Todos mastigamos
: os jovens e os mais velhos, os herbívoros e os carnívoros, os sábios e os tolos. Para isso, temos na boca um aparelho muito sofisticado que desempenha essa função vital, permitindo-nos alimentarmo-nos e sustentar a nossa vida física.
No
entanto, a maior parte das pessoas mastiga de forma incompleta, está demasiado
apressada, e os alimentos atuais são muito processados e refinados, evitando
assim o esforço de os desfazer. Os animais selvagens não fazem isso, porque não
têm acesso a comida processada: são eles próprios que a processam com a boca e
os dentes, tanto os que comem carne como os que comem peixe, plantas ou
insetos.
O
objetivo biológico da mastigação é reduzir as dimensões físicas dos alimentos,
para que possam atravessar a faringe, chegar ao esófago e descer até ao
estômago.
A
maior parte das pessoas faz o mínimo esforço possível neste sentido: apenas o
indispensável para que a comida atravesse a porta de entrada do aparelho
digestivo. Por isso, o estômago tem de lidar com alimentos em pedaços grandes,
que não consegue desfazer por não ter dentes nem molares, que existem em
abundância na boca. Os alimentos condensam a força vital ou energia do universo
de que as nossas células necessitam para funcionar com saúde e plenitude
biológica. Por essa razão, é necessário libertar todo o potencial dos
alimentos, sejam eles quais forem. A natureza mostra-nos como os animais
dedicam tempo a essa atividade, que lhes permite manterem-se fortes, cheios de
vitalidade e resistentes.
Se
não conseguirmos libertar essa energia dos alimentos, estaremos cansados e
doentes e envelheceremos prematuramente.
Se
não conseguirmos libertar essa energia vital, estaremos deprimidos, sem
motivação, sem vontade de fazer nada, sem determinação, sem entusiasmo, sem
alegria e sem felicidade. Além disso, os alimentos comercializados nos nossos
dias estão muito enfraquecidos do ponto de vista vital. Assim, as pessoas comem
coisas sem energia vital e agravam ainda mais a situação ao não as mastigarem
bem. Dessa forma, obtêm muito pouco e têm de ingerir grandes quantidades de
comida para compensar essa carência permanente.
O
aparelho digestivo faz a digestão. O seu trabalho é terminar de «mastigar» o
alimento dentro de um tubo biológico, ou seja, continuar o processo de redução
física dos alimentos até os converter em moléculas simples, que entrarão no
sangue para levar energia às células. Essa é a força que muitos perderam, a
força que só provém da alimentação, e é essa força que muitos procuram em
suplementos, ervas ou receitas para recuperar a energia diminuída.
Quando
a mastigação é perfeita, os alimentos sabem muito melhor, porque ela acontece
na boca e não no estômago. O alimento é finamente triturado pelos molares e
pelos restantes dentes e misturado com a saliva, que é um suco digestivo
potente e aumenta a doçura dos açúcares complexos. Depois, os alimentos
finamente triturados e misturados com enzimas digestivas passam para a faringe
e continuam a sua viagem pelo tubo digestivo, sofrendo algumas alterações
ligeiras até chegarem ao seu destino: a barreira intestinal. Aí existe uma
superfície semipermeável de cerca de 42 metros quadrados, graças às vilosidades
intestinais, que só permite a passagem das moléculas mais pequenas. Ou seja, a
comida mal mastigada não atravessa a barreira, porque esta não se abre tanto,
mas apenas um pouco, para deixar passar o que tem melhor qualidade. O sangue
será, assim, constituído com aquilo de melhor qualidade que a barreira autoriza
a entrar na circulação.
Deste
modo, a saúde depende desta seleção de qualidade: a melhor qualidade possível,
que resulta da escolha dos melhores alimentos e de uma mastigação cuidadosa,
excelente e consciente, porque, depois de engolirmos o alimento, já não podemos
fazer mais nada para ajudar a criar uma saúde infinita.
Mastigar
de forma perfeita, como fazem os animais na natureza, é um ato de amor pelo
nosso corpo, uma demonstração de sabedoria, um gesto de respeito pela estrutura
biológica sagrada de que necessitamos para percorrer a viagem da vida. Quando
começarmos a mastigar perfeitamente cada bocada, sem pressa, sem ansiedade e
sem emoções tóxicas, como um ato de liberdade, de independência e de criação da
nossa melhor versão biológica, nunca mais conseguiremos voltar às práticas
bárbaras que tínhamos antes, quando vivíamos atormentados pela constante
autossabotagem e pelo completo desprezo pela nossa divindade biológica, criada
diretamente pela inteligência infinita para viver uma vida cheia de magia e
felicidade. Visto desta perspetiva, o inferno ou o céu da nossa biologia
decide-se na próxima bocada e na forma como agiremos quando o Universo tentar
entrar no nosso sangue sob a forma de vida biológica.
Doutor Martín Macedo

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