Wednesday, July 19, 2023

 


 O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

IIIª parte

Aprender a controlar o desequilíbrio

O esquema clássico de yin e yang, mostra as duas metades exatamente simétricas, uma branca e outra negra. São opostas com 50% do espaço para cada uma. Isso sugere um equilíbrio "perfeito" entre as duas forças criativas. No capítulo anterior, referimos que yin e yang, sucedem-se, alternam. Primeiro o dia e logo a seguir a noite. A inspiração segue-se à expiração. O estômago primeiro enche-se e logo se esvazia (nalguns casos isso nunca acontece....). As pessoas chegam e logo se vão embora.

A leitura começa na primeira página e culmina na última. Primeiro o princípio e logo o fim. Ou início e fim. Todo o início implica um fim. Sem excepção. Se há um início, há um fim. É absoluto. Se o Verão começa, o Verão vai terminar. Ninguém o pode impedir. O nosso nascimento caminha inexoravelmente para o seu fim. A doença também. Afirmar que uma doença é incurável é afirmar que tem uma data de início e não tem data de finalização.

E não há excepções a este princípio eterno. Se começa, acaba. Sem falta. Sem excepção. Se o cristianismo começou um dia, algum dia vai acabar. A minha mãe é super católica. Quando eu era muito jovem, gostava de discutir com ela sobre este assunto. Ela dizia que a Bíblia afirma que "o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão (Mateus 24:35)" e, do seu ponto de vista, isso equivale a dizer que a "sua" Igreja Católica é eterna. Argumentava-lhe que a Igreja ia desaparecer totalmente um dia porque "tudo o que tem um princípio tem um fim" e este é um princípio absoluto.

E isso incomodava-a, porque se a sua Igreja acabar, o seu sistema de crenças desmorona-se e ninguém quer um terramoto desse tipo. Caiu o Muro de Berlim, caiu o Império Romano, caiu o império de Napoleão e o de Alexandre Magno. E o de Genghis Khan. Tudo o que tem um princípio tem um fim. Este princípio é poderoso. Se procurarmos algo dia e noite, acabaremos por o encontrar. O objetivo é começar e continuar até encontrarmos o que procuramos. Por isso, yin e yang alternam-se.

A mudança. O princípio e o fim. Para além do yin e do yang, está a eternidade imutável, sempre viva, sempre em transformação, para além dos vai vens do yin e do yang. Aceitando tudo com paz infinita, como um monge que medita profundamente sobre uma rocha solitária. Mas yin e yang não só se alternam como também coexistem. São dois aspectos simultâneos e ambos reais. O dia e a noite alternam-se. Mas simultaneamente há dia em Tóquio e noite em Buenos Aires. O masculino e o feminino coexistem em nós.

O sábio e o tolo. O rico e o pobre. O saudável e o doente. Ninguém é absolutamente masculino ou absolutamente feminino. Tudo tem percentagens variáveis de Yin e Yang. Temos uma parte densa (ossos e tendões) e uma parte mole, líquida, fluidos, sangue, líquido intersticial. Simultaneamente. Por vezes estamos mais "húmidos" e outras vezes mais "secos". Por vezes mais emocionais e por vezes mais racionais. Mas ambas as naturezas coexistem. O nosso prato de comida contém ambas as "energias" yin e yang. Os alimentos de origem animal são yang.

Os alimentos de origem vegetal são relativamente yin. Mais frescos, calmos, macios, com maior conteúdo de água e uma energia mais pacífica, mais estática. Os alimentos cozinhados são relativamente yang (o fogo é yang) e os alimentos crus são relativamente mais yin (mais frescos, mais frios estruturalmente íntegros). Os alimentos salgados (de preferência usar um pouco de sal marinho) são mais yang e os alimentos doces são mais yin. E assim, o nosso prato de comida contém simultaneamente as duas energias.

E todos os dias isso muda consoante as necessidades desse dia, do nível de atividade, do clima, do estádio de ânimo, dos “desejos” e das preferências dos hábitos herdados. Não existe uma "dieta equilibrada", tampouco é apropriado temer o desequilíbrio. Porque equilíbrio e desequilíbrio sucedem-se sem falta. São outra forma de manifestar yin e yang. Alternam, equilíbrio e logo a seguir o desequilíbrio. Como quando caminhamos ou conduzimos uma bicicleta.

Andamos de um lado para o outro, desequilibramos um pouco e depois reequilibramo-nos, e logo a seguir repetir o ciclo. Quando uma criança aprende a andar, simplesmente aprende a controlar o desequilíbrio. Quando aprende a andar de bicicleta, aprende a controlar o desequilíbrio provocado pela pedalada e pela rotação do guiador. O mesmo acontece com a dieta. Há que aprender a controlar o desequilíbrio, porque a dieta é algo muito dinâmica como andar ou conduzir uma bicicleta. Muitas pessoas vão a um nutricionista para obter uma "dieta equilibrada" ou uma "dieta balanceada".

A palavra “equilibrada” atrai-nos e tranquiliza-nos. A palavra "dieta desequilibrada" inquieta-nos e percepcionámo-la como uma ameaça para a nossa saúde. Também na medicina chinesa nos dizem que as técnicas físicas como a acupunctura, a moxabustão ou a massagem Tuina procuram o "equilíbrio" Yin e Yang. Idealiza-se a procura do "equilíbrio". Mas pensemos numa balança. Se estiver em "equilíbrio", a balança é inútil. Apenas é útil como objeto de decoração. A balança é útil e poderosa quando é desequilibrada e depois reequilibrada para determinar o peso de um produto. Equilibrando-se e desequilibrando-se. É assim que somos. Como as balanças. Dinâmicos. Ao respirar já nos desequilibramos.

E logo corrigimos ou controlamos o desequilíbrio. A nossa digestão também passa por fases em que o nível de sais, proteínas, líquidos é desequilibrado e depois o organismo cria um equilíbrio, estabilizando, corrigindo o desequilíbrio. Mas nós fomos ensinados a temer o desequilíbrio. "Esta pessoa está desequilibrada”. Deve ir ao psiquiatra.

Ou perdeu o equilíbrio e caiu no vazio quando estava a conduzir o carro. Mas conduzir um carro, um avião ou um barco é também retificar o inevitável desequilíbrio que ocorre a cada momento durante a viagem. O que o piloto ou o condutor faz é retificar, corrigir o desequilíbrio. E para isso teve de estudar e treinar-se. Teve de aprender a corrigir o desequilíbrio. E nós podemos aprender a fazê-lo com a nossa saúde e com a nossa doença, pois ambas disputam a supremacia. .......

(continua)




 


O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

IIª parte

Os ciclos da mudança

Ninguém pode negar a mudança. Independentemente da sua religião, cultura, raça ou filosofia de vida. Nisto estamos todos de acordo. Trata-se de uma lei. A Lei da Mudança. A lei mais poderosa, mais imponente. A Lei eterna. A Lei perfeita. A Lei suprema. Quem conhece esta lei tem capacidades infinitas. Como um advogado infinito. Os advogados dominam as leis humanas, civis, penais, do comércio e da indústria. Mas as leis escritas pelo homem, escrevem-se e revogam-se. Formulam-se e esquecem-se. Mas a Grande Lei é eterna e imutável.

Apaixonei-me pelo estudo da Grande Lei quando era um jovenzito de 16 anos. E graças a um grande japonês, o Mestre Georges Ohsawa. E aos seus principais discípulos. Todos têm em comum um grande amor pelo estudo da Lei. Da Grande Lei. Esta Lei sustenta que tudo se move eternamente, muda eternamente. Nada nem ninguém pode parar o processo de mudança.

Não há paragens. Não há descanso. Não há por onde escapar. Ninguém pode escapar à mudança. Ninguém pode escapar ao envelhecimento. Ninguém pode escapar à morte. Nem à dor. Nem ao sofrimento. Nem à infelicidade. Nem ao Verão, nem ao Inverno. Nem à fome, nem ao cansaço. Nem à segunda-feira, nem ao dia de regresso ao trabalho depois das férias. Nem à sogra, nem aos impostos. Quando fazemos um percurso por uma estrada, este não é plano. Há subidas, lentas ou bruscas, e logo a seguir descidas, suaves ou bruscas.

    Ninguém pode escapar aos altos e aos baixos. Tampouco as equipas de futebol podem escapar à "despromoção para a B". Por mais que lutem. Por muito que tentem. Não é pessimismo. É simplesmente resultado da compreensão do funcionamento da Lei. A Grande Lei. É simplesmente o resultado de um estudo entusiástico e apaixonado da Lei. Subimos e descemos. Choramos e rimos. Curamo-nos e adoecemos. Sofremos e gozamos. Alguns pais amorosos pensam: "Não quero que os meus filhos passem fome e privações como eu passei”.

Vou sacrificar-me para que eles não passem por essas experiências duras. Mas, por mais que o tentem, seus filhos sofrerão algum tipo de contratempo. Um pai cheio de amor e vontade não pode contrariar a Grande Lei. A Lei obriga-nos a sair do Verão e a entrar no Outono. Por mais que choremos ou gritemos, protestemos ou vociferemos aos quatro ventos com todas as forças dos pulmões. O Verão passará e o Outono chegará. É a mudança. É a Lei.

Os japoneses dizem que dos 0 aos 20 anos é a Primavera da vida. Dos 20 aos 40 anos é o Verão da vida. Dos 40 aos 60 anos é o Outono da vida. E dos 60 aos 80 anos é o Inverno da vida. Quando se faz 40 anos (eu também passei por esse momento .... há algum tempo) entra-se no Outono da vida. Por mais que não gostemos ou fiquemos com raiva ou rejeitemos é um esforço inútil. Entrámos no Outono da vida. Quer gostemos ou não. A Lei assim o estabelece. E todos passarão ao Outono. Os que agora são jovens e belos, sedutores e brilhantes. A mudança colocá-los-á numa outra estação, dando lugar a novos rebentos que aguardam a sua vez para verdejar.

A Grande Lei tem ciclos. Subidas e descidas. Inspiração e expiração. Chegada e partida. Início e fim. Ascensão e declínio. Os antigos chineses chamavam-lhes Yin e Yang. Há pelo menos 6000 anos que se lhes chamam assim. Penso que é uma boa tradição continuar a chamar-lhes assim.

Esquematicamente, podem ser representados como uma espiral.

Movendo-se em direção ao centro, temos a tendência Yang. Portanto, Yang reúne, concentra, aperta, ativa e aquece. Tudo se move mais rápido no centro de um furacão. Tudo se acelera no centro da cidade.

Quando aumenta a temperatura, as moléculas activam-se. Essa é a tendência Yang. Quando projectamos o ar para fora dos pulmões, a tendência é Yang. Por isso dizemos que a expiração é Yang. A inalação é Yin. A mudança diz: ao chegar ao centro da espiral, não há descanso, como quando um autocarro chega ao seu destino e o condutor descansa um pouco. Uma vez chegado ao centro, ao extremo Yang, começa a mover-se para fora.

Sem descanso, sem tempo para se refrescar ou para ir à casa de banho. Trabalha-se 24 horas sem nunca descansar. A mudança nunca descansa. Funciona 365 dias por ano, 24 horas por dia. Como algumas empresas que vendem comida rápida. O que vendem é abominável. Então porque têm tanto êxito? Em parte, e é apenas a minha opinião, é porque seguem o ritmo ditado pela Grande Lei. Movem-se, trabalham, operam, criam, as 24 horas dos 365 dias do ano. Não há domingos nem férias nem feriados. Nem Primeiro de Maio.

Nem paragens "parciais" para gerar novas estratégias de luta. A luta consiste em trabalhar eternamente, dando eternamente, movendo-se eternamente. Como o coração. Não há paragens para o coração. Se um coração entra em "paragem" é preciso chamar o 112. O coração vive de acordo com a Grande Lei. Funciona como a espiral. Contrai-se durante a sístole (Yang) e começa a expandir-se, a mover-se para fora para dilatar e voltar a encher-se de sangue. A dilatação é Yin. E assim é o coração. E também o pulmão.

Movem-se como a espiral. Em direção ao centro, e sem tempo para tomar um refresco, o movimento para a periferia começa sem parar. Yin manifesta-se pela expansão, a dilatação, a calma, a quietude, o frio, a escuridão, o afastamento, a solidão, o isolamento, a paz e o pensamento calmo e profundo.

Uma vez chegado ao extremo Yin, tampouco há descanso para ir à casa de banho ou para beber um gole de água, ou mesmo para respirar fundo algumas vezes. A Lei diz: agora em direção ao centro, vamos, segue o teu movimento para o centro, tens de começar a fase Yang. Nem sequer um eletrão escapa à Lei. A mão abre-se e fecha-se. A pupila dilata-se para deixar entrar mais luz na retina e contrai-se para reduzir o excesso de intensidade luminosa e proteger a retina. Yin e Yang. Primeiro abro e logo fecho. E volto a abrir e volto a fechar. Uma fase de ativação e uma fase de repouso.

Uma fase de arrefecimento e uma fase de aquecimento. Uma fase de Lua crescente e uma fase de Lua minguante. Alguém pode parar isto? Como dizia a Mafalda, "parem o mundo, que eu quero sair daqui". Estações quentes e estações frias. Ondas que vão e vêm. Maré alta e maré baixa. Os surfistas são especialistas em ondas. Conhecem-nas intimamente. Estudam-nas, observam-nas e sabem esperar. Sabem que a Lei lhes trará mais ondas. Eternamente. Eles envelhecerão e se aposentarão do desporto. Mas a Grande Lei continuará a trazer ondas. Que bela Lei! Que generosidade! Que Poder e Magnificência! Continuemos a estudar, até nos apaixonarmos pela Grande Lei.

Porque uma vez que  a dominemos como o surfista domina as ondas, poderemos criar e produzir qualquer coisa: saúde, beleza, juventude, alegria eterna, força infinita, sucesso supremo e a mais estridente vitória. Sonhemos em grande, porque a Grande Lei ajudar-nos-á..... se o conhecermos intimamente. Estudemos.... continuemos a estudar.......

(continua)

 

 

O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

Iª parte

A filosofia das transformações

Neste universo não há nada de permanente. Tudo está em constante transformação. O ser humano sempre procurou a estabilidade, a certeza e a segurança. Mas a natureza da realidade é a permanente mudança e transformação. E ninguém sabe o futuro. Porque o futuro não está escrito. É o resultado das decisões que tomamos no presente, é o resultado das decisões que tomam milhões de seres no presente. O futuro é criado pelo presente. E só existe um presente eterno.

Um presente mutável, imprevisível. Por vezes, os homens fazem previsões. Como as previsões meteorológicas ou as previsões de esperança de vida feitas pelos médicos. Toda a gente gosta de fazer previsões e acertar. É assim que se tornam famosos os "sábios" que "adivinham" o futuro. Mas há milhares de futuros possíveis. O futuro é quântico. E é criado com base nos milhares de possibilidades que existem no presente. Uma pessoa prática, com os pés assentes na terra, focar-se-á mais no presente do que no futuro.

O presente é eterna mudança, eterna transformação. A nossa saúde muda. Não é sempre a mesma. Por vezes é mais forte, outras vezes mais frágil. Mesmo que façamos esforços titânicos para nos mantermos saudáveis, continuaremos a passar por períodos de fraqueza e doença. Porque não podemos negar o yin e o yang, os nomes das direcções em que tudo está a mudar. Estas são palavras de origem chinesa. E são muito antigas. Mas continuamos a usá-las, porque reflectem uma realidade dinâmica.

Uma realidade que precisamos de conhecer. Para podermos jogar o jogo da vida e triunfar. Sem conhecer as regras do jogo, ninguém pode ganhar. Quem entra no jogo sem conhecer as regras, pode fazer tentativas sinceras, mas no final perderá e será convidado a retirar-se do jogo. Os antigos asiáticos baseavam todas as suas actividades no Yin e no Yang. Mesmo no antigo governo chinês havia um "departamento Yin e Yang", dirigido por um especialista em "Yin e Yang". Estes princípios eram aplicados à agricultura, à medicina, às relações humanas, à astrologia, à arte da guerra e às previsões de acontecimentos futuros.

Toda a cultura oriental, sobretudo na China, Japão, Coreia e noutras nações da região, está fortemente imbuída da filosofia tradicional. Sempre compreenderam a natureza instável da realidade. E, ao compreenderem a instabilidade, conseguiram sociedades de uma estabilidade espantosa e inacreditável. Porque a instabilidade cria a estabilidade. Yin cria Yang e Yang cria Yin.

É um estudo filosófico apaixonante porque tem implicações práticas poderosas. Não se trata de uma filosofia como a de alguns eruditos ocidentais que "filosofam" sobre o nada, ou sobre o vazio existencial ou sobre a natureza da perceção. Esses estudos académicos são grandiosos e muito profundos. Mas, por vezes, não nos conduzem a resultados práticos. Nalguns casos, corremos o risco de ficar num mero jogo intelectual.

O que, aliás, pode ser fascinante. Mas no caso da filosofia oriental, a natureza dos estudos é procurar compreender e dominar a arte da mudança. De criar mudanças. De produzir mudanças. De criar a realidade com base na compreensão da natureza das mudanças. A aplicação prática da filosofia da mudança, ou da filosofia das transformações, pode alcançar resultados práticos incríveis. No âmbito da medicina, as doenças são classificadas como sendo criadas por excesso de Yin ou excesso de Yang. Ou, nalguns casos, por uma combinação de ambos os excessos. Noutros casos, há carências. Carência de Yin ou carência de Yang. Um tumor em crescimento é dominado pelo Yin. O Yin é a força de expansão, de crescimento, de dilatação, de aumento. Como um balão que se enche, ou uma espiral a mover-se para a periferia. Não se trata de um jogo mental fascinante.

Yin é algo real. Não é algo palpável, mas o seu efeito manifesta-se em formas correntes e quotidianas. Os alimentos Yin criarão expansão no corpo. Alguns com maior intensidade do que outros. Os vegetais e as frutas são Yin. Têm tendência a relaxar, a refrescar, a hidratar e a aumentar o volume. Mas o açúcar e as farinhas refinadas, bem como os alimentos gordos, tanto de origem animal como vegetal, são extremamente Yin.

Se dermos estes alimentos a um doente com um tumor de crescimento rápido, maligno, agressivo (muito Yin), estaremos a fortalecer o tumor e o seu comportamento expansivo, de crescimento, disseminando-se por todo o corpo e criando metástases. O leitor pode compreender que a metástase é outra expressão do Yin extremo e patológico. A ciência começa agora a compreender a relação entre a gordura de origem animal e o açúcar e o cancro. E as pessoas que vivem nas grandes cidades, em particular, consomem muitos alimentos extremamente yin.

E, sem o saberem, introduzem estas forças extremas nos seus corpos, que pouco a pouco vão criando o terreno propício para o aparecimento da doença. Assim, ao suprimir totalmente da dieta de um doente com um tumor em expansão, os alimentos Yin mencionados (lacticínios, açúcar, farinhas refinadas, óleos refinados), o crescimento do tumor pára "milagrosamente". Os médicos, que não estudam e não compreendem o Yin e o Yang, quando se deparam com alguns destes casos, chamam-lhes "remissões espontâneas".

Não compreendem que, aplicando Yin e Yang à dieta do doente oncológico ou de qualquer outra doença degenerativa, é perfeitamente possível e natural criar "remissões espontâneas". Nada escapa à influência destas leis das transformações. Não se trata de uma filosofia interessante, para motivar a exploração de verdades misteriosas. É muito prática. Tão prática que pode produzir remissões espontâneas, todos os dias. Se esta filosofia fosse aplicada nos hospitais, haveria muitas, muitas curas "milagrosas".

Mas, por agora, os hospitais são controlados pela indústria farmacêutica. E esta não deseja curar ninguém. Só deseja que o seu negócio multimilionário prospere. Sabe que há soluções como a naturopatia e a nutrição. E sabe que funcionam. Mas não as consideram "oficiais" ou "científicas" porque podem afetar a rentabilidade do seu negócio.

As empresas que fabricam automóveis dispõem da tecnologia necessária para produzir milhões de automóveis eléctricos de uma elegância e uma autonomia similar ou mesmo superiores às dos automóveis movidos a combustíveis fósseis. E o mundo seria um lugar muito mais limpo e mais bonito para se viver. Mas apesar de terem o know-how, as infraestruturas e os recursos para o fazer, não o fazem.

Porque os interesses petrolíferos não o permitem. O negócio está em primeiro lugar. Mesmo que sujemos o planeta. Mesmo que se contamine a atmosfera e o ar seja quase irrespirável em algumas das principais cidades do mundo. O negócio está em primeiro lugar, e depois a felicidade colectiva. Sacrificamos a saúde e a felicidade para engordar as contas bancárias. O mesmo acontece com a medicina.

Apesar de existirem terapias e técnicas milenares de alta eficácia terapêutica comprovada, são desprezadas e desqualificadas. Prefere-se continuar com os mesmos "tratamentos" de sempre porque assim podem continuar a vender milhões em fármacos. No entanto, para aqueles que desejam aprender esta filosofia de transformações e produzir corpos fortes, extremamente saudáveis e belos, podemos continuar a estudar juntos. Há sempre o Yin e o Yang. Vida e morte. Os que aumentam a vida e os que a diminuem. E sempre tem sido assim. E será sempre assim. Mas, por vezes, o Yin predomina sobre o Yang. E às vezes é o contrário. Podemos mudar o domínio das forças que destroem e fazer com que as forças que constroem predominem durante uma longa e gloriosa era. Podemos. Mas para isso primeiro devemos estudar. E começaremos agora mesmo...

(continua)

Sunday, July 16, 2023

 


AS FESTAS COM A “DIETA Nº7”
por um japonês primitivo
A Nº 7 !!!
“Oh! É fanatismo!”
“Muito Yang!”
“Perigoso!”
”Muito severo”
”Não é suficiente para viver” …

Em todo o caso, são famosas todas as opiniões que criticam a dieta nº7.
Cada vez que oiço esta palavra, ”Número 7”, eu lembro-me …

… Há mais de trinta anos no Japão, a alimentação não era envenenada como hoje.
Para as crianças, a maior felicidade era comer uma bola de arroz com uma umeboshi. Era, portanto, a nº 7.
Comia-se a cada dia, pela manhã, duas tigelas de arroz e uma pequena tigela de sopa de missô; ao almoço, duas pequenas tigelas de arroz e alguns pedaços de pickles de nabo salgado; ao jantar, uma pequena tigela de sopa de missô ou tamari, uma pequena quantidade de legumes cozinhados sem água, duas tigelas de arroz e, ocasionalmente, uma pequena quantidade de peixe.
Não era a dieta nº 7, mas era baseada na dieta nº 7.

Quando estávamos stressados, esta dieta era imediatamente trocada pela nº 7, tais como o arroz com pickles salgados de nabo ou uma umeboshi.

O arroz desta época não era integral, nem branco como hoje, era semi-integral. Muito frequentemente, a cevada e o millet integral eram comidos com o arroz na proporção de 50% (arroz), 50% (millet ou cevada).

Íamos para a escola com uma marmita que continha arroz e uma umeboshi.
Nós chamávamos a esta marmita: “A marmita da subida do sol”.
Mesmo os soldados japoneses comiam uma marmita muito semelhante. Era, portanto, a nº 7.

A maior festa anual, era a passagem do Ano, para a qual preparávamos arroz moti com muita antecedência.
Como ficávamos impacientes por este moti … Era bom comê-lo grelhado e temperado com tamari. Este grande prazer, não era a nº 7.
Decorávamos durante duas semanas os lugares sagrados da casa com este alimento de longevidade, acompanhado de folhas de feto e desejávamos a longevidade da família.
As mães preparavam para as crianças bolos de arroz para cada estação do ano, era absolutamente a nº 7, ainda que estes fossem envoltos em folhas de plantas selvagens, ou coloridos de verde para os harmonizar. Estes bolos eram bons, deliciosos, obras artísticas que davam um grande prazer às crianças.

A festa do nascimento das crianças era celebrada com arroz integral e azuki (nº 7).
No 1º aniversário, fazíamos caminhar o bebé com um saco de moti de 2 kilos às costas e contavamos os passos que ele dava.
Que felicidade trazia a nº 7 a toda a família.

Desde que me lembro, com ternura, do meu país natal, as 4 estações não poderiam existir sem a dieta nº 7.
Os japoneses viviam esta tradição do “Vivere parvo” com a maior alegria eterna e com reconhecimento infinito. Não existiam na altura doenças complicadas, podres e desumanas como atualmente. Os jovens eram ainda os príncipes e as princesas do reino dos céus.

Depois de 30 anos, o Japão mudou.
A tradição da nº 7, desapareceu.
Hoje, as pessoas preferem bolos estrangeiros açucarados, coloridos, artificiais e sedutores, que confundem os sentidos dos olhos e da língua, ao invés da dieta nº 7, simples e natural. Eles adoptaram uma outra medida estrangeira para julgar os valores da nutrição, tais como vitaminas, proteínas, calorias, etc….
Antigamente havia um só supermercado de fruta para 30.000 mil habitantes, e no presente existe mais de trinta onde se vende banalmente todos os frutos estrangeiros, tropicais: bananas, mangas, ananás, etc., que violam as leis da Ordem do Universo.
Os bombons e os bolos coloridos artificialmente e quimicamente que são mais perigosos que a bomba atómica, atacam e envenenam a boca das crianças a cada dia e momento. As suas dietas já não são mais o arroz, nem a sopa de missô, ou os pickles salgados, mas são feitos de carne sintetizada feita a partir de petróleo, o leite esterilizado, as conservas, as algas açucaradas, bebidas vitaminadas artificialmente, tudo isto colorido por materiais cancerígenos e venenosos.

O Japão da nº 7, morreu.
Quando eu me lembro desta alimentação reconheço afirmativamente a justiça da nº 7 da macrobiótica.
Tenho, portanto, a convicção da vida ideal do homem que se nutre sobre a base da dieta nº 7.
Também se pode praticar a macrobiótica das dietas nº 3 à nº 5. Simplesmente é um pouco mais difícil de as praticar correctamente, comparando com a nº 7, porque nos enganamos muito facilmente no equilíbrio quantitativo. A dieta macrobiótica é correcta, se a praticarmos sobre a base da dieta nº 7, com a flexibilidade e concepção do equilíbrio do yin-yang.
Quando percebemos que as coisas não funcionam com deveria ser com legumes, peixe, sobremesas e fruta, temos que voltar rapidamente à nº 7.
Na minha infância quando eu apanhava frio ou febre, ou problemas de intestinos, a minha mãe obrigava-me imediatamente a comer creme de arroz, com uma simples umeboshi. Nesta altura, a alimentação japonesa seguia ainda a tradição segundo a filosofia do extremo oriente. As pessoas praticavam ainda a dieta nº 7 para curar as suas doenças.

Prof. George Ohsawa
Traduzido do francês por Rui Rato,
da revista Lettre du TENRYU, nº16, Janeiro de 1970





Saturday, July 15, 2023

 


FLORES, FRUTOS E VIDA - George Ohsawa

A erva dá flores…
Estas flores dão frutos….
Este ano como, como no último ano,
No próximo ano, como este ano,
Para sempre…

A árvore dá flores,
Que se transformam em frutos,
Lindos e embalsamados,
Cada ano, todos os anos,
Para sempre, e para sempre….

A erva e a árvore não se mexem:
Elas estão contentes do seu pequeno cantinho, onde elas crescem!
Elas não correm, elas não correm atrás de nada,
Elas aceitam tudo, tudo lhes é dado:
Mau tempo, como bom tempo,
Neve, chuva, tempestade, secura,
Grande calor e grande frio…
Elas os transmutam em belas flores e frutos…
Muito bonitos, embalsamados e deliciosos!

O homem corre, movimenta-se e procura sem repouso…
Que bela flor ele produz na sua estação?
Que belo fruto brilhante?
Quantos?
Não dá nada,
Nem flores, nem frutos,
E simplesmente se apaga…

A flor é a alegria materializada de viver, é a vida, o infinito, é a alma.

REFERÊNCIA: Rui Rato
15 de julho de 2022






Thursday, July 13, 2023

 


QUEM SOU EU?

O ÚLTIMO DESEJO DE GEORGES OHSAWA

Tudo muda:
Um bebé torna-se adulto, o peito duma donzela esvanece-se como uma taça partida.
O amor ardente cor-de-rosa perde a sua vivacidade e fragância, tornando-se uma sepultura sob a chuva e o vento.
O corpo duma namorada, depois da sua morte, é apenas uma peça de carne.
Ah!, tudo muda.
A neve branca, quando derrete, enche a cidade de sujidade.
O belo torna-se feio.
O alegre, triste.
A maior alegria transforma-se na maior tristeza.
As montanhas dão lugar aos campos, os campos ao oceano.
Tóquio é reduzido a cinzas, Roma a pedra.
A glória e o sonho do império egípcio transformam-se num deserto.
O Sol escurece, a terra desaparece.
Entropia: as estrelas estiolam-se, as coisas transmutam-se. A luz torna-se escuridão, a vida morte.

Quem és tu, oh!, quem és tu?
Tira o teu véu, mostra o teu rosto!
Este grande palco do Universo: a formusura torna-se fealdade, a claridade escuridão, o calor, frio, o Verão, Inverno …
A cada minuto, a cada segundo, ininterruptamente, a cada milionésimo de segundo, sem cessar, tu mudas.

Quem és tu?
Todos partiram, amados, crianças, amigos, aqueles que encontramos e por quem nos interessamos.
Dinheiro, alegria e felicidade.
Sucesso, casa, país, dias da minha infância,
Flores, neve, todas as dificuldades e sofrimentos.
Todos destruíste e aniquilaste.
Que grande fingidor!
Que grande mágico!

És Deus? Sim!
Conduzes à tristeza todos aqueles que se sentem felizes.
Tu, sem misericórdia, matas os que estão vivos.
És Deus? Não!
Deus e o Diabo são as minhas mãos direita e esquerda.
Eu sou o Universo inteiro!
Eu sou o Eterno.
Eu estou sempre em movimento!

Aqueles que dão graças a Deus … como são loucos!
Não formam eles e Deus um todo?
Os amigos podem ser os meus inimigos e os inimigos os meus amigos.
Os amigos podem estragar-nos com o seu coração afável;
Os inimigos podem fortalecer-nos com a sua resistência.
Amar os teus amigos pode ser odiar os teus amigos.
Aquele que fortalece os seus amigos e inimigos é aquele que os ama de verdade.
Acarinhares os teus amigos e inimigos é matá-los a todos.
César foi morto por Brutus.
Aqueles que têm dinheiro são destruídos pelo dinheiro.
Aqueles que têm conhecimentos são destruídos pelo conhecimento.
Aqueles que se fazem de Deus são destruídos por Deus.
Olha para aqueles que possuem bombas atómicas.
Olha para o Japão, país de Buda, o Japão.
O reino de Deus (eu vergonhoso), assim chamado.
Um tal amor não é senão ódio.
O amor que só abraça aquilo e aqueles de que gosta não passa de egoísmo.
Disse Confúcio: “nunca conheci ninguém que amasse ´o caminho da vida´ e que gostasse de amar uma mulher”.
Oh! Pobre Confúcio, porque separas a mulher de ´o caminho da vida´?
Porque o fizeste, um homem grande como tu foi odiado pela sua própria mulher.
Escreveste: “é muito difícil alimentar um pequeno homem ou mulher”.
Estavas a dizer que o sofrimento te fortalece embora te desagradassem a mulher ou o homem pequenos.
Esse era o teu defeito.
Devo afirmar: amo o Diabo como amo Deus e também amo Deus como amo o Diabo.
Gosto do caminho da vida e também gosto de mulheres.
Gosto daquele que tem e daquele que não tem.
Gosto mais das mulheres que me traíram do que da minha própria querida amada.
Gosto mais da feia mulher pedinte, cujo nariz e boca se desvaneceram e cujos braços e pernas estão retorcidos pela lepra: gosto mais dela do que da minha bela amada.
Gosto mais de uma bola de arroz bolorento do que uma montanha de delícias e vinhos doces.
Gosto mais de saborear do que um estomago cheio.
Gosto mais das crianças de um estranho do que das minhas.
Gosto mais de um homem mau do que um homem bom.
Fiz um amigo de um criminoso com nove condenações.
Dormi com um assassino que tinha treze condenações prévias.

Sou aquilo de que gosto através daqueles que amo.
Sou o Universo.
Sou o Infinito.
Sou o Único e sou o Todo.
Sou Eterno.
Olho Deus lá em baixo e o Diabo ainda mais abaixo.
Sou o Criador de Deus e do Diabo!
Sou o Criador do próprio Infinito.
Sou o Princípio da Criação.
Sou Vazio.
Sou Nada.
Desconheço o meu nome.
Não tenho nome.
Sou aquele que ninguém conhece.
Sou Todo, a Unidade e o único que eu próprio conheço.
Sou aquele que sabe que nada existe senão Eu mesmo.
Sei que cada um dos triliões de pedaços de mim chama a si mesmo Eu, e no minuto seguinte desaparece coo um nevoeiro.
Um nevoeiro chamado ´Eu´, efémero.
Não conheço ninguém que me chame pelo meu nome completo.
Ouvi Emerson chamar-me “alma suprema”.
Também ouvi alguém dizer acerca de mim “verdade”, mas nunca ninguém veio à minha morada.
E não existe ninguém que brinque comigo de manhã até à noite.
Oh! Que maravilhoso, que interessante!
Ninguém me conhece, embora todos me conheçam.
Não conheço ninguém, embora cada um seja um dos triliões de mim.
Todos são e cada um é.
Quem sou eu? Quem sou eu realmente?
Eu sou Ghandi e sou o hindu de 25 anos que disparou sobre Ghandi.
Quando estou dividido como indivíduo, eu não sou eu.
Quando eu não sou eu, sou eu todavia.
O eu dividido é efémero, mas o meu Eu dividido é ainda mais efémero.
Cada uma das metades do Eu dividido luta contra a outra até que todos estejamos mais e mais divididos e formemos uma história efémera a que chamamos ´História´.
Quando voltamos a juntar todos esses pedaços, eles formam um outro eu efémero a que chamamos eu.

Oh! quem sou eu?
Sou aquele que toda a gente cohece sem que ninguém conheça.
Sou aquele que é difícil de ser.
Sou aquele que é impossível de ser.
Sou não existência aqui.
Sou impossibilidade e sou maravilha.
Eu sou ser, em qualquer lugar, em qualquer tempo.
Eu sou ser, para aquele que tem a capacidade de não estar em lugar algum.
Eu sou eu, alguém que tem dificuldade em ser, impossível de existir e que permanece em lugar nenhum.
Sou Alice no País das Maravilhas.
Sou o ser mais interessante do mundo.
Não conheço ninguém mais interessante do que eu.
Torno todos aqueles que me conhecem felizes, livres para habitarem no Reino dos Céus.
O Reino dos Céus está cheio de impossibilidades e cheio de agradecimentos.

Portanto, eu sou eu … homem e mulher, ele e ela, ele é o meu yang, ela o meu yin.
Sou o imortal e o eterno.
Georges Ohsawa



(Referência: IMP 2002/2003)





Sunday, July 9, 2023


 FRUTOS SECOS

Os frutos secos, geralmente designados por “nozes”, são produtos oleaginosos e ricos em ácidos gordos essenciais e proteínas, indispensáveis para uma dieta saudável e equilibrada.

De uma maneira geral, podem ser consumidos com regularidade na sua época de recoleção, em pequena quantidade, e com menor frequência e em menor quantidade que as sementes (de sésamo, de abóbora, de girassol, …). Não devem se consumidos sós – devem ser acompanhados com outros alimentos: sobremesas, cereais, estufados, … caso contrário, podem ocasionar problemas por congestão linfática e hepática.

Excelentes alimentos, sobretudo no Inverno, não devemos abusar deles devido ao seu teor em matérias gordas (50 a 60%) e do seu elevado poder calórico. Devemos evitar os frutos secos vendidos como aperitivos, porque são sempre muito salgados.

Contêm nutrientes muito importantes e são especialmente recomendados como fontes de proteínas (13 a 20%). Também contêm uma grande quantidade de fibra, magnésio, manganésio, zinco, são boas fontes de vitaminas do grupo B (com excepção da vit. B12) e vitamina E.

Os seus ácidos gordos essenciais são muito úteis para o organismo – produzem energia e hemoglobina, estimulam o desenvolvimento cerebral e dos tecidos, estabilizam os níveis de açúcar no sangue, ajudam a manter a saúde cardíaca e arterial, contribuem para uma pele saudável, são eficazes em baixar os níveis de colesterol LDL, diminuem o risco de derrames cerebrais (especialmente as amêndoas e as nozes).

Ligeiramente tostados, são uma opção saudável, para o pequeno almoço adicionados aos cereais, como snacks, nas sobremesas ou como guarnição nas refeições principais.

Podem ser igualmente cozinhados com os cereais e legumes, incorporados no pão e pastelaria, transformados em óleos e preparados sob a forma de manteigas.

Devemos dar preferência aos frutos secos provenientes de cultura biológica, sem serem submetidos a tratamentos intensos de fertilizantes artificiais, insecticidas e fungicidas e que, depois de colhidos, não sejam tratados com produtos químicos a fim de aumentar a sua duração – por exemplo, as nozes, antes de serem descascadas, são geralmente tratadas com gás etileno para as suavizar; depois da extracção da casca, são submetidas ao brometo de metilo para neutralizar os resíduos de etileno; são depois lavadas com uma solução quente de glicerina e de bicarbonato de sódio e enxaguadas com ácido cítrico para restaurarem a pele que contém os nutrientes – são tratadas com bicarbonato de sódio e ácido cítrico para reavivar a sua côr a fim de ficarem apresentáveis.

A utilização da manteiga destas oleaginosas (ou de sementes) é de limitar porque são relativamente ricas em óleos e gorduras que as torna difíceis de digerir. Devemos dar preferência aos deliciosos cremes de barrar feitos em casa, como os de amendoim, sésamo, castanha de cajú, de origem biológica, com sabor, textura e qualidade muito superiores aos que se vendem no comércio ordinário.

HISTÓRIA
Na pré-história, antes das civilizações agrícolas, as “nozes” e as sementes constituíram um dos principais alimentos do ser humano.
Com o desenvolvimento da agricultura, a utilização das sementes e das “nozes” foi diminuindo e tornou-se uma parte complementar relativamente menor na alimentação, cuja base passou a ser de cereais integrais, forma mais evoluída dos grãos que se tornaram o SUPORTE DE VIDA de espécie humana.

QUALIDADE
Os frutos secos mais pequenos, contendo menos óleo e gordura e provenientes de regiões de climas temperados, são mais convenientes para a nossa alimentação, que as variedades maiores, com mais óleo e mais gordura, provenientes de regiões tropicais. As castanhas, as amêndoas, as avelãs, os amendoins, as nozes, as pecãs, os pistachos, os pinhões, estão entre as variedades mais utilizadas.
As castanhas de cajú, as castanhas do Brasil, as macadâmias e as outras variedades maiores devem ser menos frequentemente utilizadas nos países de clima temperado e mais nos seus países tropicais de origem.

O óleo destes frutos fica rançoso depois de um certo tempo – conservam-se melhor, durante um ano ou mais, dentro das suas cascas e guardados em locais frescos e à sombra.
Os frutos secos descorticados e retirados da casca, aguentarão mais tempo sem rançar, se guardados em frascos ou potes hermeticamente fechados, podendo mesmo ser refrigerados.
Os frutos que são esmagados, partidos ou reduzidos a pó ou a farinha, estragam-se mais rapidamente ao mesmo tempo que ficam com menos energia e com menos nutrientes do que aqueles guardados inteiros. Os frutos secos tostados têm igualmente tendência a rançar mais rapidamente.

É, pois, importante renovar regularmente o nosso aprovisionamento de frutos secos.
Serão de boa qualidade se, quando descascados, a sua superfície se apresentar lisa e regular, com um mínimo de arranhões ou fissuras, nem muito duros nem muito secos, sendo geralmente a ausência de aroma ou a sua descoloração indicadores de que estão rançosos.

VARIEDADES DE FRUTOS SECOS

AMÊNDOAS
São provavelmente os frutos secos mais conhecidos pelos seus benefícios para a saúde.
A sua pele além de as proteger e conservar depois de descascadas, contém numerosos nutrientes. Assim, aconselha-se a consumi-las com a pele já que ela contém 20 flavonóides (com funções antioxidantes, anti inflamatórias e de prevenção de doenças). A vitamina E presente, duplica a sua acção antioxidante e faz do seu óleo uma maravilha para dar flexibilidade à nossa pele. Também têm cálcio, magnésio, ferro, zinco e fósforo. São particularmente ricas em ácido fólico. São baixas em gorduras saturadas e a maior parte das gorduras insaturadas que contêm são monoinsaturadas (eficazes em baixar o “mau” colesterol LDL).
Por isso, ajudam a fortalecer os ossos e a prevenir a osteoporose e são altamente recomendadas para o equilíbrio do sistema nervoso e para lidar com a ansiedade, stress, insónia, irritabilidade e ainda indicadas para o cansaço intelectual e físico, nomeadamente nas crianças em idade escolar.
Segundo o Dr. Jorge Calvo, é melhor comê-las cruas que tostadas; no entanto, ligeiramente tostadas dão um magnífico snack. Partidas ou esmigalhadas podem ser adicionadas aos cereais estufados, feijões ou legumes. São também preparadas em forma de manteiga, leite vegetal como bebida (muito digesto) ou na confecção de bolos.

CASTANHAS
Constituem um caso único: são frutos ricos em amido, sendo a sua composição mais próxima dos cereais, sobretudo do trigo e da cevada, do que a dos outros frutos. Pobres em gordura, são composta principalmente por hidratos de carbono complexos, não contém glúten, sendo as mais utilizadas nas dietas saudáveis.
Doces e deliciosas, possuem uma textura lisa e compacta e combinam bem com cereais e feijões. São ligeiramente mais doces quando estão frescas.
Já foram a base da alimentação de alguns povos, nomeadamente do Maciço Central no Sul de França.
Ricas em proteínas, sais minerais e oligoelementos – cálcio, magnésio, zinco, cobre, fósforo, enxofre, manganésio, … – têm a vantagem de serem do bosque. Também contêm vitamina C (a mesma quantidade do limão) e vitaminas do grupo B (B1, 2, 3, 5, 6, 9).
Muito nutritivas e calóricas são indicadas para pessoas débeis, magras, sem apetite, convalescentes e em casos de astenia física ou mental e também para pessoas que têm muita actividade intelectual (são ricas em fósforo) ou desportiva. Energéticas e remineralizantes são anti anémicas e anti hemorrágicas e indicadas para a gravidez.
Podem ser compradas frescas ou secas. Secas são duras e enrugadas e têm de ser demolhadas durante várias horas ou mesmo durante a noite. Secas podem consumir-se durante todo o ano.

AVELÃS
Célebres nas mitologias celta, francesa e escandinava, podem ser comidas cruas ou cozidas.
Contêm cálcio, fósforo, magnésio, potássio, enxofre, cloro, ferro, cobre, vitamina A, E, C e B1.
Muito nutritivas e energéticas, são as mais digestivas entre os frutos secos.
São vermífugas, antioxidantes e ricas em fito esteróis (ajudam a prevenir doenças cardiovasculares).
Também são boa fonte de cálcio para os nossos ossos e ajudam a reduzir o excesso de colesterol no sangue e a regular os triglicerídeos, a hipertensão e a anemia. São um bom alimento para a saúde e hidratação da pele.

NOZES
Supõe-se que são originárias do Médio-Oriente e são produzidas actualmente no mundo inteiro.
Ricas e oleosas, podem ser cozidas (em pouca quantidade) com cereais (arroz integral ou outros cereais), adicionadas aos waffles e aos crepes e utilizadas em bolos e tartes.
São um dos frutos secos mais tratados industrialmente, devendo por isso ser compradas com casca e sempre que possível de produção biológica.
Excelente tónico para os rins e cérebro.
Devem ser consumidas na sua temporada (Inverno) e devem-se tostar ligeiramente para matar as larvas que podem parasitá-las.
É o fruto mais rico em zinco e cobre. Também contêm potássio, magnésio, fósforo, enxofre, ferro, cálcio, vitaminas A, B, C, e P. Muito nutritivas apresentam uma proporção perfeita entre ómega 6 e ómega 3. O seu consumo aumenta significativamente o HDL (colesterol “bom”), reduzindo o “mau” colesterol e protege-nos de danos cerebrais – a forma do fruto faz lembrar os dois hemisférios cerebrais.
Ajudam a regular o sono e a manter os vasos sanguíneos flexíveis.
São benéficas na prevenção contra o cancro e para a saúde cardiovascular, fomentam a concentração e o bom funcionamento neuronal e também a fertilidade masculina.
NOZES PECÃS
São doces e têm um sabor marcados o que faz com que sejam utilizadas em tartes, bolos e outras sobremesas.
No entanto, são as mais gordas de todas as “nozes” e só devem ser consumidas excepcionalmente.

PINHÕES
Destacam-se em manganésio e ferro. Tradicionalmente utilizavam-se nas afecções pulmonares e recentes estudos investigam a sua possível utilização na prevenção do cancro dos pulmões.
São muito populares desde a Antiguidade, na China e no Japão, onde se adicionavam à alimentação normal e representavam o alimento favorito da floresta dos anciãos.
Regulam os níveis de colesterol e reduzem os triglicerídeos pelo seu alto conteúdo em ómega 3 e em ómega 6, ajudando a elevar o “bom” colesterol. O seu conteúdo em vitamina E e zinco mantém a saúde do coração e os seus ácidos gordos são bons para as células nervosas, protegendo o cérebro e o sistema nervoso.
São úteis em épocas de stress e ansiedade. Também favorecem a concentração e a memória dos estudantes. Aconselháveis em caso de prisão de ventre devido às suas fibras, ajudam a reforçar as nossas defesas. Hidratam e cuidam da nossa pele devido à vitamina E e são bons para os ossos devido ao seu cálcio e magnésio.
São os que contêm mais quantidade de proteínas. Podem ser tostados e consumidos como snack, cozidos inteiros ou picados e comidos com cereais e legumes, esmagados para molhos ou prensados para fazer leite.

CASTANHA DE CAJÚ
É originário da América Central, América do Sul e de outras regiões tropicais.
Tenras e doces, contêm cerca de 50% de gordura. Tostadas com uma pitada de molho de soja salgado japonês (Shoyu ou Tamari) são mais digestas.
Ricos em fósforo, são recomendáveis para a saúde do nosso cérebro, especialmente para tarefas de aprendizagem e memorização. Ajudam a controlar os níveis de colesterol, previnem problemas cardiovasculares e mantêm a saúde das artérias. Também melhoram a circulação sanguínea e a hipertensão arterial.

PISTACHOS
Pelo seu conteúdo em ácidos monoinsaturados, ajudam-nos a controlar os níveis de colesterol e triglicerídeos, reduzindo o “mau” e elevando o “bom”. Previnem doenças cardiovasculares, regulam a pressão arterial e doenças dos olhos.
Também ajudam o sistema imunitário e o seu conteúdo em vitamina E protege e hidrata a pele. Devido ao seu conteúdo em potássio e magnésio, são recomendados para os músculos e o seu fósforo ajuda a saúde dos ossos e funções cerebrais.
Ricos em potássio, magnésio e vitamina E e particularmente em cobre, também são úteis em caso de anemia.
Possuem propriedades anti inflamatórias e anti fúngicas.
Segundo um estudo da American Association for Cancer Research, reduzem o risco de cancro do pulmão.
Estes doces frutos secos podem ser consumidos em forma de snacks e em sobremesas.
São provenientes do Médio Oriente e da Califórnia.

AMENDOINS
Na realidade são leguminosas, da família das Fabaceas, ainda que os tratemos como frutos pelas suas características semelhantes aos frutos secos.
Quando acompanham um cereal (arroz por exº, como nos países asiáticos) oferecem uma proteína de primeira qualidade. Como não possuem um índice glicémico muito alto, podem ser consumidos por diabéticos, mas são desaconselhados em caso de hipertensão arterial. Também podem produzir crises alérgicas por causa da histamina.
É na sua característica pele vermelha que se encontram grande parte dos seus nutrientes mais benéficos e há quem diga que devem ser consumidos sem serem tostados, sem sal e comidos com pele.
São ricos em ómega 3 e ómega 9. Muito ricos em gordura (o que faz deles o sustento dos elefantes de circo). Assim, por serem muito pesados para o nosso estômago e muito calóricos, só devem ser consumidos ocasionalmente e não mais de 6 a 8 amendoins de cada vez.
Também devem ser evitados em caso de debilidade hepática, peso excessivo, excesso de humidade, cancro e outras doenças degenerativas.
É preferível consumir amendoins de cultivo biológico e tostados em vez de fritos. Os amendoins comerciais são cultivados com a utilização de pesticidas, insecticidas, adubos sintéticos, contendo muitas vezes aflatoxina (substância cancerígena).
Ajudam a equilibrar o colesterol, protegem as artérias e as células do coração.
Um dos últimos estudos revela a sua eficácia em crianças com falta de atenção ou hiperactividade.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

• “Os alimentos também curam” (2015) – Francisco Varatojo
“Macrobiótica moderna. La dieta más saludable para nutrir el cuerpo, la mente y el espírito” (2013) – Simon G. Brown
“Harmonisation de l´alimentation, selon les variations de l´environnement et les besoins personnels” (1985) – Aveline e Michio Kushi
“Nutrición energética y salud. Bases para una alimentación com sentido” (2012) – Dr. Jorge Pérez-Calvo Soler
“Ecodieta. Vivir en armonía com el entorno” (2017) – Clara Catellotti
“Nutrición energética y salud. Bases para una alimentación com sentido” (2012) e “Revitalízate! Las mejores recetas de la cocina energética” (2013) – Dr. Jorge Pérez-Calvo
“Los enormes benefícios de los frutos secos” (2020) – Álvaro Vargas


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