Thursday, May 4, 2023

 

GLÚTEN



A PROTEÍNA MALDITA

Actualmente, o glúten é, por antonomásia, o ingrediente maldito da nossa sociedade - tornou-se tão demonizado que, mesmo os alimentos naturalmente desprovidos do mesmo, como o leite, frequentemente ostentam o rótulo: sem glúten.

O glúten é uma proteína vegetal que está presente em quatro cereais: o trigo, com as suas variedades espelta e kamut, a aveia, a cevada e o centeio. Trata-se dos cereais panificáveis, já que o glúten é imprescindível para a fermentação da levedura. Toda a vida o pão conteve glúten: é, foi e será um alimento básico no Ocidente.

A introdução demasiado precoce de alimentos sólidos na infância, no desenvolvimento infantil, juntamente com um consumo excessivo de leite e derivados, conduz a uma alteração da permeabilidade da mucosa intestinal. Nesta situação, a proteína do glúten que o bebé ainda não tem capacidade de digerir passa para a corrente sanguínea e provoca a reacção imunitária.

Assim, o glúten não é em si mesmo a causa da doença celíaca. A reacção de intolerância seria antes a consequência da situação descrita. Para poder reintroduzir novamente o glúten, é imprescindível que as pessoas com intolerância ao glúten mudem os seus hábitos alimentares com a finalidade de restaurar a integridade da mucosa digestiva.

Drª Elena Corrales

 

O GLÚTEN NÃO É PROBLEMA.

O glúten não é o vilão.

"Quando evito o glúten ando bem, por isso afasto-me do glúten e os meus problemas acabam".

Este é o raciocínio do número crescente de pessoas que são intolerantes ao glúten ou que têm distúrbios digestivos associados.

Acreditam que o seu mal de saúde se deve à ingestão consciente ou acidental de glúten.

E quando o evitam estritamente, recuperam a saúde.

Algumas pessoas criticaram-me porque eu "defendo" o glúten.

Acredito firmemente que os cereais são a base da nutrição humana e da saúde humana.

O glúten faz parte da estrutura dos cereais.

Os cereais são sagrados para o ser humano.

O glúten faz parte desta maravilha chamada "cereal".

É uma proteína que se encontra em alguns cereais.

Jesus Cristo e os seus discípulos consumiam glúten.

Os grandes patriarcas do Antigo Testamento também o consumiam.

Leonardo da Vinci, Bach, Beethoven, Michael Antel Buonarotti, todos adoravam o pão de trigo.

E consideraram-no uma bênção.

Hipócrates (o pai da Medicina actual - NDT) recomendava o consumo de pão e tinha diferentes preparações de trigo para diferentes doenças.

Culpar o glúten é como culpar os vírus.

O problema não é o glúten.

É a qualidade degradada dos cereais modernos.

É a instabilidade do sistema imunitário que está hiperactivo e reage de forma autodestrutiva.

O glúten é apenas o gatilho.

Se eu evitar o glúten, não curo nada.

Porque a desordem do sistema imunitário aí permanecerá intocada.

Curar a condição celíaca em profundidade implica que a pessoa tem de resolver e curar o seu sistema imunitário.

Então poderá comer glúten como todos os outros não-celíacos.

Poderá comer pão ou aveia e não ter sintomas.

Quero encorajar as pessoas a aprofundarem a sua compreensão e a estabelecerem o objectivo de criar uma saúde poderosa.

Porque a supressão do glúten suprime os sintomas.

Mas não cura a desordem de fundo.

É uma solução sintomática, mas não curativa.

Porque a verdadeira saúde é a auto-cura e é necessário elevar o nível de discernimento do paciente.

E isso não se ensina actualmente nas escolas médicas.

Mas será ensinado no futuro.

Porque o objectivo mais elevado da ciência médica deveria ser a saúde nos seus níveis mais elevados para o gozo da vida de todos os seres vivos.

Dr. Martín Macedo, Uruguay - Reflexão FB 01.12.2017

 

ALGUMAS PESSOAS CRITICAM-ME PORQUE EU DEFENDO O GLÚTEN.

Para milhões de pessoas, o glúten é "indefensável".

É a causa da infelicidade e da perda de saúde de muitíssimas pessoas.

Mas é uma crença.

E quando uma crença se enraíza na mente de milhões, torna-se omnipotente.

Portanto, não sabemos se os sintomas atribuídos ao glúten se devem ao próprio glúten ou à crença sobre a toxicidade do glúten.

O glúten não é tóxico.

É um produto da inteligência infinita.

É minha firme convicção de que os cereais são os melhores alimentos para a nutrição humana na maioria das partes do mundo, excepto nas zonas polares ou nas altas montanhas, onde as práticas agrícolas não são possíveis.

O cereal é sagrado...é o resultado da evolução biológica ao longo de milhões e milhões de anos.

Tudo o que contém faz parte desta maravilha.

Tudo o que contém faz parte da sua perfeição.

E quando o homem consome esta perfeição, pode expressar a sua perfeição biológica.

E o glúten é apenas uma proteína que faz parte da estrutura de alguns cereais.

Todos os cereais têm basicamente hidratos de carbono complexos e uma pequena parte de proteína.

E essa proteína é o glúten em alguns tipos de cereais.

Não pode haver imperfeição ou defeito na sua estrutura.

Mas se a isolarmos e purificarmos, então pode criar problemas para pessoas com sistemas imunitários frágeis.

O glúten faz parte de um pacote nutricional de elevada complexidade.

Mas os industriais refinam o cereal e separam os seus componentes.

E quando eles são separados, gera-se uma perda de equilíbrio energético e nutricional que pode provocar doenças.

A inteligência infinita criou o cereal para o homem o consumir completo.

Mas a procura de conveniências comerciais levou a que os homens destruam o cereal, o fragmentem e depois criem variedades híbridas que não têm qualidade mas que servem os seus propósitos comerciais, criando texturas mais atractivas.

O problema não é o glúten, mas a degradação dos cereais.

Os celíacos evitam o glúten mas tomam refrigerantes comerciais, farinha de mandioca que é muito rica em açúcares, lácteos e frutas em excesso.

Comem carne de frango, queijo, vegetais acidificantes como o tomate e depois ficam com raiva do trigo.

Não mastigam bem, não cozinham adequadamente, muitos cozinham em fogões de indução e desconhecem as técnicas para yanguizar ou yinizar os seus alimentos.

Para criar uma cozinha de alta qualidade, é preciso estudar e aprender.

Mas é muito mais fácil culpar o glúten e continuar com uma cozinha cómoda e sem sabedoria.

A doença celíaca não se cura nem se curará evitando o glúten, tal como a gripe não se cura nem se curará vacinando milhares de pessoas.

Mas se se fortalecer o seu sistema imunitário poder-se-á regressar pouco a pouco à saúde infinita... e esse é o meu conselho aos celíacos.

Vejam mais longe, não se conformem com um diagnóstico que vos encurralem numa vida sem esperança.

Dr. Martín Macedo, Uruguay - Reflexão Fb 12.06.2019.




Saturday, April 8, 2023

 


TANCHAGEM

A tanchagem é uma planta herbácea da família das plantaginaceae, originária da Europa, Ásia Ocidental, Norte de África e América do Norte, muito comum, fácil de encontrar nas bordas dos caminhos (para os chineses, é a “governanta dos caminhos”), baldios, até a uma altitude de 2.000 metros, muito fácil de identificar – conhecida e utilizada medicinalmente desde a antiguidade clássica.

Existem basicamente 3 variedades: a menor (folhas estreitas e compridas), a média (folhas arredondadas) e a maior (folhas contendo de 5 a 9 nervuras) -  todas elas com as mesmas propriedades medicinais.

Podemos cultivá-la em casa facilmente, já que não requer muito espaço. Como qualquer planta não gosta de excesso de humidade, requer uma boa drenagem e gosta de solo fértil em matéria orgânica. Prefere sombra e meia sombra, mas também suporta o Sol. Reproduz-se principalmente por sementes, no início da Primavera.

A recolecção faz-se no Verão já que é nesta estação que se concentra todo o seu valor medicinal – ainda que possamos ir recolectando durante todo o ano. Para secar as folhas, convém colocá-las num local com sombra e ventilado, a uma temperatura não muito alta, para que conserve todas as suas propriedades.

Componentes constitutivos da tanchagem: abundantes mucilagens, glúcidos, taninos, pectinas, ácidos fenólicos, sais minerais, enxofre, potássio, cálcio, fósforo, ferro, zinco, provitamina A, vitaminas C e K.

 

SÃO INÚMERAS AS PROPRIEDADES MEDICINAIS DESTA PLANTA:

NO TRATAMENTO INTERNO:

·         Reconstituinte geral do organismo. Estimula o sistema imunitário

·   Ajuda nas afecções das vias respiratórias (resfriados, expectoração, catarro) – tomar em infusão com tomilho

·         Ajuda a digestão e a reparar o revestimento do intestino. Tónico digestivo.

·         Altamente curativa em caso de gastrite e úlceras – tomar em infusão: beber 3 taças diárias com uma pitadinha de sal marinho integral

·         Depurativa do sangue – usar 30g de folhas secas por litro de água - Tomar 3 a 4 chávenas por dia

·         Diurética

·         Afecções do fígado e bexiga

·         Pode ajudar no tabagismo - o uso de tisana de tanchagem pode originar repugnância ao desejo de fumar

·         Etc.

NO TRATAMENTO EXTERNO:

·  Cicatrizante de feridas, queimaduras, úlceras – acelera a cicatrização, favorecendo o crescimento de novas células

·  Alívio de picadas de insectos e cobras – esfregar com folhas frescas esmagadas (ou mastigadas)

·         Gargarejos – usar 60g de folhas secas por litro de água

·         Hemorroides

·         Etc.

NA COZINHA

·        Em saladas – utilizam-se as folhas jovens e tenras, finamente cortadas e as sumidades floridas, para misturar com alface, tomate, …

·  Em sopas – utilizam-se como os espinafres, retirando-lhes as nervuras centrais

·         Em esparregados; em omeletes

·    Em pão – as sementes moídas podem juntar-se às farinhas, depois da massa estar levedada, enriquecendo o produto final em qualidade e sabor

·         Etc.

CHÁ DE TANCHAGEM

·     Indicado para quase todos os distúrbios dos órgãos genitais do homem e da mulher. Também é útil nos casos de feridas, tosse e afecções da garganta

·         Ingredientes: 20 folhas frescas médias de tanchagem + 5 copos de água

·      Preparação: cozinhar (decocção) as folhas, em fogo brando, até que o líquido se reduza a metade. Repartir o decocto em 2 ou 3 porções e beber 2 ou 3 vezes ao dia. Tomar até que os sintomas cessem

Também se pode fazer infusão de folhas secas de tanchagem (compram-se em qualquer casa de produtos naturais – Exº: https://chasdomundo.pt/pt/?gclid=Cj0KCQjwocShBhCOARIsAFVYq0hnXXbCIWrWa1vfeOYyxp3LuRb0TKELyT_2tSlIWYUgibbPHvxCJSUaAgT8EALw_wcB).

 

FONTES DE REFERÊNCIA

·         Miguel Boieiro – “Plantas para Curar e Comer”

·     Mário Moreira – “Tanchagem. Chave mestra de saúde. Doenças respiratórias e urinárias” – Facebook: https://www.facebook.com/groups/491736961688847/

·   A cientista agrícola - https://acientistaagricola.pt/tanchagem-planta-que-cura/

·        Dr. Martín Macedo – “Como controlar al helicobacter Pylori”

·        Tomio Kikuchi





Wednesday, April 5, 2023

 


A ERVILHEIRA

 

Quem tem ervilhas e pão de cevada

Toucinho e vinho para a sua garganta

Quem tem 5 tostões e não deve nada

Pode dizer que está bem.

Anónimo

 

Fascinado pela recente leitura das novelas “Filhas de Babilónia” de Aquilino Ribeiro que amiúde encima os capítulos com pequenos introitos em francês, também este modesto cronista resolveu encetar o seu prosaico texto à laia do mestre. Ele escreveu as três novelas por volta de 1920 e, compreende-se, nesse tempo o francês era a língua franca, culta e prestigiada por excelência, que estava na moda, ao invés do que hoje acontece.

A singela quadra com que se inicia a presente croniqueta retrata habilmente a importância das ervilhas na alimentação dos pobres camponeses em plena idade média. Bastavam ervilhas, pão de cevada (o do trigo era para a nobreza), toucinho, vinhaça e algumas moedas e podia-se dizer que bastava para viver, caso não subsistissem dívidas.

De facto, a ervilheira, da família botânica das Fabaceae, a que foi atribuído o nome científico de Pisum sativum, foi sempre uma planta importante na subsistência alimentar desde os primórdios da Humanidade. Atualmente, face ao acesso fácil a alimentos proteicos nos países economicamente desenvolvidos, o seu protagonismo histórico está deveras olvidado, mas julgamos pertinente focar esse aspeto fulcral das sementes da ervilheira, as tão conhecidas ervilhas.

As ervilhas são leguminosas muito valiosas para a nossa saúde.

Está quase a chegar o tempo delas.

Escavações arqueológicas efetuadas em países da bacia mediterrânica atestam que as ervilhas já eram consumidas, a par dos cereais como o trigo e a cevada, há pelo menos 10 mil anos, ou seja, na época neolítica. Durante a antiguidade clássica e mais tarde em toda a Idade Média, as ervilhas foram um alimento-base, sobretudo no continente europeu e nas regiões do próximo oriente.

Herbácea anual, a ervilheira é uma trepadeira com um sistema radicular pivotante muito ramificado na parte superior do solo. Os caules são frágeis, angulares e ocos com entrenós. As folhas dispõem-se em folíolos sésseis que terminam em gavinhas. As flores são papilionáceas com cinco pétalas brancas ou arroxeadas (variedade arvense) que aparecem nas axilas da folhagem. Os frutos são as vagens que comportam sementes lisas e redondas ou enrugadas. A planta é muito sensível à salinidade e à extrema acidez dos solos.

A ervilha seca possui uma elevada concentração de proteínas puras que podem ultrapassar os 30%. Nesse âmbito, registe-se que é a leguminosa com a maior quantidade de lisina, um aminoácido essencial. Detém ainda ácido fólico, hidratos de carbono, betacaroteno, vitaminas B1, B2, B3, C, E, K, magnésio, ferro, zinco, potássio, cálcio e ferro, sendo, vantajosamente, pobre em sódio.

Previne diabetes, favorece a visão, fortalece os ossos, os músculos e o sistema imunitário, ajuda a digestão e a perda de peso. Na área da fitoterapia há ainda a referir que a farinha da ervilha é muito adequada para confecionar cataplasmas emolientes destinadas aos problemas dermatológicos e, segundo parece, há estudos comprovando que substâncias extraídas das sementes têm propriedades contracetivas.

São muito vastas as receitas culinárias em que as ervilhas secas ou verdes são utilizadas em sopas, purés e refogados nos países europeus, China, Japão, Tailândia, Índia, Tunísia, Argélia (Ver Traité de Culture Potagère por l’Afrique du Nord”, publicado em 1944, que dedica 15 páginas só ao cultivo das ervilhas), Canadá (principal produtor mundial), etc., etc. Na Alemanha, é muito popular a “Erswurst” que é uma espécie de salsicha vegetariana elaborada a partir da farinha de ervilha. Menciona-se ainda o consumo da ervilha torta (sugar pea, em inglês, mange-tout, em francês) em que a ausência de cartilagens na vagem propicia o seu consumo integral incluindo a própria casca quando ainda se encontra imatura. Encontrei também uma breve referência ao consumo dos rebentos da ervilheira, hipótese com que, à partida, não simpatizo porque acho um infanticídio, impossibilitando a obtenção dos grãos.

Acrescente-se que esta simpática leguminosa, tal como as demais, fixa em simbiose o azoto através da bactéria ”Rhizobium” instalada nos nódulos das raízes, enriquecendo, por essa forma, a fertilidade dos solos.

Devido à grande diversidade genética das ervilhas, seria imperdoável não mencionar que foi a partir do seu estudo que, no século XIX, Mendel estabeleceu as primeiras leis da genética moderna.

Por fim, há ainda a destacar a simbologia das ervilhas na heráldica, literatura, canto, pintura e noutras modalidades artísticas. Veja-se, por exemplo, os contos de Hans Christian Anderson e o famoso quadro de Picasso “Le pigeon aux petits pois”, avaliado em vários milhões de euros.

Posto isto, vamos lá a olhar para as ervilhas com outros olhos!

Miguel Boieiro, Fevereiro 2021.

Sunday, April 2, 2023

 


CHEROVIA OU PATISNACA

Por: Miguel Boieiro

As conquistas tecnológicas alcançadas nos últimos decénios, a ânsia febril de avançar sempre para diante, o encantamento pueril face às crescentes descobertas científicas suscetíveis de proporcionarem riqueza, prazer e poder, obliteraram, quase por completo, as recordações, quiçá, os preciosos ensinamentos de um passado ainda recente. Isso aconteceu em todos os setores da vida. A filosofia do “impossível é possível”, indubitavelmente plena de otimismo no que se refere às capacidades humanas, mas imbuída de ingenuidades, retirou espaço às reflexões necessárias para uma continuidade da evolução humana que se desejaria em progressão aritmética, medida cuidadosamente passo a passo. Imposta que foi uma severa pausa neste apressado processo, é agora oportuno interligar o passado ao presente para planear o devir de maneira mais sisuda, sem os devaneios encantatórios que nos enlearam.

Um dos aspetos mais marcantes deste fenómeno foi a mundialização mediática, generalizando os conhecimentos e as opiniões com extrema rapidez. A qualquer cidadão, bastará um clique, para se inteirar ou ficar enganado, se desprevenido, sobre o que se passa em qualquer pontículo do globo terrestre. Nunca como antes se tornou urgente desenvolver em todas as mentes um agudo sentido crítico sobre as novidades que nos chegam em catadupa, tentando descobrir a quem aproveita a difusão de certas “novidades”.

Bem, mas o introito já vai demasiado longo e há que fazer a ponte para a presente croniqueta.

A cherovia que hoje encontramos à venda nas grandes superfícies era, para este cronista, praticamente desconhecida nesse tempo em que a circulação de notícias, de géneros e de vírus estava ainda escassamente globalizada. Vi, pela primeira vez, esta espécie de cenoura branca nas imediações da Covilhã, considerada a capital da cherovia - Festa da Charovia, como dizem na Covilhã, de 22 a 25 de setembro no centro da cidade -, e logo ficou despoletada a curiosidade de a conhecer melhor.

A cherovia ou pastinaca, designada cientificamente por Pastinaca sativa é uma Apiaceae bienal que gosta, tal como a sua irmã, Daucus sativus, de terrenos arenosos permeáveis e frescos. Não medra bem em climas quentes e secos, necessitando de geadas para se desenvolver. Possui uma raiz pivotante carnuda de coloração branca amarfinada com radículas secundárias. As suas folhas são grandes, levemente peludas, com longos pecíolos, apresentando-se em folíolos lobulados imparipinulados de cor verde escura.

Inicialmente, o caule é curto e as folhas formam uma roseta basal, porém, no segundo ano, a planta emite um espigão vigoroso que pode alcançar dois metros de altura. Surgem então as pequeníssimas flores de cinco pétalas amareladas dispostas em umbelas. As sementes são aquénios alados de castanho claro cuja dimensão vai de 4 a 8 mm com reduzida dormência.

A cherovia selvagem, Pastinaca sativa subsp. sylvestris, é espontânea no Cáucaso, na Sibéria e em vastas regiões do norte da Europa. O seu consumo atingiu o apogeu no tempo da antiga Roma e em plena Idade Média. Decaiu, no entanto, drasticamente, após a chegada da batata proveniente do Novo Mundo, cuja produtividade económica é bastante mais elevada. Foi pena, porque a cherovia é uma raiz nutriente que tem na sua constituição amido, fibras, proteína, óleos essenciais, antioxidantes e abundantes sais minerais com destaque para o potássio mas também cálcio, fósforo, betacaroteno e vitaminas C, K e do complexo B.

Apontam-se-lhe, entre outras, as seguintes propriedades medicinais: alcalinizante, anti-inflamatória, antifúngica, anticancerosa, depurativa, diurética, sedativa, colagoga, prevenindo obstipações e reduzindo os níveis de colesterol.

A importância deste esquecido legume manifesta-se sobretudo na área da gastronomia saudável. Devido ao seu forte sabor e versatilidade a raiz carnuda da cherovia pode ser consumida crua (ralada), cozida, estufada, grelhada ou frita às rodelas ou palitos, como se fora batata. Integra maravilhosamente bem sopas, purés, guisados, saladas, molhos e guarnições. Os rebentos tenros, após finamente migados, são igualmente comestíveis.

Realce-se que a cherovia colhida na altura das baixas temperaturas e após as geadas alcança um teor de açúcar mais elevado do que o da cenoura, tendo mais conteúdo proteico e essência agradável.

A título de curiosidade, mencione-se que na edição espanhola da obra “Guía para recobrar y mantener la salud”, o autor americano Jack Soltanoff coloca a cherovia na lista dos melhores 20 superalimentos.

Pretende-se, com mais esta croniqueta, incentivar a diversificação dos alimentos ao arrepio do consumismo meramente comercial que, como é sabido, assenta mais na rendibilidade económica e menos na utilidade dos géneros destinados à nutrição. (Ver, a propósito, “Légumes anciens, Saveurs nouvelles”, de Marianne Loison, edições France Agricole).

Apenas uma precaução: Se bem que todas as variedades sejam úteis, deve-se evitar a subespécie espontânea Pastinaca urens, a qual pode provocar, por simples contacto, graves dermatoses alérgicas. Sosseguem, contudo os estimados leitores; ela não se encontra no nosso clima mediterrânico que é proeminente em Portugal.

Miguel Boieiro, Maio de 2020.


Wednesday, March 29, 2023

 


AS SEMENTES

As sementes são altamente nutritivas e quando acompanham outros alimentos fornecem-lhes vitaminas, ácidos gordos essenciais e sais minerais.

As mais habituais são: sésamo, girassol e abóbora.

Vendem-se cruas, com e sem casca e podem (devem) tostar-se suave e ligeiramente numa sertã, sem óleo, e conservam-se por uns dias num frasco hermeticamente fechado.

SEMENTES DE SÉSAMO

As sementes de sésamo são um produto de base na cozinha mediterrânica, oriental e do médio oriente há milhares de anos. São uma excelente fonte de lípidos/gorduras e ricas em cálcio e outros nutrientes.

Há duas qualidades: brancas (castanho claro) e negras. São a base do gomásio (sementes tostadas com sal marinho) um “sal vegetalizado” muito utilizado na cozinha vegetariana e macrobiótica.

O óleo de sésamo negro não refinado obtido na pressão, com um maravilhoso sabor e aroma a nozes, é o óleo preferido da cozinha macrobiótica.

É melhor tostá-las ligeira e suavemente porque o seu óleo cru é difícil de digerir.

As sementes de sésamo levemente tostadas são utilizadas como condimento ou como guarnição em sopas, saladas e pratos/cremes de cereais e de legumes.

Também podem ser reduzidas a farinha (de preferência moídas no momento para não oxidarem e perderem nutrientes) que é utilizada em cozimentos no forno ou combinada com outros ingredientes para fazer pratos como o humus – esse creme para barrar ou acompanhar cereais e legumes, composto de tahin, grão de bico e diversos condimentos (sal, dentes de alho, óregãos, azeite, vinagre de arroz, miso branco, …) – e na pastelaria tradicional grega.

As sementes de forma convexa são de melhor qualidade que as de forma côncava. As sementes descorticadas são elaboradas quimicamente e desprovidas dos seus elementos nutritivos, pelo que devem ser evitadas.

O tahin feito com sementes descorticadas fica mais macio e doce que o tahin feito com sementes integrais (não descorticadas), este com sabor mais pronunciado, mas muito mais rico em nutrientes. O tahin é uma manteiga utilizada em molhos e para barrar.

 

SEMENTES DE GIRASSOL

De conteúdo proteico superior ao das outras sementes, possuem ferro, cálcio, fósforo, potássio, magnésio, vitaminas A, E e do grupo B. O seu conteúdo em magnésio e ferro é superior ao de qualquer outro alimento vegetal.

São saudáveis para a vista, pele, unhas e limitam a hipertensão e o nervosismo.

São compostas por 51% de óleo, rico em ácidos gordos insaturados, precioso para o bom funcionamento dos órgãos internos e do cérebro, para a saúde da pele e evita a formação de depósitos de colesterol. Actuam beneficamente sobre os dentes, previnem cáries e reforçam as gengivas.

Exigem uma boa mastigação, mas são deliciosas. Podem ser adicionadas aos cereais do pequeno almoço, aos pratos principais de cereais e legumes, às sopas, às saladas e muitas outras preparações. Também posem ser utilizadas no fabrico de pão, pequenos bolos e outros produtos à base de farinha cozidos no forno.

A manteiga de sementes de girassol dá uma pasta espessa e cheia de sabor e o óleo de girassol não refinado, obtido na pressão, pode ser utilizado na cozinha.

 

SEMENTES DE ABÓBORA

Contêm 50% de ácidos gordos polinsaturados, hormonas vegetais, vitaminas A, E, F, aminoácidos essenciais, fósforo em abundância, magnésio, ferro e zinco.

Estimulam o sistema imunitário, são adequadas para as perturbações humorais da adolescência, melhoram a visão e ajudam na destruição dos parasitas intestinais, incluindo a ténia.

São saborosas e crocantes quando são levemente tostadas e condimentadas com (pouco) sal ou molho de soja salgado japonês (shoyu ou tamari).

 

SEMENTES DE LINHO

Entre os óleos de sementes, o óleo de linhaça é o que contém maior quantidade de ácidos gordos (57%) a-lenolênico (percursor do ómega 3), destacando-se pelo seu papel protector das doenças cardiovasculares, do excesso de colesterol plasmático e da agregação plaquetária. A sua fibra também ajuda na prevenção de patologias como os cancros da mama, do pulmão e do cólon.

Têm efeito eficaz na prisão de ventre sem efeitos colaterais e em emplastros mornos ajudam nas mastites, reduzindo a inflamação, a dor e a dureza das mamas, evitando a toma de antibióticos.

 

AUTORES DE REFERÊNCIA

·         Aveline Kushi

·         Clara Castellotti.




Thursday, March 23, 2023

 


DISCIPLINA MACROBIÓTICA

A GRANDE IMPORTÂNCIA DA MASTIGAÇÃO

Por: Martín Macedo

A macrobiótica não é uma dieta no sentido estrito do termo, mas uma simples disciplina quotidiana, que permite fornecer uma grande força ao nosso sistema imunológico.

Esta prática maravilhosa, permite que o praticante macrobiótico fortaleça por si próprio o seu organismo até que a doença seja minimizada até desaparecer.

A saúde é uma força brilhante (yang) – quando esta luz é atenuada, aparece o estado contrário, a doença (yin).

A saúde é a vida, a felicidade e a alegria de viver. É uma grande prenda oferecida aos que se esforçam por alcançá-la e nenhum médico pode dar esta saúde brilhante.

Se não se fortalece a potência vital do doente, toda a cura é efémera e aparente, já que a debilidade subjacente permanece inalterada – portanto se não se transforma a debilidade profunda mediante uma disciplina pessoal e RESPONSÁVEL, a ameaça da doença permanecerá intacta. Por isso a medicina moderna não cura profundamente, porque não fortalece a força vital do sistema imunológico.

Algo parecido acontece com as terapias naturais ou técnicas de cura, se não se acompanharem de uma boa dieta. Quando se corrigem os desequilíbrios energéticos, o paciente sente-se melhor, mas se não tiver fortalecido a sua potência vital mediante uma disciplina pessoal e diária, o seu bem-estar não dura muito e volta a ficar doente pouco tempo depois.

Não existe um método dourado ou milagroso. O único caminho seguro é reforçar o organismo para que derrote uma após outra, todas as tentativas da doença em instalar-se na nossa vida.

Um dos aspectos mais importantes da disciplina macrobiótica é a mastigação. A sua importância é capital. Se não se mastigar muito bem, mesmo os alimentos da melhor qualidade, NÃO FUNCIONAM.

Para curar uma doença, 50% do êxito, depende de se mastigar muito bem. Os carnívoros devoram rapidamente a maior quantidade possível de carne; os herbívoros, mastigam pacientemente o seu alimento. “Quando se mastiga muito bem surge um poder mágico” (William Horace Fletcher, 1849-1919).

A energia de qualquer alimento, é multiplicada quando mais o mastigarmos.

Para nos curarmos mais rapidamente, há que mastigar mais e mais. Está demonstrado cientificamente, que mastigar a fundo fortalece NOTAVELMENTE a potência imunológica e que, além disso, tem um efeito marcadamente REJUVENESCEDOR.

Grandes sábios recomendaram a sua prática. No Evangelho Essénio de João (encontrado nos papiros do Mar Morto nos anos 1950) Jesus disse: “E mastigai bem o vosso alimento com os vossos dentes, de maneira que se liquidifiquem e que o anjo da água os transforme em sangue, no vosso corpo. E comei lentamente, como se fosse uma oração feita ao Senhor”. Leonardo da Vinci, o génio renascentista, recomendava insistentemente a mastigação. O ex-primeiro ministro britânico William Gladstone afirmava: “Não podereis ser um grande homem a menos que mastigueis pelo menos 32 vezes cada bocado”. Mahatma Gandhi ensinou: “Mastiga a tua bebida e bebe a tua comida”.

Nos EUA Fletcher difundiu no início do sec.XX, o maravilhoso poder desta prática. Tendo ficado doente aos 40 anos, estudou a fisiologia da digestão e compreendeu que a saúde começa na boca. Assim, começou a mastigar muito bem os seus alimentos e conseguiu uma grande potência física e entusiasmo pela vida. Destacou-se como atleta e empresário. Criou uma organização para difundir os seus ensinamentos, e teve um brilhante êxito nos EUA, Europa e Japão. O dr. Chittender, professor da universidade de Yale, trabalhou com Fletcher e apoiou o seu trabalho. Faleceu em 1919 e, pouco tempo depois, a sua organização caiu no esquecimento.

Fletcher afirmava que a mastigação aumenta a imunidade, e cura o alcoolismo.

A mastigação é uma questão de HÁBITO. O mercado oferece alimentos tenros, fáceis de comer e que não requerem esforço de mastigação. Assim as pessoas comem em 10 minutos e não “perdem tempo” a comer o seu alimento.

George Ohsawa afirmava que “quem não tem tempo para comer, não merece viver”.

A nossa vida é restaurada diariamente a partir do nosso alimento. Esta transferência de vida a partir do reino vegetal para o reino animal, necessita de um certo tempo, de um certo processo. Ela obedece à ordem natural e nós não podemos pretender acomodá-la às nossas conveniências. Ou se come bem ou não comemos. As meias tintas produzem resultados medíocres.

A digestão dos açúcares (hidratos de carbono) realiza-se na boca e no estômago. O estômago não tem enzimas para digerir o amido (hidratos de carbono) do arroz ou do trigo. A PTIALINA, enzima digestiva presente apenas na saliva, transforma o amido em açúcar simples.

O amido dos cereais deve ser bem triturado, para que a ptialina actue em cada grão de açúcar de cereal. De outra forma o amido vai para o estômago, não é bem digerido e obriga a um tempo gástrico maior e com mais conteúdo de ácido. O alimento mal mastigado, produz excesso de gases e a pressa leva a que comamos demasiado. E isso favorece a obesidade e a diabetes.

O sabor de cada bocado melhora quando as enzimas digestivas presentes na saliva actuam quimicamente sobre o alimento. Quanto mais se mastiga o arroz ou o pão, mais doce é o sabor final. Esse é o verdadeiro doce e não o doce do açúcar refinado, que tem um intenso sabor doce inicial. O verdadeiro alimento tem um sabor doce e delicioso no final.

A maior parte das doenças têm origem por se comer em excesso; a única forma realmente efectiva para controlarmos a avidez e evitar os excessos, é mastigando muito bem.

A única cura para a obesidade, é precisamente aumentar o número de mastigações.

Muitos morreram asfixiados ao tentarem tragar grandes bocados de carne. O homem não deve ser uma besta.

Por outro lado, mastigar fortalece os dentes e as gengivas, pela exercitação e pela libertação de uma hormona que fortalece os dentes.

O efeito rejuvenescedor está demonstrado cientificamente. A PARATONINA, é uma hormona produzida e libertada pelas parótidas, glândulas salivares, situadas no maciço facial por baixo do pavilhão auricular. Esta hormona é absorvida pelos vasos linfáticos da cavidade bucal durante a mastigação, e passa directamente para o sangue, onde realiza a sua acção biológica. Mas se tragarmos rapidamente os alimentos, a parotina vai directamente para o estômago onde é destruída pelo ácido clorídrico. Desta forma perde-se um enorme benefício medicinal.

A parotina estimula o TIMO e aumenta a contagem de linfócitos T, ou seja, que potencia a resposta imunológica. Quanto mais se mastiga, maior é o poder imunológico que temos. É simples e maravilhoso.

Como já dissemos, a parotina rejuvenesce … o dr. Ogata da Escola de Medicina da Universidade de Tóquio, comprovou o efeito rejuvenescedor da parotina. Injectou parotina, obtida a partir de saliva de vaca a um grupo de doentes idosos e, pouco tempo depois, pareciam 10 anos mais jovens!! O efeito da parotina exógena atenuava-se com o tempo e houve alguns casos de alergia à parotina de vaca. É melhor que cada um de nós mastigue bem e absorva altos níveis da parotina endógena para retardar poderosamente o envelhecimento e ter a solidez imunológica maior que sejamos capazes de conseguir …

Agora você já o sabe … agora você pode ter uma grande potência imunológica praticando macrobiótica. Sabendo isto, não tem sentido cair doente. Estando doente não tem sentido continuar doente.

O conhecimento dá-nos liberdade

e a liberdade concede-nos a felicidade.



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