Monday, October 19, 2026

 

EQUILÍBRIO DINÂMICO NA VIDA QUOTIDIANA

Dr. Martín Macedo – IN: “O Regresso do Homem de Sal”

Procuramos o equilíbrio a cada momento. Por exemplo, ao caminhar, estamos continuamente a equilibrar-nos; de outra forma, cairíamos. Devemos pensar sempre em termos de yin e yang e procurar equilibrar-nos: equilibrar a expansão e a contração, a força e a delicadeza, a ação e o repouso.

Como aprende uma criança a caminhar? Levantando-se e caindo. Assim aprende a criança e assim aprendemos nós.

Todos os dias preparamos os alimentos, procurando equilibrar os seus sabores, cores e qualidades energéticas. Devemos adaptar-nos às condições climáticas, às nossas necessidades pessoais e às nossas preferências de sabores. Se os alimentos estiverem bem preparados, devem proporcionar-nos força e satisfação; caso contrário, sentir-nos-emos com falta de energia e insatisfeitos.

Por isso, devemos desenvolver, de forma subtil, a arte culinária. É a ferramenta fundamental para nos equilibrarmos e adaptarmos às condições da vida, que estão em permanente mudança. É necessário que nos tornemos excelentes cozinheiros e cozinheiras para podermos ter êxito na arte de equilibrar as condições em constante transformação da vida quotidiana.

Para isso, são essenciais a prática e a experiência. A experiência é intransmissível e devemos adquiri-la com paciência. Devemos estudar continuamente esta técnica. Estudando e praticando, mais cedo ou mais tarde tornar-nos-emos verdadeiros especialistas e poderemos criar os pratos adequados para alcançar, quotidianamente, o bem-estar e a felicidade.

Para aprender, é necessário errar. Acertar e errar são o yin e o yang, as duas faces da mesma moeda. Não devemos ter medo de errar; só a partir do erro conseguimos chegar ao acerto.

Não devemos ficar preocupados com o desequilíbrio; o desequilíbrio não é assim tão mau, desde que não seja fatal. Se um prato não ficar equilibrado, sentiremos falta de harmonia, e isso motivar-nos-á a procurar o equilíbrio.

Portanto, equilíbrio e desequilíbrio são ambos importantes e constituem as duas faces da mesma moeda.

Desejamos o equilíbrio, a saúde, a harmonia e a felicidade e, por outro lado, evitamos ou tememos o desequilíbrio, a doença, o conflito e o sofrimento. Porém, é a partir das situações de crise que surge a MOTIVAÇÃO, quase angustiante, para transformar a instabilidade em estabilidade.

Por isso, a dificuldade e a facilidade devem ter o mesmo peso na balança da vida. São os dois braços da realidade e precisamos de ambos.

Nunca encontraremos a saúde evitando a doença e nunca alcançaremos o equilíbrio fugindo ao desequilíbrio.

Não progrediremos um milímetro se fugirmos das dificuldades; muito pelo contrário, é mergulhando corajosamente nas dificuldades, nos problemas e nas crises que poderemos transformá-los para sempre.

A bela flor de lótus só surge da lama mais suja. A maior riqueza surge da pobreza mais profunda. Os maiores mestres da macrobiótica experimentaram profundamente as doenças mais graves e as dificuldades mais intensas.

Não procuremos o equilíbrio no próprio equilíbrio, porque nunca o iremos encontrar. Não procuremos a beleza naquilo que já é belo, porque a beleza é efémera, como uma formosa flor que vive apenas um dia...

Atravessando o rio da vida, lutando contra a corrente e os remoinhos, chegaremos às margens da felicidade e da paz.

É o paradoxo da vida.

Por agora, basta-nos saber que o caminho mais curto para chegar é o mais difícil. O caminho fácil é o mais longo e, a longo prazo, o mais difícil.

É o grande paradoxo da filosofia oriental. Por isso, é tão enigmática e, por vezes, parece uma contradição.

Como tudo se transforma, acabamos sempre de mãos vazias. É o mundo da contradição, mas a realidade é assim e, se quisermos resultados reais, devemos trabalhar de acordo com as regras da realidade.

A realidade é mudança; a realidade é yin e yang, mas a realidade é bela e fascinante.

Para termos as mãos cheias, só teremos de as esvaziar. Aí está a chave: procurar o lado contrário àquilo que queremos alcançar.

Encontraremos satisfação assim que sentirmos a insatisfação. Encontraremos a força assim que experimentarmos profundamente a fraqueza e encontraremos a maior abundância no vazio mais profundo.

A vida quotidiana do macrobiótico é de grande atividade. A atividade permite-nos criar e alcançar os nossos objetivos.

SÓ QUEM SE CANSA É QUE ALCANÇA.

A vida quotidiana apresenta-nos muitas dificuldades, que devem ser enfrentadas com coragem e gratidão. Ao enfrentarmos essas dificuldades, tornar-nos-emos cada vez mais fortes e aprenderemos cada vez mais.

Consumindo bons alimentos, bem preparados e bem mastigados, proporcionaremos ao organismo a vitalidade infinita necessária para superar todas as dificuldades da vida quotidiana.

Quando a nossa força vital é grande, as dificuldades não nos preocupam; muito pelo contrário, divertimo-nos com elas.

Quando formos capazes de nos divertir com os problemas que a vida nos apresenta, teremos alcançado a verdadeira saúde. Esse é um dos sinais de que nos curámos profundamente.

Se os problemas nos sobrecarregam e nos parecem penosos, isso significa que a nossa constituição ainda é yin (profundamente cansada).

Devemos continuar a aprofundar o nosso estudo e a praticar com maior determinação, até descobrirmos que estamos no meio do paraíso, no meio da felicidade infinita...

 

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