Friday, November 22, 2024

 


AGRIÃO

Nasturtium officinale é uma crucífera ou brassicácea, como a couve, possuindo imensas virtudes, tanto alimentares, como medicinais e é utilizado desde a antiguidade clássica, sobretudo para afastar o temível escorbuto.

É originário da Europa, Ásia e América do Norte.

PROPRIEDADES

· Adstringente, antiescorbútico, anti-inflamatório, anti-térmico, cicatrizante descongestionante, diurético, hidratante, expectorante, antisséptico das vias respiratórias, tónico, digestivo e fluidificante.

·  Muito rico em minerais – iodo, ferro, fósforo, manganésio, cálcio, cobre, potássio – vitaminas (C, D, E, K, complexo B, pró-vitamina A) e essências sulfuradas, tendo baixo valor calórico.

·    Combate o ácido úrico, o raquitismo, a cistite, a bronquite, os males do fígado, a diabetes, a tuberculose, os problemas da vista e está ligado à formação dos glóbulos vermelhos do sangue.

·      Há quem recomende ferver o suco do agrião com leite – em partes iguais – para tratar o catarro, a bronquite, o reumatismo e o raquitismo.

·      Os fumadores inveterados – a quem lhes falta a coragem para abandonar o vício -, podem minimizar alguns efeitos nocivos do tabaco, comendo agriões.

·  Há ainda quem receite suco fresco de agrião para friccioar o couro cabeludo (ou não cabeludo !!) e até dizem que cura a calvice … será ??? …

· É uma verdura comestível crua (em saladas refrescantes e levemente picantes) ou cozinhada (em sopas, levemente escaldados – 30 a 40 segundos - no final da cocção ou salteados por breves segundos). Evitar deitar sal, para não aumentar o seu amargor característico.

·     O cozimento adocica o seu sabor, aviva a sua cor de um verde intenso, dá-lhe um sabor fresco e reforça a sua energia.

·    No Japão, consomem-nos no Verão salteados com milho e tofu, à maneira de ovos mexidos, a que adicionam no último momento da receita. Crus ou cozidos, podem decorar sopas, guisados ou o sushi. São deliciosos enrolados (aproveitando-se as folhas e os caules longos), levemente escaldados, em alga Nori tostada – tipo sushi.

·      Nas saladas cruas, devem-se lavar muito bem em várias águas para evitar a contaminação de bactérias e pequenos insectos que podem causar doenças.

Aviso para quem anda ao agrião selvagem: não confundi-lo com a Rabaça ou outras umbelíferas que também aparecem nos cursos de água, pois, embora tendo aspecto diferente, é necessário estar com muita atenção, porque algumas podem ser nocivas.

AUTORES DE RFERÊNCIA

·         Miguel Boieiro

·         Aveline Kushi



Thursday, November 21, 2024

 


A ETERNA JUVENTUDE

vs.

Entropia

Desde tempos imemoriais, o ser humano tem procurado, sem sucesso, a fonte da juventude eterna.

Não é por acaso semelhante, a procura da imortalidade ?

Existem certas lendas sobre uma fonte em que aqueles que nela se banhassem, permaneceriam eternamente jovens. Ou também a procura do Santo Graal, que ainda hoje tem pessoas empenhadas na sua procura, mostra um forte interesse na possibilidade da imortalidade. Na ciência física, há um conceito muito interessante: a entropia.

Todo o sistema físico tem uma tendência espontânea para a desordem, para o caos. O nosso organismo é um sistema físico. É uma organização de 50 triliões de células, com uma cabeça e um corpo que lhe obedece (a maior parte das vezes). Como sistema organizado, como uma gigantesca organização de células, órgãos e tecidos, está como todos os sistemas físicos, sujeito à inexorável entropia.

Poderíamos comparar, como fez Ohsawa, o nosso organismo, a um grande império, com um poder central, o cérebro, e um grande corpo que se estende para fora. Se o poder central, se o Imperador, perde a capacidade de organizar e administrar o seu grande império, este converter-se-á num caos. A cabeça deve controlar o corpo e não o contrário. Se permitirmos que os nossos desejos e impulsos físicos controlem a nossa vida, rapidamente nos destruiremos. A entropia seria demasiado forte. A anarquia e a desordem desintegrariam o nosso "império" orgânico. Todos os sistemas físicos têm uma forte tendência para a desordem. Toda a manifestação física tende para o caos, inevitavelmente avança para a sua desintegração. São as duas grandes mãos do Criador. Yang organiza e constrói; yin desorganiza e desintegra tudo. O nosso sistema orgânico, o nosso corpo físico está sujeito à entropia, tal como qualquer manifestação física. A mudança é inevitável. A entropia é inevitável. Mas podemos abrandar ou apressar a desintegração do nosso império celular. A única forma de abrandar a entropia, o grande destruidor, o grande YIN, seria como uma formidável força opositora, um grande YANG, uma gigantesca coesão.

Alguns conseguiram-no artificialmente. Todos nós já ouvimos falar de certas pessoas que desejam que os seus corpos sejam congelados logo após a morte para "existirem" indefinidamente até que ciência descubra, num futuro longínquo, a forma de os fazer reviver. Estes corpos como o de Walt Disney, estão conservados, intactos, em azoto líquido, em contentores, a uma temperatura extremamente fria. A ciência descobriu uma forma de neutralizar a entropia: o frio. Mas tem de ser um frio extremamente forte, incompatível com a vida. Algo assim como 280 graus Celsius abaixo de zero. O frio contrai, produz um efeito yang, anti entropia. O frio é uma força yang formidável. Então teremos de descartar o frio como estratégia para neutralizar a entropia, porque o frio requerido é incompatível com a vida humana que pulsa a +36,5° Celsius. Utilizando a nossa filosofia de duas variáveis, yin e yang, podemos constatar que a saúde é ordem e a doença é desordem, caos, perigo, instabilidade, envelhecimento e entropia. Quando estamos doentes, a entropia é muito mais poderosa e por isso sentimos um certo medo, uma certa preocupação. A morte é a vitória da entropia. A vida é o fracasso da entropia.

Como a entropia é desordem, a forma de a neutralizar é com a maior ordem. É muito simples. Se os nossos hábitos forem ordenados, se a nossa alimentação, emoções e pensamentos forem basicamente estáveis e controlados, poderemos derrotar a entropia durante muito tempo. Muitas pessoas constataram um rejuvenescimento ao praticarem uma transformação na sua forma de alimentação. Trata-se simplesmente de ordenar as suas práticas alimentares habituais. O desejo de comer é extremamente poderoso. É um desejo físico. O mais poderoso dos desejos físicos, o mais difícil de dominar. Se cedemos aos seus caprichos, as forças da entropia tornam-se cada vez mais poderosas e envelhecemos rapidamente. Os alimentos muito yin, como açúcar, refrigerantes, gelados, leite e frutas tropicais, incrementam a desordem, ao incrementar a entropia. Estes alimentos engordam, acidificam, atraem germes nocivos, desestabilizam a circulação, a pressão arterial, o nível de açúcar no sangue e, pelo seu efeito diurético, roubam sais minerais, que dão solidez à nossa estrutura biológica. Mas, paradoxalmente, são os mais "deliciosos". As iguarias de tipo Yin são as armas mais eficazes da entropia. Mas esses manjares são desejados com uma força gigantesca quando se consomem proteínas de origem animal. O extremo yang conduz inevitavelmente ao extremo yin. Por isso, quem é "carnívoro", quem faz dos alimentos de origem animal uma componente diária e importante da sua prática nutricional, quer seja médico, advogado, gerente de uma grande empresa ou presidente de uma grande nação, será impelido com uma força invencível em direção ao grande yin, (leia-se álcool, sobremesas, massas doces, comida de "festa") e introduzirá no seu sangue, nas suas células, no seu cérebro, nos seus ossos e nos seus órgãos reprodutores as invencíveis forças da entropia. Terá então de fazer heroicos esforços para se manter "em forma" com programas de exercício muito exigentes e uma sistemática repressão de álcool, tabaco e alimentos muito calóricos. Provavelmente terá de gastar fortunas em cirurgias correctivas ou estéticas. Esse é o triste destino dos "carnívoros". A sua força aparente é um simples mito. A sua aparência forte e determinada é desmascarada ao chegarem aos 40 anos de idade. O ser humano é o ponto mais alto da cadeia da evolução biológica. É o animal mais yang. A sua avidez por yin, é tremenda. Se comer alimentos de origem animal (incluindo lacticínios) diariamente e em grandes quantidades, para além de ser a base do seu prato (ou o prato "forte") só vai conseguir exacerbar essa avidez, que será incontrolável. Então começará a engordar, a aumentar a sua tensão arterial, a acidez sanguínea (ácido úrico), o colesterol sanguíneo, os triglicéridos e a tendência para a diabetes. O mais yang (o forte e poderoso carnívoro) converte-se no mais yin: num jovem de 45 anos que tem de tomar 3 ou 4 medicamentos para se "controlar". É o axioma da filosofia oriental: o último será o primeiro e o primeiro será o último. No início, toda a gente goza com o “vegetariano”. Parece yin, um pouco débil, demasiado pacífico, um pouco místico talvez. É o problemático em todas as festas e reuniões de família. Parece estar atrasado em relação aos tempos. Os carnívoros parecem avançar rapidamente, tomam o mundo de assalto, são os vencedores. O vegetariano fica para trás, demasiado ocupado com os seus pensamentos elevados, enquanto os outros “rápidos” conquistam o mundo. No entanto, após 4 ou 5 décadas, enquanto os amigos da vaca recuperam de uma cirurgia ao coração, são alcançados pelo vegetariano que, lenta mas seguramente, os cumprimenta amigavelmente.

O universo está cheio de paradoxos. O mais yin será o mais yang. O mais yang será o mais yin. E nós decidimos o que vamos escolher. Para retardar o envelhecimento e manter-nos por muitos anos jovens, devemos aplicar “segredos” de tipo yang. Em primeiro lugar, evitar comer e beber em grandes quantidades. O excesso de consumo cria desordem, é yin. Para derrotar o ávido e voraz guloso que vive dentro de nós, a melhor maneira é adquirir o hábito da mastigação. As pessoas dizem: “Estou tentando mastigar mais”. Não é suficiente. A força yin da entropia é imensamente poderosa. É implacável. A mastigação a fundo é a ferramenta mais poderosa para a neutralizar. Porque é muito eficaz para limitar as quantidades que consumimos. Quantidade é yin; qualidade é yang. Mais qualidade, mais alcalina, mais mastigação, gera um sangue mais yang, mais vital e um aspeto jovem, que será tanto mais percetível quanto maior for o nosso compromisso com esta prática ancestral. Poder-se-ia escrever um livro de 500 páginas sobre os benefícios da mastigação e um apêndice com mais 100 páginas. Mas só a experiência poderá mostrar-nos os poderosos alcances desta disciplina física e moral. O homem que controla o seu alimento, controla o seu destino. O que não controla o mais elementar, o seu alimento, a sua bebida, a sua respiração, navega sem controlo, navega sem rumo, e introduz no seu sistema físico e biológico, as forças da entropia com toda a sua potência. A entropia, o caos, a desordem, começarão a ser as tendências dominantes.

Mastigar a fundo é uma grande força anti entropia. Fazer do exercício diário um ritual é outra forma de nos mantermos fortes e jovens. E evidentemente que uma alimentação basicamente vegetariana (90% vegetariana) tornará muito mais fácil escaparmos às tentações yin que aceleram a deterioração física e intelectual. No entanto, a verdadeira juventude nunca estará no corpo, mas na alma. A alma é imortal. Se não aceitarmos a imortalidade da alma, seremos dominados pela desesperança e pelo medo da morte. Se aceitarmos e acreditarmos na imortalidade da alma como o nosso verdadeiro "eu", compreenderemos que o corpo físico é simplesmente uma veste, uma morada temporária e uma experiência física transitória. A alma vestirá novas roupas, aqui e ali, na Terra e noutros mundos, e continuará adquirindo experiência no incessante processo evolutivo. Mas nem por isso devemos menosprezar a importância do corpo físico. Já que corpo e espírito são inseparáveis. O corpo é uma forma condensada do espírito. Quem pode determinar com exactidão onde termina o corpo e começa o espírito?

Por isso devemos sustentar a visão interior, a imagem mental da saúde, da paz, da felicidade e da beleza como a nossa imagem dominante. E focar a nossa atenção apenas nela. Se nos focarmos com força suficiente na nossa visão, as nossas práticas habituais orientar-se-ão espontaneamente e sem grande esforço numa direção construtiva. E assim poderemos manter-nos jovens e joviais por muito mais tempo do que os homens comuns pensam ser possível.

Dr. Martín Macedo ("Autocura", 2013)



Saturday, November 16, 2024

 


MEDICINA DE OUTONO: RAIZ DE LÓTUS

Clara Castellotti- Ecodieta (https://www.facebook.com/groups/368381147853533/user/100002360740099)

A raiz de lótus é uma das raízes mais yang da dieta macrobiótica. Conhecida como Renkon, a raiz da flor aquática Nelumbo nucifera, vulgarmente conhecida como Flor de Lótus ou Rosa do Nilo, uma flor que se encontra frequentemente em jardins aquáticos, especialmente nos países do Oriente. É uma raiz que cresce debaixo de água a grandes profundidades no lodo; na medicina chinesa é considerada uma planta com uma energia vital inesgotável. Os seus rizomas podem atingir 20 metros de comprimento e estão profundamente enraizados no solo. A raiz tem cavidades que funcionam como verdadeiros pulmões da planta: através destas cavidades, o lótus absorve do fundo lodoso o oxigénio necessário à sua sobrevivência. O facto de crescer num ambiente lamacento e com pouco oxigénio, torna-o particularmente terapêutico para quadros de mucosidade e obstrução respiratória. A sua forma, quando a raiz é cortada em rodelas, lembra alvéolos pulmonares, que são de facto formados por estas cavidades que funcionam como os pulmões da planta. Através destes tubos, o lótus retira do fundo lodoso o oxigénio necessário à sua sobrevivência. Assim, o chá de lótus reflecte os seus efeitos curativos sobre o pulmão: há milhares de anos que é utilizado e venerado em muitas culturas, como a Índia e a China. Na China, de onde é originário, é utilizado como medicamento. É sobretudo utilizado para constipações, gripes, asma, bronquite, congestão pulmonar, etc.

Todas as partes desta planta podem ser utilizadas: raiz, sementes, flor e folhas. As suas sementes são capazes de germinar após vários anos e podem ser utilizadas para fins culinários e terapêuticos. Pode ser encontrada fresca, seca ou em pó. A mais eficaz para tratar afecções pulmonares é a fresca, mas se não estiver disponível podemos utilizar qualquer uma das outras opções.

A raiz fortalece o nosso organismo. Graças ao seu efeito estimulante sobre o sistema imunitário, ajuda a prevenir infecções respiratórias. Recordando a relação entre os pulmões e o intestino grosso, a raiz de lótus é também benéfica para doenças intestinais como a doença de Crohn, colite, doença celíaca, etc... e devido ao seu elevado teor em fibra (mais de 12%) ajuda de forma natural a melhorar o trânsito intestinal. A receita de raiz de lótus com Kuzu é particularmente adequada nestes casos.

É antioxidante porque contém uma substância fenólica chamada miquelianina.

Melhora a digestão, baixa a tensão arterial e previne as hemorragias. A sua qualidade Yang, tem um forte efeito alcalinizante. Contém também alcalóides que estimulam a função cardiorrespiratória, regulando a tensão arterial e prevenindo hemorragias. Por esta razão, é também um excelente hemostático, razão pela qual a sua utilização é muito difundida nos casos de hemoptise e de todos os tipos de hemorróidas internas. A sua riqueza em vitamina C (cada 100 gr. representa cerca de 70 % da quantidade diária recomendada), juntamente com o seu importante papel na produção de colagénio, beneficia a saúde e a elasticidade dos nossos vasos sanguíneos e a firmeza da nossa pele.

Em analogia com a sua flor (a flor de lótus é um símbolo de paz), as vitaminas do complexo B e especialmente a B6, que contém em abundância, tornam-na útil em estados de nervosismo, ansiedade, irritabilidade e stress.

O seu benefício mais destacado é, sem dúvida, nas afecções relacionadas com o sistema respiratório: as suas enzimas proteolíticas reduzem o inchaço que se produz devido à inflamação das mucosas durante os processos gripais, facilitando assim a respiração e a expulsão de muco; ajuda a desfazer a mucosidade e a eliminar o catarro; o seu efeito descongestionante melhora as constipações, os resfriados, a congestão nasal e outros problemas respiratórios, além de ajudar a acalmar a tosse; dilui o muco dos brônquios; acalma a tosse húmida; fortalece os brônquios e é um bom broncodilatador, o que o torna muito eficaz na asma e na inflamação e infeção das vias respiratórias: muco, tosse, constipações; reforça os pulmões e as vias respiratórias superiores; indicado para as inflamações e infecções das vias respiratórias: muco, tosse, constipações.

É um verdadeiro tónico pulmonar, anti-alérgico e descongestionante.

Tradicionalmente utilizado nas afecções respiratórias, para dissolver o muco dos pulmões, dos brônquios, da garganta e das narinas, é indicado para as afecções respiratórias e para aliviar os sintomas gripais e das constipações, bem como da asma. Em caso de rouquidão, o seu efeito é praticamente imediato.

Chá de lótus fresco: Ralar ½ chávena de raiz de lótus fresca; espremer o sumo para uma panela e adicionar uma pequena quantidade de água. Cozer durante 5 minutos com tamari e umas gotas de sumo de gengibre e beber quente. Eficaz para eliminar o muco estagnado no organismo, especialmente nos pulmões e intestinos. Alivia a tosse e beneficia a garganta.

Chá de lótus seco: Uma colher de chá de pó de lótus por pessoa. Adicionar uma chávena pequena de água, juntamente com uma pitada de sal marinho e 2-3 gotas de gengibre (ou um grama de gengibre em pó). Aquecer em lume brando e desligar quando começar a ferver.

Chá de lótus com Kuzu: O mesmo que o chá de lótus, mas adicionando 10-20% de Kuzu. Ferver e mexer bem durante 1-2 minutos e sirvir imediatamente.

Estas bebidas ajudam a dissolver a acumulação de mucosidade no corpo, especialmente no sistema respiratório. Para constipações em bebés com menos de seis meses de idade, o remédio deve ser tomado pela mãe para atuar através do leite materno.

Raiz de lótus fresca cozinhada: Cortar a raiz em rodelas ou usar rodelas de lótus secas. Deixar de molho durante 1 hora. Adicionar água e ferver tapado durante cerca de 20 minutos. Adicionar tamari.

COMPRESSAS: A raiz ralada pode ser aplicada como uma pasta nos seios nasais (seios frontais) em caso de sinusite: misturar 3 partes de lótus em pó com 1 parte de farinha de trigo e 1 parte de gengibre em pó para formar uma pasta com um pouco de água. Aplicar na testa, acima dos olhos, coberta com uma ligadura/venda. Pode ser deixada durante a noite, durante 15 dias.

 

 

 

 

 

 

Thursday, November 14, 2024

 


A ESPELTA

• Muito adaptada ao clima mediterrânico, a espelta era o cereal por excelência consumido pelos antigos etruscos e romanos – as suas origens levam-nos aos Alpes, há mais de 9.000 anos. É um cereal rústico, de origem nórdica, resistente ao frio, consumido há muito tempo, sobretudo nas montanhas (Alpes, Ardenas, Apeninos).

• Durante a Idade Média, a sua farinha era utilizada normalmente para confeccionar pão, adicionada à farinha de centeio – a palavra farinha deriva de farina, farro (espelta) em italiano.

• Botanicamente pertence à família do trigo, mas as suas utilizações culinárias particulares justificam que se considere como um cereal à parte dos outros trigos - tem a particularidade de se poder comer em grão como prato principal, como o arroz.

• Desaparecida durante muito tempo devido ao seu escasso rendimento produtivo, a espelta está actualmente revalorizada pelas suas propriedades nutricionais e por apresentar menos reacções alérgicas no que diz respeito ao trigo comum.

• Ao ser a sua casca muito difícil de eliminar, tem alta resistência a pragas e doenças, o que faz deste cereal ideal para o cultivo ecológico, pela sua resistência natural, sem necessidade de se recorrer a transgénicos nem a pesticidas.

• Existem várias variedades de espelta – as mais tenras são as melhores para se consumir em grão. É de natureza morna, tonificando a digestão. É muito útil, em pão, massas ou em cuscuz. Em pão, a sua farinha pode eventualmente ser misturada com farinha de trigo tenro, resultando um excelente pão.

PROPRIEDADES

• Tornou-se moda, graças a uma monja alemã, Hildergard von Bingen, que curava doenças, já no sec. XII, com dietas à base de cereais, parecidas com as actuais dietas.

• Foram muitos os seus usos curativos – usa-se quando o estado do fígado afecta a esfera digestiva, em especial em processos hepáticos crónicos ou em situações de excesso de tensão e humidade. É ligeiramente secante.

• Em caso de úlceras do duodeno (utilizar em massa o mais refinada possível, pois a fibra pode fazer mal) – se a úlcera não estiver aberta -, gastrite ou gases de origem tensional, diarreia, prisão de ventre, digestões fracas, colite e outras desordens intestinais.

• A sua principal característica nutricional é o seu poder antioxidante devido ao alto conteúdo em selénio que se opõe à formação de radicais livres.

• Rica em ácido silícico, um dos nutrientes mais necessários no nosso organismo, já que forma parte dos nossos tecidos e órgãos e que, junto com o magnésio, melhora a circulação sanguínea e o sistema imunológico.

• Tem um conteúdo muito baixo em glúten, que, ainda que o faça muito mais digerível e melhor tolerado no que diz respeito ao trigo por pessoas com pré disposição alérgica, não o torna adequado a celíacos.

• Tem muito pouca gordura e é rica em vitaminas dos grupos A, B, C, E, fibras e minerais, entre os quais destacam-se o fósforo, o sódio, o cálcio, o potássio e o magnésio.

• Nutritiva e de fácil digestão é um óptimo regulador intestinal muito bom para as crianças a partir do 7º mês de vida.

• Como os outros tipos de trigo deve-se demolhar umas 12 horas antes de cozinhar. Pelo seu lado, as massas alimentícias de espelta, são de fácil cozedura, saborosas e bem aceites. Coze em 1 h a 1h30m.

• Muito rica em magnésio, ajuda na dieta das pessoas idosas, ajudando a prevenir a osteoporose e nutrindo o sistema nervoso – também tem boas quantidades de ferro, fósforo, vitamina E e vitamina B (1, 2 e 3) e proteínas (ao conter os 8 aminoácidos essenciais, torna-se importante para vegetarianos e veganos).

• Como no caso do Kamut, há muita gente que é alérgica ao trigo candeal e não o é à espelta. Também é um trigo mais rico em nutrientes – proteína, gordura, fibras – que o normal (candeal).

• 100g de espelta contém: 34% da necessidade diária de vit. B3, 24% de B1, 43% de fibra dietética, 25% de ferro, 34% de magnésio e 149% de manganésio, 26% de cobre, 22% de zinco e 16% de selénio.

AUTORES DE REFERÊNCIA

• Clara Castellotti

• Jorge Soler

• Claude Aubert

 

Tuesday, November 12, 2024

 


KUZU (Pueraria lobata)

+ UME-SHO-KUZU

ALIMENTO-MEDICAMENTO DE OUTONO

Por: Clara Castellotti - https://www.facebook.com/groups/368381147853533/user/100002360740099

Trata-se de uma planta originária do Extremo Oriente, pertencente à família das leguminosas. Terapeuticamente utiliza-se apenas a raiz, da qual se extrai um determinado amido utilizado na culinária como espessante de sopas e cremes, doces ou salgados. Como equilibra a acidez, é excelente na preparação de sobremesas como pudins, kanten, etc.

A raiz de kuzu tem sido utilizada pelos curandeiros orientais há pelo menos 2.000 anos e principalmente como alimento devido à sua capacidade de equilibrar os açúcares naturais e melhorar o metabolismo da glucose. É considerada uma das 50 plantas mais importantes da Medicina Tradicional Chinesa.

Ao crescer em profundidade, a raiz do Kuzu tem uma energia contractiva muito yang. Reforça a digestão, restaura a energia das condições muito yin; ajuda a lubrificar os intestinos fracos e controla a hiperacidez estomacal.

Tradicionalmente, também tem sido utilizado nas adições, tanto na dependência do tabaco como no álcool e está agora a ser explorado para pacientes viciados em marijuana e cocaína. Na Universidade de Harvard foi estudado o efeito do kuzu na supressão do desejo de consumir álcool e na recuperação dos órgãos danificados pelo seu consumo.

Contém isoflavonas úteis (60% das quais puerarina). Também contém diadzeína, agente anti-inflamatório e antimicrobiano e daidzina, um fitoestrogénio. Os seus componentes afectam os neurotransmissores, nomeadamente a serotonina e o GABA, que estimulam a produção de dopamina e proporcionam uma sensação de bem-estar, compensando o prazer que trazem as substâncias nocivas como a droga, o álcool ou o tabaco.

Lenitivo e anti-inflamatório das mucosas, é útil em caso de constipações, febre, perturbações digestivas e perturbações intestinais crónicas. Reforça as paredes intestinais e é, por isso, muito útil nos casos de diarreia aguda e crónica. É também indicado em doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, doença de Parkinson.

Intestinos: O Kuzu ou Kudzu tende a regular o funcionamento intestinal, sendo útil tanto na obstipação como na diarreia, espasmos intestinais, intestinos preguiçosos, refluxo gastro-esofágico, etc. Apoia igualmente a flora intestinal. É de grande alívio em casos de gastroenterite, colite, úlceras estomacais ou quando o estômago não tolera nenhum alimento líquido ou sólido. Reduz a inflamação, o excesso de acidez, as infecções bacterianas e a cândida. Ótimo remédio para a doença de Crohn e na diarreia. Durante o tratamento do cancro, protege os órgãos do sistema digestivo e ajuda a alcalinizar o organismo, aliviando o cansaço e potenciando os níveis de energia. Quando não é possível engolir qualquer líquido durante a quimioterapia, utiliza-se como espessante. Estimula o apetite.

Aparelho respiratório. Suavisa a mucosa pulmonar e é muito útil nos resfriados, tosse, bronquite, asma e alergias com rinite. Em caso de gripe, reduz a febre, favorece a transpiração e acalma a congestão e as dores musculares associadas.

Alivia a fadiga crónica e aumenta os níveis de energia, já que tende a alcalinizar o organismo. Melhor se consumido em chá com umeboshi e shoyu.

Distúrbios hormonais. Ao ter daidzeína, atividade estrogénica, também limita distúrbios hormonais, sendo útil na pré e pós-menopausa porque, ao aumentar os níveis de estrogénio, fixa o cálcio. Menopausa. 50 mg de raiz por dia aliviam os afrontamentos e os suores noturnos.

Coração. Estudos realizados na China demonstraram que o kuzu, graças à puerarina, o seu flavonoide mais importante, diminui a tensão arterial. A puerarina, o seu princípio ativo, limita a frequência dos episódios de angina e limita a formação de plaquetas, mantendo um fluxo sanguíneo correto nas artérias. Os seus flavonóides (isoflavonas) melhoram a circulação (incluindo o aumento da irrigação cerebral), reduzem o colesterol e a agregação plaquetária, protegendo contra as doenças coronárias.

Distúrbios nervosos e cerebrais. A sua ação vasodilatadora favorece a circulação sanguínea, reduz o stress e as insónias. É útil no tratamento das dores de cabeça e das enxaquecas, melhorando igualmente as cefaleias em salvas. Está a ser estudado pela sua capacidade de melhorar a capacidade cognitiva na demência e na doença de Alzheimer (1 g/dia melhora a função cognitiva).

Tem um efeito calmante contra o stress, melhorando o estado emocional. Útil em crianças hiperactivas.

Mucosite e cancro. Durante o tratamento de quimioterapia, é comum sofrer-se de mucosite do trato digestivo, o que aumenta a permeabilidade intestinal e aumenta a toxicidade do tratamento (uma vez que é mais absorvido). Por esta razão, e também porque melhora a digestão e estimula o apetite, é útil adicionar uma chávena de kuzu, já diluído em água, à cozedura do creme de arroz, nos últimos 5 minutos.

Propriedade anti-dor. Calmante geral não só da mente, o Kuzu relaxa e alivia as dores nas costas e nos ombros.

Outros: alergias, zumbidos e vertigens.

Adições: :8-15 gr,/dia

Como alimento. O Kuzu é um agente espessante maravilhoso para preparar molhos e sopas cremosas e dá uma textura sedosa a uma variedade de alimentos. Também pode ser usado para revestir vegetais ou peixe, resultando num revestimento leve e estaladiço. Mas o kuzu é sobretudo utilizado pela sua capacidade de equilibrar a acidez dos doces e entra na composição de sobremesas como pudins, tartes, gelados e muitos outros. O seu poder gelificante, a sua textura e os seus atributos terapêuticos tornam-no muito superior a outros espessantes como a araruta e constitui uma alternativa saudável ao amido de milho ou à fécula de batata, que são tratados quimicamente.

Apresenta-se sob duas formas. Na forma de amido, a mais comum, que é a sua forma de “pedra”, em que a raiz é limpa e processada para remover a parte não comestível. Em alternativa, a raiz de kuzu pode ser encontrada seca; esta forma fornece mais flavonóides que se perdem durante o processo de produção do amido e que se encontram em contra partida nas tisanas. Comercializado sob o nome de Kakkon, este preparado pode conter, para além da raiz de kuzu, alcaçuz, gengibre e canela (em geral) que, em conjunto, podem ajudar a combater uma grande variedade de sintomas.

Modo de preparo. Por ao lume uma panela com a quantidade de caldo ou líquido que se deseja espessar. Numa chávena, dissolver 1 a 2 colheres de chá de kuzu em 100 a 150 cc. de água ou líquido frio (o mesmo líquido que estamos a aquecer) e quando o líquido na panela ferver, adicionar o kuzu dissolvido (como fazemos com a farinha de milho). Mexer e deixar cozinhar durante 2 minutos até o líquido engrosse e fique um pouco transparente.

UME SHO KUZU / REMÉDIO DE OUTONO = composto por: Umeboshi (Ume) + Shoyu ou tamari (Sho) + Kuzu, três ingredientes muito yang e tonificantes – Especial para alturas de gripes intestinais e respiratórias. O kuzu, com a sua energia, permite que os outros dois ingredientes penetrem em profundidade e equilibra as condições extremamente yin.

Preparação: Dissolver 1 colher de sopa de kuzu em duas colheres de sopa de água fria. Esmagar a ameixa umeboshi e juntá-la ao kuzu dissolvido. Adicionar 1 1/2 chávena (ou 2) de água fria e pôr ao lume. Adicione 5 a 6 gotas de sumo de gengibre e deixe ferver até ficar transparente e um pouco espesso. Adicione 1 a 3 colheres de chá de shoyu e deixe ferver um pouco mais. Servir de imediato. Fica claro e espesso. Servir. 1 chávena de água também pode ser fervida. Dissolva 1 ou 2 colheres de chá de kuzu em uma pequena quantidade de água em 1 xícara e quando a água da panela ferver, adicione o kuzu dissolvido na água fria (ele só se dissolve em água fria!!!). Deixar ferver durante 2-3 minutos até ficar transparente e desligar o lume. Depois juntar a umeboshi e o shoyu (e o gengibre em caso de problemas respiratórios/gripe), neste último caso as propriedades da umeboshi e do gengibre são melhor aproveitadas.

Para que serve. Reduz a febre e os estados gripais e, ao mesmo tempo, acalma as dores que frequentemente os acompanham (dores de cabeça, de costas, etc.). Também pode ser de grande ajuda em caso de problemas respiratórios, como bronquite, constipações, tosse, etc., já que desinflama as mucosas tanto das vias respiratórias comos do aparelho digestivo.

Aquece e fortalece o corpo, estimulando o sistema imunitário, aliviando o cansaço crónico e potencia o nosso nível de energia, já que tende a alcalinizar o organismo.

1-2 vezes por dia em caso de gripe.

Remédio específico para problemas digestivos, sobretudo intestinais.

A Umeboshi neutraliza o excesso de ácido e uma condição de acidez é o que causa a diarreia. No estômago, existe um equilíbrio constante entre os ácidos segregados por um certo tipo de células gástricas e o muco segregado por outras. O muco impede que os ácidos gástricos e as enzimas irritem ou provoquem úlceras nas paredes do estômago: a umeboshi, fortemente alcalinizante, neutraliza o excesso de ácido e o Kuzu, com a sua consistência viscosa parecida ao muco, protege o estômago de um eventual excesso de ácido clorídrico. Assim, em conjunto, têm uma ação muito ampla e completa que beneficia todo o sistema digestivo, sendo indicados em casos de gastrite, úlceras, azia, ardor e acidez de estômago.

A fibra presente no Kuzu melhora os sintomas da diverticulite e da síndrome do intestino irritável. Pode tomar-se uma vez por dia até que a condição melhore.

Fraqueza intestinal, problemas de assimilação e anemia.

Diarreia e obstipação (em caso de diarreia aguda, 2 a 3 vezes por dia até a diarreia parar; em caso de diarreia crónica, uma vez por dia por bastante tempo até o intestino regularizar).

Durante e após a ingestão de antibióticos (até 10 dias após o fim do tratamento).

Cândida e perturbações da flora intestinal. Fungos, parasitas.

Cansaço, ressaca e falta de energia.

Para reforçar o sistema digestivo três vezes por semana durante 1-2 meses.

Cistite (infecção urinária) e infecções em geral.




 


BULGUR

O bulgur, trigo bulgur ou burgul é um ingrediente que se obtém a partir do trigo e é originário do Médio-Oriente, Síria, Palestina e Líbano, estimando-se que se consuma há uns 4.000 anos, sendo um dos primeiros alimentos da história a ser processado.

Normalmente é considerado trigo partido, mas na realidade é uma versão mais refinada, cozida lenta e uniformemente no vapor e seca durante vários dias antes de ser partida; uma vez secos, remove-se o farelo e os grãos são peneirados e agrupados segundo o seu tamanho. Deixam-se secar uns quantos dias mais e obtém-se o bulgur, uma mistura de trigo integral e gérmen de trigo, que segundo o seu tamanho pode ser grosso, fino ou muito fino.

Resumindo, o trigo é submetido a uma cozedura longa, primeiro em fogo vivo e depois mais baixo, para que coza lenta e uniformemente e uma vez pronto, escorre-se e deixa-se secar ao Sol uma ou duas semanas nos telhados das casas; depois, os grãos são partidos de forma irregular (por este motivo há tamanhos diferentes de bulgur), e tornam-se a secar ao Sol. Conserva 95% do farelo (a dura camada externa do grão do cereal, que consiste da combinação de aleurona e pericarpo) e do gérmen do seu núcleo, pelo que se considera um alimento integral.

Cozinha-se muito rapidamente e come-se quente ou frio. É bastante energético e fica óptimo em sopas, saladas, sobremesas ou como cereal simples. É mais digesto e simples de cozinhar que o trigo em grão (cerca de 20 minutos).

Rico em ferro, fósforo, magnésio, proteínas (12.5g), fibras (o dobro do arroz integral) e vitaminas, destaca-se em manganésio (oligoelemento essencial para o correcto funcionamento do cérebro e do sistema nervoso), essencial na formação do tecido conjuntivo e na coagulação do sangue.

O seu interesse principal a nível dietético reside na sua riqueza em glúcidos (açúcares) lentos. Tem um índice glicémico (nível de açúcar circulante no sangue) de 46, o que é muito adequado na dieta dos diabéticos.

Apresenta altos níveis de antioxidantes, como o caroteno, a luteína e a vitamina E.

A alta presença de fibra solúvel faz dele muito indicado em caso de prisão de ventre, para equilibrar o perfil lipídico (colesterol, triglicéridos) e prevenir litíase (pedras renais e biliares).

RECEITA (com os sabores do Norte de África)

BULGUR COM SULTANAS E CANELA

Ingredientes: 1 chávena de bulgur + 1 cebola + 2 colheres de sopa de sultanas + 1 chávena de chá de canela + 1 dente de alho + salsa q.b. + azeite q.b. + shoyu q.b. (molho de soja japonês salgado) + sal marinho q.b.

Preparação:

1- refogar com azeite, durante uns minutos, a cebola, cortada em cubos, o alho, as sultanas, a canela e a salsa picadinha. Temperar com umas gotas de shoyu.

2- adicionar o bulgur, envolver bem todos os ingredientes e adicionar 3 chávenas de água. Temperar com sal marinho e cozinhar cerca de 20 minutos em chama média/baixa.

3- Guarnecer com salsa crua picada.


AUTORES DE REFERÊNCIA

·      Clara Castellotti

·      Aveline e Michio Kushi

·      Gabriela Oliveira

·      Marta Varatojo

·      Ernesto Cruz



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