Sunday, December 1, 2024

 


OSTEOPOROSE

Trata-se de uma desordem óssea caracterizada pela diminuição da densidade óssea. A estrutura do osso está normal, só que a quantidade de tecido diminui e se esta diminuição alcançar um ponto crítico, o osso torna-se tão inconsistente que se fractura facilmente e não desempenha adequadamente a sua função como sustentador mecânico do corpo. O osso é um órgão. E está sujeito a alterações. Em determinados focos do tecido ósseo coexistem dois processos: a reabsorção óssea levada a cabo pelos osteoclastos e a renovação óssea por parte dos osteoblastos. Estes processos de destruição do osso envelhecido e a substituição por osso novo, são levados a cabo em focos chamados unidades de remodelação óssea. Normalmente há um equilíbrio entre a destruição e a renovação, mas na osteoporose, a osteodestruição é acelerada ou a renovação é retardada ou há uma combinação de ambas as alterações. Portanto, existe um desequilíbrio em direcção à diminuição da quantidade de tecido ósseo. O osso torna-se menos denso e frágil e isso favorece as fracturas espontâneas ou os traumatismos mínimos. Investigações médicas sustentam que as mulheres perdem durante a sua vida cerca de 45% da sua massa óssea. Os homens aproximadamente 23%. A osteoporose é responsável por 1.000.000 de fracturas por ano nos EUA, sendo as mais frequentes as fracturas vertebrais, da anca e do pulso. Clinicamente manifesta-se por dor nas costas, cifose (curvatura da coluna vertebral para a frente - a “corcunda”) e por fracturas fáceis. Predomina nas mulheres brancas dos países nórdicos. A maior densidade óssea têm-na os homens de raça negra. Os homens brancos e as mulheres negras têm uma densidade óssea intermédia entre estes dois extremos. Com o andar do tempo a reabsorção óssea predomina sobre a neoformação sobretudo nas mulheres a seguir à menopausa. A diminuição da densidade óssea é normal à medida que envelhecemos, mas acentua-se na mulher quando declinam os estrogénios com a finalização da idade reprodutiva.

É normal a redução da densidade óssea com a idade, mas na osteoporose esta diminuição é muito acentuada e isso é patológico. Uma em cada três idosas e um em cada seis idosos sofrem fracturas da anca após os 65 anos e este tipo de acidente está associado a uma mortalidade de cerca de 15%. Se encararmos o problema em termos de yin-yang, poderemos constatar que o processo da vida vai de yang extremo ao nascer a yin extremo ao morrer. O processo de envelhecimento é um processo yin de expansão e diminuição da actividade. A vida é yang; a morte é yin. Se consumirmos muito yin em forma de açúcar, álcool, bebidas cola, farinhas refinadas, gelados e outros alimentos acidificantes e desmineralizantes, então iremos precipitadamente para o extremo yin, ou seja, encaminhar-nos-emos ansiosamente para a morte. Não podemos deter o passo do tempo, mas podemos retardar tremendamente o caminho entre os dois extremos, se aplicarmos o princípio de yin-yang. A dieta ocidental, rica em proteínas animais produz um sangue ácido pela degradação de proteínas em ácidos, como o ácido úrico e outros produzidos pela metabolização proteica. O abuso de carnes e alimentos animais ao gerar uma forte e extrema yanguização, cria desejos quase incontroláveis por líquidos e doces (extremo yin). Estes alimentos muito yin geram acidificação sanguínea, obrigando a extrair minerais como o cálcio das reservas corporais para neutralizar o excesso de ácido. A ingestão de quantidades excessivas de líquidos diuréticos (café, bebidas cola, mate, chá comercial, refrigerantes açucarados), promove a frequente e abundante micção e por aí se esvaem grandes quantidades de minerais como o cálcio. E então bebe-se leite para fornecer cálcio, mas a proteína do leite cria ácido que conduz a um roubo de cálcio dos ossos. No final todo o cálcio, o ingerido e o das reservas corporais, escapa-se pela urina. Isto é agravado com a recomendação de tomar abundantes líquidos por parte de alguns sectores da medicina oficial. Se bem que promover a micção abundante ajude a eliminar toxinas, também ajuda a que escapem valiosos nutrientes do corpo. Recentes investigações mostram que as mulheres chinesas têm uma densidade óssea muito maior do que as mulheres europeias. Incrivelmente as chinesas não bebem leite pois consideram isso uma prática absurda e infantil. As mulheres brancas europeias, tradicionalmente consumidoras de grandes quantidades de lácteos e proteínas animais têm os ossos mais frágeis apesar de ingerirem mais cálcio. A ingestão de cálcio das asiáticas, é proveniente de fontes vegetais como a soja, as algas marinhas e as sementes como o sésamo e os vegetais de folha. Consomem 1/3 do cálcio que uma europeia consome, mas a sua qualidade é completamente diferente. Quanto mais ácido mais osteoporose. Quanto maior for o consumo de carnes, ovos, frango, juntamente com açúcar e bebida doces, maior será a perda óssea. É muito simples: é um transtorno causado por ácido e o ácido é yin, neste caso provocado pela combinação de extremos yin e yang. Outro factor que agrava a perda óssea é a falta de exercício físico. As mulheres brancas diminuíram as tarefas manuais nos últimos três séculos devido à prosperidade nórdica. Enquanto as mulheres indígenas e africanas, devido à simplicidade da sua vida no campo, continuaram com o trabalho físico duro. E isso, juntamente com a alimentação tradicional e simples, protegem-nas da osteoporose. Mas, quando as mulheres de raça negra emigram para países ricos e adoptam o estilo de vida refinado, com comidas “ricas” e vida sedentária começam a debilitar gradualmente os seus fortes ossos.

A ciência clássica admite que o açúcar debilita a sólida estrutura dental, agora deveria também admitir que também o faz com todo o sistema ósseo. E, portanto, poderíamos dizer um pouco grosseiramente que a osteoporose é uma espécie de “cárie” dos ossos do esqueleto (mas não há infecção). Yin trata-se com yang. A forma de devolver solidez e densidade aos ossos é solidificando todo o organismo. E para isso a dieta semi vegetariana, alcalinizante e rica em minerais e vitaminas permite o gradual fortalecimento do sangue e de todos os tecidos, incluindo o tecido ósseo. No entanto, o processo de remineralização poderá ser lento e levar algum tempo mais ou menos extenso até corrigir este transtorno, sobretudo se já estiver em estado avançado.

Mas o importante é começar, e o mais depressa possível …

Martín Macedo (2013)

 

FALEMOS DE CÁLCIO VEGETAL

(Esmaca - https://pt.linkedin.com/school/esmaca--escola-macrobi-tica-de-catalunya/)

Talvez já te tenham dito que, para ter ossos fortes, precisas de beber leite. No entanto, não são produtos lácteos que o teu corpo precisa para manter uma boa densidade óssea; o que ele precisa é de CÁLCIO.

E se estás a pensar que esses alimentos são a única fonte de cálcio, nada pode estar mais longe da verdade. De facto, existem alimentos de origem vegetal que têm um teor de cálcio muito mais elevado do que os de origem animal e, além disso, possuem nutrientes que favorecem a absorção e a fixação do cálcio.

Para uma correta assimilação do cálcio, é necessária a presença de outro mineral, o magnésio. Este mineral regula a absorção e a assimilação do cálcio. É por isso que os alimentos ricos em cálcio que também contêm magnésio têm uma melhor absorção.

Por exemplo, um prato de brócolos fornece a mesma quantidade de cálcio que um copo de leite, mas como também contém magnésio e vitamina K, a sua absorção é muito maior, praticamente o dobro. Enquanto o cálcio fornecido pelo leite é assimilado em 32%, o dos brócolos é assimilado em 61%. Outros vegetais crucíferos, como a couve, a Kale, o repolho e a couve-flor, têm também percentagens de absorção superiores às dos produtos lácteos.

Onde encontrar magnésio?

- Experimenta as algas marinhas, que são ricas em minerais e uma das melhores fontes de cálcio e magnésio: wakame, kombu, arame, nori...

- Que não falte o verde nos teus pratos - os alimentos ricos em clorofila são ricos em magnésio. Inclui diariamente: couve verde, couve galega, couve-Kale, couve-de-bruxelas, brócolos, o verde do alho francês (que geralmente se deita para o lixo ...) ...

- Os cereais integrais, especialmente o trigo sarraceno e o amaranto, também contêm quantidades interessantes deste mineral.

- Não te esqueças das leguminosas: azuki, outros feijões, lentilhas, incluindo a soja e os seus derivados.

- As sementes são igualmente ricas em magnésio, as de sésamo, por exemplo, fornecem não só magnésio, mas também até 9 vezes mais cálcio do que o leite.

Por outro lado, a vitamina K2 é também chave para a formação óssea, uma vez que promove a integração do cálcio nos ossos. Além do mais, previne as calcificações vasculares e dos tecidos moles.

Fontes de vitamina K

- O Natto miso é o alimento com maior teor de vitamina K2. Este alimento é obtido a partir do processo de fermentação da soja amarela com esporos de Bacillus subtilis natto. Pode ser encontrado em ervanárias especializadas.

- O chucrute é também fonte de vitamina K2, embora em menor quantidade. Os legumes de folha verde, como a couve Kale e a couve-galega, são muito ricos em vitamina K1, que será transformada em K2 através da ação das bactérias digestivas dos nossos intestinos.

A vitamina D também é necessária para uma correcta absorção do cálcio. 

- A melhor fonte é a exposição adequada ao Sol.

- Se quiseres beneficiar desta vitamina na tua dieta, uma das melhores opções veganas são os cogumelos shiitake secos.

E como fonte de cálcio de origem vegetal, qual escolher?

Felizmente, a lista de alimentos com grandes quantidades de cálcio no mundo vegetal é imensa. E lembra-te que a maioria destas fontes são também ricas em magnésio e vitamina K.

Para que tenhas uma ideia da sua riqueza, toma como referência que 100 g de leite têm cerca de 120 mg de cálcio e dá uma vista de olhos à seguinte lista:

As algas marinhas são os alimentos com maior aporte de cálcio. A alga Hiziki tem 1400 mg, a Wakame 1300 mg, a Kombu 800 mg e a Arame 830 mg. Como podes ver estes valores são muito superiores aos dos produtos lácteos. Pequenas quantidades diárias de algas marinhas irão beneficiar a tua saúde óssea. Lembra-te de utilizar o tamanho de um selo de Kombu nas tuas leguminosas e a mesma quantidade de wakame para preparar as suas sopas miso ou purés de vegetais.

As sementes de sésamo deveriam estar presentes nas nossas refeições diárias. O seu teor de cálcio é de quase 1.000 mg. Polvilha 1 a 2 colheres de sopa de sementes torradas e trituradas no teu pequeno-almoço ou nas tuas refeições diárias.

As amêndoas são igualmente ricas neste mineral. Cerca de 270 mg. Uma mão cheia por dia, previamente demolhada em água e/ou torrada, enriquecerá os teus pequenos-almoços e lanches.

O amaranto e a quinoa (1) são dois cereais com uma quantidade interessante de cálcio. A do amaranto é o dobro da do leite e a da quinoa também é superior. Podes juntar 1 ou 2 colheres de sopa de amaranto à cozedura de qualquer outro cereal. Combina os teus pratos de quinoa com frutos secos como pistáchios, avelãs e nozes para obter mais cálcio. Estes frutos secos têm entre 140 e 200 mg.

Alguma vez pensaste que o feijão preto era uma fonte de cálcio? Contem cerca de 135 mg e o cozinhares com Kombu aumentará não só a quantidade de cálcio, mas também a sua taxa de absorção. O feijão branco tem valores semelhantes.

As folhas verdes e crucíferas, embora com menores quantidades de cálcio, são vegetais muito interessantes pelo seu aporte em magnésio e vitamina K.

Outros alimentos com valores próximos dos 100 mg são algumas proteínas vegetais como o tofu, o tempeh, as lentilhas ou o feijão azuki. A proteína é essencial para a formação da estrutura óssea. Quantidades adequadas deste nutriente assegurarão que temos aminoácidos suficientes para formar as proteínas dos ossos.

As bebidas vegetais enriquecidas com algas lithothamnium calcareum proporcionam 120mg de cálcio por 100g, enquanto algumas marcas de leite gordo de apenas contêm 115mg.  A alga Lithothamnium Calcareum (pesquisar na net) é facilmente assimilada pelo organismo e, quando seca, contém cerca de 30% de cálcio. Além disso, o seu baixo teor em iodo torna-a uma escolha perfeita para enriquecer este tipo de bebidas.

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(1) VER:

https://macrobioticapassadopresentefuturo.blogspot.com/2023_01_07_archive.html

Friday, November 29, 2024

 


SOMOS O QUE COMEMOS …

SOBRE A PAZ E A GUERRA

Drª Elena Corrales

A expressão "somos o que comemos" tem muitos significados. Hoje falamos da influência da alimentação no comportamento.

·      Em diferentes línguas distantes podemos ver os significados de algumas palavras como: guerra e paz.

·      Na China, o termo para paz, Wa, combina os ideogramas "cereal em grão" e "boca".

·      Na Índia, o termo védico para guerra significa "guerra das vacas".

·     Os orientais antigos sabiam intuitivamente que uma alimentação composta por cereais integrais favorecia uma sociedade pacífica e saudável, enquanto que o consumo excessivo de alimentos animais produzia desordens pessoais e sociais.

·  No ocidente, a epopeia "Paraíso Perdido" de John Milton atribuiu um passado feliz e pacífico a um modo de vida sustentado pelos cereais e vegetais.

· Em "A República" de Platão, Sócrates afirmava que uma dieta de qualidade vegetal era a essência da paz.

· É surpreendente que os estudos antropológicos, sociológicos e históricos modernos estejam a confirmar a sabedoria do passado.

Num simpósio sobre antropologia e violência social, a antropóloga Margaret Mead propôs mudanças radicais na dieta para prevenir as guerras actuais. Isso implicaria não utilizar animais como fonte de alimento, de modo a que, respeitando a vida animal, por extrapolação, a vida humana fosse respeitada.

O Professor Quincy Wright, após estudar 600 culturas primitivas, concluiu que a luta armada é mais prevalecente nas sociedades onde os alimentos de origem animal são dominantes na dieta do que em sociedades mais vegetarianas.

Classificou as sociedades modernas de acordo com o número de guerras em que estiveram envolvidas nos últimos cinco séculos, comprovando como os países ocidentais, com a Inglaterra à cabeça, cuja dieta é predominantemente carnívora, estiveram envolvidos em mais guerras do que os países orientais de tradição mais vegetarianos, como a China e o Japão.

·      A lista de estudos é interminável, no Líbano, Alemanha, Rússia, etc.

·   Se estudarmos zoologia podemos observar que os animais carnívoros têm um comportamento agressivo, em comparação com os herbívoros em que predomina um comportamento defensivo.

· Como os seres humanos são omnívoros, ou seja, podemos consumir alimentos tanto de qualidade animal como vegetal, devemos avaliar se a alimentação animal deverá ser a base ou o complemento da dieta.

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Thursday, November 28, 2024

 


SEGURELHA

·      “Julga-se que o nome latino “satureja” se deve a Plínio e provém de “sátiro” animal mitológico, metade homem, metade bode, que pastava em prados de segurelha e tinha um apetite sexual insaciável. Portanto, é antiquíssima a sua reputação como afrodisíaco. Conta-se até que, na Idade Média, os hortos dos mosteiros e conventos não podiam ter segurelhas, a fim de se controlar a excitação de frades e freiras” – Miguel Boieiro.

·      Está apresentada, da melhor maneira, a segurelha – e espero que não se esgotem as sementes nos próximos dias …  – da família das lamiáceas que engloba muitas espécies de que, as mais conhecidas são a “Satureja montana” e a “Satureja hortensis” – a segunda sendo anual e mais suave, enquanto que a primeira é persistente e de sabor áspero. Ambas têm propriedades medicinais e gastronómicas basicamente idênticas.

·      As pessoas das aldeias da Beira Alta, da minha geração, lembram-se com certeza das belas sopas de legumes em que o feijão verde ou o “feijão engrolado” – ou “feijão enjoado”, como se diz cá para os lados de Leiria – e um raminho de segurelha eram obrigatórios.  

·      É uma erva aromática originária das regiões mediterrânicas, cuja essência lembra a hortelã e o tomilho mas mais apimentada. Contém um óleo essencial, rico em carvacol e cimol, taninos, fenóis, enzimas e vitaminas.

·      Medicinalmente é antiespasmódica, antisséptica, carminativa, estimulante, expectorante, depurativa, vermífuga, balsâmica e afrodisíaca.

Indicações

·      A infusão é boa para a flatulência estomacal e intestinal e para combater as bronquites, a fadiga crónica, a astenia e as cólicas, entre outros males.

·      A sua essência tem poderes bactericidas e antiparasitários.

·      Esfregada fresca nos locais do corpo picados por insectos, alivia a dor e o desconforto.

·      O seu sabor aromático levemente picante – que se mantém mesmo em cozeduras longas – faz dela um condimento precioso e especial em diversas comidas. O seu uso regular na cozinha leva à redução de sal e à diminuição da aerofagia resultantes do consumo de féculas e leguminosas – nos EUA é conhecida como a “erva do feijão”.

·      Utiliza-se finamente picada nos preparos: primeiro lavar os galhos em água corrente para remover as impurezas; depois deixar em solução antisséptica diluída em água por alguns minutos, seque e pique bem as folhas. Pode-se adicionar a segurelha no início ou no final das receitas, dependendo da intensidade do aroma desejado: quanto mais tempo cozinhando, mais suave o sabor.

Receitas

Infusão:

·      20 g de segurelha para 1 litro de água

·      Tomar 4 chávenas por dia

Aromatizar vinagre com segurelha:

·      Colocar dois ramos da erva num frasco; numa panela, ferver a quantidade de vinagre necessária para encher o frasco; colocar o vinagre fervido no frasco, tapar bem e guardar longe da luz. Espere duas semanas antes de usar.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

·      “As Plantas Nossas Irmãs” – Miguel Boieiro, 2018.

·      “Como plantar segurelha”

OUTRAS REFERÊNCIAS INTERESSANTES

·      https://viveirosabordefazenda.wordpress.com/2015/02/19/3068/

·      https://hortajardimnavaranda.wordpress.com/2014/06/18/ficha-de-planta-segurelha/



 


POEJO

·      O poejo é a Menta polegium, erva aromática muito conhecida na gastromia alentejana e nas terras da raia do distrito da Guarda.

·      Utiliza-se como planta medicinal, condimento alimentar e no fabrico de deliciosos licores que, diluídos em água, dão origem a bebidas refrescantes muito agradáveis.

·      É facilmente detetável pelo seu cheiro penetrante e agradável.

·      O poejo tem sido utilizado desde tempos primitivos como planta curativa de grande prestígio. Os romanos utilizavam-no como afrodisíaco e remédio contra o alcoolismo.

·      Actualmente continuam a ser muitos os povos atraídos por esta plantinha humilde mas bem cheirosa e em cada país se privilegia uma dada utilização: na Argélia, para acalmar as náuseas e impedir os vómitos; em Marrocos, para combater as infecções dos órgãos genitais femininos; na Rússia, para baixa a febre; em Espanha, como vermífugo; na Alemanha, contra a anemia; …

·      Podemos, pois, afirmar que o poejo possui propriedades: analgésicas, antiespasmódicas, carminativas, digestivas e tónicas. Tanto cura tosses rebeldes como favorece as digestões, como proporciona um bom elixir dentífrico e afasta o mau hálito, como debela a rouquidão ou um ataque de anginas, como alivia as crises dolorosas da espinha dorsal, como serve de tónico cardíaco.

·      “Tal como não há molhos sem sal, não existe um bom chá sem mentas” (Dr. Kunzle).

RECEITA DE CHÁ DE POEJO

·      Deitar 1 litro de água fervente sobre 15g de planta seca, ou 30g, em verde.

·      Deixar em infusão durante 15 minutos e coar.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

·      “As Plantas nossas irmãs” – Miguel Boieiro



Wednesday, November 27, 2024

 

O AÇÚCAR É PIOR QUE O ÁLCOOL PORQUE É UMA AGRAVAÇÃO CRÓNICA

O inimigo fatal do coração é a bebida e a comida alcoólica chamada açúcar

O açúcar enfraquece, debilita, dilata os vasos capilares cerebrais. O açúcar é álcool solidificado.

A maioria das pessoas está envolvida, viciada em açúcar.

Para tudo, se usa açúcar, atualmente. Isto já é um processo catastrófico para o coração. O coração, realmente é o foco, herança, da potência estratégica.

Temos de cuidar do nosso coração mais do que da nossa cara. Muitas pessoas só se preocupam com a cara esquecendo-se do coração. Esta é uma atenção invertida. O inimigo fatal do coração é a bebida e a comida alcoólica chamada açúcar. Quando se toma uma cerveja, whisky ou uma bebida mais forte, sente-se um efeito imediato no coração.

Minha mãe fazia saquê em casa, dentro de uma tina de madeira. Ela não gostava, mas por causa do marido que gostava ela fazia-o. Só de misturar o saquê, para o preparar, ela ficava embriagada, sem o tomar. Só mexendo, mexendo para o preparar, bastava para o álcool entrar no seu sangue e ela ficava com a cara avermelhada. Nós dizíamos-lhe: "Puxa, a senhora já está embriagada só de cheirar".

Realmente, o saquê atinge diretamente o sistema circulatório, dilata os vasos capilares e a pessoa fica avermelhada. Tudo fica dilatado, inclusive as células cerebrais. O volume da massa encefálica aumenta e aperta a parede craniana prejudicando a sensibilidade. Isto é embriaguez alcoólica.

Já o efeito do açúcar é lento. Quando comemos a pinga cristalizada, chamada açúcar, ela transforma-se lentamente em álcool e o álcool divide-se em água e gás carbônico. A água desce e o gás sobe acumulando-se dentro do espaço craniano, dilatando os vasos capilares, pressionando o espaço craniano limitado, provocando perda de sensibilidade, como a bebida alcoólica.

Isto, também, é embriaguez. O açúcar liquidificado mostra efeito imediato, os batimentos cardíacos aumentam muito.

Lentamente, o açúcar provoca o mesmo efeito. Mas o açúcar é pior porque é uma influência crônica. Com o álcool, a pessoa encontra perigos facilmente porque a sensibilidade não funciona mais. Tanto é perigosa a bebida açucarada como a comida alcoólica. Mas o açúcar é pior. Por causa do açúcar, com certeza, sempre acontece acidentes graves, também.

As pessoas não se preocupam com o efeito negativo do açúcar que pode até provocar acidentes graves. A influência do açúcar, no sistema, é muito séria. Todo mundo está envolvido com o super consumismo, com as coisas açucaradas, o que prejudica a memória da pessoa. A pessoa sem memória fica impaciente e não percebe nada, não previne nada. A pessoa sem memória quer tudo rápido: "Eu quero, eu quero". Isto é infantilidade. A criança não tem muita memória, é por isto que dizemos que a maioria é infantil porque se alimenta de açúcar, consomem lácteos, e só comem coisas cremosas que não têm fibras. As bebidas, também são todas açucaradas.

As pessoas tomam sucos, sorvetes. Tudo isto causa infantilidade e as pessoas não percebem nada, perdem a memória, a paciência, fugindo da realidade, buscando
o paraíso, caindo, realmente, em uma tendência mais fugitiva.

Tudo isto leva à masturbação gastronômica, na qual as pessoas só querem sentir uma satisfação gastronômica momentânea, com a excitação da mucosa bucal. Isto é masturbação gastronômica. Existe, também, a prostituição gastronômica. E isto é uma coisa louca. A maioria é assim mesmo: é inacreditavelmente infantil.

Tomio Kikuchi



Saturday, November 23, 2024

 


O CENTEIO

INTRODUÇÃO

·      O centeio, que outrora desempenhou um papel muito importante no regime alimentar dos povos do Norte da Europa, tem propriedades semelhantes ao trigo e é particularmente bom para o tempo frio. Utiliza-se, em geral, sob a forma de pão, uma vez que em grão é muito difícil de cozinhar devido à sua dureza. Actua sobre o fígado e a vesícula biliar, ajudando a formação das unhas, cabelo e ossos, é depurativo, excelente para limpar as artérias, útil nas dietas de emagrecimento, bom para a actividade cerebral e para a actividade física, para a anemia e para a tensão arterial alta.

·  É outro cereal muito antigo e um dos mais duros, de origem nórdica. Muito proteico e nutritivo, tem efeito contractivo (yang). Para desfrutarmos de todas as suas propriedades, devemos consumir o pão produzido com “fermento-mãe” e não com fermento natural ou similares.

·   Foi – e de certa forma ainda é - um dos cereais de base para fazer o pão nas terras pobres de Portugal, nomeadamente na Beira Alta, até meados do sec. XX. O trigo era pouco semeado, e a sua farinha era quase exclusivamente utilizada para fazer pão para festas e ocasiões especiais (casamentos, baptizados, …). As terras mais ricas eram reservadas para outros produtos agrícolas – batatas, milho, feijão, etc. No dia de Todos os Santos, era tradição os padrinhos oferecerem pão de trigo aos afilhados. Contudo, também se misturava um pouco de farinha de trigo para fazer o pão de centeio.

·      É um cereal da família do trigo, ainda que mais amargo e seco.

·      Ao conter glúten, é muito adequado para a panificação.

·  Tal como o trigo raramente é consumido sob a forma integral. A sua farinha emprega-se principalmente para fazer pão, galetes ou outros produtos no forno. Também se come em flocos, que cozem em 30 minutos.

PROPRIEDADES

·   É muito depurativo, contribui para recompor o sistema digestivo - bom para os intestinos, cura a prisão de ventre. É excelente para o sistema circulatório: limpa e renova as artérias, melhora a circulação sanguínea em geral e o tónus venoso. Por isso é indicado para pessoas com arteriosclerose. Também se utiliza em dietas de emagrecimento.

·  É benéfico em caso de tensão arterial alta, tendo-se verificado que, entre as populações que consomem regularmente pão de centeio, há menos casos de acidentes cardio-vasculares. A sua acção anti esclerótica, torna mais elásticos os vasos sanguíneos e limpa as artérias.

·    Contém muitas proteínas e fósforo, sendo útil para nutrir a actividade cerebral e também para prevenir doenças coronárias.

· Tal como a aveia, o centeio contém um tipo especial de lignano, substância com actividade fito estrogénica, tornando-o útil para aliviar os sintomas da menopausa, como os afrontamentos, e actuando no organismo como receptor de estrógenos, limitando a função estrogénica e ajudando a prevenir tumores como o cancro da mama.

·      Reenergiza pessoas anémicas. Diminui a humidade (acumulações, gordura, …), liberta a estagnação do fígado e ajuda na formação dos músculos, unhas, cabelo e ossos.

·  Pelo seu grande conteúdo em fibra é muito indicado para reduzir a prisão de ventre, curar a obesidade e para reduzir o colesterol. Regula o apetite e controla a glicémia.

·    É muito rico em manganésio e contém boas quantidades de cobre, fósforo, ácido pantoténico e magnésio.

· Também ajuda à formação dos músculos – órgãos relacionados com o sistema do fígado (segundo a Medicina Oriental). Em forma de “pão ázimo” (pão azedo, não fermentado) será ainda mais indicado para estes dois órgãos, já que o sabor amargo se junta ao sabor ácido.

·  Rico em mucilagem, substância anti-inflamatória e suavizante, a água que resulta do seu cozimento é indicada para proteger as mucosas que revestem os órgãos, sendo útil em caso de gastrite, faringite e tosse.

·   Tende a criar uma condição seca e quente, tem qualidades que nutrem a capacidade do corpo para lidar com o clima húmido e frio e melhorar a circulação da energia vital no corpo, fortalecer o sistema circulatório e é particularmente indicado para aumentar as capacidades de resistência/ endurance.

· Uma das características do centeio é o seu sabor tendencialmente amargo, sentido especialmente quando é consumido em pão.

·      O sabor amargo do centeio torna-o útil para descongestionar o fígado e a vesicula biliar – sendo um cereal interessante durante a Primavera para alternar com o trigo espelta e a cevada.

·  Este sabor é de extrema importância para o equilíbrio emocional, pela capacidade de retirar calor. O sabor amargo relacionado com o Verão, quando introduzido no Inverno, suaviza emoções e tensões características desta época do ano – mergulhar nas profundezas do Inverno, significa mais compressão física, mas também mais emocional e o calor daí proveniente pode ser aliviado com alimentos como o centeio. Talvez seja mais fácil compreender porque são as bebidas feitas de produtos tostados – como a de cevada ou café, o pão bem cozido, as torradas, os frutos secos ou sementes tostadas, as castanhas ligeiramente queimadas, os alimentos que vão ao forno e que criam uma camada gratinada – mais apetecidas e apreciadas com mais frequência neste período.

NA ALIMENTAÇÃO HUMANA

·  Normalmente está disponível em grão inteiro ou partido e também em forma de farinha ou flocos.

· Dada a dificuldade envolvida em separar o gérmen e o farelo do endosperma, ao contrário da farinha refinada de trigo, a farinha do centeio conserva grandes quantidades de nutrientes. É uma excelente fonte de manganésio e tem grande conteúdo de proteínas.

· Germinado ou em flocos demolhados, muito bem mastigados, ajuda a regenerar o esmalte dos dentes, pois são ricos em flúor.

·   A sua farinha contém pentosanos, que lhe dão a capacidade de reter a água, fazendo-o menos digestível que outros cereais.

·    O pão de centeio bem cozinhado é delicioso. Contudo, o pão de centeio puro é difícil de levedar – é preferível misturar 30 a 50% de farinha de trigo.

· Para a Macrobiótica, é indicado para: promover a energia e a vitalidade, fortalecer os músculos, beneficiar a função respiratória e a excretória e é um excelente ingrediente para pão caseiro e para o pequeno-almoço, sendo as suas propriedades similares às do trigo, mas contendo menos glúten – deve ser evitado por doentes com problemas digestivos sérios ou outras doenças graves.

·   Também pode ser consumido quando se pretende fortalecer o cabelo e as unhas.

·   Uma vez que a sua consistência é muito dura, o centeio exige ser bem mastigado e insalivado.

·   Como é um cereal dificilmente cozinhado em grão, aconselha-se consumi-lo em forma de pão, só ou bem misturando a sua farinha em partes iguais com trigo espelta ou trigo kamut.

·      Os macrobióticos fazem deliciosos pratos de centeio integral com arroz integral ou com legumes de raiz. O centeio em grão pode ser tostado a seco antes de ser cozinhado, tornando-se mais digestivo. Demolhá-lo durante várias horas ou toda a noite, torna-o igualmente mais tenro. É utilizado como cereal principal ou cozinhado em conjunto com o arroz integral, na proporção de 1 para o centeio e 2 para o arroz.

·      O centeio também entra na composição do whisky.

·   Kvass – bebida ligeiramente alcoólica (1 a 2%) fermentada à base de pão de centeio – é uma bebida nacional na Rússia.

· Tourgnéviev, escritor russo, conta numa das suas novelas, que os camponeses russos ofereciam quase invariavelmente aos seus convidados de passagem, pão de centeio, queijo, kvass e pickles de pepinos lacto fermentados.

AUTORES CONSULTADOS

·      Aveline Kushi

·      Clara Castellotti

·      Claude Aubert

·      Francisco Varatojo

·      Jorge Pérez-Calvo Soler

·      Lourenço Azevedo

·      Rui Rato

·      Simon G. Brown



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