Monday, September 4, 2023

 


ÁCIDO E ALCALINO: UM RESUMO

Carl Ferré

Herman Aihara desenvolveu sua teoria do ácido e alcalino em resposta às considerações de Ohsawa sobre o tema.

Por ter adotado como critério a presença de certas substâncias nos alimentos ‒ sódio, cálcio, fósforo, súlfur ‒, Ohsawa designou yin os alimentos ácidos e yang os alimentos alcalinos. Aihara, suspeitando que o mestre não houvesse alcançado o essencial, mergulhou em aprofundados estudos e acabou por estabelecer uma distinção vital entre alimentos ácidos e alimentos geradores de acidez.

De acordo com ele, o importante era levar em conta os efeitos (acidificantes ou alcalinizantes) de determinado alimento depois de digerido e assimilado. Aihara constatou que os alimentos alcalinos apresentam, sem exceção, um efeito alcalinizante, fato que o levou a denominá-los alimentos geradores de alcalinidade. Com os alimentos ácidos, contudo, não constatou a mesma relação, pois enquanto uns apresentam um esperado efeito ácido, outros apresentam um inesperado efeito alcalino. Estes últimos, embora ácidos, denominou-os também alimentos geradores de alcalinidade.

Além disso, Aihara descobriu que há alimentos geradores de alcalinidade de tendência yin tanto quanto de tendência yang; e há alimentos geradores de acidez de tendência yang tanto quanto de tendência yin. Carne e ovos (ambos yang) e laticínios e doces (ambos yin), por exemplo, provocam acidez.

Advirta-se, finalmente, que o resumo de Carl Ferré ora publicado trabalha integralmente com as noções de alimentos geradores de alcalinidade e alimentos geradores de acidez. (N. do E.)

1. Nossa saúde está diretamente conectada à condição de nosso meio interno (plasma e líquido intersticial). E a condição de nosso meio interno é diretamente influenciada pelos alimentos que ingerimos e pelas atividades que praticamos diariamente. Embora haja muitos outros fatores envolvidos, o estudo do ácido e do alcalino mostra-se, no que diz respeito à nossa saúde, particularmente vantajoso.

2. O processo é realmente muito simples. Nós nos beneficiamos quando nosso meio interno encontra-se ligeiramente alcalino; e adoecemos quando nosso meio interno torna-se muito ácido. Quanto mais ácido nosso meio interno, mais problemáticas as desordens que se nos deparam. E todas as desordens – não importa a causa – crescem num ambiente ácido. Todavia, tanto os alimentos que geram alcalinidade, quanto os que geram acidez são necessários para uma condição saudável – tornar-se muito alcalino, embora raro, também é prejudicial.

3. Muitos problemas de saúde, de um pequeno mal-estar a doenças mais sérias, representam a tentativa do corpo de purificar o meio interno – ingerir, a cada refeição, mais alimentos que geram alcalinidade do que alimentos que geram acidez constitui uma estratégia para estimular esse processo. Aumente a proporção de alimentos geradores de alcalinidade se o meio interno acha-se excessivamente ácido. Advirta-se que é preferível não ingerir refeições compostas exclusivamente de alimentos geradores de acidez (ou alcalinidade), especialmente por um espaço de tempo longo.

4. Grosso modo, os alimentos podem ser classificados em geradores de acidez e geradores de alcalinidade considerando-se o teor de proteínas, gorduras e minerais que apresentam. Alimentos que contêm muita proteína, gordura e carboidrato provocam acidez, ao passo que alimentos ricos em vitamina e minerais provocam alcalinidade.

5. Os alimentos que escolhemos, o modo como os preparamos e comemos refletem sobremaneira no nosso bem-estar, na quantidade de energia de que dispomos e nas doenças que porventura venhamos a contrair. A qualidade do nosso meio interno é de suma importância para a manutenção e restauração de nossa saúde. Ofereço abaixo sugestões tendo em vista as condições das pessoas.

Para pessoas saudáveis, considerar a seguinte proporção: 55 a 60% de alimentos geradores de alcalinidade para 40 a 45% de alimentos formadores de acidez.

Para pessoas com um ou mais sinais de advertência, tais como fadiga, obedecer a esta proporção até os sinais desaparecerem: 60 a 65% de alimentos causadores de alcalinidade para 35 a 40% de alimentos provocadores de acidez.

Para pessoas com uma ou mais desordens já instaladas, observar a proporção que se segue até a eliminação das desordens: 65 a 75% de alimentos geradores de alcalinidade para 25 a 35% de alimentos geradores de acidez. Para pessoas com doenças sérias ou que lhes ameaçam a vida, adotar a seguinte proporção até as doenças desaparecerem: 70 a 80% de alimentos causadores de alcalinidade para 20 a 30% de alimentos causadores de acidez.

6. O estudo e o consumo dos alimentos integrais e naturais são determinantes em nossas vidas. Há uma grande variedade de alimentos saudáveis. Quanto mais ingerimos vegetais frescos (incluindo vegetais marinhos), conservas produzidas naturalmente, ervas e especiarias de qualidade inquestionável, grãos integrais, feijões, nozes, castanhas, sementes e frutas (quando nossa condição assim o permitir), mais saudável – e equilibrada no que se refere ao ácido e alcalino – é nossa dieta.

7. Abaixo segue uma lista de alimentos geradores de alcalinidade organizada por categorias:

Grãos integrais: grãos germinados, arroz selvagem, arroz japonês, amaranto e quinoa.

Vegetais: todos os vegetais orgânicos e frescos, exceto batatas sem casca.

Conservas: todas as conservas produzidas naturalmente.

Ervas e especiarias: todas, exceto noz-moscada.

Frutas: geradoras de alcalinidade para pessoas saudáveis que não apresentam dificuldade de processar ácidos; geradoras de acidez para pessoas que se encontram doentes ou apresentam dificuldade de processar ácidos.

Feijões: brotos de feijões.

Nozes, castanhas e sementes: germinadas, amêndoas e a maioria das sementes.

Óleos: óleo de abacate, óleo de linhaça, óleo de sementes de cânhamo, óleo de oliva.

Alimentos de origem animal: manteiga clarificada (ghee) e gema de ovo.

Adoçantes: melaço de alfarroba, mel cru, agave (suco concentrado de cacto), concentrado de pera e rapadura integral.

Bebidas: leite de amêndoas não adoçado, kukicha (banchá com os gravetos), suco de grama de cevada, suco de cenoura, e quase todos os chás de ervas.

METAMORFOSE

YANGUIZAÇÃO RELÂMPAGO DA CONSCIÊNCIA

Herman Aihara

Se uma condição ácida inibe a ação dos nervos, uma condição alcalina opera justamente no sentido contrário, estimulando-a. Quem apresenta uma condição sanguínea alcalina consegue pensar e tomar decisões com acerto. Quem, por outro lado, apresenta uma condição sanguínea ácida não é capaz de clareza no pensar nem de rapidez no decidir. Por conseguinte, é muito importante manter uma condição sanguínea alcalina – não somente para a saúde física, mas também para a saúde mental.

A dieta é fundamental na manutenção da alcalinidade do sangue. Entretanto, ela não mostra resultados num dia ou dois: seus efeitos só se evidenciam após meses.

Durante muito tempo busquei um caminho mais rápido – na verdade um atalho – para transformar uma condição ácida em alcalina. Encontrei-o, finalmente, num ritual religioso. A religião japonesa autóctone, o shintoísmo, recomenda firmemente o ritual “misogi”, que consiste na imersão do fiel nas águas gélidas de um rio, cachoeira ou oceano.

O banho frio eleva-nos a consciência e fortalece-nos as funções cerebrais. Quando me vejo vítima de um tirânico desejo por certos alimentos, tomo uma ducha fria e a atração dissipa-se imediatamente! A ducha fria brinda-nos com uma força de vontade inabalável e desenvolve-nos a capacidade de julgamento. A razão para isso está em que a ducha fria torna o sangue alcalino, ao passo que o banho quente o torna ácido.

Recomendo duchas frias aos indivíduos com problemas na vida ou na família, aos muitos estressados e aos que desejam desenvolver o julgamento, objetivando, sobretudo, uma visão abrangente da vida e um agir criterioso.

A melhor hora para tomar a ducha é ao romper do dia. É necessário continuar por cerca de dez dias para que os sinais de fortalecimento da vontade apareçam.

Quando tomar a ducha fria não comece pela cabeça, mas siga a seguinte sequência: pernas, abdômen, tórax, ombro direito, dorso e ombro esquerdo; gire então no sentido horário e, por último, banhe a cabeça.

Aqueles com fraqueza cardíaca devem tomar cuidados e observar detalhadamente as reações. Cautela, portanto!

IN: METAMORFOSE


Monday, July 31, 2023


MILHO - “CEREAL DE VERÃO”

“Penso que os cereais como o arroz, o trigo, a cevada e o milho - integrais, como se consumiam antes da generalização das máquinas polidoras no sec. XVIII - são os alimentos principais que as grandes civilizações nos mostram como correctos para a Humanidade” - Dr. Martín Macedo, Uruguay, 2017.

Originário da América Central, o milho constituiu o alimento de base dos Incas, Maias e Aztecas.

O milho originário é amarelo carregado e pequenino.

Possui grande quantidade de hidratos de carbono. Contém materiais azotados, sais minerais, vitaminas (B, E, C, K - sobretudo no gérmen), pró-vitamina A, folato, fibra dietética, fósforo, manganésio.

Nutritivo, energético e reconstituinte, se bem que menos proteico que a aveia e o trigo, é um cereal muito indicado durante a Primavera e o Verão. Muito pobre em lisina e triptofano - há que prepará-lo com alimentos que contenham estes aminoácidos essenciais.

Em medicina oriental é considerado benéfico para o coração e intestino delgado. É refrescante. É diurético. Melhora o apetite e fortalece os dentes e as gengivas. Regula a actividade tiroidea, ao contrário da aveia, tende a acalmá-la, reduzindo o ritmo do metabolismo. Sendo um cereal mais yin de todos os outros, deve-se cozinhar mais tempo e não deve ser comido diariamente, mesmo para pessoas saudáveis.

É inadequado para pessoas com problemas de lentidão da circulação sanguínea ou coração muito enfraquecido.

É o cereal mais ligeiro, fresco e doce de todos e facilmente se transforma em açúcar no sangue.

Existem variedades de milho com diversas cores: amarela, branca, azul, negra, …

Pode ser comprado e consumido sob a forma de sêmola ou polenta (tradicional de Itália a partir de farinha ou carolo de milho), farinha, grão, maçaroca, pão, a famosa broa de milho portuguesa, pipocas, flocos, arepas (panquecas tradicionais da América Latina), óleo. O milho sob a forma de maçarocas (milho doce), devido às suas qualidades frescas e tenras, funciona também como se fosse um vegetal fresco e deve ser mais usado no tempo quente.

Produz uma energia expansiva e leve.

Bom para casos de hipertensão, nervosismo ou irritabilidade. Está, portanto, indicado para as crianças nervosas, agitadas e hiperactivas.

RECEITAS ...

CREME DE POLENTA (SÊMOLA DE MILHO) COM SEMENTES DE GIRASSOL E IOGURTE – pequeno almoço ligeiro, refrescante e edificante.
·  Ferver 1 l de água com 150g de polenta
· Baixar o lume, destapar e cozinhar em lume lento durante 20 a 25 minutos, mexendo de vez em quando
·  Apagar o fogão e repartir a polenta por 4 tijelas
·  Tostar levemente sementes de girassol, mexendo de vez em quando até adquirirem uma cor castanha
·  Cobrir a polenta de cada tijela com iogurte e espargir por cima as sementes de girassol.
·  Aguenta-se por 1 dia


POLENTA COM GELEIA DE ARROZ
· Ferver 1 taça de polenta em 4 taças de água. Depois de entrar em ebulição, cozinhar em lume baixo durante 20 a 25 minutos, sem tampa
· Tostar levemente sementes de sésamo, mexendo constantemente para não queimar
·  Uma vez pronta para servir, dividir em 4 tijelas e juntar a geleia e sementes a gosto
· Aguenta-se 2 dias


POLENTA FRITA – um prato ligeiro que faz bem ao estômago
· Ferver 1 l de água com 1 pitada de sal marinho numa panela grande. Quando começar a ferver, apagar o lume.
·  Muito lentamente, espargir a polenta (230g) na água a ferver, tipo chuva, e mexer com um batedor de arames.
· De seguida, voltar a aquecer a panela em lume lento, tapar e cozinhar assim durante 20 minutos. Passados 5 minutos, começar a batê-la para que espesse.
· Passar a polenta para uma bandeja de forno com uma concha. Alisar a superfície. Deixar esfriar (pode levar algumas horas).
· Próximo da hora da refeição, dividir a polenta em várias porções e cobri-las com a farinha de milho branco (2 a 3 colheres de sopa). Aquecer um pouco de óleo de sésamo numa sertã de fundo grosso e fritar durante uns minutos cada porção de ambos os lados até adquirirem uma cor dourada e fiquem crocantes.
· Pode conservar-se 2 dias antes de fritar.


PASTEL DE POLENTA
· Saltear 1 cebola cortada em meias luas em óleo de sésamo e sal, até que fique dourada.
· Juntar cogumelos laminados, umas gotas de tamari/shoyu e saltear até que se evapore o seu sumo.
·Incorporar tofu (fresco ou fumado) cortado em cubinhos, condimentar com umas gotas de shoyu/tamari, mexer bem e reservar.
· Ferver 4 taças de água com uma pitada de sal. Quando ferver, juntar 1 taça de polenta em forma de chuva e mexer constantemente durante 10 a 15 minutos. Verter os vegetais e mexer e misturar bem a polenta e os vegetais e colocar imediatamente a mistura num molde humedecido e deixar esfriar completamente antes de cortar.
· Servir frio ou aquecê-lo no forno ou na sertã.
· NOTA: pode-se usar outros vegetais diferentes dos mencionados aqui e, se a digestão for fraca, não usar tofu fumado.
Propriedades
Prato refrescante, depurativo e ligeiro, ideal para estações quentes (Verão e princípios de Outono).
 Limpa o sangue, reconforta o coração e regula a digestão.


PAPAS DE FARINHA DE MILHO
 Colocar de véspera de molho ½ chávena de chá de farinha de milho (grossa ou fina).
· Levar ao lume com 1 pitada de sal marinho, casca de limão e pau de canela e leite vegetal q.b., que se vai juntando até obter a consistência desejada. Mexer com frequência e deixar ferver cerca de 25 minutos em lume brando.
· Adicionar geleia de cereal (arroz, trigo, milho ou malte de cevada) a gosto e servir.


CORNFLAKES COM BEBIDA DE ARROZ ou DE ESPELTA
· Preparar 1 taça de cornflakes sem açúcar e frutas secas ou frescas (pedaços de morangos, cerejas, pêssego, ameixa, …).
· Aquecer bebida de arroz ou espelta com 1 pitada de sal marinho e deitar por cima dos flocos.
· Servir quente no Outono/Inverno/Primavera e frio no Verão.


MAÇAROCAS DE MILHO TENRO
COZIDAS 1
Cozer a maçaroca inteira em água e sal, que deve ser saboreada por inteiro à mão
· Temperar ainda quente com umas gotas de tamari ou shoyu e pincelá-las com tahin ou pasta de ameixa umeboshi
COZIDAS 2
Cozer a maçaroca e retirar-lhe os grãos com a ajuda das mãos. Acrescentar cebola e cenoura previamente estufadas, deixando apurar em lume brando durante cerca de 15 minutos e temperar com um pouco e tamari ou miso
COZIDAS 3
Retirar o milho ainda cru da maçaroca. Cozê-lo com arroz e alga Hiziki previamente demolhada (20 minutos) ou com alga Wakame (demolhar 5 a 10 minutos) e massa, previamente misturadas a um estufado de cebola e água.
COZIDAS 4
Comer com tiras de alga Nori tostadas.


ASSADAS
· Assar a maçaroca inteira ou aos bocados (rodelas grossas) no forno ou nas brasas, colocando-lhe por cima pasta de tahin misturada com miso ou pasta de ameixa umeboshi. Também se podem comer com um bom estufado de feijão.


GRÃOS DE MILHO EM SOPAS
·  Acrescentar os grãos de milho em cru ou cozidos às sopas. O milho combina muito bem nas sopas à base de alga Wakame, cebola, sêmola de trigo ou numa sopa à base de cenoura, alga Hiziki e feijão verde cortado fininho. Temperar com umas gotas de tamari/shoyu ou de miso.

GRÃOS DE MILHO EM SALADAS
· Após cozido, misturar os grãos de milho nas saladas particularmente à base de alface, cenoura cozida e alga Hiziki. Temperar com uma ameixa umeboshi e um pouco de azeite/óleo.
·  NOTA: o tempo de cozedura varia conforme o grau de maciez do milho, mas em média 30 minutos é o tempo utilizado. Podemos optar por cozê-lo na pressão, nunca deitando fora a água que se aplica na preparação de sopas, cozedura de cereais ou vegetais e enriquece o sabor de qualquer molho.


MILHO DA ESPIGA - SALADA DE MILHO FRESCO COM LEGUMES
Cozer as maçarocas em água abundante com uma pitada de sal durante 25 minutos. Retirá-las do lume. Aproveitar a água para escaldar vegetais - 2 cenouras, 1 beterraba, 2 cabeças de nabo - cortados em quadradinhos. Começar pela cenoura, seguida dos nabos e, por último, a beterraba. Esta sequência deve-se às cores e aos sabores dos vegetais.
· Separar os grãos de milho das maçarocas e juntar tudo. Temperar com um fio de azeite, umas gotas de vinagre de ameixa umeboshi e salpicar com orégãos.
· Podemos juntar a esta salada quadradinhos de tofu, salteando-os previamente com azeite, alho e shoyu, durante 10 minutos. Também podemos confeccioná-la com legumes diferentes ou temperá-la com outros aromas.
· As maçarocas também se podem cozinhar juntamente com o arroz integral – colocá-las no topo do arroz, dando-lhe um gosto característico e muito agradável. 



Sunday, July 30, 2023

 


TABELA YIN-YANG DOS ALIMENTOS

(E.M.U.)

Estas tabelas são teóricas, simples guias e há muitas disponíveis para consulta na Internet. Existem dezenas de tabelas. No entanto, a saúde não se obtém através da consulta das tabelas, porque a saúde não é algo que resulte de uma análise intelectual ou teórica. A saúde é algo basicamente intuitivo.

Não se chega a compreender o yin e o yang apenas intelectualmente, embora a compreensão teórica seja um bom começo. Tem de ser compreendido com o "corpo" todo. Ou seja, devemos preparar a mente e o corpo para poder “captar” o seu verdadeiro significado. Se estivermos intoxicados, consumindo alimentos de baixa qualidade, fumando, consumindo drogas recreativas e bebendo "cola", os nossos fluidos corporais (80% do nosso peso corporal é água e fluidos) estarão desnaturados e fora do equilíbrio biofisiológico.

E assim, a nossa "visão", a nossa compreensão, estará afectada pelo ambiente biofisiológico. Por alguma razão os mestres budistas dizem que, para compreender plenamente a essência do budismo, é necessário compreender com "o corpo todo". Não é possível ver em profundidade apenas através do esforço intelectual, teórico e académico. Não se pode compreender o verdadeiro significado de yin e de yang lendo dezenas de livros, ainda que passemos 50 anos de árduos estudos, se não purificarmos o corpo e a mente com alimentos saudáveis, exercícios físicos e meditação.

E é o que acontece com muitos nutricionistas "ocidentais" que ensinam, dissertam e escrevem livros sobre dietas naturais, vegetarianas e macrobióticas. A sua compreensão é teórica, erudita, académica. Mas os seus corpos são alimentados ao estilo ocidental, com muita proteína de mamíferos, elevado consumo de gordura animal sob a forma de lácteos, farinhas refinadas e açúcar. Por isso, não conseguem compreender profundamente.

A compreensão requer que o corpo se prepare através de um "jejum" de todos essas comidas abomináveis. Por isso Jesus insistia numa cura baseada no jejum e na oração. Mas os cristãos contemporâneos não estão muito interessados no jejum. Estão mais interessados no “desjejum”. Leem, estudam teologia, fazem muitas horas de oração e de contemplação, fazem retiros.

E assim esperam ter uma transformação "espiritual". E há muitos cristãos com excesso de peso e também obesos. E o excesso de peso leva à hipertensão, à diabetes e a um maior risco de cancro e de doenças renais. Por muito que rezem, não conseguirão compreender a verdadeira essência do cristianismo. Porque o recetor é o corpo. E o corpo deve ser alimentado de acordo com as leis naturais.

Para que esteja limpo, puro, saudável e possa ver, perceber com os olhos de uma criança. Mas os adultos justificam a sua gula com a passagem que diz: "Não é o que entra que conta, mas o que sai da boca do homem". E assim se pretende viver uma prática religiosa sem ter em conta a alimentação e a sua qualidade. "O importante é a oração e o estudo das sagradas escrituras".

O mesmo acontece quando tentamos compreender a filosofia oriental, a macrobiótica, a meditação, com base em esforços puramente intelectuais e teóricos. Muitos nutricionistas têm excesso de peso e não conseguem controlar a sua avidez. E estão doentes e deprimidos. No entanto, alguns deles são "excelentes e qualificados" profissionais devido aos seus alargados estudos e à sua experiência docente. Para compreender profundamente, devemos preparar simultaneamente o corpo e a mente.

Através do "jejum" de alimentos bárbaros, antobiológicos, do estudo, da introspeção, do exercício físico suficiente para limpar a "casa" e da meditação, para acalmar a turbulência da mente. Basear-se unicamente em tabelas de alimentos conduzirá a uma forma de alimentação rígida e possivelmente desequilibrada. E os críticos, que nunca faltam, dirão: isto da macrobiótica não funciona, quem experimenta esta prática tem uma diminuição da vitalidade, da vivacidade e torna-se rígido e dogmático.

A verdadeira prática deve juntar a intuição, o estudo e a experiência. E a paixão pela vida e pela saúde. E há que começar pelo princípio. Pelo estudo e pondo em prática o princípio das transformações. E estamos a fazer um considerável esforço para motivar as pessoas a aprofundar este processo de gerar e criar saúde sem limites e felicidade sem limites. O projeto é ambicioso; o caminho é longo. Mas por muito longe que fique Roma, o caminho começa com um primeiro passo.

Dê esse primeiro passo e o leitor verá que o segundo será mais fácil. E o centésimo passo será tão natural como respirar. E quando quiser acordar, já terá chegado. Terá dado os 10 milhões de passos sem quase dar por isso. Só é preciso ter coragem e audácia para dar o primeiro passo.

O resto é persistência e expetativa feliz .....



    Escola Macrobiótica do Uruguay – Dr. Martín Macedo.



Thursday, July 27, 2023

 

O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

Vª parte

Focar-se no processo criativo

Abordaremos agora um tópico muito importante: a questão da concentração (foco). Já estudámos que Yin e Yang se alternam e coexistem. E na coexistência há geralmente assimetria, com uma das duas forças a predominar sobre a outra. E isso muda de um momento para outro. Por isso falamos de uma força principal e de uma força secundária. Reflitemos sobre a inconveniência de gerar conflitos desnecessários pela não aceitação do lado antagónico ao que nos atrai.

Porque a sua existência é inevitável. Todos temos virtudes e defeitos, pontos fracos e pontos fortes. Aquiles era invencível. Era o homem mais forte da Grécia antiga. Parecia imortal. Até que alguém descobriu o seu "ponto fraco". Era o calcanhar. E ele disparou a sua flecha diretamente para o ponto fraco e conseguiu derrotar o poderoso Aquiles. Esta história está prodigiosamente retratada no filme épico "Troia", protagonizado, entre outras celebridades, por Brad Pitt.

Os antigos cristãos não aceitavam o seu lado "pecador" e viviam sentindo-se "sujos" e culpados pela sua natureza impura. Amavam a pureza, mas detestavam a parte impura, imperfeita. E alguns deles praticavam rotinas de chicoteamentos autoinfligindo castigos corporais com "disciplina", sangrando frequentemente as costas de tantas chicotadas.

E consideravam uma prática "elevada" exterminar o lado "pecaminoso" que faz parte da nossa natureza total. Este tipo de comportamento resulta da não aceitação do lado oposto, que faz parte da nossa natureza paradoxal, contraditória. É muito mais saudável ultrapassar o conflito aceitando que tudo o que existe é assim. As duas forças opostas, Yin e Yang, coexistem. Este problema chama-se "dualismo" em filosofia.

Amar um aspeto e odiar o outro. E combatê-lo. E declarar-lhe guerra. Com a vã presunção de o "eliminar". É um feito impossível desde a sua concepção. Vivemos num mundo relativo de duas polaridades. E podemos aprender a viver com o lado que nos atrai menos e também a criar mais daquilo que nos atrai, utilizando o lado que não nos atrai como rampa de lançamento. Agora o que podemos fazer é decidir em que lado nos vamos focar.

E quando me refiro a foco, refiro-me ao sítio para onde dirigimos a atenção da mente. Onde está a nossa atenção, aí está o nosso poder. A nossa atenção é poderosa. Porque a atenção focada tem poder criativo, como se fosse uma espécie de feixe de energia vital. O nosso círculo de Yin e Yang representa tudo o que existe e confronta-o com a sua "cara-metade".

Assim, quando temos problemas, na outra metade do círculo Yin-Yang estarão as soluções. Estão juntos, inseparáveis, eternamente apaixonados. Como Romeu e Julieta. Numa metade está Romeu e na outra metade está Julieta. Romeu é Yang e Julieta é Yin. Um não pode existir sem o outro. O dia e a noite também são como Romeu e Julieta. E também o problema e a solução. Se existe um problema, também existe uma solução para esse problema. Porque assim é a Lei. A existência de Yin, implica necessariamente a existência de Yang.

Porque surgem juntos, simultaneamente. Mas as pessoas não querem problemas. A famosa expressão "não há problema". Ou "tudo bem". Em inglês diz-se "no problem". Não queremos problemas. Não gostamos de problemas. Gostamos de soluções. Ter tudo resolvido. Tudo solucionado. No entanto, há um princípio metafísico que nos ensina que para onde vai a atenção, vai o poder. O poder criativo. Todos temos problemas para resolver todos os dias. Não são só as crianças na escola que têm de resolver os problemas de aritmética que o professor lhes dá. Todos nós temos problemas para resolver.

E alguns estão cansados de tantos problemas. Problemas com o parceiro, com os filhos, problemas financeiros, problemas de saúde, problemas com a sogra, problemas com drogas ou com os serviços do Estado. O próprio cansaço é um problema. É por isso que aquele que está "cansado de tantos problemas" tem dois problemas. E as pessoas pensam ...... nos seus problemas. Normalmente, parece que quanto mais pensamos num problema, mais depressa descobrimos a solução. Mas normalmente damos voltas e mais voltas ao problema na nossa mente, para cima e para baixo, como quem está a "ruminar", a "mastigar o problema".

E quanto mais pensamos no problema, mais nos sentimos abatidos e com menos vitalidade, menos entusiasmo. E mais deprimidos. E assim nos afastamos cada vez mais da solução, porque tomamos o caminho errado. Tomamos o caminho de nos focarmos no problema. E assim a nossa mente, a nossa atenção, a nossa capacidade criativa "alimenta" o aspeto do círculo Yin-Yang onde se encontra o "problema". Mesmo ao lado está o outro aspeto, a solução. A sugestão é concentrarmo-nos nas soluções - embora por vezes não seja fácil devido ao hábito de ruminarmos toda a vida "nos problemas".

E quanto mais tempo passarmos focados em Como Resolver, mais nos sentiremos encorajados e mais ideias e inventividade surgirão, que nos levarão a descobertas surpreendentes. É uma questão de compreender como funciona o poder criativo da mente. Ao focarmo-nos na solução, o aspeto solução cresce e o aspeto "problema" diminui. O Yin cresce à custa do Yang, ou o Yang cresce à custa do Yin. É como um braço de ferro entre dois homens fortes. Por vezes, um domina sobre o outro e isso muda. É muito raro que ambos os punhos estejam numa vertical perfeita.

Um predominará sempre sobre o outro. O mais focado prevalecerá. O mais focado terá mais energia, mais força. Se pensarmos naquilo que nos preocupa ou atemoriza, estamos a dar poder ao "fortalhaço" que está deste lado da contenda. E estamos a retirar poder ao concorrente oposto chamado "optimismo ou coragem".

Quando se vê esta dinâmica tão simples, compreende-se que quanto mais pensamos numa coisa e quanto mais tempo passamos a fazê-lo, mais estamos justamente a criar o aspeto que queremos suprimir. É por isso que, na medicina oficial, a luta contra a doença, a guerra contra o cancro, a luta contra as doenças cardiovasculares, a luta contra a doença de Alzheimer, não faz mais que criar mais cancro, mais ataques cardíacos e mais demência.

O foco está no sítio errado. O foco deveria estar centrado em criar mais saúde, mais práticas higiénicas, mais consciência, mais paixão pela vida e na realização de competições de "saudáveis" por categorias e por idades. Assim, o foco faz-se com pensamentos, palavras, emoções e acções. Se uma pessoa for diagnosticada com uma doença supostamente incurável, irá para casa e passará toda a manhã e toda a noite a pensar como é infeliz, como é triste ter esta doença incurável, e pensará e continuará a pensar.

E dormirá mal e terá más digestões. E quando alguém lhe telefonar ou se encontrar com os amigos no café, num jogo de bowling, falará muito do seu problema e amplificará o circuito emocional negativo, agora alargado ao grupo de amigos ou familiares. E assim se gera um círculo vicioso de focalização na doença, com palavras, pensamentos, emoções negativas, desânimo, menos saúde e acções negativas, passividade e diminuição das actividades.

Mas outros que conhecem a "metafísica" ou o poder de se manterem focados, que aprenderam em livros, cursos ou palestras, esforçar-se-ão por mudar o foco e concentrar-se-ão na criação de uma vida mais saudável. Não me interessa a doença, já está, essa já a tenho. Agora sei que o que quero é saúde. É algo muito importante. Saber exatamente o que se quer. Quero ter mais saúde.

Não importa se vou ficar completamente curado ou não. O que importa é que não me vou resignar com o diagnóstico pessimista de um médico ou de um paradigma médico que tem apenas 300 anos. Vou investigar, vou estudar outros paradigmas.

Qual é a opinião da naturopatia? E da medicina tradicional chinesa? E da Ayurveda? E da fitoterapia que tem séculos de estupendos resultados? E da medicina tradicional japonesa? A pessoa que se foca na saúde procurará novas informações e começará a sonhar em melhorar, em ser saudável, e falará utilizando outras palavras. Agora, as palavras "saúde", "bem-estar", "sinto-me melhor", "estou a ficar pouco a pouco mais forte", "tenho fé", "tenho vontade", "estou a aprender a curar-me", serão o tema da conversa com os amigos e familiares.

E isso vai gerar outras emoções e outras acções. A pessoa pensará, falará e entusiasmar-se-á. E fará outras coisas. Vai fazer caminhadas, começará com aulas de Ioga ou Tai Chi, lerá livros sobre alimentação saudável. E também sobre o poder da mente. E aprenderá a visualizar-se em perfeito estado de saúde e assim surgirá uma poderosa fé. O mesmo entusiasmo que resulta de se focar na solução, na criação de saúde, na experiência do bem-estar, na expetativa de um rejuvenescimento natural, levá-lo-á a encontrar novas ferramentas, novas e mais poderosas soluções.

E gerar-se-á um círculo expansivo em direção a mais e mais saúde, felicidade e bem-estar. Os dois aspectos Yin e Yang estarão sempre presentes. Porque nasceram juntos. Existem juntos e não podem ser separados (como os dois lados da moeda, foram criados ao mesmo tempo). Mas podemos escolher aquilo em que nos queremos focar, com a consciência de que focar-nos é dirigir a nossa energia vital. E, assim, alimentaremos cada vez mais o aspeto que nos interessa.

E isso é conhecido como realização. A realização é o resultado de um longo processo de focalização. Por isso, aprender a focar-se é vital. E para nos focarmos, a primeira coisa que devemos fazer é decidir o que queremos. E quando estamos doentes, apercebemo-nos de que não é isso que queremos. Compreendemos que o que queremos é uma grande saúde. E começamos a pensar como consegui-la. Essa é a utilidade da doença. Por isso, como sempre, sugiro que lhe agradeçamos e a abençoemos. Porque as crises ajudam-nos a focar.

E quando um ser humano se foca com a alma e a vida, mais cedo ou mais tarde consegue o que quer. Um ser humano fortemente focado "sabe" intimamente que é capaz de conseguir qualquer coisa.

(fim)




Tuesday, July 25, 2023

 


DESPERDÍCIO NA VIDA ALIMENTAR - George Ohsawa

Entre todos os desperdícios cometidos pelo homem, o mais importante e temível é o que ocorre na alimentação. Com base nas minhas experiências alimentares pessoais ao longo de 30 anos e também na experiência que adquiri ao guiar mais de 100.000 doentes para a saúde, utilizando apenas alimentos, posso afirmar que o homem pode sobreviver facilmente com menos alimentos e com alimentos menos dispendiosos do que o sugerido pela medicina, fisiologia ou ciência da nutrição modernas ou ocidentais. Além disso, longe de apenas sobreviver, esse tipo de alimentação modesta (como o estilo macrobiótico) resulta não apenas em melhorias na saúde e nas habilidades cerebrais, tornando o coração mais generoso, promovendo a felicidade e enriquecendo a sensibilidade, mas também nos revela o sentido da vida, que é a coisa mais essencial para o homem. Cerca de 1.500 calorias seriam suficientes para um homem de 50 kg realizando um trabalho médio e 1.200 calorias para uma mulher de 40 kg nas mesmas condições.

De acordo com os especialistas em nutrição, um homem do tipo mencionado acima precisaria de 2.600 calorias, mas isso nos parece claramente impreciso. A prova mais eloquente disso é que um cientista renomado começou, sem que se percebesse, a considerar 1.800 calorias como a quantidade padrão, em vez das 2.600 calorias que ele costumava recomendar como absolutamente necessárias. Ele não fez nenhum comentário sobre essa redução no número de calorias. Se esse cientista estiver certo, isso significa que ele incitou o povo a cometer um enorme desperdício por muito tempo.

Foi, portanto, uma perda nacional incalculável, na casa dos bilhões de yens, agravada, em grau inestimável, por deteriorações na vitalidade física e na saúde, deteriorações que geram desgraças e tragédias. No entanto, não é culpa desse famoso cientista. É a grave culpa dos seus mestres e predecessores, especialistas científicos em nutrição. Eles consideravam como regra suprema a análise padrão da nutrição estabelecida pelo famoso químico alemão J. Liebig (1803-1873) há 100 anos, após um estudo experimental de nutrição realizado num único homem. J. Liebig é, é claro, o fundador da teoria ocidental da nutrição.

Mas essa teoria foi concebida para atender a uma necessidade urgente e temporária, como foi o caso há 100 anos, na época do triunfo do materialismo.

Inevitavelmente, essa teoria foi corrigida e modificada sucessivamente por vários químicos, seus sucessores. No entanto, como a base da teoria era errônea e não se baseava em nenhum princípio fundamental da vida, essas modificações e correções foram resultado de observações superficiais, experimentações e interpretações muito arbitrárias.

A ciência da nutrição deve determinar o consumo alimentar normal do homem após estudar previamente o "Princípio da Vida". No entanto, todas as pesquisas realizadas consistiam em experimentos conduzidos levando em consideração apenas o desejo insaciável do homem, sem se basear num princípio fundamental e sem uma diretriz válida. Isso significa que essas pesquisas eram realmente surpreendentemente anticientíficas.

Vejamos, por exemplo, o sakê (álcool de arroz). Em geral, é um alimento do qual podemos abrir mão, caso falte. No entanto, para a sua fabricação, branqueamos centenas de milhões de quilos de arroz, sendo metade disso desperdiçado como casca de arroz (resíduo). Algumas frações desse sakê caro são desperdiçadas, seja derramando-as, deixando-as apodrecer ou jogando-as pelo ralo. Além disso, quantos atos emocionais irreparáveis esse produto não causou ao homem: homicídios por impulso, fraude e vários outros crimes, jogos, erros, acidentes de carro? E quantos danos à saúde não foram causados por esse álcool em quem o abusou, quantas tristezas não foram aumentadas para sua família? Isso é um grande desperdício - a tragédia de um consumo desprovido de diretrizes corretas e baseado noutra diretriz: a preocupação exclusiva com o prazer sensorial.

No entanto, o álcool não é o único culpado. Existem outros desperdícios de alimentos que levaram, mais do que o álcool, quase todo o povo na direção da infelicidade e tristeza. São alimentos que levam em conta apenas o sabor e o prazer sensorial. Por exemplo, todas as refeições requintadas em restaurantes luxuosos. Às vezes, elas são mais caras do que a despesa alimentar de uma família por um mês.

Também todas essas guloseimas que inundam as ruas! A terrível cena da era de ouro dos caramelos e chocolates! Só de pensar nisso, me arrepio. Todas essas latas de conservas, todas essas frutas de países distantes, as bananas, que os antigos nem podiam imaginar, tudo isso se espalhou até mesmo nas montanhas de Hokkaido. Os restaurantes e cafés no estilo ocidental que surgem em todos os lugares, como rebentos de bambu após a chuva, fazem os ocidentais acreditarem que todo o Japão se tornou numa colônia dos Estados Unidos ou da Inglaterra ...

A ampla disseminação do leite de vaca, que este povo japonês nunca consumiu por milhares de anos, e da carne de boi, que ignora completamente a ordem do clima, do meio ambiente e da tradição, incentivando a diminuição do cultivo de arroz em favor do aumento da produção de trigo ...

A lista de exemplos é interminável. Tudo isso constitui um desperdício, o grande desperdício que leva em consideração apenas o prazer, a mentalidade de gourmet e a ideia analítica da abundância da nutrição.

Mais um exemplo: o desperdício de açúcar. Esse seria o melhor exemplo do desperdício público generalizado. No Japão, até cerca de 40 ou 50 anos atrás, por volta de 1900, as famílias que quase nunca consumiam açúcar eram mais numerosas do que as que o consumiam. Mesmo entre as que consumiam, a maioria consumia apenas meio kilo por família por ano. Isso porque não sentiam nenhum inconveniente em viver sem açúcar. Podemos dizer que o açúcar é a pequena bala de chumbo do rifle dos caçadores de pessoas conhecidos como "exploradores comerciais", que buscam obter grandes lucros visando a avidez dos seres humanos ligados exclusivamente ao gosto e ao prazer sensorial. As quantias que esses seres visados pelos caçadores-exploradores gastam apenas para comprar açúcar comum ultrapassariam os 500 milhões de yens por ano. As quantias que eles gastam para comprar alimentos preparados com açúcar, como doces, gelados, bebidas (alcoólicas, sumos ou outras), e para comprar molho de soja e molho agridoce artificiais, etc., provavelmente ultrapassam os 2 bilhões de yens por ano. Isso representa um desperdício de 100%, custando 60 bilhões de yens ao longo de 30 anos. Se esse desperdício fosse apenas desperdício de dinheiro, eu não me preocuparia muito. Mas se causar diretamente uma terrível diminuição da força física da nação, é algo bem diferente. As pessoas seriamente conscientes do interesse do seu país e da humanidade não poderiam ficar sem se preocupar com isso.

Eu afirmo com certeza que é o açúcar que é o fator mais poderoso e mais disseminado entre as causas de todas essas mazelas nacionais: o enfraquecimento geral da força física dos soldados, o aumento da mortalidade infantil, o aumento da tuberculose e das doenças digestivas, a miopia, a redução da longevidade, a degradação geral da saúde, etc. É muito fácil provar isso de forma irrefutável, tanto no nível individual quanto no nacional, fisiologicamente, psicologicamente, estatisticamente, economicamente. Eu já enfatizei esses fatos várias vezes nos meus outros livros.

Refª: Fb/Rui Rato



Thursday, July 20, 2023

 O PRINCÍPIO DAS TRANSFORMAÇÕES

Dr. Martín Macedo, Uruguay

IVª parte

Aceitar a contradição

É muito importante aprender a aceitar os dois lados da moeda. Há sempre perdas e ganhos, simultaneamente. Todos temos simultaneamente um aspeto masculino e um aspeto feminino. Jovem e velho também. Há células que estão a nascer e células que vão ser "desmanteladas" porque completaram o seu ciclo. Aos 120 dias, os glóbulos vermelhos estão "velhos" e devem ser destruídos, para formar novos. Essa é a parte velha. Até um bebé recém-nascido tem essa parte velha, porque tem glóbulos vermelhos "velhos" com quase 120 dias. Como foi referido no capítulo anterior, Yin e Yang alternam-se, mas também são simultâneos. E há uma proporção e uma principalidade e complementaridade. O masculino e o feminino são simultâneos.

Todos temos as hormonas de ambos os sexos. Mas não somos hermafroditas. Precisamos do sexo oposto para gerar vida, para nos reproduzirmos. É aí que reside a simultaneidade. Podemos desempenhar papéis masculinos ou femininos à vontade. Uma mãe solteira faz de pai e de mãe ao mesmo tempo. Faz ou interpreta magnificamente o papel Yang do pai, se assim o desejar. Da mesma forma, um pai viúvo com filhos pequenos pode ser Yin, terno e compreensivo como se fosse uma mãe. Porque ambas as energias estão em todos os fenómenos. Se algo fosse apenas Yin, expandir-se-ia mais e mais até explodir.

Se algo fosse só Yang, contrair-se-ia cada vez mais até implodir e desaparecer. Como um buraco negro. Só Yang. Portanto, todas as estruturas têm ambas as forças coexistindo, como numa competição pela supremacia. Uma tratando de contrair e a outra tentando expandir. Mas, a longo prazo, o Yin vence o Yang. Este facto é conhecido como entropia. A entropia é a tendência de todos os sistemas organizados para a desordem, para a dissolução, até à finalização da sua existência. Os nossos corpos físicos estão sujeitos à entropia e é por isso que envelhecemos. E isso é inevitável.

Mas podemos diminuí-la, conhecendo como funcionam o Yin e o Yang e integrando-a na forma de nos alimentarmos. Alguns alimentos aumentam a entropia (os alimentos muito Yin que acidificam o sangue) e outros abrandam-na (os alimentos yang de qualidade vegetal e mineral). Portanto, todos nós temos ambas as tendências, por vezes dominando uma e outras vezes dominando a outra. Não somos 100% uma ou outra. Nem 100% masculinos, nem 100% femininos. Nem 100% saudáveis, nem 100% doentes.

Todos temos uma parte doente, subclínica, escondida, mas potencial. Se 90% de nós for saudável, podemos dizer que somos muito saudáveis. Mas se a parte oposta se tornar forte e começar a ganhar protagonismo, a nossa "estabilidade" perde-se e a situação inverte-se. Por isso é muito importante aprender a aceitar a contradição que somos, ou seja, a coexistência de ambas as tendências.

Todos temos defeitos e virtudes. Todos temos um lado "santo" e um lado "pecador". Todos temos segredos ocultos e aspectos que mostramos abertamente. Isto é muito importante. Porque se há um aspeto que não aceitamos, geramos um conflito emocional. A não aceitação já é um conflito. Se um diabético não aceita a sua doença, para além de ter de sofrer com a sua doença, terá de sofrer por não se aceitar e amar tal como é. Isso gera mais desordem, mais entropia, mais infelicidade.

O melhor é aceitar o outro lado. E começar a trabalhar para aumentar o lado que nos interessa aumentar, neste caso a saúde. Todos temos um "sábio" e um ignorante. Por muito que estudemos e aprendamos, há inúmeras coisas que não saberemos. Ignoraremos muitos idiomas, muitos pormenores da geografia ou da geologia de outras nações ou de outros lugares do sistema solar. A maioria das pessoas aceita que ignoram muitas coisas e isso não lhes causa conflitos. Mas há pessoas que não se perdoam por não terem terminado a universidade ou a secundária.

E alimentam sempre a sua autorrejeição.... Não estudei, não tive perseverança, arrependo-me muito de não ter continuado naquele trabalho ou naquela relação que teria sido maravilhosa. Simplesmente não aceitam o seu lado ignorante, inexperiente, inocente e ingénuo. E não o aceitar já é um problema. Porque se gera um conflito que nos torna menos saudáveis e felizes. Uma pessoa sábia aceita o "outro" lado, que faz parte da nossa natureza, mesmo que não gostemos dele. E além disso é inevitável.

Por isso, para criar saúde, não temos de lutar "contra" a doença. Há que aceitar a doença e "utilizá-la" para aumentar a nossa determinação em criar uma saúde magnífica. A doença como caminho. Aprender, tomar consciência, descobrir que hábitos ou práticas nos estavam a destruir ou a enfraquecer. E, a partir dessa experiência desagradável, descobrir o que quero e focar-me. "Já passei pela doença e agora sei que o que quero com toda a minha alma que é uma saúde magnífica”.

Já passei pelo Inverno e agora sei o que quero é que chegue a Primavera e o Verão para poder desfrutar do mar e das montanhas. A experiência do contraste fortalece a nossa determinação. Para conseguirmos algo, temos de estar determinados a consegui-lo. E para criar saúde, há que ter muito claro de que a desejamos tanto que estamos dispostos a fazer tudo para a conseguir. Há que sentir gratidão e emoção quando se sente um desejo tão forte. Porque é aí e só aí que emerge o gigantesco potencial humano.

O grande ser humano só é grande quando tem grandes desejos e está disposto a dar tudo por eles. Se a experiência da contradição é capaz de esculpir na nossa alma um desejo tão poderoso, tão grande, tão veemente, então bendita contradição, bendito contraste. Bendita pobreza, bendita solidão, bendita doença, bendito despedimento laboral, bendita crise. Aceitar é muito importante. Mas ainda mais importante é chegar a um nível em que aprendemos a abençoar e a sentir gratidão por aquilo que antes considerávamos o "aspeto negativo" da nossa vida. É por isso que na filosofia oriental se diz que o vazio cria a abundância, tal como o Inverno cria a Primavera. É apenas uma questão de perceção.

Com uma mudança de percepção, podemos utilizar o aspeto anteriormente abominado e convertê-lo num poderoso trampolim para o lado que nos interessa experimentar. Assim, a doença pode ser um motivo de dor e tristeza, um estigma e uma cruz. Mas se tivermos esta visão, a doença pode converter-se num trampolim para a transformação da nossa vida. E podemos criar uma saúde magnífica, acima da média. Ou inclusivamente tornarmo-nos curadores. Os exemplos são muitos.

Georges Ohsawa, Louise Hay, Dr. Edward Bach, Horace Fletcher, Mina Dovick e muitos outros sofreram de doenças "incuráveis" e tornaram-se campeões da medicina natural. O próprio Pasteur ultrapassou a dor da morte de duas das suas filhas devido a doenças infecciosas e dedicou-se de alma e coração à descoberta da vacina contra a raiva. E salvou milhares de pessoas. Ohsawa chamou a esta arte, aprender a descobrir a "utilidade da inutilidade". E no Budismo ensina-se que a bela flor de lótus cresce na lama mais suja. E o mais elevado mestre Zen constrói a sua túnica de Roshi (mestre muito avançado) com restos de roupas velhas que recolhe do lixo, lavando-as e costurando-as cuidadosamente. Aceitar é importante, mas amar o lado “desvantajoso" torna-nos muito grandes e sábios. Porque compreendemos que um não existe sem o outro. Que um é a razão de ser do outro.

(continua)



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