Thursday, December 26, 2024

 


  • PRIMUN NON NOCERE
  • ACIMA DE TUDO NÃO PREJUDICAR

Martín Macedo, Uruguay, 2013

A violência deve ser o último recurso. Quando surge um conflito entre duas pessoas ou entre dois países primeiro tenta-se resolver o mesmo através do diálogo. Depois de terem sido esgotados todos os recursos pacíficos, se o conflito não consegue ser resolvido, serão tomadas eventualmente medidas drásticas. A violência não é desejável e, por isso, é lógico deixá-la para o fim, quando já não se pode fazer outra coisa.

Primun non nocere, significa, antes de mais nada, não causar danos. Constitui a essência do Juramento Hipocrático. O médico recém-formado está determinado a proteger a vida e a saúde do paciente. Deve evitar prejudicar o doente antes de mais nada: primun non nocere. As numerosas avaliações por negligência médica mostram situações danosas por parte do médico ou dos médicos responsáveis. Nesses casos, há uma clara violação do Juramento Hipocrático. Os tratamentos habituais da ciência médica têm, em menor ou maior medida, um certo grau de violência. A cirurgia é um claro exemplo de tratamento agressivo, em que o procedimento é cortar tecidos e abrir vísceras. Todos nós sabemos que qualquer cirurgia, sobretudo as cirurgias maiores acarretam um certo risco e podem surgir complicações. A anestesia geral tem riscos e muitos procedimentos de diagnóstico são também arriscados, como as radiografias. E os fármacos quase sempre têm efeitos secundários. Vemos claramente que os tratamentos das  ciências médicas são agressivos e, por vezes, violentos. Obviamente que estes tratamentos são feitos com a sã intenção de aliviar ou curar, mas nem por isso deixam de ter certa dose de violência. Já que os tratamentos ortodoxos são muitas vezes violentos, é frequente que haja danos para a saúde do paciente e daí a possibilidade bastante alta de má prática. A doença é vista como um inimigo que há que destruir. E destruir requer violência. É óbvio. Não podemos vencer a doença com medidas suaves porque a doença é um inimigo mortal. Tal é a lógica habitual na medicina oficial.

Contudo, continuo a defender que a violência deve ser o último recurso. Deveríamos primeiro tratar a doença com medidas naturais e só no caso de não poderem ser ultrapassadas deveríamos recorrer a tratamentos drásticos. O facto de serem naturais, não significa que não sejam eficazes. Todas as situações de doença implicam um conflito. Este conflito deve ser resolvido pacificamente, através do diálogo, da auto-reflexão e da autocrítica à procura da falha no comportamento quotidiano. Se dois países tiverem um conflito, seria absurdo considerar que o diálogo é inútil porque é "suave" e proceder imediatamente à mobilização de tropas para iniciar uma guerra: "não acreditamos nas medidas brandas, por isso vamos começar uma guerra total o mais depressa possível". Assim procede muitas vezes a ciência médica atacando os sintomas com todas as suas forças por meio de drogas poderosas ou cirurgias. Como em todas as guerras não há tempo a perder, deve-se obter um diagnóstico o mais rapidamente possível a qualquer preço, ainda que alguns procedimentos diagnósticos sejam dolorosas e potencialmente prejudiciais. Uma vez identificado o inimigo (doença) segue o ataque frontal com uma chuva de mísseis para tentar aniquilá-lo o mais rapidamente possível. E a medicina está dotada de um "arsenal terapêutico" muito sofisticado. Arsenal é armamento, a palavra arsenal é usada pelo exército para se referir ao poderio das suas armas. Como em todas as guerras, há um vencedor e um vencido. O médico ataca com as suas armas e o doente recebe o ataque (melhor dito, a doença que está no corpo do paciente). No corpo do paciente coexistem tecidos sãos e tecidos doentes, mas todo o corpo recebe o impacto. Por isso quem perde é o paciente. O guerreiro não está treinado para o diálogo. Está preparado para entrar em combate porque é esse o seu trabalho. Todas as doenças começam no sangue. As toxinas e impurezas são levadas pelo sangue a todo o organismo e quando se acumulam para além de um determinado ponto crítico, começam a aparecer os sintomas. Estas toxinas provêm das ingestões do paciente. Se ele mudar a sua forma habitual de alimentação, o sangue limpar-se-á e, por sua vez, drenará as impurezas e venenos acumulados no tecido ou órgão que está a causar os sintomas. Este seria um procedimento "suave". Resolver o conflito com uma correcção dietética. Apenas em situações de alto risco pela magnitude dos sintomas se deve proceder a medidas drásticas a fim de salvar a vida, mesmo sabendo que a vitalidade geral será enfraquecida. Neste caso, é evidente que a prioridade é salvar uma vida. Quando adoptámos a macrobiótica, começámos imediatamente a produzir um sangue forte e vigoroso. Se se tiver a vontade de continuar por vários dias ou semanas a doença cede sem maior violência. Toda a violência aqui se limita a suprimir hábitos nocivos como fumar, comer em excesso, engolir os alimentos sem os mastigar bem e ingerir alimentos com muito sal, gordura, óleo ou condimentos. Uma violência é menor e a outra violência é maior. Mas algumas pessoas preferem a violência maior, desde que não renunciem aos seus vícios prediletos. O paciente é sempre o responsável, porque é o paciente que escolhe. Ninguém o obriga a adoptar um tratamento drástico ou um tratamento suave. Uma senhora conhecida da minha família, uma grande gourmet, afirmou: "Prefiro morrer a renunciar ao açúcar e ao sal".


Sunday, December 22, 2024

 


CATEQUIZAR PELO EXEMPLO

Falar é fácil. Qualquer pessoa pode falar durante horas sobre os benefícios em seguir uma via espiritual, uma disciplina moral ou sobre práticas saudáveis. No entanto, sustentar com factos este discurso é muito difícil. Podemos ter as melhores intenções, fortes desejos de fazer ver aos outros o bem que é fazer o que fazemos, mas isso não é suficiente. O que dá força ao nosso discurso é o que nós fazemos e não tanto o que dizemos. Quase todas as pessoas que começam a experimentar os benefícios de uma mudança de hábitos alimentares, e a compreender como o que comem afecta as suas vidas desejam introduzir as suas famílias e amigos no caminho da macrobiótica. No entanto, estes ainda não estão interessados em realizar nenhum tipo de mudança, o que, por vezes, gera dificuldades nas relações. Quem compreende chega a esta compreensão logo após ter experimentado dificuldades inesperadas ou após uma súbita inspiração. Mas reparei que muitas pessoas em vez de se concentrarem na sua própria experiência e concentrarem os seus esforços no seu progresso pessoal, dedicam-se em tentar convencer os seus familiares e outras pessoas que lhes são próximas. E geralmente isso não funciona. Em vez disso, "o convertido" torna-se um incómodo para todos. Este impulso de querer ajudar, assim que tomamos consciência de novas verdades é muito natural e também me aconteceu a mim. Devemos compreender que, para amadurecer, é preciso passar por certas experiências, por vezes muito difíceis e dolorosas. E nem todos amadurecem ao mesmo tempo. Mas queremos evitar o sofrimento a quem amamos, e daí a insistência. É muito desejável querer ajudar e é uma das consequências de se estar verdadeiramente curado. Mas a melhor ajuda não é tentar convencer, mas calar-se e praticar melhor. Temos de compreender que tudo tem o seu processo. O primeiro passo é conseguir recuperar a nossa saúde e felicidade. Isso não é egoísmo, mas a ordem natural das coisas. Mas queremos fazer tudo ao mesmo tempo e, assim, não chegamos a lado nenhum. O primeiro passo é conseguir a nossa recuperação, vivendo de acordo com o nosso potencial máximo. Uma vez alcançado este objectivo, outras pessoas virão até nós e pedir-nos-ão conselhos. Isto é algo que acontece espontaneamente. Yang atrai yin. Se estivermos verdadeiramente bem, yin será atraído sem qualquer esforço. Se necessitarmos de insistir é porque a nossa referência pessoal é insuficientemente poderosa. Deveremos trabalhar mais e melhor até estarmos verdadeiramente bem.

Recuperar-nos é um grande trabalho que requer muita concentração e um certo tempo. Devemos utilizar todos os nossos recursos interiores e físicos para conseguir este objectivo. Alcançar a verdadeira saúde é um grande trabalho e para isso devemos concentrar todas as nossas energias. Se começarmos a pregar antes do tempo, gastamos tempo e energia num esforço pouco  proveitoso, pois distrair-nos-emos do nosso próprio processo de recuperação e vamo-nos tornar um fastio para os nossos conhecidos. Então sejamos sábios e concentremos todos os nossos recursos na consecução do objectivo de primeira e mais fundamental realização: a nossa própria recuperação. Se fecharmos a boca, teremos mais força para actuar. Vamos então mantê-la fechada. Se quisermos atingir um grande objectivo necessitamos de concentração. Para nos mantermos concentrados, precisamos de um certo isolamento, uma certa tranquilidade e um certo tempo. Concentração significa atenção total ao presente. É no presente e apenas aí que se manifesta o nosso poder pessoal. Mesmo doentes ou severamente limitados fisicamente, a nossa mente, a nossa energia vital continua a ser poderosa. Mas este poder apenas vive no presente. E é aí que o devemos procurar. Para contactar com o presente, devemos meditar. Não é necessário adoptar uma postura especial. Podemos meditar enquanto viajamos no autocarro ou enquanto tomamos um duche. Meditar é tomar contacto com o nosso ser interior, de imenso poder, no momento presente. Fora do agora este poder dispersa-se. O presente é o momento mais yang da eternidade. Todo o nosso passado e todo o nosso futuro se comprimem milagrosamente até à extremidade: o instante presente. Este instante tem uma força absoluta. E precisamos de toda a força do presente para avançar até à verdadeira saúde. O nosso deus interior possuidor de um poder imensurável só aparece em cada presente. E cada presente deve ser aproveitado com sabedoria para atingirmos o nosso objectivo. A primeira coisa a fazer é fixar o objectivo. Desejo alcançar a verdadeira saúde, a verdadeira vitalidade, ser incansável, feliz e ser possuidor de grandes impulsos. Desconhecer o medo. Ter uma fé inabalável e um desejo irresistível de servir a humanidade.

Isso é saúde. Portanto, a primeira coisa a fazer é definir o que eu quero. Devo-o ter claro e, se ajudar, posso escrevê-lo num pequeno pedaço de papel e lê-lo frequentemente. O segundo passo é começar a trabalhar com toda a nossa intensidade para atingir o objectivo que temos em mente, 24 horas por dia. Iremos encontrar todo o tipo de dificuldades, distracções, tentações e lutas interiores. Sempre que tentamos algo aparece uma força contrária tentando impedir o nosso propósito. É o princípio da acção-reacção. Quanto maior for a força do nosso propósito, maior será a intensidade da força de reacção, tentando impedir o avanço. Por isso devemos recorrer à maior das forças espirituais com que podemos contar: A FORÇA DO PRESENTE. Este deus interior que vive em cada presente conscientemente aproveitado possui uma vontade de ferro invencível. Utilizando todos os recursos do nosso poder interior, toda a vontade, toda a perseverança, toda a coragem e toda a determinação, alcançaremos o objectivo da saúde absoluta. É algo formoso e não dura para sempre. Mas enquanto durar, disfrutemo-lo como quem acaba de ganhar a lotaria. Pode ser que mais tarde nos desconcentremos e percamos este estado exuberante. Mas podemos recuperá-lo se voltarmos a recomeçar. Esta tremenda força para alcançar este ou qualquer outro objectivo depende exclusivamente da nossa habilidade para viver no presente. A vontade, a determinação, a perseverança, o desejo apaixonado e a autoconfiança inquebrantável, não devem ser procuradas como coisas separadas ou pensando que algumas pessoas as têm e outras não. Todas elas surgem simultaneamente quando mergulhamos profundamente no presente. E o presente é o mesmo para todos. Porque a nossa essência espiritual é a mesma para todos e essa essência tem as mesmas promessas para todos. Não há pessoas com maior vontade ou coragem. Há pessoas com maior habilidade para mergulhar no presente do que outras. Realmente somos grandes quando nos tornamos presentes. Aí unimo-nos a Deus e, uma vez impulsionados, nada nos deterá. Assim preparados, pratiquemos a macrobiótica a fundo, com toda a sinceridade e empenho. Púnhamos muita atenção à mastigação. Mastiguemos bem agora, cada bocado, cada sorvo de chá, como se fosse a coisa mais importante que fazemos na vida. Tudo o que façamos no presente deve ser feito com toda a força da eternidade, porque o agora é a eternidade. Estudemos conscientemente, leiamos os livros sobre o princípio das mudanças e sobre as leis espirituais. Ponhamos paixão nos nossos estudos.

E, por favor, façamos exercícios diariamente, tranquilamente, mas vivendo intensamente cada movimento. Cada movimento como se fosse a coisa mais importante do universo, cada postura de ioga, como se milhões de pessoas nos estivessem a ver na televisão. É assim que Deus age, dedicando toda a sua atenção a cada pequeno detalhe da vida quotidiana. Depois de algumas horas ou dias, esta prática de estar no agora, com todo o seu esplendor, passará a ser algo habitual, e sentiremos uma alegria indiscritível. Dando toda a nossa vida em cada gesto, obteremos a plenitude do poder. Se praticarmos macrobiótica desta forma, não poderemos falhar. Ao fim de algumas semanas ou meses, sentiremos uma profunda certeza de que atingimos o nosso objetivo. Sentiremos uma felicidade nova, algo que nunca mais vamos querer perder. E por isso a nossa prática continuará. A nossa destreza na cozinha será cada vez maior e todas as nossas habilidades correntes serão incrementadas com uma força imensa e deliciosa. 

Por isso, se quisermos conservar este novo estatuto, devemos continuar e, ainda assim, devemos evitar pregar. Apenas o nosso exemplo, irá atrair as pessoas. Quanto mais elevado for o nosso nível de energia, maior será o número de pessoas que serão atraídas. E então poderemos falar. E as nossas palavras devem surgir das profundezas do universo, inspiradas pelo espírito, e manifestadas no agora. Então poderemos falar e seremos ouvidos. E nos agradecerão. Essa é a verdadeira ajuda aos outros. E as nossas palavras e o nosso exemplo darão vida aos outros. É disso que se trata, o catequizar pelo exemplo. É fácil de fazer se usarmos a força do universo. Muito difícil de fazer se desconhecermos a importância do presente, se vivermos sem foco.

DR. Martín Macedo, Uruguay, 2017.



Saturday, December 14, 2024

 


  • COENTROS
  • Por: Miguel Boieiro

- Conheces o cilantro? Dizem que é uma aromática fantástica!

Estávamos em mais um dos muitos colóquios sobre as PAM (Plantas Aromáticas e Medicinais), para os quais tenho sido assiduamente convidado, e a pergunta, vinda daquele amigo, deixou-me embaraçado.

- Não! Não conheço, mas olha, não tenho a veleidade de conhecer todas as plantas, nossas irmãs, que connosco coabitam. De resto, é incomensuravelmente mais, mesmo muito mais, as que desconheço!

Respondi contrafeito e logo prometi a mim mesmo, procurar o tal cilantro que, segundo o meu amigo, seria profuso nas regiões temperadas. Concluí que afinal, ele se referia simplesmente ao Coriandrum sativum, ou seja, ao vulgar coentro, cuja utilização é quase quotidiana na nossa cozinha. Cilantro é a designação castelhana que, na maior parte dos países hispânicos americanos, passa a culantro e noutras regiões, a salsa chinesa ou salsa árabe. Para evitar confusões quanto às nomenclaturas, nunca deixo de colocar o nome científico nas minhas toscas croniquetas botânicas. Tais confusões surgem amiúde mesmo que se reproduzam imagens. Neste caso, elas seriam totalmente desnecessárias porque toda a gente conhece os coentros e sabe que coentros e rabanetes vão à mesa do rei, como diz a canção.

Quando falo de coentros, vem-me à memória a visita efetuada à aldeia do Coentral. Alguém conhece esta terra perdida nas serranias da Lousã? E vejam, cá estão, mais uma vez, as plantas a influenciar as toponímias. Ora há duas décadas, se tanto, a Sociedade Portuguesa de Naturalogia decidiu realizar o seu acampamento anual nas imediações de Castanheira-de-Pera, bem no sopé da Serra da Lousã. Fizemos então uma caminhada até aos tradicionais neveiros onde se guardava o gelo que, com muito esforço, chegava à corte e à mesa do rei, o qual, segundo parece, adorava gelados. Depois descemos a serra pela parte sul e descansámos na típica povoação do Coentral que, a despeito do seu atraente casario e de outras agradáveis amenidades urbanas, só contava, na altura, com cerca de cem habitantes. Calhando, hoje ainda terá menos, mas basta-lhe a originalidade do nome para lhe conferir vetusta personalidade.

O Coriandrum sativum, uma das cerca de 3700 espécies que integram a família das Apiaceae, é uma erva tenrinha, prima da salsa, mas com folhas menos brilhantes e mais arredondadas. As flores, assimétricas, surgem no cimo dos delicados ramos quando a planta espiga, brancas e rosadas e são muito aromáticas como aliás, toda a planta. A raiz, esbranquiçada, é alongada e pivotante. As folhas superiores, pendentes nos caules eretos que chegam a atingir meio metro de altura, ficam mais pequenas do que as basais. Por sua vez, as sementes são globulosas, tendo de 3 a 6 mm de diâmetro.

Julga-se que os coentros são nativos da Europa meridional, norte de África e Ásia menor. Eles preferem solos leves e permeáveis dos climas temperados, resistem ao frio, mas não suportam ventanias nem encharcamentos.

Têm como principais constituintes, óleo essencial, cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio, zinco, selénio, betacaroteno, tiamina, niacina e riboflavina. Descobriu-se recentemente que também possuem um álcool com ação antibiótica que atua contra a salmonela, chamado dodecanol.

Eis as suas principais propriedades medicinais: estimulante, antiespasmódica, estomacal, bactericida, carminativa, analgésica e antioxidante. Atenua o risco da diabetes e da obesidade, neutraliza o odor do alho e é útil nas inflamações urinárias. O livro “Guia dos Alimentos Vegetais” de Jean-Claude Rodet, um dos fundadores da Agrobio- Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, acrescenta que na Índia os coentros são considerados afrodisíacos e ainda que fazem aumentar as glândulas mamárias, atenuam as enxaquecas e as infeções das mucosas da boca, gengivas e olhos e, em loções e pomadas, reduzem as dores reumáticas.

Na gastronomia, como sabemos é bem grande a sua versatilidade. Para além de servir para guarnecer e alindar os pratos, tornam-se indispensáveis na cozinha indiana (currries, masalas…), na árabe e na etíope, sem esquecer as nossas açordas alentejanas, os pezinhos de coentrada e outros acepipes. Devido ao sabor acre, cítrico e picante das sementes, elas são utilizadas nalguns países para aromatizar o gim, a cerveja e o vinagre. De resto, constituem também um excelente digestivo quando mastigadas após as refeições, aliviando as dores de estômago ocasionadas por comidas pesadas.

No entanto, há pessoas que não gostam de coentros pois acham que têm sabor a sabão (?). Em minha opinião, deveriam provar uma deliciosa sopa confecionada à base de coentros como a que costuma ser servida no Restaurante Alfoz (passe a publicidade). É de comer e chorar por mais!

Miguel Boieiro, Dezembro de 2024.

Sunday, December 1, 2024

 


OSTEOPOROSE

Trata-se de uma desordem óssea caracterizada pela diminuição da densidade óssea. A estrutura do osso está normal, só que a quantidade de tecido diminui e se esta diminuição alcançar um ponto crítico, o osso torna-se tão inconsistente que se fractura facilmente e não desempenha adequadamente a sua função como sustentador mecânico do corpo. O osso é um órgão. E está sujeito a alterações. Em determinados focos do tecido ósseo coexistem dois processos: a reabsorção óssea levada a cabo pelos osteoclastos e a renovação óssea por parte dos osteoblastos. Estes processos de destruição do osso envelhecido e a substituição por osso novo, são levados a cabo em focos chamados unidades de remodelação óssea. Normalmente há um equilíbrio entre a destruição e a renovação, mas na osteoporose, a osteodestruição é acelerada ou a renovação é retardada ou há uma combinação de ambas as alterações. Portanto, existe um desequilíbrio em direcção à diminuição da quantidade de tecido ósseo. O osso torna-se menos denso e frágil e isso favorece as fracturas espontâneas ou os traumatismos mínimos. Investigações médicas sustentam que as mulheres perdem durante a sua vida cerca de 45% da sua massa óssea. Os homens aproximadamente 23%. A osteoporose é responsável por 1.000.000 de fracturas por ano nos EUA, sendo as mais frequentes as fracturas vertebrais, da anca e do pulso. Clinicamente manifesta-se por dor nas costas, cifose (curvatura da coluna vertebral para a frente - a “corcunda”) e por fracturas fáceis. Predomina nas mulheres brancas dos países nórdicos. A maior densidade óssea têm-na os homens de raça negra. Os homens brancos e as mulheres negras têm uma densidade óssea intermédia entre estes dois extremos. Com o andar do tempo a reabsorção óssea predomina sobre a neoformação sobretudo nas mulheres a seguir à menopausa. A diminuição da densidade óssea é normal à medida que envelhecemos, mas acentua-se na mulher quando declinam os estrogénios com a finalização da idade reprodutiva.

É normal a redução da densidade óssea com a idade, mas na osteoporose esta diminuição é muito acentuada e isso é patológico. Uma em cada três idosas e um em cada seis idosos sofrem fracturas da anca após os 65 anos e este tipo de acidente está associado a uma mortalidade de cerca de 15%. Se encararmos o problema em termos de yin-yang, poderemos constatar que o processo da vida vai de yang extremo ao nascer a yin extremo ao morrer. O processo de envelhecimento é um processo yin de expansão e diminuição da actividade. A vida é yang; a morte é yin. Se consumirmos muito yin em forma de açúcar, álcool, bebidas cola, farinhas refinadas, gelados e outros alimentos acidificantes e desmineralizantes, então iremos precipitadamente para o extremo yin, ou seja, encaminhar-nos-emos ansiosamente para a morte. Não podemos deter o passo do tempo, mas podemos retardar tremendamente o caminho entre os dois extremos, se aplicarmos o princípio de yin-yang. A dieta ocidental, rica em proteínas animais produz um sangue ácido pela degradação de proteínas em ácidos, como o ácido úrico e outros produzidos pela metabolização proteica. O abuso de carnes e alimentos animais ao gerar uma forte e extrema yanguização, cria desejos quase incontroláveis por líquidos e doces (extremo yin). Estes alimentos muito yin geram acidificação sanguínea, obrigando a extrair minerais como o cálcio das reservas corporais para neutralizar o excesso de ácido. A ingestão de quantidades excessivas de líquidos diuréticos (café, bebidas cola, mate, chá comercial, refrigerantes açucarados), promove a frequente e abundante micção e por aí se esvaem grandes quantidades de minerais como o cálcio. E então bebe-se leite para fornecer cálcio, mas a proteína do leite cria ácido que conduz a um roubo de cálcio dos ossos. No final todo o cálcio, o ingerido e o das reservas corporais, escapa-se pela urina. Isto é agravado com a recomendação de tomar abundantes líquidos por parte de alguns sectores da medicina oficial. Se bem que promover a micção abundante ajude a eliminar toxinas, também ajuda a que escapem valiosos nutrientes do corpo. Recentes investigações mostram que as mulheres chinesas têm uma densidade óssea muito maior do que as mulheres europeias. Incrivelmente as chinesas não bebem leite pois consideram isso uma prática absurda e infantil. As mulheres brancas europeias, tradicionalmente consumidoras de grandes quantidades de lácteos e proteínas animais têm os ossos mais frágeis apesar de ingerirem mais cálcio. A ingestão de cálcio das asiáticas, é proveniente de fontes vegetais como a soja, as algas marinhas e as sementes como o sésamo e os vegetais de folha. Consomem 1/3 do cálcio que uma europeia consome, mas a sua qualidade é completamente diferente. Quanto mais ácido mais osteoporose. Quanto maior for o consumo de carnes, ovos, frango, juntamente com açúcar e bebida doces, maior será a perda óssea. É muito simples: é um transtorno causado por ácido e o ácido é yin, neste caso provocado pela combinação de extremos yin e yang. Outro factor que agrava a perda óssea é a falta de exercício físico. As mulheres brancas diminuíram as tarefas manuais nos últimos três séculos devido à prosperidade nórdica. Enquanto as mulheres indígenas e africanas, devido à simplicidade da sua vida no campo, continuaram com o trabalho físico duro. E isso, juntamente com a alimentação tradicional e simples, protegem-nas da osteoporose. Mas, quando as mulheres de raça negra emigram para países ricos e adoptam o estilo de vida refinado, com comidas “ricas” e vida sedentária começam a debilitar gradualmente os seus fortes ossos.

A ciência clássica admite que o açúcar debilita a sólida estrutura dental, agora deveria também admitir que também o faz com todo o sistema ósseo. E, portanto, poderíamos dizer um pouco grosseiramente que a osteoporose é uma espécie de “cárie” dos ossos do esqueleto (mas não há infecção). Yin trata-se com yang. A forma de devolver solidez e densidade aos ossos é solidificando todo o organismo. E para isso a dieta semi vegetariana, alcalinizante e rica em minerais e vitaminas permite o gradual fortalecimento do sangue e de todos os tecidos, incluindo o tecido ósseo. No entanto, o processo de remineralização poderá ser lento e levar algum tempo mais ou menos extenso até corrigir este transtorno, sobretudo se já estiver em estado avançado.

Mas o importante é começar, e o mais depressa possível …

Martín Macedo (2013)

 

FALEMOS DE CÁLCIO VEGETAL

(Esmaca - https://pt.linkedin.com/school/esmaca--escola-macrobi-tica-de-catalunya/)

Talvez já te tenham dito que, para ter ossos fortes, precisas de beber leite. No entanto, não são produtos lácteos que o teu corpo precisa para manter uma boa densidade óssea; o que ele precisa é de CÁLCIO.

E se estás a pensar que esses alimentos são a única fonte de cálcio, nada pode estar mais longe da verdade. De facto, existem alimentos de origem vegetal que têm um teor de cálcio muito mais elevado do que os de origem animal e, além disso, possuem nutrientes que favorecem a absorção e a fixação do cálcio.

Para uma correta assimilação do cálcio, é necessária a presença de outro mineral, o magnésio. Este mineral regula a absorção e a assimilação do cálcio. É por isso que os alimentos ricos em cálcio que também contêm magnésio têm uma melhor absorção.

Por exemplo, um prato de brócolos fornece a mesma quantidade de cálcio que um copo de leite, mas como também contém magnésio e vitamina K, a sua absorção é muito maior, praticamente o dobro. Enquanto o cálcio fornecido pelo leite é assimilado em 32%, o dos brócolos é assimilado em 61%. Outros vegetais crucíferos, como a couve, a Kale, o repolho e a couve-flor, têm também percentagens de absorção superiores às dos produtos lácteos.

Onde encontrar magnésio?

- Experimenta as algas marinhas, que são ricas em minerais e uma das melhores fontes de cálcio e magnésio: wakame, kombu, arame, nori...

- Que não falte o verde nos teus pratos - os alimentos ricos em clorofila são ricos em magnésio. Inclui diariamente: couve verde, couve galega, couve-Kale, couve-de-bruxelas, brócolos, o verde do alho francês (que geralmente se deita para o lixo ...) ...

- Os cereais integrais, especialmente o trigo sarraceno e o amaranto, também contêm quantidades interessantes deste mineral.

- Não te esqueças das leguminosas: azuki, outros feijões, lentilhas, incluindo a soja e os seus derivados.

- As sementes são igualmente ricas em magnésio, as de sésamo, por exemplo, fornecem não só magnésio, mas também até 9 vezes mais cálcio do que o leite.

Por outro lado, a vitamina K2 é também chave para a formação óssea, uma vez que promove a integração do cálcio nos ossos. Além do mais, previne as calcificações vasculares e dos tecidos moles.

Fontes de vitamina K

- O Natto miso é o alimento com maior teor de vitamina K2. Este alimento é obtido a partir do processo de fermentação da soja amarela com esporos de Bacillus subtilis natto. Pode ser encontrado em ervanárias especializadas.

- O chucrute é também fonte de vitamina K2, embora em menor quantidade. Os legumes de folha verde, como a couve Kale e a couve-galega, são muito ricos em vitamina K1, que será transformada em K2 através da ação das bactérias digestivas dos nossos intestinos.

A vitamina D também é necessária para uma correcta absorção do cálcio. 

- A melhor fonte é a exposição adequada ao Sol.

- Se quiseres beneficiar desta vitamina na tua dieta, uma das melhores opções veganas são os cogumelos shiitake secos.

E como fonte de cálcio de origem vegetal, qual escolher?

Felizmente, a lista de alimentos com grandes quantidades de cálcio no mundo vegetal é imensa. E lembra-te que a maioria destas fontes são também ricas em magnésio e vitamina K.

Para que tenhas uma ideia da sua riqueza, toma como referência que 100 g de leite têm cerca de 120 mg de cálcio e dá uma vista de olhos à seguinte lista:

As algas marinhas são os alimentos com maior aporte de cálcio. A alga Hiziki tem 1400 mg, a Wakame 1300 mg, a Kombu 800 mg e a Arame 830 mg. Como podes ver estes valores são muito superiores aos dos produtos lácteos. Pequenas quantidades diárias de algas marinhas irão beneficiar a tua saúde óssea. Lembra-te de utilizar o tamanho de um selo de Kombu nas tuas leguminosas e a mesma quantidade de wakame para preparar as suas sopas miso ou purés de vegetais.

As sementes de sésamo deveriam estar presentes nas nossas refeições diárias. O seu teor de cálcio é de quase 1.000 mg. Polvilha 1 a 2 colheres de sopa de sementes torradas e trituradas no teu pequeno-almoço ou nas tuas refeições diárias.

As amêndoas são igualmente ricas neste mineral. Cerca de 270 mg. Uma mão cheia por dia, previamente demolhada em água e/ou torrada, enriquecerá os teus pequenos-almoços e lanches.

O amaranto e a quinoa (1) são dois cereais com uma quantidade interessante de cálcio. A do amaranto é o dobro da do leite e a da quinoa também é superior. Podes juntar 1 ou 2 colheres de sopa de amaranto à cozedura de qualquer outro cereal. Combina os teus pratos de quinoa com frutos secos como pistáchios, avelãs e nozes para obter mais cálcio. Estes frutos secos têm entre 140 e 200 mg.

Alguma vez pensaste que o feijão preto era uma fonte de cálcio? Contem cerca de 135 mg e o cozinhares com Kombu aumentará não só a quantidade de cálcio, mas também a sua taxa de absorção. O feijão branco tem valores semelhantes.

As folhas verdes e crucíferas, embora com menores quantidades de cálcio, são vegetais muito interessantes pelo seu aporte em magnésio e vitamina K.

Outros alimentos com valores próximos dos 100 mg são algumas proteínas vegetais como o tofu, o tempeh, as lentilhas ou o feijão azuki. A proteína é essencial para a formação da estrutura óssea. Quantidades adequadas deste nutriente assegurarão que temos aminoácidos suficientes para formar as proteínas dos ossos.

As bebidas vegetais enriquecidas com algas lithothamnium calcareum proporcionam 120mg de cálcio por 100g, enquanto algumas marcas de leite gordo de apenas contêm 115mg.  A alga Lithothamnium Calcareum (pesquisar na net) é facilmente assimilada pelo organismo e, quando seca, contém cerca de 30% de cálcio. Além disso, o seu baixo teor em iodo torna-a uma escolha perfeita para enriquecer este tipo de bebidas.

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(1) VER:

https://macrobioticapassadopresentefuturo.blogspot.com/2023_01_07_archive.html

Friday, November 29, 2024

 


SOMOS O QUE COMEMOS …

SOBRE A PAZ E A GUERRA

Drª Elena Corrales

A expressão "somos o que comemos" tem muitos significados. Hoje falamos da influência da alimentação no comportamento.

·      Em diferentes línguas distantes podemos ver os significados de algumas palavras como: guerra e paz.

·      Na China, o termo para paz, Wa, combina os ideogramas "cereal em grão" e "boca".

·      Na Índia, o termo védico para guerra significa "guerra das vacas".

·     Os orientais antigos sabiam intuitivamente que uma alimentação composta por cereais integrais favorecia uma sociedade pacífica e saudável, enquanto que o consumo excessivo de alimentos animais produzia desordens pessoais e sociais.

·  No ocidente, a epopeia "Paraíso Perdido" de John Milton atribuiu um passado feliz e pacífico a um modo de vida sustentado pelos cereais e vegetais.

· Em "A República" de Platão, Sócrates afirmava que uma dieta de qualidade vegetal era a essência da paz.

· É surpreendente que os estudos antropológicos, sociológicos e históricos modernos estejam a confirmar a sabedoria do passado.

Num simpósio sobre antropologia e violência social, a antropóloga Margaret Mead propôs mudanças radicais na dieta para prevenir as guerras actuais. Isso implicaria não utilizar animais como fonte de alimento, de modo a que, respeitando a vida animal, por extrapolação, a vida humana fosse respeitada.

O Professor Quincy Wright, após estudar 600 culturas primitivas, concluiu que a luta armada é mais prevalecente nas sociedades onde os alimentos de origem animal são dominantes na dieta do que em sociedades mais vegetarianas.

Classificou as sociedades modernas de acordo com o número de guerras em que estiveram envolvidas nos últimos cinco séculos, comprovando como os países ocidentais, com a Inglaterra à cabeça, cuja dieta é predominantemente carnívora, estiveram envolvidos em mais guerras do que os países orientais de tradição mais vegetarianos, como a China e o Japão.

·      A lista de estudos é interminável, no Líbano, Alemanha, Rússia, etc.

·   Se estudarmos zoologia podemos observar que os animais carnívoros têm um comportamento agressivo, em comparação com os herbívoros em que predomina um comportamento defensivo.

· Como os seres humanos são omnívoros, ou seja, podemos consumir alimentos tanto de qualidade animal como vegetal, devemos avaliar se a alimentação animal deverá ser a base ou o complemento da dieta.

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Thursday, November 28, 2024

 


SEGURELHA

·      “Julga-se que o nome latino “satureja” se deve a Plínio e provém de “sátiro” animal mitológico, metade homem, metade bode, que pastava em prados de segurelha e tinha um apetite sexual insaciável. Portanto, é antiquíssima a sua reputação como afrodisíaco. Conta-se até que, na Idade Média, os hortos dos mosteiros e conventos não podiam ter segurelhas, a fim de se controlar a excitação de frades e freiras” – Miguel Boieiro.

·      Está apresentada, da melhor maneira, a segurelha – e espero que não se esgotem as sementes nos próximos dias …  – da família das lamiáceas que engloba muitas espécies de que, as mais conhecidas são a “Satureja montana” e a “Satureja hortensis” – a segunda sendo anual e mais suave, enquanto que a primeira é persistente e de sabor áspero. Ambas têm propriedades medicinais e gastronómicas basicamente idênticas.

·      As pessoas das aldeias da Beira Alta, da minha geração, lembram-se com certeza das belas sopas de legumes em que o feijão verde ou o “feijão engrolado” – ou “feijão enjoado”, como se diz cá para os lados de Leiria – e um raminho de segurelha eram obrigatórios.  

·      É uma erva aromática originária das regiões mediterrânicas, cuja essência lembra a hortelã e o tomilho mas mais apimentada. Contém um óleo essencial, rico em carvacol e cimol, taninos, fenóis, enzimas e vitaminas.

·      Medicinalmente é antiespasmódica, antisséptica, carminativa, estimulante, expectorante, depurativa, vermífuga, balsâmica e afrodisíaca.

Indicações

·      A infusão é boa para a flatulência estomacal e intestinal e para combater as bronquites, a fadiga crónica, a astenia e as cólicas, entre outros males.

·      A sua essência tem poderes bactericidas e antiparasitários.

·      Esfregada fresca nos locais do corpo picados por insectos, alivia a dor e o desconforto.

·      O seu sabor aromático levemente picante – que se mantém mesmo em cozeduras longas – faz dela um condimento precioso e especial em diversas comidas. O seu uso regular na cozinha leva à redução de sal e à diminuição da aerofagia resultantes do consumo de féculas e leguminosas – nos EUA é conhecida como a “erva do feijão”.

·      Utiliza-se finamente picada nos preparos: primeiro lavar os galhos em água corrente para remover as impurezas; depois deixar em solução antisséptica diluída em água por alguns minutos, seque e pique bem as folhas. Pode-se adicionar a segurelha no início ou no final das receitas, dependendo da intensidade do aroma desejado: quanto mais tempo cozinhando, mais suave o sabor.

Receitas

Infusão:

·      20 g de segurelha para 1 litro de água

·      Tomar 4 chávenas por dia

Aromatizar vinagre com segurelha:

·      Colocar dois ramos da erva num frasco; numa panela, ferver a quantidade de vinagre necessária para encher o frasco; colocar o vinagre fervido no frasco, tapar bem e guardar longe da luz. Espere duas semanas antes de usar.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

·      “As Plantas Nossas Irmãs” – Miguel Boieiro, 2018.

·      “Como plantar segurelha”

OUTRAS REFERÊNCIAS INTERESSANTES

·      https://viveirosabordefazenda.wordpress.com/2015/02/19/3068/

·      https://hortajardimnavaranda.wordpress.com/2014/06/18/ficha-de-planta-segurelha/



 


POEJO

·      O poejo é a Menta polegium, erva aromática muito conhecida na gastromia alentejana e nas terras da raia do distrito da Guarda.

·      Utiliza-se como planta medicinal, condimento alimentar e no fabrico de deliciosos licores que, diluídos em água, dão origem a bebidas refrescantes muito agradáveis.

·      É facilmente detetável pelo seu cheiro penetrante e agradável.

·      O poejo tem sido utilizado desde tempos primitivos como planta curativa de grande prestígio. Os romanos utilizavam-no como afrodisíaco e remédio contra o alcoolismo.

·      Actualmente continuam a ser muitos os povos atraídos por esta plantinha humilde mas bem cheirosa e em cada país se privilegia uma dada utilização: na Argélia, para acalmar as náuseas e impedir os vómitos; em Marrocos, para combater as infecções dos órgãos genitais femininos; na Rússia, para baixa a febre; em Espanha, como vermífugo; na Alemanha, contra a anemia; …

·      Podemos, pois, afirmar que o poejo possui propriedades: analgésicas, antiespasmódicas, carminativas, digestivas e tónicas. Tanto cura tosses rebeldes como favorece as digestões, como proporciona um bom elixir dentífrico e afasta o mau hálito, como debela a rouquidão ou um ataque de anginas, como alivia as crises dolorosas da espinha dorsal, como serve de tónico cardíaco.

·      “Tal como não há molhos sem sal, não existe um bom chá sem mentas” (Dr. Kunzle).

RECEITA DE CHÁ DE POEJO

·      Deitar 1 litro de água fervente sobre 15g de planta seca, ou 30g, em verde.

·      Deixar em infusão durante 15 minutos e coar.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

·      “As Plantas nossas irmãs” – Miguel Boieiro



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