falar. O seu testemunho vivo é muito eloquente. A nossa macrobiótica é essencialmente similar ao sistema alimentar dos Hunza. Se a seguirmos firmemente não deveríamos adoecer nunca, ainda que ocasionalmente haja desvios. Até mesmo com desvios a nossa solidez física deveria ser para nunca adoecer. Devemos chegar a este nível de vitalidade para conseguir convencer sem falar. Os Hunza têm pouco dinheiro e empregam-no para adquirir tecidos e ferramentas para o seu trabalho. Eles trabalham duro fisicamente e não têm as facilidades da vida urbana. Mas nós somos citadinos. Estamos rodeados de ajudas técnicas que “elevam o nosso nível de vida” e o de um sem número de alimentos falsificados. Somos pressionados socialmente para que os consumamos e a publicidade empurra-nos constantemente para que entremos no carrossel do consumismo. Mas se formos capazes de atingir o nível de saúde dos Hunza vivendo em centros urbanos então somos mil vezes maiores que os Hunza. Esse é o nosso objectivo. Seremos mil vezes mais felizes que eles se conseguirmos viver em sociedade e ao mesmo tempo ter um nível de saúde extraordinário. Para isso necessitamos de uma enorme vontade. E temo-la em estado embrionário. Se não desenvolvermos a vontade, a prática da macrobiótica terá pouca eficácia. O ideal seria primeiro educar a vontade e depois iniciar a macrobiótica. Mas às vezes não há tempo e devemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Então, se tivermos êxito seremos realmente grandes. Por isso a glória macrobiótica é tão gloriosa. A vontade é uma força. Essa força pode aumentar ou diminuir. Sempre há duas opções e como tudo muda não podemos viver sem optar. A vontade faz parte da vida. Quem tem vida tem vontade. Vitalidade é vontade. As pessoas com mais vitalidade são mais voluntariosas. Mas ninguém carece completamente de vontade, a menos que esteja morto. A vontade surge da tomada de consciência. Os mestres espirituais hindus, dizem que a vontade aumenta com a atenção. Estar atentos ao que estamos fazendo é um exercício de vontade. E a meditação é exercício da atenção, porque devemos atender à respiração e à postura. Podemos estar atentos se decidirmos fazê-lo. Ao exercitar a atenção fortalecemos a vontade. A cada momento estamos a decidir ao que vamos prestar a nossa atenção. Se concentrarmos a nossa atenção na cura obteremos a cura. A necessidade premente de nos curarmos obriga-nos a concentrar as nossas forças interiores (atenção e vontade) no processo curativo. Por isso Ohsawa dizia que os doentes graves se curavam mais depressa que os doentes leves. Porque praticam mais seriamente. Então, a doença é uma grande oportunidade, e deveríamos vê-la assim. Cada vez que temos uma crise, surge uma forte determinação de a superar. Portanto, crise é progresso. Se procuramos uma vida fácil e cómoda as nossas forças interiores dispersarão. Só através das dificuldades surgem as nossas grandiosas forças interiores que nos permitem alcançar os nossos sonhos. Todos fogem do difícil. Mas devemos aceitá-las como prendas do céu. Só nas profundezas das dificuldades encontraremos o manancial da nossa força infinita. E como as situações difíceis abundam, devemos aproveitá-las para temperar a nossa vontade. Face a uma dificuldade, podemos fugir ou podemos aceitar. É nossa a escolha. Quem tem sabedoria compreende que o avião só levanta voo com o vento contra. Se quisermos subir alto na vida, devemos aproveitar os ventos contrários e não nos cansarmos de dar graças. Porque estes ventos difíceis são a origem da nossa força invencível. E como no Universo não há limites, a nossa força tão pouco conhece limites. Podemos ser tão grandes como decidamos sê-lo, porque a nossa vida é infinita. Então, poderemos convencer sem falar.

 

Sunday, January 26, 2025

 

AS PROTEÍNAS … DELICIOSAS!!!

As proteínas são imprescindíveis para a formação dos tecidos: músculos, ossos, paredes celulares e mesmo os anticorpos que constituem uma parte das defesas do organismo. Devemos repor proteínas todos os dias para poder manter o organismo em funcionamento.

Nas crianças e jovens, as necessidades são maiores porque os seus corpos estão em desenvolvimento.

Os açúcares – hidratos de carbono, produzem energia. As proteínas sustentam a estrutura do organismo. As gorduras, constituem reservas energéticas. Os minerais e vitaminas, permitem o equilíbrio das funções orgânicas.

Quando não se ingere suficientes proteínas, acontece a desnutrição proteica; o peso baixa dramaticamente e o crescimento pára no caso das crianças.

No nosso país (Uruguai), a desnutrição proteica é pouco frequente, ainda que se possa ver nos extremos da vida: em crianças mal alimentadas e em anciães carenciados que perdem o interesse pelos alimentos.

Pessoalmente vi casos de desnutrição proteico-calórica em casas de “saúde” onde os pacientes anciães e psiquiátricos que ali residem, são nutridos com arroz branco, farinha de milho refinada e açúcar. Diariamente a sopa de arroz branco ½ grão (para animais de estimação), algumas pápas e cenouras. E é é tudo. Se algum residente reclama, argumentam que pode repetir todas as vezes que quiser. Mas o cheiro é nauseabundo: é preciso ter coragem para engolir um prato deste caldo.

Poucas vezes por semana se juntam uns ossos de pobre qualidade para dar “corpo” ao ensopado ou então uma ou duas colheres de carne picada, que na realidade não é carne, mas gordura. Novamente ninguém pode reclamar, pois podem comer as vezes que quiserem.

Todos estes pacientes têm graus mais ou menos avançados de desnutrição. Alguns são visitados por familiares que lhes levam alimentos extra e suprem desta forma as carências. Porém a maioria não tem ninguém; são pessoas carenciadas recolhidas na rua ou abandonadas pelas suas famílias que não querem voltar a saber nada dos seus familiares problemáticos, ainda que às vezes se trate dos seus próprios pais ou filhos.

Estes casos caracterizam-se por magreza extrema, debilidade muscular, anemia crónica e quedas frequentes que conduzem a fracturas e permanências prolongadas na cama.

Isto pela sua vez produz úlceras nas zonas de apoio (escaras) que infectam; a infecção passa rapidamente para o aparelho urinário e aos pulmões, determinando a morte por infecção generalizada (septicemia). Os pacientes desnutridos não têm defesas e sucumbem facilmente às infecções comuns.

Contudo, na maior parte dos uruguaios, o problema não está na carência, mas no excesso de proteínas animais: isto conduz ao excesso de peso, doenças cardiovasculares e formação de tumores. Por outro lado, as doenças osteoarticulares – artroses, artrites, dores ciáticas e gota – devem-se também ao abuso de proteínas animais.

Existem dois tipos de proteínas para consumo humano: de origem animal e de origem vegetal. A proteína de origem animal é mais atraente para a maior parte das pessoas, porque produz um efeito energético rápido e dá força aos músculos e ao coração. A sua assimilação e incorporação nos nossos tecidos é mais fácil e rápida, porque as proteínas da vaca ou do cordeiro são mais parecidas às proteínas humanas.

Por outo lado, as proteínas vegetais, bem diferentes das nossas, requerem uma laboriosa tarefa de desmontar as proteínas e construir estruturas proteicas humanas, o que exige mais tempo e energia.

Em poucas palavras, a proteína animal é mais fácil e rápida de assimilar, porque a vaca e o cordeiro fazem o trabalho por nós. O problema é que ficamos dependentes da carne e não podemos viver sem ela.

Mas se nos obrigarmos a utilizar maioritariamente nutrientes proteicos de origem vegetal, essa capacidade é reactivada, podendo vivermos tanto com carnes como com leguminosas.

TUDO É UMA QUESTÃO DE HÁBITO. A proteína vegetal é mais saudável. Comer muita carne e lácteos só conduz à obesidade, cancro, doenças cardiovasculares, artroses e envelhecimento prematuro.

As pessoas vegetarianas mantêm-se jovens e vivem por mais tempo saudáveis.

O abuso sistemático de proteína animal, leva à intoxicação e a um sem fim de adversidades. Dependendo da resistência de cada pessoa, mais tarde ou mais cedo vai sofrer de hipertensão, arteriosclerose … se continua consumindo carne todos os dias. Além disso, o seu consumo leva a desejos incontroláveis de açúcar, doces e frutas, o que produz diabetes e mais gorduras e obesidade, juntamente com maior incidência de tumores benignos e malignos.

Por outro lado, a ingestão de carne, produz maior agressividade e egoísmo. As nações altamente espirituais como a Índia, China, Japão e outras nações asiáticas, têm uma marcada tendência para o vegetarianismo; ao passo que os países mais carnívoros como os EUA, Inglaterra, França, Alemanha e outras nações ocidentais, lançaram-se à conquista dos domínios materiais e protagonizaram as guerras mais atrozes e sanguinárias da História.  Autodenominam-se “desenvolvidos”, mas só nos domínios materiais e económicos; porém, são os menos desenvolvidos espiritualmente e tendem a explorar e a oprimir outras nações mais fracas e pobres.

Quanta mais carne se consome, mais se dificulta o desenvolvimento espiritual e mais doenças e calamidades ocorrem.

Tudo isto degrada o ser humano e pouco a pouco converte-se numa espécie de demónio voraz; por isso o mundo às vezes parece um inferno.

O ser humano nasce por natureza, “amante da paz e do bem comum”. Contudo obrigam os bebés a comer carne; as mães dão carne vermelha às crianças por medo de que enfraqueçam.

Depois, vem a habituação e a dependência ao efeito YANG quase instantâneo, que dão as proteínas animais. então é quase impossível deter-se e pouco a pouco o ser humano vai-se convertendo num ser brutal, obcecado com conquistas dos aspectos materiais da vida.

Produz-se uma competência impiedosa, onde se aplica a lei do mais forte. Claro que isto não é absoluto e é contrabalançado pela educação e pelo ambiente familiar.

Mas, obviamente que o consumo de muita carne constitui um sério obstáculo para desenvolver ao máximo o nosso potencial humano e espiritual.

A maior parte dos líderes políticos, cientistas notáveis, professores, mestres, médicos e dirigentes, são profundamente carnívoros e por isso menos sensíveis às vibrações subtis do mundo espiritual.

Enquanto os líderes mundiais forem tão Yang, será difícil construir um mundo em paz.

A chave para a paz e saúde mundiais, está na tomada de consciência da importância do alimento, como determinante do comportamento humano e das relações entre as nações. A espiritualidade e a paz são Yin.

Não admito nem recomendo o vegetarianismo fanático, aos que não provam nem um pequeno peixe. Pode-se ingerir pequenas porções de proteínas animais, mas 80 a 90%, das proteínas deveriam ser provenientes de cereais integrais, leguminosas, frutas secas e outras fontes vegetais. Isso permite uma saúde óptima e uma espiritualidade profunda que brota espontaneamente.

As pessoas comem carne por prazer. Se os governos desalentassem o consumo de carne, as pessoas seriam menos violentas e este mundo seria muito mais agradável.

Há mulheres que alimentam os seus maridos com muita carne; elas deveriam saber, que se reduzissem o consumo de tais comidas, teriam maior harmonia no seu lar. É mais fácil prepara uma costeleta com puré ou papas fritas, que uma esmerada ceia vegetariana. Mas às vezes o fácil paga-se caro. Se elas os nutrem com demasiada proteína animal, estarão estimulando o gérmen da violência, latente em cada ser humano.

Pouco a pouco o homem converter-se-á num ser violento e se não consegue controlar a sua agressividade ou se consome álcool, poderá eventualmente agredir a sua mulher e filhos …

Tudo pelas deliciosas proteínas!!!!!!!!!

Dr.. Martín Macedo, 2008.

 



Saturday, January 25, 2025

 


AGORA OU NUNCA

     A vida é agora. Isto é tremendamente importante.

     Todo o ser humano tem uma potencialidade praticamente ilimitada. Ao termos acesso à força infinita da vitalidade podemos sonhar o que quisermos e também podemos realizar esse sonho. No entanto, poucos seres humanos podem manifestar esta força enorme …

     Manifestar uma vitalidade formidável requer esforço…

     O esforço é muito importante e é um dos segredos do êxito. Sem esforço total, não há êxito. A verdade é simples; absolutamente simples. No entanto, simples não é o mesmo que fácil. Para progredir em qualquer caminho que escolhamos sempre se nos será exigido um esforço da nossa parte, e quanto maiores forem os esforços maiores realizações alcançaremos. Para canalizar uma vitalidade enorme requer-se concentração. Concentração significa aplicar a nossa energia no momento presente.

     O momento presente é realmente o único que temos. Sabemos que tudo muda … o futuro torna-se presente e o presente torna-se passado. O passado afasta-se constantemente e o futuro acerca-se de nós. Esta é a realidade e não podemos deter este processo de mudança. O tempo decorre e não espera por nós. A vida continua o seu curso implacavelmente sem ter em conta a nossa posição pessoal. A única coisa que podemos fazer é aproveitar ao máximo este momento presente. Cada hora que perdemos é irrecuperável. É uma perda definitiva. Mas não nos devemos lamentar pelo tempo perdido, já que ainda estamos a tempo de aproveitar o tempo.

     As pessoas mais velhas tendem a olhar mais para o passado do que para o futuro. O jovem é mais yang e interessa-se pelo futuro e sonha com as coisas que fará amanhã. Tanto aquele que recorda os bons tempos como aquele que imagina quão formoso será o futuro estão desfocados no que diz respeito à importância do presente. O presente é um pequeno intervalo de tempo onde se encontram o futuro e o passado. Porém, o passado é inacessível porque se afasta cada vez mais de nós e o futuro não nos pertence.

     Devemos compreender muito bem o enorme valor do agora. É agora que podemos gerar as mudanças que desejamos; é agora que nos estamos curando; é agora que estamos tomando o controlo do nosso destino.  Há que apostar todas as energias no presente. Há que aproveitar o momento presente com todas as nossas forças porque é o único que realmente temos. Amanhã não sabemos se vamos estar vivos.  A felicidade é agora; não a podemos procurar no futuro nem no passado. Se queremos ser felizes devemos procurá-la ardentemente no agora, pois não há outro lugar onde a ir buscar. Sabemos que temos acesso a uma vitalidade ilimitada; então devemos manifestar na nossa vida esta milagrosa força. E qual é o melhor momento para o fazer? AGORA. Aproveitando ao máximo a oportunidade de cada agora poderemos manifestar a vitalidade infinita.

     É simples … só há que utilizar cada momento como se fosse o último.

     O aproveitamento máximo do presente. Para utilizar proveitosamente cada momento, devemos movimentar-nos ao máximo, avançar o máximo que possamos e progredir o máximo que sejamos capazes.

     Se quisermos chegar mais rápido, teremos de acelerar a fundo. Não se deve ter medo. Devemos viver intensamente.

     Quando vivemos intensamente descobrimos o sentido da vida e qual é a nossa missão nesta existência. Viver intensamente só é possível quando se dá ao agora o seu verdadeiro valor infinito e damos o melhor de nós para tirar vantagem desta oportunidade única que é cada momento da vida. Devemos esforça-nos ao máximo para lhe retirar toda a vantagem no agora. Não devemos ter medo de ser intensos.

     Há dois tipos de pessoas: as que estão despertas e as que dormem toda a sua vida, noite e dia. Todos nós estamos numa destas duas categorias. Se quisermos ter saúde, felicidade, juventude e êxito devemos escolher o grupo dos que despertaram. Esta decisão é algo muito sério. Entregar o melhor de nós, os 100% das nossas capacidades em cada momento é a única forma de se estar realmente vivo. Não é fácil, mas devemos tentá-lo com toda a nossa determinação. Não poderemos triunfar se não dermos todo o nosso melhor. Tarde ou cedo teremos de aplicar toda a nossa capacidade infinita com o máximo de intensidade ao nos confrontarmos com situações difíceis. Quando fracassamos em qualquer tarefa significa que não estamos a utilizar toda a nossa capacidade. Devemos tentar mil vezes até conseguirmos o nosso propósito.

     Se a macrobiótica não se praticar com seriedade não funciona. Mas se procurarmos intensamente e sem pausas compreendê-la a fundo e a praticarmos com toda a nossa vontade alcançaremos a glória da saúde e a liberdade. Sou forte; sou brilhante; tenho uma capacidade assombrosa. Sou rei. Se isto não se manifestar é porque não apliquei toda a minha energia em cada momento. Isto não é fácil, mas é uma questão de hábito. Habituamo-nos ao esforço ou à preguiça. A preguiça mata o grande homem que dorme dentro do seu coração. Desperta o gigante e desfruta da sua força avassaladora. Não duvides.

     O teu poder infinito está dentro de ti, inutilizado ou usado com um conta gotas. Talvez não o saibamos ou talvez não nos esforcemos o suficiente. Agora sabemos que a nossa capacidade é enorme. É real. Mas esta força só é libertada quando realizamos o nosso melhor esforço. E o único momento para realizar esse heroico esforço é agora. Não esperes que as situações limite te obriguem a empregar esse poder; usa-o todos os dias quando quiseres triunfar. Não interessa a idade nem as doenças ou os medos…… esse poder é o nosso espírito e todo o ser vivo tem espírito. Deus prendou-nos com este espírito que é eternamente jovem e forte. Mas não empregamos esta força vital enorme porque deixamos fugir o agora, demasiados preocupados com o passado e o futuro. Quando compreendermos verdadeiramente o tremendo valor do presente e o utilizarmos a fundo poderemos progredir rapidamente e alcançar todos os nossos sonhos. Apostando toda a nossa energia no presente acharemos o oceano infinito da vida e uma vez que o achemos nada nos será impossível. Esforcemo-nos para que assim seja e poderemos criar entre todos um mundo maravilhoso.

Só há que tomar a decisão de viver intensamente aqui e agora ...

É quanto basta ......

                                       Dr. Martín Macedo, 20008.


Monday, January 20, 2025

 


Caneleira

A revista francesa Cueillir, se nourrir, se soigner”, de novembro de 2024, apresenta um dilatado texto sobre as benfazejas qualidades da canela. Esse foi o motivo próximo que me levou a integrá-la nas minhas habituais croniquetas de fitoterapia.

O pó de canela e o pau da mesma, têm uso corriqueiro na culinária e são por demais conhecidos mas, a caneleira, ou seja, a árvore donde provem a canela, alguém a conhece? Ginasticando a memória, recordo que, há anos, quando estive em Goa, o estado mais pequeno da Índia, mas, para nós portugueses, o mais crucial, visitei um espetacular parque botânico onde me deparei com várias espécies tropicais, entre as quais, a caneleira. Estava um intenso calor húmido e cada visitante foi brindado com uma vasilha de água gelada deitada pelas costas abaixo. Por fim, tivemos o almoço frutívoro e vegetariano, servido em pratos feitos por folhas entrançadas de bananeira e provámos o feni (aguardente fabricada a partir da fermentação do fruto do caju). De pouco mais me lembro! Vamos então descrever a caneleira!

É árvore perene que logra ultrapassar os 10 metros de altura, cujo tronco é revestido de uma casca (que é a que nos interessa), com espessura que chega a atingir os 13 mm. As folhas são alternadas e por vezes, opostas, de forma elíptica ou lanceolada e com nervuras muito salientes. As flores são brancas e surgem em panícula. Os frutos, quando maduros têm cores escuras arroxeadas.

A caneleira é uma espécie tropical da família das Lauraceae, nativa do Sri Lanka, da Índia e de outras regiões do sul da Ásia. Previne a revista que há duas espécies mais conhecidas e utilizadas: a Cinnamomum zeylanicum, também conhecida como verum e a Cinnamomum cassia ou aromaticum. A primeira é a mais importante, a verdadeira. A segunda, menos conceituada, tem um preço de venda bastante mais baixo mas, possui alguns inconvenientes fitoterápicos, como vamos ver. Na verdade, há cerca de quatro dezenas de espécies de caneleiras, contudo, as referidas são as que produzem a canela que encontramos no mercado.

O Sri Lanka, ou Ceilão, é o país que exporta mais canela, chamada a verdadeira, extraída da entrecasca do tronco e dos ramos da árvore. Eis os seus principais componentes: óleo essencial aromático, taninos, hidratos de carbono, açúcares, vitaminas C, E, K, cálcio, ferro, magnésio, fósforo e potássio. A espécie cassia contem, mais ou menos, os mesmos componentes e propriedades terapêuticas mas, possui um teor elevado de uma toxina vegetal, chamada “cumarina”, enquanto a do Ceilão contém apenas vestígios. Acrescente-se que a citada toxina pode ser prejudicial para o fígado, se ingerida regularmente.

Posta esta precaução que nos leva a optar sempre pela verdadeira canela, embora não seja fácil a distinção no produto final, salientemos as virtudes duma especiaria que motivou os navegadores portugueses a passar ainda além da Taprobana (Ceilão, ou Sri Lanka), como escreveu o épico Camões, nos Lusíadas.

Utilizada há milhares de anos na lendária medicina tradicional ayurvédica, a canela alcandorou merecido prestígio que se estendeu posteriormente a todo o resto do mundo. Comprovaram-se as suas propriedades antioxidantes, antissépticas, antivirais, anti-bacterianas, anti-parasitárias e elencaram-se uma panóplia de virtudes terapêuticas, a saber: controlo da diabetes, estímulo cerebral, melhoria da capacidade cognitiva,  protege o coração, melhora o humor, favorece a circulação sanguínea, auxilia a digestão, alivia as dores estomacais  e intestinais, reduz bronquites, asma e gripes, favorece o emagrecimento, tem efeitos afrodisíacos, retarda cancros, Alzheimer e Parkinson… Será preciso acrescentar mais!?

A revista consultada encima sugestivamente o artigo, cujo título não traduzo, para manter o “charme” francófono: Mettez une pincée de bien-être dans votre quotidien: adoptez la cannelle!

Entre considerandos de natureza científica, vem a descrição de um “chá” de fácil elaboração que aproveito para transcrever: coloca-se um pau de canela triturado numa chávena de água a ferver, deixa-se repousar durante dez minutos, toma-se em seguida. Diz-se que o efeito é garantido pois facilita a digestão e alivia a fadiga, quer seja intelectual, quer seja física.

Em culinária é vasta a sua utilização. A edição inglesa “Spices in the Kitchen”, editada em Singapura, apresenta, no capítulo “Massalas”, uma pormenorizada descrição de misturas de especiarias onde a canela está sempre presente. Entre nós, portugueses, a canela entra abundantemente nas doçarias, com destaque para os pastéis de nata e o arroz-doce.  Chega até a ter contornos artísticos. Conheço uma querida dama que, com o pó de canela, enfeita com primorosos desenhos os pratos do arroz doce, anotando sedutoras palavras como “Feliz Natal”, “Parabéns” e outras adequadas às comemorações festivas.

Miguel Boieiro, Janeiro de 2025.

 

Wednesday, January 15, 2025

 


A ALIMENTAÇÃO E OS 5 ELEMENTOS

1º - O elemento Fogo: Coração e Intestino Delgado

Um grande consumo de alimentos condimentados deteriora o coração e o intestino delgado, assim como uma presença excessiva de gorduras e de colesterol no sangue resultante da ingestão de quantidades importantes de alimentos de origem animal. Se o coração e o intestino delgado estiverem fracos, há todo o interesse em reduzir ou até mesmo eliminar da nossa alimentação a carne vermelha, os ovos e os produtos lácteos, pois todos eles aumentam a taxa de colesterol do sangue e impedem o coração de receber um afluxo suficiente de sangue e de oxigénio. Um consumo excessivo de alimentos muito contractivos ou arrefecedores (muito yang), como o sal por exemplo, enfraquecem igualmente o coração e o intestino delgado.

Os alimentos que reforçam o elemento Fogo são o milho, as couves de Bruxelas, as cebolas, echalotas, cebolitas, lentilhas coral, morangos e framboesas. Os alimentos ligeiramente amargos, como as folhas do dente de leão, a chicória, a raiz de bardana, estimulam a função do coração e do intestino delgado.

Apenas pequenas quantidades destes alimentos serão necessárias, sobretudo se forem consumidos regularmente. É desejável variar os alimentos fogo que comemos. O facto de só consumirmos um grupo destes alimentos poderá ter como consequência graves desequilíbrios, podendo até desencadear doenças. Não nos esqueçamos que é preciso consumir estes alimentos na sua época/estação – é importante estarmos em harmonia com o meio ambiente e o clima. Os morangos, os rabanetes, os tomates não estão disponíveis no Inverno por uma boa razão: são frutos de Primavera, que devem completar a alimentação de uma só época bem precisa do ano.

Uma atitude optimista face à vida favorece também um bom funcionamento do coração e do intestino delgado. A fé e a gratidão são fonte de alegria.

Sinais de desordem

·      Todas as doenças do sistema circulatório e cardíaco

·      Pernas pesadas, varizes

·     Doenças que surgem no Verão ou que pioram nos meses de Dezembro a Março

·      Alterações do intestino delgado, tendência a diarreia

·      Sensação de aperto no tórax

·      Sede ardente

·      Perturbações de memória, omissão ou esquecimento de palavras

·      Fluxo verbal exagerado

·      Preferência extrema ou rejeição pelo sabor amargo

Ao verificar desordens num elemento, não podemos esquecer de verificar sempre os elementos mais intimamente relacionados.

É apoiado pelo elemento Árvore (fígado);

Alimenta o elemento Solo (baço-pâncreas)

É controlado pelo elemento Água (rins)

Alimentos a evitar

·  Ricos em gordura ou que sejam cozinhados desse modo – como acontece quando a chama se aproxima do óleo

·      Sal

·      Refrigerantes

·      Álcool

·      estimulantes

Outros aspectos a evitar

·      Ambientes de calor extremo e secura

·      consumo exagerado de estimulantes como nicotina e álcool

Sugestões

·      Procurar o equilíbrio entre trabalho e descanso, situações de trabalho extremo em que o corpo não tem tempo para recuperar, afecta o coração, bem como todo o organismo

·      Actividades como conduzir ou outras quee« exijam viver no ritmo em que a prioridade é a rapidez, geram muita tensão no corpo, o que a longo prazo cansa o coração. Respeite o seu ritmo para não o perder.

Alimentos recomendados 

·      Milho

·      Vegetais de sabor amargo (nabo, reama de nabo, …)

·      Estilos culinários mais alegres (saltear, escaldar)

· Preparações bem cozinhadas e bem temperadas, utilizando de forma moderada o sal, gordura e condimentos.

 

2º - O elemento Solo (Terra): Baço, Pâncreas e Estômago

O açúcar refinado e os alimentos muito ácidos fazem mal ao estômago e ao baço, sofrendo este último também com o consumo de bebidas extremamente açucaradas.

Por outro lado, os alimentos com sabor ligeiramente açucarado favorecem o bom funcionamento do baço. As abóboras em geral e a abóbora japonesa Hokaido em particular (“potimarron”) reforçam o baço. Entre os cereais, é o Millet. As pessoas que sofrem de problemas do estômago ou do baço deveriam consumir muito millet e abóbora.

Os sais minerais também são importantes para assegurar um bom funcionamento dos órgãos do elemento Solo. Como eles contêm minerais, todos os legumes são favoráveis à função do estômago, do baço e do pâncreas. As folhas da couve “collard” (legume do Sul dos EUA, que parece espinafres) ou da couve  “plume” ou “ Kale”, a consola/capuchinha e as urtigas são as mais ricas em sais minerais, sobretudo em Cálcio.

O elemento Solo é ainda mais reforçado por uma boa mastigação dos alimentos e a insalivação que a acompanha. A saliva pode ser extremamente alcalina, e o estômago extremamente ácido. Os alimentos bem mastigados, ricos em saliva, penetram no estômago e tamponam os ácidos do estômago, harmonizando assim o meio no interior deste. Os alimentos condimentados ou ácidos e ainda por cima mal mastigados, tornam este meio ainda mais ácido, o que pode causar com toda a certeza dores de estômago, podendo com o tempo degenerar em úlceras.

Sinais de desiquilibrio nestes órgãos

·      Afecções da boca: aftas, acidez, herpes

·      Obesidade ou magreza, perturbações alimentares,

·      Sensação de cansaço, principalmente após as refeições

·      Acessos de apetite irresistíveis

·      Ruminar os problemas ou preocupar-se demasiado

·      Preferência extrema ou rejeição por tudo o que é doce

Ao verificar desordens num elemento, não podemos esquecer de verificar sempre os elementos mais intimamente relacionados.

É apoiado pelo elemento Fogo (coração);

Alimenta o elemento Metal (pulmões)

É controlado pelo elemento Madeira (fígado)

Alimentos a evitar

·      Açúcar

·      Produtos refinados

·      Farinhas no forno

·      Combinações de farinhas, gordura e doce

·      Alimentos pesados

·      Alimentos frios

·      Excesso de lacticínios

· Uso frequente de molhos, natas e cremes (criação de humidade e consequente afectação do sistema imunitário

Outros aspectos a evitar

·      Comer em demasia

·      Cansar-se excessivamente

·      Ruminar nos pensamentos

·      Excesso de rotinas, principalmente de organização

·      Rigidez, não experimentar outras possibilidades

·      Excesso de informação

Sugestões

·      Faça um corte de cabelo diferente

·      Procure outro cabeleireiro em vez do de sempre

·      Vestir outra cor que não a habitual

·      Trocar as gavetas da cómoda

·      Dizer bom dia a toda a gente (se não for hábito fazê-lo)

·      Ficar o dia todo calado (se falar sempre muito)

·      Mudar-se

Alimentos recomendados 

·      Millet. Arroz glutinoso. Mochi

·      Vegetais redondos: abóbora, cebola, couve coração

·      Feijão de soja preto

·      Doces de cereais e vegetais: amasake, abóbora, cebola, …

O baço precisa de doce, o dos vegetais e cereais.

As sobremesas elaboradas a partir de adoçantes refinados, provocam acidez no corpo e uma consequente desmineralização.

 

3º - O elemento Metal: Pulmões e Intestino Grosso

O elemento Metal é reforçado e estimulado pelo arroz integral e pelos numerosos legumes correntes, tais como as couves, couve-flor, aipo, pepino, agriões de água, nabos, rabanetes e cebolas. Segundo a medicina macrobiótica, a raiz de gengibre, o rábano/daikon negro, o daikon (nabo japonês), o alho e as folhas de mostarda são todos eles plantas medicinais para os pulmões e intestino grosso. Os alimentos com sabor picante, consumidos em pequenas quantidades, podem também melhorar o funcionamento destes dois órgãos.

O exercício físico, como a marcha e o ciclismo suave, são igualmente benéficos para os órgãos Metal.

De uma maneira geral, as fibras beneficiam o conjunto do tubo digestivo fazendo aumentar a duração do trânsito e desobstruindo-o dos velhos dejectos e expulsando-os do sistema. Porque contêm fibras, todos os cereais e todos os legumes sustentam e dinamizam o funcionamento do intestino grosso.

Pelo contrário, os alimentos de origem animal, sobretudo a carne vermelha, são verdadeiros fardos para os intestinos e tornam o trabalho da digestão mais difícil. As gorduras, sobretudo as provenientes da carne vermelha, dos ovos, e dos queijos de massa dura, são a primeira causa do cancro do cólon. A carne vermelha é extremamente difícil de digerir, sobretudo porque não pode ser inteiramente mastigada e também não pode certamente ser correctamente decomposta nos intestinos. As pessoas que sofrem de afecções do intestino grosso têm todo o interesse em evitar todos os alimentos muito difíceis de digerir, particularmente no que diz respeito à carne.

Os pulmões são muito sensíveis aos produtos lácteos e ao óleo. Os alimentos fritos, o leite, iogurte e outros alimentos gordurosos ou oleosos tapam os microscópicos sacos de ar dos pulmões (alvéolos pulmonares), impedindo uma boa oxigenação destes. Para os curar, é necessário um regime alimentar comportando pouco óleo e gordura. Se tiverem tosse, evitem o “blue-fish”, as sardinhas e as cavalas.

Sinais de desordem

·      Todas as doenças que nos transmitem a sensação de “chegar ao limite” – necessidade de mudança

·      Enfermidades das vias respiratórias: sinusite, tosse, asma, bronquite.

·      Prisão de ventre ou diarreia e doenças fúngicas do intestino

·      Afecções características do Outono/Inverno

·      Pele/Mucosas secas (nariz e boca), tosse seca

Enfermidades da pele: acne, dificuldades de cicatrização, sensibilidade, vermelhidões, escamações

·   Transtornos e perturbações da personalidade que surgem com tristeza e desgosto, suspiros frequentes, ter dificuldade em deitar fora

·      Rejeição ou preferência extrema do sabor picante

 

Ao verificar desordens num elemento, não podemos esquecer de verificar sempre os elementos mais intimamente relacionados.

É apoiado pelo elemento Solo (baço-pâncreas);

Alimenta o elemento Água (rins)

É controlado pelo elemento Fogo (coração)

Alimentos a evitar

·      Alimentos feitos a partir de farinhas, principalmente refinadas

·      Laticínios em excesso

·      Açúcar. Refrigerantes

·      Todo o tipo de proteína animal transformada (fiambre, chouriço, enchidos, etc.)

Outros aspectos a evitar

·      Vida sedentária. Ausência de exercício físico

·      Vida sem convívio social

·      Permanecer em lugares poluídos

Sugestões

·      Praticar exercício físico – procurar práticas em que se reaprenda a respirar

·      Trabalho de voluntariado na comunidade

·      Manter a casa limpa, livrar-se de coisas que não se utiliza, não acumular

Alimentos recomendados 

·      Vegetais de raiz e de folha

·      Cereais integrais – principalmente o arroz

·      Alga Nori e Agar-Agar

·      Raiz de Kuzu

·      Germinados

·      Pickles de vegetais, fermentados com sal

 

4º - O elemento Água: Rins e Bexiga

Os alimentos que reforçam e estimulam um bom funcionamento dos rins são os feijões e pequenas quantidades de sal. Muito sal, pelo contrário, enfraquece os rins e cria hipertensão – convém utilizar este condimento em quantidades moderadas. Todos os feijões e leguminosas ajudam a tonificar os rins e a melhorar o seu funcionamento, mas os feijões Azuki de Hokkaido (os mais pequenos) estão sem dúvida entre os mais eficazes nesta categoria de alimentos. Entre os cereais, a cevada e o trigo sarraceno são os mais benéficos para os rins. No que diz respeito aos legumes do mar, sobretudo as algas Kombu, Hiziki, Wakame e Nori, têm todas elas a sua utilidade na melhoria do funcionamento destes órgãos.

Se os rins estiverem fracos, experimentemos a raiz de gengibre, que se pode beber em tisanas, comer como legume ou aplicar em compressas.

Sinais de desordem

·      Doenças que surgem na decorrência do frio

·      Problemas da bexiga e dos rins

·      Mãos e pés frios

·      Dores nas costas, hérnias discais, principalmente nas vértebras da parte inferior das cotas

·      Enfermidades das vias urinárias

·      Afecções dos ouvidos, zumbidos, redução da audição

·      Doenças dos ossos, osteoporose

·      Fracturas e demora na sua reconstituição

·      Medos e fobias, temor a novas situações

·      Alterações cutâneas (escamação, psoríase, …)

·      Preferência extrema ou rejeição pelo sabor salgado

Ao verificar desordens num elemento, não podemos esquecer de verificar sempre os elementos mais intimamente relacionados.

É apoiado pelo elemento Metal (pulmões);

Alimenta o elemento Árvore (fígado)

É controlado pelo elemento Solo (baço-pâncreas)

Alimentos a evitar

·      Líquidos em excesso

·      Sal

·      Excesso de proteínas

·      Açúcar

·      Batatas

·      Gorduras

Outros aspectos a evitar

·      Comer antes de ir dormir (3 horas antes)

·      Dormir pouco

·      Estar muitas horas de pé

·      Banhos prolongados de água quente

·      Permanecer muito tempo na mesma posição

Sugestões

·      Andar a pé, se possível descalço, caminhando sobre a terra

·      Actividade física moderada

·      Compressas de gengibre sobre os rins ou escalda pés com sal marinho integral

·      Massagem aos pés (reflexologia)

·      Respeitar as horas das refeições

·      Tentar criar disciplina e ter horários regulares para tomar as refeições

Alimentos recomendados 

·      Todos os feijões, de preferência o feijão Azuki

·      Algas, em especial a kombu, a hiziki e a aramé

 

5º - O elemento Árvore (Madeira): Fígado e Vesícula Biliar

Os alimentos gordurosos, as gorduras, o colesterol e o álcool em excesso prejudicam o fígado e a vesícula biliar.

As pessoas que sofrem de cálculos da vesícula biliar sentem geralmente uma dor aguda na zona situada por baixo do peito. Muitas vezes a vesícula biliar é retirada cirurgicamente, mas os cálculos podem ser eliminados naturalmente – podem ser dissolvidos em todo este órgão por uma simples mudança de alimentação, reduzindo de maneira drástica o consumo de gorduras e de carne rica em colesterol (ostras, pele das aves, pastas de fígado, banha de porco, gordura de aves, etc.).

Um regime macrobiótico com dominância pelos cereais integrais, com uma grande variedade de legumes, leguminosas, algas e peixe deve poder fornecer todos os nutrientes necessários à manutenção ou ao regresso a um estado de saúde perfeitamente satisfatório.

Sinais de desordem

·      Mudanças abruptas de humor

·      Desordens nos processos hormonais, menstruação, tensão pré menstrual

·      Pontadas, palpitações, dores de cabeça, (principalmente quando são só de um lado)

·      Cãibras dores e distensões musculares

·      Conjuntivites, infecções da córnea

·      Rinite alérgica

·      Visão enublada

·      Enfermidades do fígado e da vesícula

·      Prisão de ventre

·      Doenças da Primavera

·      Sensibilidade às correntes de ar

·      Dificuldades em descontrair

·      Preferência extrema ou rejeição pelo sabor ácido

·      Estado frequente de zanga ou irritação

Ao verificar desordens num elemento, não podemos esquecer de verificar sempre os elementos mais intimamente relacionados.

É apoiado pelo elemento Água (rins);

Alimenta o elemento Fogo (coração)

É controlado pelo elemento Metal (pulmões)

Alimentos a evitar

·      Alimentos muito condimentados

·      Gorduras saturadas

·      Misturas de açúcar e gorduras

·      Consumo frequente de alimentos fritos

·      Comida sem frescura, requentada, restos

·      Refeições pesadas de difícil digestão

Outros aspectos a evitar

·      Executar várias tarefas em simultâneo por longos períodos

·      Sentir que não se tem prazer na vida

·      Sentir-se constantemente contrariado

·      Ficar acordado entre a meia-noite e as três da manhã

Sugestões

·      Consumir em todas as refeições vegetais verdes escaldados (agriões, nabiças, brócolos, couve portuguesa, couve coração, etc.

·      Não encher o estômago, comer apenas o suficiente

·      Ter sabores mais fortes e mais simples no prato, não devendo existir vários sabores aromáticos e intensos

·      Beber chá quente no final da refeição (neutro e não estimulante)

·      Mastigar muito bem e comer sentado e sem pressas

·      Passear frequentemente em sítios com árvores

·      Ouvir diariamente música de que se goste

·      Esfregar o corpo com água morna e sumo de gengibre

·      Fazer algo só para si

·      Evitar fazer várias tarefas ao mesmo tempo – fazer intervalos

·      Fazer jejum uma vez por mês, bebendo apenas líquidos, num dia em que possa ficar em casa a descansar

Alimentos recomendados 

·      Cevada

·      Germinados

·      Vegetais de folha verde

·      Nabo, rábano, rabanetes

·      Cogulos Shitake

·      Daikon

 

 

Bibliografia consultada

·      “L´Alimentation avec les 5 éléments” – Gérard Wenker, 2013.

·      “Cozinhar com a Natália. Cure corpo e emoções com o poder dos alimentos” – Natália Rodrigues, 2009.

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