Thursday, November 28, 2024

 


SEGURELHA

·      “Julga-se que o nome latino “satureja” se deve a Plínio e provém de “sátiro” animal mitológico, metade homem, metade bode, que pastava em prados de segurelha e tinha um apetite sexual insaciável. Portanto, é antiquíssima a sua reputação como afrodisíaco. Conta-se até que, na Idade Média, os hortos dos mosteiros e conventos não podiam ter segurelhas, a fim de se controlar a excitação de frades e freiras” – Miguel Boieiro.

·      Está apresentada, da melhor maneira, a segurelha – e espero que não se esgotem as sementes nos próximos dias …  – da família das lamiáceas que engloba muitas espécies de que, as mais conhecidas são a “Satureja montana” e a “Satureja hortensis” – a segunda sendo anual e mais suave, enquanto que a primeira é persistente e de sabor áspero. Ambas têm propriedades medicinais e gastronómicas basicamente idênticas.

·      As pessoas das aldeias da Beira Alta, da minha geração, lembram-se com certeza das belas sopas de legumes em que o feijão verde ou o “feijão engrolado” – ou “feijão enjoado”, como se diz cá para os lados de Leiria – e um raminho de segurelha eram obrigatórios.  

·      É uma erva aromática originária das regiões mediterrânicas, cuja essência lembra a hortelã e o tomilho mas mais apimentada. Contém um óleo essencial, rico em carvacol e cimol, taninos, fenóis, enzimas e vitaminas.

·      Medicinalmente é antiespasmódica, antisséptica, carminativa, estimulante, expectorante, depurativa, vermífuga, balsâmica e afrodisíaca.

Indicações

·      A infusão é boa para a flatulência estomacal e intestinal e para combater as bronquites, a fadiga crónica, a astenia e as cólicas, entre outros males.

·      A sua essência tem poderes bactericidas e antiparasitários.

·      Esfregada fresca nos locais do corpo picados por insectos, alivia a dor e o desconforto.

·      O seu sabor aromático levemente picante – que se mantém mesmo em cozeduras longas – faz dela um condimento precioso e especial em diversas comidas. O seu uso regular na cozinha leva à redução de sal e à diminuição da aerofagia resultantes do consumo de féculas e leguminosas – nos EUA é conhecida como a “erva do feijão”.

·      Utiliza-se finamente picada nos preparos: primeiro lavar os galhos em água corrente para remover as impurezas; depois deixar em solução antisséptica diluída em água por alguns minutos, seque e pique bem as folhas. Pode-se adicionar a segurelha no início ou no final das receitas, dependendo da intensidade do aroma desejado: quanto mais tempo cozinhando, mais suave o sabor.

Receitas

Infusão:

·      20 g de segurelha para 1 litro de água

·      Tomar 4 chávenas por dia

Aromatizar vinagre com segurelha:

·      Colocar dois ramos da erva num frasco; numa panela, ferver a quantidade de vinagre necessária para encher o frasco; colocar o vinagre fervido no frasco, tapar bem e guardar longe da luz. Espere duas semanas antes de usar.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

·      “As Plantas Nossas Irmãs” – Miguel Boieiro, 2018.

·      “Como plantar segurelha”

OUTRAS REFERÊNCIAS INTERESSANTES

·      https://viveirosabordefazenda.wordpress.com/2015/02/19/3068/

·      https://hortajardimnavaranda.wordpress.com/2014/06/18/ficha-de-planta-segurelha/



 


POEJO

·      O poejo é a Menta polegium, erva aromática muito conhecida na gastromia alentejana e nas terras da raia do distrito da Guarda.

·      Utiliza-se como planta medicinal, condimento alimentar e no fabrico de deliciosos licores que, diluídos em água, dão origem a bebidas refrescantes muito agradáveis.

·      É facilmente detetável pelo seu cheiro penetrante e agradável.

·      O poejo tem sido utilizado desde tempos primitivos como planta curativa de grande prestígio. Os romanos utilizavam-no como afrodisíaco e remédio contra o alcoolismo.

·      Actualmente continuam a ser muitos os povos atraídos por esta plantinha humilde mas bem cheirosa e em cada país se privilegia uma dada utilização: na Argélia, para acalmar as náuseas e impedir os vómitos; em Marrocos, para combater as infecções dos órgãos genitais femininos; na Rússia, para baixa a febre; em Espanha, como vermífugo; na Alemanha, contra a anemia; …

·      Podemos, pois, afirmar que o poejo possui propriedades: analgésicas, antiespasmódicas, carminativas, digestivas e tónicas. Tanto cura tosses rebeldes como favorece as digestões, como proporciona um bom elixir dentífrico e afasta o mau hálito, como debela a rouquidão ou um ataque de anginas, como alivia as crises dolorosas da espinha dorsal, como serve de tónico cardíaco.

·      “Tal como não há molhos sem sal, não existe um bom chá sem mentas” (Dr. Kunzle).

RECEITA DE CHÁ DE POEJO

·      Deitar 1 litro de água fervente sobre 15g de planta seca, ou 30g, em verde.

·      Deixar em infusão durante 15 minutos e coar.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

·      “As Plantas nossas irmãs” – Miguel Boieiro



Wednesday, November 27, 2024

 

O AÇÚCAR É PIOR QUE O ÁLCOOL PORQUE É UMA AGRAVAÇÃO CRÓNICA

O inimigo fatal do coração é a bebida e a comida alcoólica chamada açúcar

O açúcar enfraquece, debilita, dilata os vasos capilares cerebrais. O açúcar é álcool solidificado.

A maioria das pessoas está envolvida, viciada em açúcar.

Para tudo, se usa açúcar, atualmente. Isto já é um processo catastrófico para o coração. O coração, realmente é o foco, herança, da potência estratégica.

Temos de cuidar do nosso coração mais do que da nossa cara. Muitas pessoas só se preocupam com a cara esquecendo-se do coração. Esta é uma atenção invertida. O inimigo fatal do coração é a bebida e a comida alcoólica chamada açúcar. Quando se toma uma cerveja, whisky ou uma bebida mais forte, sente-se um efeito imediato no coração.

Minha mãe fazia saquê em casa, dentro de uma tina de madeira. Ela não gostava, mas por causa do marido que gostava ela fazia-o. Só de misturar o saquê, para o preparar, ela ficava embriagada, sem o tomar. Só mexendo, mexendo para o preparar, bastava para o álcool entrar no seu sangue e ela ficava com a cara avermelhada. Nós dizíamos-lhe: "Puxa, a senhora já está embriagada só de cheirar".

Realmente, o saquê atinge diretamente o sistema circulatório, dilata os vasos capilares e a pessoa fica avermelhada. Tudo fica dilatado, inclusive as células cerebrais. O volume da massa encefálica aumenta e aperta a parede craniana prejudicando a sensibilidade. Isto é embriaguez alcoólica.

Já o efeito do açúcar é lento. Quando comemos a pinga cristalizada, chamada açúcar, ela transforma-se lentamente em álcool e o álcool divide-se em água e gás carbônico. A água desce e o gás sobe acumulando-se dentro do espaço craniano, dilatando os vasos capilares, pressionando o espaço craniano limitado, provocando perda de sensibilidade, como a bebida alcoólica.

Isto, também, é embriaguez. O açúcar liquidificado mostra efeito imediato, os batimentos cardíacos aumentam muito.

Lentamente, o açúcar provoca o mesmo efeito. Mas o açúcar é pior porque é uma influência crônica. Com o álcool, a pessoa encontra perigos facilmente porque a sensibilidade não funciona mais. Tanto é perigosa a bebida açucarada como a comida alcoólica. Mas o açúcar é pior. Por causa do açúcar, com certeza, sempre acontece acidentes graves, também.

As pessoas não se preocupam com o efeito negativo do açúcar que pode até provocar acidentes graves. A influência do açúcar, no sistema, é muito séria. Todo mundo está envolvido com o super consumismo, com as coisas açucaradas, o que prejudica a memória da pessoa. A pessoa sem memória fica impaciente e não percebe nada, não previne nada. A pessoa sem memória quer tudo rápido: "Eu quero, eu quero". Isto é infantilidade. A criança não tem muita memória, é por isto que dizemos que a maioria é infantil porque se alimenta de açúcar, consomem lácteos, e só comem coisas cremosas que não têm fibras. As bebidas, também são todas açucaradas.

As pessoas tomam sucos, sorvetes. Tudo isto causa infantilidade e as pessoas não percebem nada, perdem a memória, a paciência, fugindo da realidade, buscando
o paraíso, caindo, realmente, em uma tendência mais fugitiva.

Tudo isto leva à masturbação gastronômica, na qual as pessoas só querem sentir uma satisfação gastronômica momentânea, com a excitação da mucosa bucal. Isto é masturbação gastronômica. Existe, também, a prostituição gastronômica. E isto é uma coisa louca. A maioria é assim mesmo: é inacreditavelmente infantil.

Tomio Kikuchi



Saturday, November 23, 2024

 


O CENTEIO

INTRODUÇÃO

·      O centeio, que outrora desempenhou um papel muito importante no regime alimentar dos povos do Norte da Europa, tem propriedades semelhantes ao trigo e é particularmente bom para o tempo frio. Utiliza-se, em geral, sob a forma de pão, uma vez que em grão é muito difícil de cozinhar devido à sua dureza. Actua sobre o fígado e a vesícula biliar, ajudando a formação das unhas, cabelo e ossos, é depurativo, excelente para limpar as artérias, útil nas dietas de emagrecimento, bom para a actividade cerebral e para a actividade física, para a anemia e para a tensão arterial alta.

·  É outro cereal muito antigo e um dos mais duros, de origem nórdica. Muito proteico e nutritivo, tem efeito contractivo (yang). Para desfrutarmos de todas as suas propriedades, devemos consumir o pão produzido com “fermento-mãe” e não com fermento natural ou similares.

·   Foi – e de certa forma ainda é - um dos cereais de base para fazer o pão nas terras pobres de Portugal, nomeadamente na Beira Alta, até meados do sec. XX. O trigo era pouco semeado, e a sua farinha era quase exclusivamente utilizada para fazer pão para festas e ocasiões especiais (casamentos, baptizados, …). As terras mais ricas eram reservadas para outros produtos agrícolas – batatas, milho, feijão, etc. No dia de Todos os Santos, era tradição os padrinhos oferecerem pão de trigo aos afilhados. Contudo, também se misturava um pouco de farinha de trigo para fazer o pão de centeio.

·      É um cereal da família do trigo, ainda que mais amargo e seco.

·      Ao conter glúten, é muito adequado para a panificação.

·  Tal como o trigo raramente é consumido sob a forma integral. A sua farinha emprega-se principalmente para fazer pão, galetes ou outros produtos no forno. Também se come em flocos, que cozem em 30 minutos.

PROPRIEDADES

·   É muito depurativo, contribui para recompor o sistema digestivo - bom para os intestinos, cura a prisão de ventre. É excelente para o sistema circulatório: limpa e renova as artérias, melhora a circulação sanguínea em geral e o tónus venoso. Por isso é indicado para pessoas com arteriosclerose. Também se utiliza em dietas de emagrecimento.

·  É benéfico em caso de tensão arterial alta, tendo-se verificado que, entre as populações que consomem regularmente pão de centeio, há menos casos de acidentes cardio-vasculares. A sua acção anti esclerótica, torna mais elásticos os vasos sanguíneos e limpa as artérias.

·    Contém muitas proteínas e fósforo, sendo útil para nutrir a actividade cerebral e também para prevenir doenças coronárias.

· Tal como a aveia, o centeio contém um tipo especial de lignano, substância com actividade fito estrogénica, tornando-o útil para aliviar os sintomas da menopausa, como os afrontamentos, e actuando no organismo como receptor de estrógenos, limitando a função estrogénica e ajudando a prevenir tumores como o cancro da mama.

·      Reenergiza pessoas anémicas. Diminui a humidade (acumulações, gordura, …), liberta a estagnação do fígado e ajuda na formação dos músculos, unhas, cabelo e ossos.

·  Pelo seu grande conteúdo em fibra é muito indicado para reduzir a prisão de ventre, curar a obesidade e para reduzir o colesterol. Regula o apetite e controla a glicémia.

·    É muito rico em manganésio e contém boas quantidades de cobre, fósforo, ácido pantoténico e magnésio.

· Também ajuda à formação dos músculos – órgãos relacionados com o sistema do fígado (segundo a Medicina Oriental). Em forma de “pão ázimo” (pão azedo, não fermentado) será ainda mais indicado para estes dois órgãos, já que o sabor amargo se junta ao sabor ácido.

·  Rico em mucilagem, substância anti-inflamatória e suavizante, a água que resulta do seu cozimento é indicada para proteger as mucosas que revestem os órgãos, sendo útil em caso de gastrite, faringite e tosse.

·   Tende a criar uma condição seca e quente, tem qualidades que nutrem a capacidade do corpo para lidar com o clima húmido e frio e melhorar a circulação da energia vital no corpo, fortalecer o sistema circulatório e é particularmente indicado para aumentar as capacidades de resistência/ endurance.

· Uma das características do centeio é o seu sabor tendencialmente amargo, sentido especialmente quando é consumido em pão.

·      O sabor amargo do centeio torna-o útil para descongestionar o fígado e a vesicula biliar – sendo um cereal interessante durante a Primavera para alternar com o trigo espelta e a cevada.

·  Este sabor é de extrema importância para o equilíbrio emocional, pela capacidade de retirar calor. O sabor amargo relacionado com o Verão, quando introduzido no Inverno, suaviza emoções e tensões características desta época do ano – mergulhar nas profundezas do Inverno, significa mais compressão física, mas também mais emocional e o calor daí proveniente pode ser aliviado com alimentos como o centeio. Talvez seja mais fácil compreender porque são as bebidas feitas de produtos tostados – como a de cevada ou café, o pão bem cozido, as torradas, os frutos secos ou sementes tostadas, as castanhas ligeiramente queimadas, os alimentos que vão ao forno e que criam uma camada gratinada – mais apetecidas e apreciadas com mais frequência neste período.

NA ALIMENTAÇÃO HUMANA

·  Normalmente está disponível em grão inteiro ou partido e também em forma de farinha ou flocos.

· Dada a dificuldade envolvida em separar o gérmen e o farelo do endosperma, ao contrário da farinha refinada de trigo, a farinha do centeio conserva grandes quantidades de nutrientes. É uma excelente fonte de manganésio e tem grande conteúdo de proteínas.

· Germinado ou em flocos demolhados, muito bem mastigados, ajuda a regenerar o esmalte dos dentes, pois são ricos em flúor.

·   A sua farinha contém pentosanos, que lhe dão a capacidade de reter a água, fazendo-o menos digestível que outros cereais.

·    O pão de centeio bem cozinhado é delicioso. Contudo, o pão de centeio puro é difícil de levedar – é preferível misturar 30 a 50% de farinha de trigo.

· Para a Macrobiótica, é indicado para: promover a energia e a vitalidade, fortalecer os músculos, beneficiar a função respiratória e a excretória e é um excelente ingrediente para pão caseiro e para o pequeno-almoço, sendo as suas propriedades similares às do trigo, mas contendo menos glúten – deve ser evitado por doentes com problemas digestivos sérios ou outras doenças graves.

·   Também pode ser consumido quando se pretende fortalecer o cabelo e as unhas.

·   Uma vez que a sua consistência é muito dura, o centeio exige ser bem mastigado e insalivado.

·   Como é um cereal dificilmente cozinhado em grão, aconselha-se consumi-lo em forma de pão, só ou bem misturando a sua farinha em partes iguais com trigo espelta ou trigo kamut.

·      Os macrobióticos fazem deliciosos pratos de centeio integral com arroz integral ou com legumes de raiz. O centeio em grão pode ser tostado a seco antes de ser cozinhado, tornando-se mais digestivo. Demolhá-lo durante várias horas ou toda a noite, torna-o igualmente mais tenro. É utilizado como cereal principal ou cozinhado em conjunto com o arroz integral, na proporção de 1 para o centeio e 2 para o arroz.

·      O centeio também entra na composição do whisky.

·   Kvass – bebida ligeiramente alcoólica (1 a 2%) fermentada à base de pão de centeio – é uma bebida nacional na Rússia.

· Tourgnéviev, escritor russo, conta numa das suas novelas, que os camponeses russos ofereciam quase invariavelmente aos seus convidados de passagem, pão de centeio, queijo, kvass e pickles de pepinos lacto fermentados.

AUTORES CONSULTADOS

·      Aveline Kushi

·      Clara Castellotti

·      Claude Aubert

·      Francisco Varatojo

·      Jorge Pérez-Calvo Soler

·      Lourenço Azevedo

·      Rui Rato

·      Simon G. Brown



Friday, November 22, 2024

 


AGRIÃO

Nasturtium officinale é uma crucífera ou brassicácea, como a couve, possuindo imensas virtudes, tanto alimentares, como medicinais e é utilizado desde a antiguidade clássica, sobretudo para afastar o temível escorbuto.

É originário da Europa, Ásia e América do Norte.

PROPRIEDADES

· Adstringente, antiescorbútico, anti-inflamatório, anti-térmico, cicatrizante descongestionante, diurético, hidratante, expectorante, antisséptico das vias respiratórias, tónico, digestivo e fluidificante.

·  Muito rico em minerais – iodo, ferro, fósforo, manganésio, cálcio, cobre, potássio – vitaminas (C, D, E, K, complexo B, pró-vitamina A) e essências sulfuradas, tendo baixo valor calórico.

·    Combate o ácido úrico, o raquitismo, a cistite, a bronquite, os males do fígado, a diabetes, a tuberculose, os problemas da vista e está ligado à formação dos glóbulos vermelhos do sangue.

·      Há quem recomende ferver o suco do agrião com leite – em partes iguais – para tratar o catarro, a bronquite, o reumatismo e o raquitismo.

·      Os fumadores inveterados – a quem lhes falta a coragem para abandonar o vício -, podem minimizar alguns efeitos nocivos do tabaco, comendo agriões.

·  Há ainda quem receite suco fresco de agrião para friccioar o couro cabeludo (ou não cabeludo !!) e até dizem que cura a calvice … será ??? …

· É uma verdura comestível crua (em saladas refrescantes e levemente picantes) ou cozinhada (em sopas, levemente escaldados – 30 a 40 segundos - no final da cocção ou salteados por breves segundos). Evitar deitar sal, para não aumentar o seu amargor característico.

·     O cozimento adocica o seu sabor, aviva a sua cor de um verde intenso, dá-lhe um sabor fresco e reforça a sua energia.

·    No Japão, consomem-nos no Verão salteados com milho e tofu, à maneira de ovos mexidos, a que adicionam no último momento da receita. Crus ou cozidos, podem decorar sopas, guisados ou o sushi. São deliciosos enrolados (aproveitando-se as folhas e os caules longos), levemente escaldados, em alga Nori tostada – tipo sushi.

·      Nas saladas cruas, devem-se lavar muito bem em várias águas para evitar a contaminação de bactérias e pequenos insectos que podem causar doenças.

Aviso para quem anda ao agrião selvagem: não confundi-lo com a Rabaça ou outras umbelíferas que também aparecem nos cursos de água, pois, embora tendo aspecto diferente, é necessário estar com muita atenção, porque algumas podem ser nocivas.

AUTORES DE RFERÊNCIA

·         Miguel Boieiro

·         Aveline Kushi



Thursday, November 21, 2024

 


A ETERNA JUVENTUDE

vs.

Entropia

Desde tempos imemoriais, o ser humano tem procurado, sem sucesso, a fonte da juventude eterna.

Não é por acaso semelhante, a procura da imortalidade ?

Existem certas lendas sobre uma fonte em que aqueles que nela se banhassem, permaneceriam eternamente jovens. Ou também a procura do Santo Graal, que ainda hoje tem pessoas empenhadas na sua procura, mostra um forte interesse na possibilidade da imortalidade. Na ciência física, há um conceito muito interessante: a entropia.

Todo o sistema físico tem uma tendência espontânea para a desordem, para o caos. O nosso organismo é um sistema físico. É uma organização de 50 triliões de células, com uma cabeça e um corpo que lhe obedece (a maior parte das vezes). Como sistema organizado, como uma gigantesca organização de células, órgãos e tecidos, está como todos os sistemas físicos, sujeito à inexorável entropia.

Poderíamos comparar, como fez Ohsawa, o nosso organismo, a um grande império, com um poder central, o cérebro, e um grande corpo que se estende para fora. Se o poder central, se o Imperador, perde a capacidade de organizar e administrar o seu grande império, este converter-se-á num caos. A cabeça deve controlar o corpo e não o contrário. Se permitirmos que os nossos desejos e impulsos físicos controlem a nossa vida, rapidamente nos destruiremos. A entropia seria demasiado forte. A anarquia e a desordem desintegrariam o nosso "império" orgânico. Todos os sistemas físicos têm uma forte tendência para a desordem. Toda a manifestação física tende para o caos, inevitavelmente avança para a sua desintegração. São as duas grandes mãos do Criador. Yang organiza e constrói; yin desorganiza e desintegra tudo. O nosso sistema orgânico, o nosso corpo físico está sujeito à entropia, tal como qualquer manifestação física. A mudança é inevitável. A entropia é inevitável. Mas podemos abrandar ou apressar a desintegração do nosso império celular. A única forma de abrandar a entropia, o grande destruidor, o grande YIN, seria como uma formidável força opositora, um grande YANG, uma gigantesca coesão.

Alguns conseguiram-no artificialmente. Todos nós já ouvimos falar de certas pessoas que desejam que os seus corpos sejam congelados logo após a morte para "existirem" indefinidamente até que ciência descubra, num futuro longínquo, a forma de os fazer reviver. Estes corpos como o de Walt Disney, estão conservados, intactos, em azoto líquido, em contentores, a uma temperatura extremamente fria. A ciência descobriu uma forma de neutralizar a entropia: o frio. Mas tem de ser um frio extremamente forte, incompatível com a vida. Algo assim como 280 graus Celsius abaixo de zero. O frio contrai, produz um efeito yang, anti entropia. O frio é uma força yang formidável. Então teremos de descartar o frio como estratégia para neutralizar a entropia, porque o frio requerido é incompatível com a vida humana que pulsa a +36,5° Celsius. Utilizando a nossa filosofia de duas variáveis, yin e yang, podemos constatar que a saúde é ordem e a doença é desordem, caos, perigo, instabilidade, envelhecimento e entropia. Quando estamos doentes, a entropia é muito mais poderosa e por isso sentimos um certo medo, uma certa preocupação. A morte é a vitória da entropia. A vida é o fracasso da entropia.

Como a entropia é desordem, a forma de a neutralizar é com a maior ordem. É muito simples. Se os nossos hábitos forem ordenados, se a nossa alimentação, emoções e pensamentos forem basicamente estáveis e controlados, poderemos derrotar a entropia durante muito tempo. Muitas pessoas constataram um rejuvenescimento ao praticarem uma transformação na sua forma de alimentação. Trata-se simplesmente de ordenar as suas práticas alimentares habituais. O desejo de comer é extremamente poderoso. É um desejo físico. O mais poderoso dos desejos físicos, o mais difícil de dominar. Se cedemos aos seus caprichos, as forças da entropia tornam-se cada vez mais poderosas e envelhecemos rapidamente. Os alimentos muito yin, como açúcar, refrigerantes, gelados, leite e frutas tropicais, incrementam a desordem, ao incrementar a entropia. Estes alimentos engordam, acidificam, atraem germes nocivos, desestabilizam a circulação, a pressão arterial, o nível de açúcar no sangue e, pelo seu efeito diurético, roubam sais minerais, que dão solidez à nossa estrutura biológica. Mas, paradoxalmente, são os mais "deliciosos". As iguarias de tipo Yin são as armas mais eficazes da entropia. Mas esses manjares são desejados com uma força gigantesca quando se consomem proteínas de origem animal. O extremo yang conduz inevitavelmente ao extremo yin. Por isso, quem é "carnívoro", quem faz dos alimentos de origem animal uma componente diária e importante da sua prática nutricional, quer seja médico, advogado, gerente de uma grande empresa ou presidente de uma grande nação, será impelido com uma força invencível em direção ao grande yin, (leia-se álcool, sobremesas, massas doces, comida de "festa") e introduzirá no seu sangue, nas suas células, no seu cérebro, nos seus ossos e nos seus órgãos reprodutores as invencíveis forças da entropia. Terá então de fazer heroicos esforços para se manter "em forma" com programas de exercício muito exigentes e uma sistemática repressão de álcool, tabaco e alimentos muito calóricos. Provavelmente terá de gastar fortunas em cirurgias correctivas ou estéticas. Esse é o triste destino dos "carnívoros". A sua força aparente é um simples mito. A sua aparência forte e determinada é desmascarada ao chegarem aos 40 anos de idade. O ser humano é o ponto mais alto da cadeia da evolução biológica. É o animal mais yang. A sua avidez por yin, é tremenda. Se comer alimentos de origem animal (incluindo lacticínios) diariamente e em grandes quantidades, para além de ser a base do seu prato (ou o prato "forte") só vai conseguir exacerbar essa avidez, que será incontrolável. Então começará a engordar, a aumentar a sua tensão arterial, a acidez sanguínea (ácido úrico), o colesterol sanguíneo, os triglicéridos e a tendência para a diabetes. O mais yang (o forte e poderoso carnívoro) converte-se no mais yin: num jovem de 45 anos que tem de tomar 3 ou 4 medicamentos para se "controlar". É o axioma da filosofia oriental: o último será o primeiro e o primeiro será o último. No início, toda a gente goza com o “vegetariano”. Parece yin, um pouco débil, demasiado pacífico, um pouco místico talvez. É o problemático em todas as festas e reuniões de família. Parece estar atrasado em relação aos tempos. Os carnívoros parecem avançar rapidamente, tomam o mundo de assalto, são os vencedores. O vegetariano fica para trás, demasiado ocupado com os seus pensamentos elevados, enquanto os outros “rápidos” conquistam o mundo. No entanto, após 4 ou 5 décadas, enquanto os amigos da vaca recuperam de uma cirurgia ao coração, são alcançados pelo vegetariano que, lenta mas seguramente, os cumprimenta amigavelmente.

O universo está cheio de paradoxos. O mais yin será o mais yang. O mais yang será o mais yin. E nós decidimos o que vamos escolher. Para retardar o envelhecimento e manter-nos por muitos anos jovens, devemos aplicar “segredos” de tipo yang. Em primeiro lugar, evitar comer e beber em grandes quantidades. O excesso de consumo cria desordem, é yin. Para derrotar o ávido e voraz guloso que vive dentro de nós, a melhor maneira é adquirir o hábito da mastigação. As pessoas dizem: “Estou tentando mastigar mais”. Não é suficiente. A força yin da entropia é imensamente poderosa. É implacável. A mastigação a fundo é a ferramenta mais poderosa para a neutralizar. Porque é muito eficaz para limitar as quantidades que consumimos. Quantidade é yin; qualidade é yang. Mais qualidade, mais alcalina, mais mastigação, gera um sangue mais yang, mais vital e um aspeto jovem, que será tanto mais percetível quanto maior for o nosso compromisso com esta prática ancestral. Poder-se-ia escrever um livro de 500 páginas sobre os benefícios da mastigação e um apêndice com mais 100 páginas. Mas só a experiência poderá mostrar-nos os poderosos alcances desta disciplina física e moral. O homem que controla o seu alimento, controla o seu destino. O que não controla o mais elementar, o seu alimento, a sua bebida, a sua respiração, navega sem controlo, navega sem rumo, e introduz no seu sistema físico e biológico, as forças da entropia com toda a sua potência. A entropia, o caos, a desordem, começarão a ser as tendências dominantes.

Mastigar a fundo é uma grande força anti entropia. Fazer do exercício diário um ritual é outra forma de nos mantermos fortes e jovens. E evidentemente que uma alimentação basicamente vegetariana (90% vegetariana) tornará muito mais fácil escaparmos às tentações yin que aceleram a deterioração física e intelectual. No entanto, a verdadeira juventude nunca estará no corpo, mas na alma. A alma é imortal. Se não aceitarmos a imortalidade da alma, seremos dominados pela desesperança e pelo medo da morte. Se aceitarmos e acreditarmos na imortalidade da alma como o nosso verdadeiro "eu", compreenderemos que o corpo físico é simplesmente uma veste, uma morada temporária e uma experiência física transitória. A alma vestirá novas roupas, aqui e ali, na Terra e noutros mundos, e continuará adquirindo experiência no incessante processo evolutivo. Mas nem por isso devemos menosprezar a importância do corpo físico. Já que corpo e espírito são inseparáveis. O corpo é uma forma condensada do espírito. Quem pode determinar com exactidão onde termina o corpo e começa o espírito?

Por isso devemos sustentar a visão interior, a imagem mental da saúde, da paz, da felicidade e da beleza como a nossa imagem dominante. E focar a nossa atenção apenas nela. Se nos focarmos com força suficiente na nossa visão, as nossas práticas habituais orientar-se-ão espontaneamente e sem grande esforço numa direção construtiva. E assim poderemos manter-nos jovens e joviais por muito mais tempo do que os homens comuns pensam ser possível.

Dr. Martín Macedo ("Autocura", 2013)



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